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Para presidente da Academia Brasileira de Ciências, só bons
quadros garantem incremento da produção científica
O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC),
Eduardo Moacyr Krieger, defendeu em 10 de dezembro/2004, na
Unicamp, a necessidade de o Estado exercer um controle efetivo
sobre a qualidade das universidades brasileiras, tanto públicas
quanto privadas.
De acordo com ele, a liberação de recursos do Tesouro
deveria estar condicionada à apresentação de resultados por
parte das instituições de ensino.
Infelizmente, o governo federal nunca esteve preocupado
com este aspecto, que é fundamental para o país,
lamentou. Krieger, um dos mais renomados cientistas nacionais,
lembrou que a ampliação da produção científica, que tem
reflexos importantes no desenvolvimento, só será alcançada se
o Brasil conseguir formar e manter bons quadros.
O presidente da ABC apresentou a conferência de abertura do
simpósio Produção Científica no Brasil, realizado
no auditório do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW).
Evento reuniu cientistas de todas as áreas
Durante
o evento, que contou com a participação do vice-reitor da
Unicamp, José Tadeu Jorge, e do pró-reitor de Pesquisa,
Fernando Costa, Krieger chamou a atenção da platéia, formada
por professores, pesquisadores e alunos, para a necessidade de o
Brasil estabelecer um círculo virtuoso na área da ciência e
tecnologia, sob pena de perder espaço no cenário internacional
para países com a mesma potencialidade.
O presidente da ABC lembrou que a produção científica é um
elemento essencial ao desenvolvimento, que por sua vez gera
riquezas e condições para a sustentação das pesquisas. As
universidades, prosseguiu, têm papel central nesse esforço.
Krieger manifestou especial preocupação com a forma como se deu
a expansão das escolas privadas nos últimos dez anos. Estas,
destacou, empregam um número quase inexpressivo de doutores, o
que significa que produzem pouca ciência.
E isso, como sabemos, reflete diretamente na qualidade
do ensino. O cientista disse não tido tempo de conhecer em
detalhes o projeto de reforma universitária divulgado
recentemente pelo Ministério da Educação.
Mas segundo ele, um representante da ABC esteve presente à
solenidade de apresentação da proposta e destacou dois
aspectos, um positivo e outro negativo. O primeiro diz respeito
à implantação do ciclo básico nas universidades, medida
considerada acertada por Krieger.
Conforme o presidente da ABC, a idéia de um curso que tenha dois
anos dedicado ao ciclo básico e mais um ano para a especialização,
por exemplo, deve ser considerada por um país como o Brasil.
Nos Estados Unidos, por exemplo, metade dos estudantes
universitários está matriculada em cursos de curta duração,
comparou. O aspecto negativo identificado no projeto de reforma
universitária do governo, afirmou Krieger, está na ausência de
mecanismos que assegurem uma avaliação eficiente das instituições
de ensino.
Esse aspecto precisa estar contemplado na lei,
reivindicou, acrescentando que a Academia Brasileira de Ciências
contribuirá para o debate em torno do assunto.
Krieger assinalou que o Brasil precisará superar uma outra
dificuldade para ampliar a produção científica e alcançar
conseqüentemente o tão sonhado desenvolvimento. O problema,
disse, está relacionado à inserção dos cientistas no setor
privado.
A pós-graduação nacional, analisou, tem cumprindo com eficiência
o papel de formar bons mestres e doutores. O país está
triplicando, a cada dez anos, o seu número de doutores, que
atualmente está na casa de 9 mil/ano.
Entretanto, dos 125 mil cientistas brasileiros, somente
23% estão trabalhando nas empresas. O restante está na
academia. Nos Estados Unidos, ao contrário, 79% dos doutores
atuam no setor produtivo, comparou.
Não por acaso, completou Krieger, a Coréia, que em 1980 tinha
indicadores científicos e sociais comparáveis aos do Brasil,
experimentou um salto impressionante nos últimos 20 anos. Para
ficar num único exemplo, o PIB per capita do país oriental
passou de US$ 1 mil para US$ 10 mil no período. Lá, lembrou o
presidente da ABC, 54% dos cientistas atuam no setor privado.
Assim como os coreanos, nós precisamos superar o
desafio de transformar conhecimento em riquezas, disse. Ao
final da conferência, Krieger deixou a seguinte frase, cunhada há
cerca de um século pelo cientista Oswaldo Cruz, para a reflexão
da platéia:
Meditai se só as nações
fortes podem fazer ciência ou se é a ciência que as faz fortes.
O professor Paulo de Góes
Filho: compreensão dos processos sociais

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O professor José Penteado
Aranha: engenharias perdem terreno

