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"Aqui vai um alerta ao governo. Esta atitude para com
os aposentados e pensionistas poderá ser fatal na balança dos
rumos do governo popular, se não mudar sua postura e passar a
implantar políticas sociais que prestigiem o povão",
Silvio de Souza Gomes.
Até parece que os aposentados e pensionistas cometeram vários
crimes sociais e políticos em sua juventude como cidadãos
brasileiros.
O primeiro crime: quando durante 35 anos
contribuíram com a previdência social, garantindo o pagamento
dos benefícios dos aposentados e pensionistas da época.
O segundo crime: quando participaram
conjuntamente com toda a sociedade consciente na derrubada da
ditadura militar de 1964 conquistando a anistia e o retorno da
democracia no país.
O terceiro crime dos aposentados e
pensionistas de hoje, ainda como trabalhadores ativos, foi quando
participaram da Constituinte de 1988 auxiliando na construção
de nossa Carta Magna e na efetivação legal de muitos direitos
novos para a previdência social, como a sua extensão para os
trabalhadores rurais.
O quarto crime: quando foram ativistas e
participantes da epopéia política brasileira que foi a luta das
Diretas Já em 1985.
O quinto crime: esta juventude agora com
idade madura e perto de procurarem a aposentadoria para se
aposentarem, dando solidariedade aos já aposentados e sua apoteótica
vitória contra o governo do presidente Collor de Melo na guerra
vitoriosa do reajuste dos 147% em 1991.
O sexto crime: quando no ano seguinte os
aposentados e pensionistas foram o estopim do processo que
culminou com a renúncia do presidente Fernando Collor de Melo e
o seu impedimento por corrupção.
Com o avançar dos anos estas gerações heróicas da
juventude atingiram a idade de passarem a responsabilidade do
avanço da sociedade a seus filhos e filhas, e tornaram-se
aposentados e pensionistas, sendo que atualmente muitos deles são
líderes da terceira idade.
Mas no final do século XX a força política que chegou ao
poder após ter manipulado uma aliança política com os EUA e a
ajuda do FMI firmou compromissos obscuros que foram postos em ação
durante o seu governo para desarticular a sociedade brasileira e
passaram a ser reféns dos norte-americanos através da globalização.
Foi aí que vieram centenas de privatizações, no mínimo
indecentes, e entre elas medidas que favoreceram o avanço da
privatização da previdência social.
As armas utilizadas foram Medidas Provisórias, Projetos de
Lei, todos aprovados na calada da noite, como a escandalosa
Reforma da Previdência Social no ano de 1998, apesar de toda a
resistência da categoria dos aposentados e pensionistas reunidos
em suas entidades representativas em atividades de mobilização
realizadas em seus Estados e na capital do país, Brasília.
Mas, os governos de direita não perdoam aqueles que os
enfrentam e aproveitando-se de uma maquiavélica lei de
desvinculação dos benefícios do salário mínimo dividiu nossa
categoria.
Aqueles que infelizmente só ganham um salário mínimo
ficaram atrelados a esta quantia e a definição de reajustes
anuais pelo governo, e para cima do salário mínimo, desde
janeiro de 1992 passou-se a praticar a aplicação de índices de
inflação anual através do chamado INPC (Índice Nacional de
Preços ao Consumidor), e com isto funcionou o castigo,
porque nos últimos anos perdemos 47% do valor em nossos
reajustes e mais, com o achatamento ficamos condenados após mais
alguns anos a ficarmos também com benefícios próximos ao salário
mínimo.
Portanto, sofrendo as mesmas agruras de miserabilidade após
termos pagos 35 anos de contribuição, muito mais à previdência
social em termos de valores previdenciários com referência no
salário mínimo.
Esta divisão na categoria também causou o seu
enfraquecimento, pois, uma parte não luta, porque tem garantido
o seu reajuste com irrisórias frações de aumento real, e o
segundo grupo tem defasagem anual, porque o seu índice de
reajuste é inferior à inflação anual do ano. O reajuste
anunciado para estes neste ano é de 4,53% quando a inflação
real é de 7,02%.
