| Parteiras da Amazônia |
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| Escrito por Da Redação, Rui Martins | |
| Thursday, 07 October 2004 | |
Cerca de 920 mulheres, indígenas, caboclas e negras do Estado do Amapá, vivem diferenças culturais, lingüísticas, porem, em comum elas tem uma "vocação", são parteiras tradicionais, com diferentes técnicas e orações na hora do parto.
São donas-de-casa, pescadoras, agricultoras e extrativistas de castanha, que deixam seus lares para auxiliar as parturientes a dar à luz, sempre permanecendo com elas mais sete dias depois do nascimento. É a região do País, que tem a maior ocorrência (88%) de partos normais. O índice médio de cesarianas é 12%, abaixo da marca de 15% apontada como aceitável pela Organização Mundial de Saúde (DM5). Os povoados do Amapá, embora paupérrimos, trazem em sua maioria incontáveis antenas parabólicas ao lado de casebres de madeira com um único cômodo para toda a família. Até mesmo nas aldeias indígenas.
Fazendo uso de técnicas indígenas milenares, as parteiras auxiliam no nascimento de crianças por todo o Estado, atravessando grandes distâncias que dificultam o acesso entre as comunidades espalhadas pela floresta amazônica, alagados e cerrados. Recebem como pagamento um 'bocado' de milho ou outro cereal, uma galinha ou até mesmo uma pequena quantia de dinheiro de R$ 10 a R$ 40. Mas muitas se recusam a receber qualquer tipo de pagamento, pois acreditam terem sido escolhidas por Deus para a arte de "puxar barriga" e "pegar menino". A sabedoria dessas mulheres, a maioria analfabetas, que adquiriram um conhecimento muito 'especial' da vida e da morte, depois de participar do nascimento de centenas de crianças, entre elas, os próprios netos. O trabalho dessas parteiras envolve cantorias indígenas, rezas, preces e orações para várias entidades religiosas, como São Bartolomeu, a maioria, acredita ter recebido uma missão de Deus. Elas fazem massagens com ungüentos à base de gordura de animais e óleos vegetais. Dão chás e banhos com ervas nas parturientes. Usam lascas de bambu e fibras para cortar o umbigo do recem nascido. Conhecem ervas que ajudam a descolar a placenta. Usam óleo de andiroba, cânfora, copaíba, casca de barbatimão, verônica, folhas de hortelã do maranhão, mastruz, mel, chá de chicória com cominho (para aumentar as contrações) e chá de sete grelos do ingá (contra hemorragias), feito à base de uma árvore da várzea, fervida com sal. No período (7 dias), em que permanecem com as mães, elas lavam fraldas, preparam refeições leves, fazem massagens para que a barriga da parturiente volte ao lugar. Ensinam a não comer comida que prejudica a saúde da mãe e do bebê, como jacaré ou capivara. Orientam a comer coisas mais leves como galinha com caribé, que é uma farinha coada com água, sal, manteiga e alho. Os cuidados e a dedicação da parteira até que a mãe se restabeleça para enfrentar novamente os afazeres domésticos. Estas parteiras, também cumprem outra importante função social: são elas que fazem o cadastro de nascimentos nos povoados. Exercem sua profissão como atividade secundária. Receberam das mães os rudimentos da profissão e estão persuadidas que ser parteira é uma vocação divina.