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Carlos Tomei, da
PUC do Rio de Janeiro: matemática em alta

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Ângelo da Cunha Pinto,
da UFRJ: distribuição de cursos preocupa

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| Encontro
promoveu avaliações por áreas As ciências humanas, cada vez mais
preocupadas com questões da globalização, ganham papel
importante para a compreensão de processos sociais que
contribuam para a evolução científica como um todo,
afirmou o professor Paulo de Góes Filho,
da Academia Brasileira de Ciências, antes de sua
palestra no Simpósio Produção Científica no Brasil.
O encontro na Unicamp teve
avaliações específicas nas áreas de Ciências Físicas,
Química, Matemática, Ciências Agrárias, Ciências
Biomédicas, Ciência da Saúde, Engenharia e Ciências
Humanas.
Góes Filho observa que as ciências humanas e sociais
ocupam um lugar muito particular no conjunto das ciências.
Um indicador disto é que elas entraram na Academia
Brasileira de Ciências somente no ano de 2000, por
apresentarem uma metodologia e uma linguagem diferentes
das ciências ditas naturais e de exatas.
Sua linguagem é chamada de
autoral e, até que se instituísse o processo de
globalização, estavam mais voltadas para as questões
nacionais, para a construção da nacionalidade.
É muito recente o olhar das ciências
humanas para um mundo que hoje possui características
globais, mas elas vão se internacionalizar e participar
de forma mais ampla do processo de desenvolvimento e
tecnologia, prevê o professor.
José Penteado Aranha, professor da USP
convidado a falar sobre a área de engenharia, alertou
que a profissão vem exercendo atração cada vez menor
sobre os jovens. Ele percebe uma falta de sintonia entre
os números de P&D divulgados nacionalmente e as
expectativas do engenheiro no plano individual.
Há dez anos, dentre os
100 melhores vestibulandos da Fuvest, a metade tinha
optado pela Politécnica da USP; atualmente essa proporção
é de um terço.
O mercado está ruim.
Recentemente, em um evento em São José dos Campos, onde
trabalha, um engenheiro de aerodinâmica, de 38 anos de
idade, manifestou seu desejo de buscar pós-graduação
em gestão no exterior, pois não via mercado para
trabalhar caso a empresa entrasse em crise e ele fosse
demitido, informa.
A crítica do professor Penteado Aranha, em relação à
falta de uma política industrial que aqueça o mercado,
estende-se ao valor das bolsas para pesquisas.
Trata-se de uma área técnica
em que o pós-graduando fica submerso nos estudos por
cinco anos e, quando emerge, não sabe se conseguirá um
bom emprego.
As bolsas baixas contribuem para
uma situação irônica: se o mercado melhorar, aí é
que as pesquisas na academia serão esvaziadas de vez. Creio que foi Millôr Fernandes quem deu sua versão do ditado dinheiro não compra felicidade, questionando se felicidade traz dinheiro , versa o pesquisador da USP.
A área de matemática, por sua vez, vem evoluindo
bastante nos últimos 20 anos, na opinião do professor Carlos
Tomei, da PUC do Rio de Janeiro. Ele diz que o
mercado de trabalho está bastante favorável e que, no
campo das pesquisas, a qualidade aumentou bastante devido
ao estreitamento das relações com a comunidade
internacional.
Mas existem problemas
enormes de associação com o setor produtivo, já que não
se consegue gerar matemáticos que gozem de outras
alternativas profissionais que não sejam a de
simplesmente ensinar nas universidades, critica.
Outra crítica do professor, que
pertence a uma instituição privada, embora sem fins
lucrativos, é a disputa injusta de recursos para
pesquisas. O sinal que o governo envia é que as
instituições privadas não incentivam a qualidade. Acho
que as instituições, públicas ou privadas, deveriam
ser distinguidas pela competência, pondera.
Ângelo da Cunha Pinto, professor da
UFRJ, discorrendo sobre a produção científica na área
de química, apontou a criação do Programa de Apoio ao
Desenvolvimento e Tecnológico (PADCT), em 1984, como a
grande responsável pelo crescimento recente da
especialidade no Brasil.
Existem atualmente 125 cursos de
química no país, com 25 mil alunos matriculados,
formando 4.500 profissionais e titulando cerca de 300
doutores por ano.
O detalhe que preocupa Cunha
Pinto é a distribuição desses cursos por região.
Em 2003, o Sudeste concentrava 46 cursos, havendo
11 no Rio de Janeiro e apenas um no Amazonas. A maioria
dos cursos está no litoral, ao passo que não existem
pesquisadores na enorme região Norte.
Se formos discutir a questão da
biodiversidade, em que a química é fundamental, temos aí
um problema sério.
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jn unicamp
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