"Não posso abandonar o Lula agora. Como
disse o pai de Fernando Sabino, se não acabou bem é porque ainda não acabou",
disse Ziraldo, sobre a situação política do país. "Estou com uma vontade de
meter o pau neles também."
ZIRALDO: “Sarney é a puta do congresso”
Mudaria o Lula ou mudei eu? Assim como McLuhan dizia que o meio é a mensagem, eu afirmo que o cargo é a atitude.
Mesmo que o Lula continue sendo o imenso boa praça que ele é, mesmo que ele continue sendo o bom marido de dona Marisa, o cargo de que está investido mudou o Lula, inteiramente. Ele está, meu Deus, com o jeitão do Getúlio.
Ele não tem culpa. O Sarney empolou todo, vocês se lembram? Não conseguia, coitado, nem fazer o gesto de positivo, com o dedão levantado.O Lula, pelo menos, este gesto, ele ainda faz. Os dois não têm culpa nenhuma.
As pessoas que se aproximam deles é que mudaram. Estive junto ao Lula, depois de eleito, e não estava mais diante do Lula, mas diante do presidente do meu País. Muda tudo.
Eu, por exemplo, não sabia mais como abraçá-lo; eu, que há pouco mais de dois meses, dava-lhe tapinhas na barriga. Isto, porém, não muda nada a minha visão do homem que hoje dirige o Brasil e nem a minha confiança nele. Aliás, confiança rima com esperança.
Como gostaria de falar para a mineirada toda o que disse lá, vou repetir tudo aqui. O que mais falavam os analistas políticos, no começo da campanha eleitoral, quando Lula mantinha os seus indefectíveis 30% de preferência do eleitorado, é que este era o limite histórico do candidato.
E mais: ele muito dificilmente ultrapassaria este limite. Aí, a campanha foi para as ruas e Lula se apresentou na televisão, num lindo programa em que inaugurou suas primeiras lágrimas.
Foi uma comoção! Lula chegou a 40% e todos se assustaram. Os mais realistas, porém, perceberam logo que a televisão provoca esses impactos (Roseana Sarney tinha estado próxima de vencer a eleição apenas com alguns gestos e olhares convincentes no vídeo).
A vida foi, porém, ficando real e Lula voltou à sua dezena de sempre. Pouco mais de 30 pontos inultrapassáveis, fiéis, feitos de confiança na biografia e no programa do candidato.
Para estes 30% Lula nem precisaria fazer discursos ou promessas; eram seus 30 de sempre! E veio e eleição.
Lula teve 62% dos votos. Sessenta e dois!!! E, agora, o que é que está acontecendo? Ao que tudo indica, neste seu primeiro mês, Lula brilhou: está fazendo pros seus 30% de sempre o que estava previsto, e para os seus novos 32% o que eles esperavam: para os 30, o Fome Zero; para os 32, tome Palocci!
Acredito, piamente, que, na área econômica, o que o Lula vai fazer não é o que o Lula está fazendo.
Ou seja: nós, os mais otimistas e esperançosos da área dos 30%, estamos certos de que a meta do Lula continua sendo uma mudança profunda na política econômica do governo.
Ainda que seja como a abertura do Geisel: lenta, segura e gradual. Miremo-nos no exemplo daqueles generais de Esparta.
Tem-se que ir devagar, essa é a minha tese. E a minha esperança. Que continua na sua vitoriosa (até agora) luta contra o medo.
Como estou passado dos 60 e tantos anos (não tenho coragem de pronunciar a palavra 70), e esta fase, antigamente, dava muita autoridade aos cidadãos da faixa, vou dar uma de mestre e contar uma fábula exemplar.
"Um homem ganhou a missão de ir recuperar uma fazenda abandonada. Era uma propriedade imensa, de boas terras, cheia de benfeitorias em ruínas. O homem chegou à entrada da fazenda e considerou o trabalho que o esperava. Abriu a velha porteira para adentrar a propriedade. Notou, então, que, no mourão da porteira, havia uma enorme casa de marimbondo, gorda, cheia de insetos ameaçadores, zunindo em sua volta. Ele tomou uma vara e disse: Vou destruir essa casa de marimbondos antes de entrar na fazenda . Deu-se um tempo e obtemperou: Peralá! Se mexo aí e me saem mais marimbondos do que espero, eles me atacam e me picam todo, posso até morrer; aí, não vou conseguir fazer o trabalho a que me propus . E decidiu: É melhor entrar devagarinho, ver exatamente do que a fazenda está precisando, estudar bem essa casa de marimbondos tanto vista daqui, como vista lá de dentro e aí, então, com tudo arrumado, volto aqui e dou um jeito nesta marimbondada . E fez até uma outra consideração pertinente: Posso até achar que é melhor deixar ela aqui, pra ninguém ficar entrando e saindo da fazenda".
Contada esta história de velho mestre, pergunto-vos, caríssimos leitores: preciso fazer algum comentário que torne meu raciocínio mais explícito?
E mais: preciso dizer que minha esperança é imorredoura?
sintufsc
por Diogo Tamoio
Sobre o Conselho Federal de Jornalismo, para "Ziraldo" é a pior atitude do atual governo.
Com um sentimento claro de insatisfação para com as atuais atitudes do presidente Lula, o cartunista, jornalista e escritor Ziraldo Alves Pinto, manifestou total desaprovação sobre a criação do Conselho Federal de Jornalistas, durante entrevista coletiva.
“ Essa é a pior coisa que aconteceu com o governo até agora. Lutei a vida toda para tirar pessoas como Antônio Carlos Magalhães e José Sarney do poder, e colocar alguém do povo, como o Lula. Estou decepcionado, mas ainda assim prefiro 10 Lulas a um FHC”, comenta, afirmando que o presidente do Senado, José Sarney, seria a “puta do congresso, que vai com quem tem poder, quem está mandando ”.
De acordo com o jornalista, quem quer governar precisa de governabilidade, ou seja, ter apoio do Congresso, mas nada justifica a criação do Conselho.
“Sem diálogo com o Sarney, ACM ou até com a oposição na Câmara, é impossível governar. Mas daí a querer censurar a liberdade de imprensa já é um absurdo. Todos estamos perplexos com as atitudes de Lula. E o pior é que ele (Lula) está se achando o máximo”, diz.
O Conselho, segundo Ziraldo, é uma tentativa absurda de controle da informação. “Sobre liberdade não se legisla”, afirma o jornalista.
“Essa e outras são atitudes de sindicalistas que querem ver o presidente implantar no país um poder ditatorial como na China. Mas vão lá e perguntem para os chineses se eles estão contentes com sua situação”, comenta Ziraldo, que participou durante o primeiro ano de mandato de Lula numa autarquia federal, e continua:
“quanto ao Lula, é preciso entendermos que não se faz governo sem concessão. Todos os dias, quem está em um gabinete em Brasília precisa lavar as mãos depois das 18h”, finaliza.
A sessão de perguntas aconteceu pouco antes de sua palestra durante a abertura do 1º Seminário de Educação e Comunicação da Faculdade Assis Gurgacz - FAG, em ago/2004, em Cascavel - Pr.
da redação IA
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Eu axu q vc ta super amiuinu desse besta aew meu no,mi t/ e Lula onsales
xau