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Pergunta: O Brasil quer um Oscar?
Resposta: Claro, mas não por Olga.
Em seus 77 anos de história, a Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas de Hollywood nunca premiou um filme brasileiro.
Em nenhuma categoria.
Não estou contando O Beijo da Mulher Aranha, de 1985,
co-produzido por uma empresa americana e dirigido pelo argentino
Hector Babenco, que tem também cidadania brasileira. A única
vitória de O Beijo..., no caso, foi na categoria Melhor Ator:
William Hurt, que obviamente não nasceu no Rio de Janeiro.
O desejo por um Oscar se tornou uma espécie de obsessão para vários
jornalistas brasileiros e membros de nossa indústria cinematográfica.
Ganhar um Oscar, dizem, seria consagrar a nova e próspera
fase do nosso Cinema, que foi praticamente destruído pelo
ex-presidente Fernando Collor de Mello, mas renasceu em 1994 com o
sucesso nas bilheterias de dois filmes: Carlota Joaquina,
Princesa do Brasil, de Carla Camurati, e O Menino Maluquinho, do
diretor Helvécio Ratton.
Desde então, quatro longas-metragens do Brasil foram indicados a
Oscars (além do curta Uma História de Futebol, de Paulo
Machline): O Quatrilho, em 1996; O Que É Isso, Companheiro?, em
1998; Central do Brasil, em 1999; e Cidade de Deus, em 2004.
Antes disso, apenas um filme brasileiro havia sido
indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: o
maravilhoso O Pagador de Promessas, em 1963.
E o mais triste nisso é que, considerando os quatro longas
recentes, apenas Central do Brasil e Cidade de Deus realmente
mereceram as indicações; os outros dois já foram há muito
esquecidos merecidamente.
É assim que o processo de seleção dos indicados ao Oscar de Língua
Estrangeira funciona:
Cada país deve indicar oficialmente um candidato. Em seguida, a
Academia divide todos os filmes em grupos, e, então, os membros
de comitês especiais se dividem em comissões menores que ficam
responsáveis por cada grupo de filmes.
Depois que todos os títulos forem assistidos e julgados, os
cinco que obtiverem as melhores avaliações ficarão com as
indicações finais.
Dos filmes antes mencionados, apenas Cidade de Deus não
conseguiu a indicação para a categoria de Melhor Filme em Língua
Estrangeira, um erro enorme que foi corrigido no ano seguinte
quando foi indicado a quatro Oscars, fato sem precedentes:
Diretor (Fernando Meirelles), Fotografia (César Charlone), Edição
(Daniel Rezende) e Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani) -
novamente, não estou considerando O Beijo da Mulher Aranha.
Eis o problema: nos últimos anos, o comitê oficial brasileiro
vem tentando escolher o candidato que tenha mais chances de ser
indicado e de vencer o Oscar, e isto não significa que ele seja
sempre nosso melhor representante.
Em 2000, o comitê selecionou o decepcionante Orfeu,
ao invés do belíssimo A Ostra e o Vento. Em 2002, eles
escolheram Abril Despedaçado, o pior dos filmes de Walter
Salles, em vez do magnífico (mesmo que difícil) Lavoura
Arcaica, de Luís Fernando Carvalho.
Em 2004, o comitê escolheu o terrível Carandiru, ignorando
grandes candidatos como O Homem que Copiava, Dois Perdidos Numa
Noite Suja e O Caminho das Nuvens. Felizmente, a Academia deixou
Carandiru fora da competição.
Eu disse felizmente? É, disse. Ao contrário de alguns membros
do tal comitê, não quero ver um filme que não mereça ganhando
um prêmio tão cobiçado. Quero celebrar nossa inevitável vitória
com a consciência limpa: ganhamos porque o filme era ótimo, não
porque foi moldado para comover os eleitores da Academia.
Mas é provável que eu não consiga fazer isso.
Este são os oito filmes disputando para ser o indicado
brasileiro para o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em
2005: Olga, de Jayme Monjardim; Pelé Eterno, de Anibal Massaini
Neto; Cazuza, o Tempo Não Pára, de Sandra Werneck e Walter
Carvalho; Garrincha Estrela Solitária, de Milton Alencar
Jr.; De Passagem, de Ricardo Elias; O Outro Lado da Rua, de
Marcos Bernstein; Benjamim, de Monique Gardenberg; e Redentor, de
Cláudio Torres.
A indicação oficial do Brasil foi anunciada em 21 de setembro.
Os quatro primeiros indicados eram cinebiografias, o que foi uma
tendência interessante, considerando que alguns dos já
favoritos americanos também o eram: Ray, Finding Neverland,
Kinsey, Diários de Motocicleta (o melhor dos filmes de Walter
Salles) e Alexandre, além de Beyond the Sea, de Kevin Spacey,
que foi uma das atrações do Festival de Cinema de Toronto.
Agora... não vou nem comentar o fato de que dois dos melhores
filmes brasileiros do ano não estão sendo considerados:
Narradores de Javé* (que não foi registrado na competição por
sua diretora, Eliane Caffé) e Contra Todos, de Roberto Moreira,
que é desqualificado por não ser exibido no Brasil até
novembro.