Paralelamente privatizaram parte do filet mignon que passou às
mãos de banqueiros nacionais e estrangeiros que promovem a
especulação financeira.
Completando o castigo, os governos neoliberais
tiraram do INSS a guarda de sua arrecadação financeira e em
1999 fecharam seus conselhos estaduais e municipais que eram instâncias
fiscalizadoras e colaboradoras do andamento da parceria entre os
beneficiários da previdência e o governo para melhoria da
qualidade dos serviços.
Porém, como não existe mal que sempre dure, surgiu uma
oportunidade que poderia por fim a este hediondo castigo sobre os
aposentados e idosos, patriarcas da nação.
O milagre foi a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002,
resultado do enfrentamento ao quadro político existente no
Brasil até então, como o entreguismo econômico e o aumento da
miserabilidade da população e da corrupção generalizada das
instituições, oriundas dos governo Collor e Cardoso.
Surgiu a Coligação Lula Presidente com propostas de mudanças
e a sociedade brasileira encampou a mensagem. Nós idosos, em
grande parte, jogamos todas as nossas fichas no sonho e na
esperança de todos os trabalhadores de hoje e do passado, assim
como dos demais excluídos da sociedade.
Os aposentados e pensionistas aceitaram o desafio porque sabem
da responsabilidade que tem pelo país. Eles são 30% da economia
ativa da nação com seus benefícios que são gastos em todo o
Brasil e pagam religiosamente todo o imposto exigido, assim como
são colaboradores para a existência de parte dos empregos e,
por último, são o eixo motriz da economia de milhares de
pequenos municípios de todas as regiões.
Há uma decepção muito grande pelo reajuste do primeiro de
maio/2004 do salário mínimo (8,3%), onde parece que os ministros da
Fazenda, do Trabalho e da Previdência Social, desconhecem nossos
valores como aposentados e pensionistas, que merecem um reajuste
justo que ajudaria muito mais o fortalecimento social e econômico
de nosso Brasil.
Porém, como somos honestos e francos também criticamos a prática
de governo para com a categoria, quando alega igual aos
neoliberais do passado que somos os responsáveis pelo grande
déficit da previdência que têm o país, com nossos
benefícios.
Com isto, na prática, o governo continua a nos chamar de
vagabundos e a nos tratar como párias da sociedade que ajudamos
a construir na fase em que éramos os trabalhadores da ativa.
Criticamos também os índices de reajuste anunciados porque
na realidade brasileira eles não colaboram em melhorar a nossa
situação porque com este reajuste somos o menor salário mínimo
existente nos países que utilizam esta prática de remuneração.
Nas Américas, a maioria deles paga um valor superior a 100 dólares
ou mais.
"Aqui vai um alerta ao governo. Esta atitude para com
os aposentados e pensionistas poderá ser fatal na balança dos
rumos do governo popular, se não mudar sua postura e passar a
implantar políticas sociais que prestigiem o povão".
Este artigo não foi escrito por jornalista nem
analista político, mas sim, por um aposentado de 75 anos, com 50
deles dedicados à classe trabalhadora.
" Considero-me um soldado dela e de suas
lutas, tenho inclusive onze anos e meio de exílio. Sou petista
desde 1992 e fui presidente do Partido dos Trabalhadores em meu
município, Palhoça, no ano de 1998. Mas nesta luta fico a
disposição de minha categoria buscando a justiça social, em
qualquer tipo de posição que esta tome ".
sintufsc
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Sr. Silvio de S. Gomes
Felizmente nossa classe ( apos. e pens.) , ainda podemos contar com defensores ardorosos e amantes da justiça neste pais. Concordo plenamente e acho que devemos nos unir para concertar esta situação vergonhosa. Suelma Saraiva