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O Estado e o Investimento Estrangeiro na Economia PDF Imprimir E-mail
Escrito por H.B.Rohden   
Wednesday, 06 October 2004

À medida que a industrialização avançava, a partir de 1930, crescia a polêmica sobre a participação do investimento estrangeiro na economia.

 

A participação do Estado na economia.

Se por um lado era evidente a necessidade desses capitais para impulsionar o crescimento interno, por outro fortalecia-se um discurso nacionalista, que encarava as empresas estrangeiras como exploradoras e não como parceiras do Brasil. Com a subida de Getúlio Vargas ao poder em 1930, essa dualidade foi reforçada.

Temas como a exploração do ferro e do petróleo por indústrias nacionais passaram a ser bandeiras de luta de grupos que viam como inaceitável a participação estrangeira na gerência das indústrias de base.

"Um conto de réis – ou 1 milhão de réis – foi o maior valor emitido em cédula no Brasil, no início do século XX"

 

O Estado gerenciando a economia

A partir de 1930, no início do período Vargas, começou o debate sobre a intervenção do Estado na economia. Também ganhou força a idéia de que sem um planejamento global o Brasil não teria uma economia forte e estável. Para Vargas e seu grupo mais próximo, o Estado deveria ser o responsável por essa interferência.

A teoria desenvolvimentista, proposta pelo governo, defendia a prioridade dos financiamentos e subsídios para a indústria, a garantia de infra-estrutura básica (energia, transportes) e uma política de proteção aos produtos nacionais frente à concorrência das importações.

O chamado "Estado de Compromisso" tratava de manter as regras do jogo atendendo também aos interesses das lideranças agroexportadoras.

"Embora tendo de dividir espaço, com essa nova tendência as lideranças agroexportadoras não perderam totalmente seu lugar como elite econômica".

 

JK e a promessa dos "50 anos em 5"

Um dos períodos mais festejados de nossa história econômica foi o de Juscelino Kubitschek (1956 a 1961). Sustentado por um competente esquema de comunicação, JK entusiasmou o país com a promessa de modernização, traduzida em seu lema "50 anos em 5".

 

O Plano de Metas de JK

O projeto econômico de Juscelino foi apresentado em seu Plano de Metas, que focalizava:

• Energia: ampliação do fornecimento.
• Transporte: ampliação e melhoria das estradas de rodagem e estmontadoras de automóveis.
ímulo às • Alimentação: maiores investimentos no setor de alimentos para aumentar a oferta.
• Indústrias de base: maiores investimentos no setor.
• Educação: melhoria e ampliação do ensino público.
• A construção de Brasília: incentivo ao desenvolvimento do Brasil Central.

Sem conseguir cumprir satisfatoriamente a maior parte de suas propostas, o Governo JK permitiu anos de intenso crescimento econômico e favoreceu a consolidação da face industrial do Brasil. Hidrelétricas gigantescas, indústria automobilística e estradas que cortavam o país anunciavam um modelo de progresso que depositava na tecnologia as esperanças da resolução dos males do país.

 

Invasão do capital estrangeiro

O Governo JK investiu com convicção na atração de capitais externos para equipar as indústrias locais. Com medidas que privilegiavam esses empréstimos, como a adoção de uma taxa cambial favorável e de facilidades na remessa de lucros para o exterior, o Brasil assistiu a uma invasão veloz do capital estrangeiro em áreas estratégicas.

 

Efeitos da euforia desenvolvimentista

O alto preço dessa euforia começou a ser percebido durante o próprio Governo Kubitschek. A dívida externa dobrou de valor, tornando-se um tema cada vez mais polêmico nas discussões nacionais.

A inflação atingiu níveis altíssimos e o déficit da balança comercial alcançou uma proporção que se tornou preocupante para os credores internacionais. Eles já não acreditavam que o país teria condições de pagar suas dívidas.

Apesar do crescimento econômico, os empréstimos externos e os acordos com o FMI ajudaram a aumentar a inflação e o arrocho salarial.

"Nesse contexto, entrou em cena o Fundo Monetário Internacional (FMI), que passou a representar o vilão estrangeiro, com suas ingerências na política econômica brasileira e exigências para o saneamento das finanças".

 

Período de instabilidade

O início dos anos 60 juntou instabilidade política e crise econômica. Sem conseguir costurar apoios políticos que sustentassem suas iniciativas, os dois presidentes civis que sucederam a JK tiveram governos curtos e desastrosos. Jânio Quadros renunciou em 1961 e João Goulart, seu sucessor, foi deposto em 1964.

"A inflação atingiu índices alarmantes, pressionada pelas emissões sucessivas de papel-moeda desses dois governos".

"A construção de estradas e o investimento na melhoria do transporte rodoviário: prioridades do Governo JK'.

 

Jango e as manifestações políticas

O Governo João Goulart procurou rever o conceito de desenvolvimento de JK. Sua política econômica incluía, entre as prioridades, a melhoria das condições sociais do país. Ganharam espaço as manifestações em defesa das reformas de base (agrária, tributária e educacional).