Macapá, tem 223 parteiras, 105 estão na área urbana, em sua maioria negras e caboclas - que vivem em povoados caboclos, na comunidade negra de Curiaú, antigo quilombo na periferia de Macapá, e do arquipélago de Bailiki, na foz do rio Amazonas. E mulheres de comunidades indígenas do Oiapoque, no norte do Estado, esta região engloba 118 parteiras, que vivem em povoados separados por grandes distâncias. Muitas aldeias falam patuá, um dialeto que é uma espécie de francês arcaico. A região fica bem perto da Guiana Francesa. Na cidade de Oiapoque acaba de ser construída a primeira casa do parto do Amapá, com uma arquitetura que sugere uma mulher dando à luz. Durante muitas décadas, as parteiras foram vítimas de preconceitos. Tinham medo de ser presas por exercício ilegal da profissão. Em sua maioria religiosas, eram consideradas bruxas e feiticeiras, mas hoje, em Macapá, são realizados encontros e cursos para parteiras, visando à melhoria da qualidade de vida, o ensino de técnicas de assepsia e treinamento com barro para mostrar como puxar uma barriga!! e também como posicionar o bebê na hora do parto. Atualmente são distribuídos para as parteiras kits contendo o seguinte: panela de pressão (esterilizador), luvas, gaze, mercúrio, estetoscópio, fita métrica, balança, tesoura, sombrinha, capa de chuva, escovinha de unha, sabonete ou sabão de coco, álcool iodado, lanterna e colírio argirol para abrir os olhos do bebê. No Alto Juruá as parteiras trocam experiências com a ajuda do programa "Maria Esperança"
Acesse: Profissão - Parteira No Brasil são feitos, aproximadamente, 2,6 milhões de partos anuais. Desse total, 24% são cirúrgicos. O estado recordista é Mato Grosso, com 40,46% de cesáreas. Para coibir o alto índice de cesarianas no país, o Ministério da Saúde lançou, em 1998, uma portaria que determina controle rigoroso sobre o pagamento de no máximo 40% de cesarianas sobre o total de partos realizados pelo SUS. A medida, segundo dados da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direito Reprodutivo, conseguiu reduzir para 30% o número de cesáreas realizadas este ano na rede pública. As parteiras são responsáveis por 450 mil partos todos os anos. São 45 mil mulheres só nas regiões Norte e Nordeste. Destas, seis mil estão organizadas em rede. O Brasil ainda apresenta um coeficiente próximo de 110 mortes maternas por cem mil nascidos vivos. Elas correspondem a 6% dos óbitos de mulheres com idade entre 10 e 49 anos.
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escrito por Visitante, 2005-03-07 15:29:24
Fiquei comovida ao perceber que aínda existem verdadeiros Partos Naturais neste mundo. Exelente trabalho. Gostaria muito de poder ver o documental, só naõ sei se poderei achalo aqui na Europa.
Parabems. Carla Cid González Vigo, Espanha Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
Ana Cristina Gillet
escrito por Visitante, 2005-05-07 20:42:29
Extraordinário o trabalho feito com as parteiras do estado do Amapá.Ainda bem que o próprio governo do estado percebeu a importância que elas tem para a prática do chamado parto humanizado.
belém-pará Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
sara
escrito por Visitante, 2005-05-28 04:19:20
eu queria saber como eu fao para pegar informacoes de rondonia !
Curso aprovado de parteira.
escrito por Visitante, 2005-06-01 17:46:39
Estou a procura de cursos ou formacao de parteira no Brasil aprovado pelo governo. Alguem saberia me dizer se existe e onde? Obrigada. Hanne. Meu email e:
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NONNATO RIBEIRO - AMAP
escrito por Visitante, 2005-06-04 19:31:55
ESTOU ESCREVENDO PRA DIZER A TODOS VOCÊS DO ORGULHO QUE TENHO EM PARTICIPAR DO PROJETO PARTEIRAS TRADICIONAIS DO ESTADO AMAPÁ...
FICO FELIZ EM VER ESTE TIPO DE REPORTAGENS. PRA SABER MAIS... MEU EMAIL EH: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso ou pelo fone 0xx 96 9967 21 55 abraços >>>>>
Tricia Cavalcante
escrito por Visitante, 2006-05-05 05:21:02
achei excelente a iniciativa da produÇão deste documentário. Como faço pra conseguir a fita com ele completo?
Parabéns pela iniciativa, realmente precisamos divulgar o trabalho tão digno de nossas parteiras. Quem conhecer alguma PARTEIRA no estado do Ceará por favor mande um e-mail para: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso grata!
trabalho para faculdade
escrito por RAIMUNDO A . BARBALHO, 2009-05-19 17:45:06
estou fazendo um trabalho para a faculdade e vou usar as imformacoes de voces para o tema , agradeço muito por voces me ajudarem
... escrito por Mislene Mendes, 2010-02-25 15:45:24
Olá gostaria de saber se vocês tem informações sobre a presença de parteiras no interior do Amazonas. Se tiverem por favor, me indiquem materiais, onde eu possa obter esses dados.
Desde parabenizo esse trabalho realizado por vocês, e é muito interessante. Abraço! Escreva seu Comentario
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Cerca de 920 mulheres, indígenas, caboclas e negras do Estado do Amapá, vivem diferenças culturais, lingüísticas, porem, em comum elas tem uma "vocação", são parteiras tradicionais, com diferentes técnicas e orações na hora do parto.



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Wilson
Vacaria,RS
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