O que realmente me incomoda é que todas as chances apontavam
para a seleção de Olga, sobre a socialista alemã Olga Benario,
que veio para o Brasil nos anos 30 para lutar contra a ditadura
de Getúlio Vargas e se apaixonou pelo revolucionário Luís
Carlos Prestes.
Depois de ser presa, ela foi mandada de volta para a Alemanha
por Vargas, que sabia ser isto equivalente a uma sentença de
morte, já que Olga era judia.
A história de sua vida é magnífica e, se
você tiver a oportunidade de ler a biografia escrita por
Fernando Morais, leia. Infelizmente, o filme mantém seu foco no
seu romance com Prestes e é excessivamente melodramático e
carregado de clichês (Monjardim construiu sua carreira como
diretor de novelas). No entanto, se o comitê seguiu a lógica do
'qual filme tem mais chances', Olga venceu.
Por quê? Ele traz uma história de amor arruinada pelo
Holocausto - e todos sabem que a Academia é louca por filmes
sobre o Holocausto.
Esta visão pragmática (e incorreta) do comitê brasileiro se
manifestou em outro lugar. Acredite ou não, apesar de The Five
Obstructions, de Lars von Trier e co-dirigido por Jorgen Leth,
ter sido escolhido pelo comitê oficial dinamarquês para ser seu
representante, um grupo de produtores do país decidiu obstruir a
decisão, alegando que a narrativa experimental faria com que
fosse impossível para o filme ser indicado ao Oscar.
'Não se trata apenas de escolher o melhor filme, mas aquele
que terá mais chances de ser indicado', disse um dos produtores
revoltosos.
Espero estar errado. Mas realmente temo que Olga possa ser o
primeiro filme brasileiro a ganhar um Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro. E isto seria uma vergonha.
Mau perdedor
Todos vocês já viram a cena: cinco pessoas são indicadas a um
prêmio e, quando o vencedor é anunciado, os outros quatro
aplaudem e assumem uma expressão alegre, tentando simular a aparência
de 'OK, estou bem com isso... ele realmente mereceu... estou
feliz de ter sido indicado, de qualquer jeito!'.
E aposto que você torce para, pelo menos por uma vez, um dos
perdedores abandonar a farsa e mostrar seus sentimentos
verdadeiros. Sei que eu torço. A cara de bravo de Bill Murray no
Oscar, quando Sean Penn venceu, quase satisfez este desejo.
Assim sendo, vocês precisavam ter visto o que aconteceu no Grande Prêmio TAM do Cinema Brasileiro, que está fazendo de tudo para se tornar tão importante quanto o Goya é para a Espanha ou o César é para a França.
Quando Hector Babenco foi (injustamente) anunciado como
co-vencedor do prêmio de Melhor Diretor por Carandiru (junto com
o merecedor Jorge Furtado, de O Homem que Copiava), alguém se
levantou na platéia e começou a protestar.
Era o diretor Cláudio Assis, que foi indicado por
seu primeiro filme, o impressionante Amarelo Manga. A atitude de
Assis não é exatamente recomendável, obviamente. A coisa mais
simpática que alguém pode dizer é que ele é um mau perdedor.
Mas algumas das coisas que ele disse durante sua explosão
deveriam ser ao menos consideradas protestos válidos. Ele alegou
que existe uma elite que domina a indústria cinematográfica no
Brasil, e não está errado neste ponto.
O momento que Assis escolheu, no entanto, não poderia ter sido
pior. Tudo o que ele conseguiu foi passar a impressão de que
estava sendo apenas desdenhoso por ter perdido o prêmio
e, assim, questões importantes que deveriam ser discutidas estão
sendo ignoradas.
Um grande abraço e bons filmes!
* Observação: um alerta para um erro: na verdade,
Narradores de Javé está, sim, competindo por uma vaga. O que
ocorreu foi um atraso na chegada da inscrição ao comitê, mas
como o formulário fôra enviado dentro do prazo estipulado pelas
regras, o longa pôde entrar na disputa. Uma ótima notícia (que
ficará ainda melhor caso ele seja o selecionado).
** Observação 2: É possível que Jayme Monjardim tenha
boicotado as próprias chances ao dizer, em uma entrevista à
Folha de São Paulo, que a cineasta Suzana Amaral (que tem 72
anos de idade) é uma 'debilóide' e 'frustrada' o que, além
de provar sua falta de educação, ainda evidencia seu
desconhecimento sobre tudo que diz respeito à produção
nacional, já que A Hora da Estrela, dirigido por Amaral, é um
dos filmes mais premiados da história do nosso Cinema.
*** Observação 3: A Comissão de Seleção que escolheu,
dia 21/09 o representante brasileiro ao oscar, foi formada por
cinco integrantes: Carla Camurati, André Luiz Pompéia Sturm,
José Geraldo Couto, Paulo Maurício Germany Caldas e Luiz
Severiano Ribeiro Neto.
O artigo foi publicado originalmente, em inglês, na
coluna Burden of Dreams, do site Hollywood
Elsewhere.
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2- Como pode ser avaliado o volume da divida externa brasileira?
Desejo a resposta de imediato para conclusão de um trabalho.
Att,
Maria.