"Outro fenômeno que marcou esse período foi a entrada maciça das indústrias multinacionais no país. Norte-americanos e europeus ocuparam rapidamente a liderança nos setores de maior investimento tecnológico".

 

A economia na ditadura militar

Com a deposição de Goulart, em 1964, inaugurou-se um novo modelo de administração da economia. As decisões políticas concentraram-se nas mãos do Poder Executivo e os presidentes do período militar conseguiram implantar seu projeto econômico, ignorando as negociações democráticas. As primeiras decisões visavam estabilizar a moeda, reduzir o déficit do governo e modernizar o mercado financeiro.

 

Luta em busca do capital

Primeiro presidente militar, o marechal Humberto Castello Branco tentou atrair novos investimentos de capital para o país. De acordo com o modelo de 1964, o investimento do Estado na indústria pesada, como a siderúrgica e de bens de capital, transformaria o Brasil em uma potência gigante. A utilização da correção monetária surgiu para driblar a inflação e reduzir as perdas dos investidores.

Com o Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1965, a classe média era incluída no sistema de crédito, aumentando a receita federal. A criação da poupança obrigatória, ou poupança compulsória dos trabalhadores, por meio do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), em 1966, canalizava recursos para financiar os projetos do governo.

"Em 31 de março de 1970, o Conselho Monetário Nacional restabeleceu o nome de cruzeiro para a moeda do país".

 

"Milagre Econômico"

O estouro de crescimento econômico, ocorrido entre 1968 e 1973, ficou conhecido como "Milagre Econômico". Mas, ao lado da euforia da classe média, que teve seu poder aquisitivo ampliado naquele momento, existia um outro país, que não era atingido por esse milagre.

"Milagre Econômico": as obras faraônicas, como a construção da ponte Rio­Niterói, no Rio de Janeiro, contrastavam com a escassez de verbas para os setores fundamentais, caso do ensino público.

 

A crise do petróleo

As medidas do governo militar, visando à auto-suficiência econômica, esbarraram na alta crise do petróleo, em 1973, de dimensões mundiais. Mesmo assim, o presidente Ernesto Geisel (1974 a 1979) manteve seus projetos de desenvolvimento, elevando a dívida externa a patamares altíssimos.

O governo de João Figueiredo, último presidente militar, iniciou um processo de recessão econômica que atingiu duramente o país, em especial os assalariados.

 

A democracia e a luta contra a inflação
O governo de José Sarney iniciou-se em 1985 com um índice de inflação de 223,8%, herdado do ano anterior. Após 20 anos de ditadura, foi necessário reaprender a organizar a economia, administrando os grupos de apoio e de oposição.

 

O combate à inflação

Tornou-se o centro das iniciativas econômicas e a esperança de resolução dos problemas. O Plano Cruzado, em 1986, inovou ao promover um choque na economia. Criou uma nova moeda; acabou com a correção monetária; congelou preços e salários, todas medidas destinadas a eliminar a inflação inercial.

O índice da inflação, em 1986, ficou em 58,5%. Foi uma queda expressiva, mas o plano não conseguiu evitar o ágio nos preços, forçado por empresários ou pela explosão do consumo.

"O déficit nas contas públicas escapou ao controle e, no final do mesmo ano, a inflação voltou a disparar".

 

O liberalismo econômico do Governo Collor

Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito diretamente no Brasil após 29 anos, iniciou seu governo com uma atitude radical: o bloqueio do dinheiro nas contas bancárias cujo saldo estava acima do valor de 50 mil cruzados novos (equivalente a US$ 1.300).

Collor reafirmou a tradição autoritária da maioria dos administradores públicos em nome da estabilização econômica — confiscos (ao proibir os saques nas contas bancárias), impostos compulsórios e congelamento de salários.

O Plano Collor 1 visava:

• Diminuir o consumo, por meio do enxugamento da circulação de moeda, e com isso forçar a queda dos preços.
• A abertura da economia, baixando as tarifas de importações.
• A diminuição do déficit público, com uma reforma administrativa e o processo de privatização das estatais.

"Zélia Cardoso de Mello, ministra da Economia de Collor, atrapalha-se tentando explicar o Plano Collor 1".

"Esse plano naufragou devido, principalmente, ao desgaste do governo e à perda de credibilidade de seus membros. Collor sofreu um impeachment e renunciou em dezembro de 1992".

 

Fernando Henrique e a busca da estabilização
Durante o governo de Itamar Franco, em 1º de julho de 1994, foi lançado o Plano Real de estabilização econômica. O sucessor de Itamar, Fernando Henrique Cardoso, elegeu o Plano Real como a prioridade máxima de sua gestão. O real é a nova moeda do país.

 

O Estado retira-se

Com a inflação estacionada em porcentagens muito baixas, a meta do Governo Fernando Henrique é diminuir a participação do Estado nas atividades econômicas. O debate atual na sociedade brasileira tem girado em torno dos limites desse afastamento e da definição das áreas nas quais a atuação governamental é estratégica.

