"O brasileiro lê 1,8 livro por ano no geral, mas se pegarmos a população que lê efetivamente, chegamos a um número de quatro livros por ano".
"O livro no Brasil não é caro se compararmos com os Estados Unidos e Argentina; o elemento complicador é a baixa renda da população", diz Lobello.
Dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) indicam que
aproximadamente 80% das vendas literárias na categoria de não-ficção
no país são de autores do próprio Brasil.
Os números revelam um mercado em estado de amadurecimento e
capaz de acompanhar uma outra tendência da gestão federal: a de
exportação - no caso, de direitos autorais.
Na Feira de Frankfurt, que começou na quarta-feira
(06/10/2004), o Brasil tem a maior quantidade de editoras (cerca
de cem) expondo no mais importante encontro do setor.
"O livro no Brasil não é caro se compararmos com os
Estados Unidos e Argentina; o elemento complicador é a baixa
renda da população", segundo Marino Lobello,
vice-presidente da CBL. "A literatura no Brasil está cada
vez mais brasileira", afirma.
"Os alicerces dessa evolução estão sendo fundados a
partir dos últimos dez anos, quando o Brasil passou a formar
seus próprios autores. Carlos Heitor Cony, Ruy Castro e Luís
Fernando Veríssimo já eram autores reconhecidos, mas estavam
nas redações. Agora eles são best-sellers, como resultado
desse amadurecimento", diz Marino Lobello, vice-presidente
da CBL.
A última década também, de acordo com Lobello, foi responsável
por lançar novos autores brasileiros, que além do sucesso doméstico,
estão tendo visibilidade internacional.
"Até pouco tempo, quando se falava em literatura
brasileira no exterior só se pensava em Jorge Amado. Hoje há
uma infinidade de outros autores com espaço nas estantes das
livrarias", observa o vice-presidente.
De 1990 para 2001, segundo a CBL, o número de títulos
publicados anualmente quase dobrou e o faturamento das editoras
saltou mais de R$ 1 bilhão.
O faturamento do setor de livros no ano passado cresceu em
relação ao ano anterior - 8%, se consideradas as compras
governamentais, e 6% se consideradas apenas as vendas ao mercado.
Mas mesmo que o resultado seja positivo, o crescimento fica
abaixo da inflação do período (8,95%, segundo IPCA), mas próximo
da queda do Produto Interno Bruto (PIB).
Uma outra melhoria do setor de livros, que movimentou em 2003,
cerca de R$ 2,37 bilhões no Brasil, é seu aprimoramento no
acabamento das publicações.
"Houve um grande salto tecnológico, que nos permitiu
trabalhar com uma excelente qualidade", analisa Lobello.
O mercado brasileiro de livros também encontrou na comercialização
pela internet uma aliada. Pesquisa realizada pela E-Bit, empresa
de dados do setor, mostra que a venda de obras literárias em
lojas virtuais aumentou 29% em 2004 na comparação com o mesmo
período de 2003.
Livrarias que não vendiam antes pela internet estão com
projetos de implantação do sistema. Para a E-Bit, as vendas de
livro em sites ampliaram 100% e empresas já registram em 2004
faturamento maior do que o realizado ao longo de 2003.
Apesar das boas notícias, há ainda muito a ser alcançado. De
olho nas perspectivas futuras, empresários, autoridades e
profissionais do setor de livros do Brasil estarão reunidos em
Porto Alegre no 32º Encontro Nacional de Editores e Livreiros
para debater assuntos relacionados com o negócio do livro, suas
tendências, perspectivas e desafios para os próximos anos.
O evento vai integrar a programação da 50ª Feira do Livro de
Porto Alegre, que ocorre entre os dias 27 e 30. Promovido pela Câmara
Brasileira do Livro, o encontro colocará em pauta temas como
empreendedorismo, propaganda e mercado editorial, política do
Ministério da Cultura, entre outros.
"Apesar da maturidade do setor de livros no Brasil, somos
afetados pelas oscilações da economia, como todos os segmentos.
Por isso precisamos ser mais pró-ativos", comenta Marino
Lobello.
As ações da indústria do livro no Brasil estão em três
frentes prioritárias: estrutural, cultural e econômica. Do
ponto de vista cultural, a idéia é ampliar quantidade de
bibliotecas e livrarias, em número muito inferior ao tamanho
geográfico e populacional do país.
Ao todo são cerca de 500 editoras para 700 livrarias e 2.500
postos de venda alternativos.
O mercado ativo do país é de apenas 17 milhões de pessoas
alfabetizadas acima de 14 anos que compraram ao menos um livro no
último ano. O número é menos de 10% da população de 180 milhões
de habitantes.
"O brasileiro lê 1,8 livro por ano no geral, mas se
pegarmos a população que lê efetivamente, chegamos a um número
de quatro livros por ano", diz Lobello.
O problema cultural está no fato de o Brasil ter uma tradição
oral e uma herança literária muito frágil em termos de hábitos.
O dilema econômico está na falta de escala de produção, o que
aumenta seu custo.
CBL - Câmara Brasileira do Livro
(Literatura nacional conquista o Brasil - Vr Econômico -
01/10)
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