Primeira grande estatal brasileira, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi privatizada em abril de 1993.

 

SÍNTESE ...

 

No Brasil, as várias mudanças de moeda e o descontrole inflacionário sempre penalizaram a parcela mais pobre da população e os problemas sociais costumam ser mascarados e controlados por acordos entre as elites dominantes. Na Alemanha – após a 1ª Guerra Mundial –, o problema da inflação galopante levou, junto com outras causas, ao fortalecimento do nazismo.

Em 1923, o valor do dólar naquele país chegou a 4 trilhões de marcos! Eram comuns cenas de pessoas empurrando carrinhos de dinheiro para uma simples compra no mercado. A incapacidade do governo alemão de encontrar soluções para reerguer a economia facilitou o caminho para que um líder extremista empolgasse o povo com o sonho da grande Alemanha.

Em busca da autovalorização. Com um discurso nacionalista, a Revolução de cobrava a proteção das riquezas 1930 brasileiras contra as investidas imperialistas das corporações internacionais.

"O governo criou departamentos para implementar uma política nacional sobre os produtos considerados estratégicos: o Departamento Nacional de Produção Mineral (1934); o Conselho Nacional de Petróleo (1938); o Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (1939); e o novo Código de Minas, que proibia a participação de estrangeiros na mineração e na metalurgia (1940)".

Rumo ao progresso. O projeto do governo de JK tornava mais fáceis as relações com os Estados Unidos. Ele pretendia recuperar o atraso da infra-estrutura econômica brasileira e atualizar sua tecnologia. Para tanto, Juscelino escreveu diretamente ao presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, sugerindo a retomada do ideal pan-americano para fortalecer toda a América Latina.

Um dos resultados concretos dessa aproximação foi a criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 1959, uma instituição regional de financiamento. A energia que JK investia na modernização do país criou situações favoráveis ao capital estrangeiro, como a aplicação da Instrução 113, da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), que reduzia as taxas cobradas sobre remessas de lucros.

"Diversas indústrias estrangeiras construíram, naquele período, suas filiais no Brasil: No setor automobilístico, as européias chegaram primeiro, como a alemã Volkswagen e a francesa Simca. A construção naval contou com capitais holandês e japonês".

A política desenvolvimentista atraía o empresariado brasileiro, também, pela facilidade de créditos e baixas taxas de juros.

Economia no Regime Militar - No início do Regime Militar a inflação chega a 80% ao ano, o crescimento do Produto Nacional Bruto (PNB) é de apenas 1,6% ao ano e a taxa de investimentos é quase nula. Diante desse quadro, o governo adota uma política recessiva e monetarista, consolidada no Programa de Ação Econômica do Governo (Paeg), elaborado pelos ministros da Fazenda, Roberto de Oliveira Campos e Octávio Gouvêa de Bulhões.

Seus objetivos são sanear a economia e baixar a inflação para 10% ao ano, criar condições para que o PNB cresça 6% ao ano, equilibrar o balanço de pagamentos e diminuir as desigualdades regionais. Parte desses objetivos é alcançada. No entanto, em 1983, a inflação ultrapassa os 200% e a dívida externa supera os US$ 90 bilhões.

A tecnocracia em ascensão. O primeiro momento do regime militar, durante a Presidência do marechal Humberto Castello Branco, preocupou-se com a reorganização econômica. Com a inflação altíssima, a dívida externa brasileira parecia inadministrável. O economista Roberto Campos, que havia sido embaixador de João Goulart em Washington, tornou-se ministro do Planejamento.

A chegada maciça de investimentos de instituições norte-americanas ao Brasil foi, nesse período, indiscutível para a retomada do crescimento. Junto com o dinheiro vieram também as implacáveis críticas nacionalistas.

Recessão – Para sanear a economia, o governo impõe uma política recessiva: diminui o ritmo das obras públicas, corta subsídios, principalmente ao petróleo e aos produtos da cesta básica, dificulta o crédito interno. Em pouco tempo aumenta o números de falências e concordatas. Paralelamente, para estimular o crescimento do PNB, oferece amplos incentivos fiscais, de crédito e cambiais aos setores exportadores.

Garante ao capital estrangeiro uma flexível lei de remessas de lucro, mão-de-obra barata e sindicatos sob controle. Extingue a estabilidade no emprego e, em seu lugar, estabelece o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No final do governo Castello Branco a inflação baixa para 23% anuais.

A capacidade ociosa da indústria é grande, o custo de vida está mais alto, há grande número de desempregados, acentuada concentração de renda e da propriedade.

Financiamento interno – Para financiar o déficit público, o governo lança no mercado as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTNs). Estimula a construção civil criando o Banco Nacional de Habitação (BNH) para operar com os recursos captados pelo FGTS. Estabelece também a correção monetária como estímulo à captação de poupança num momento de inflação alta. Ao fazer isso, cria um mecanismo que, na prática, indexa a economia e perpetua a inflação.

Nacionalismo e estatismo. Durante a Presidência do general Arthur da Costa e Silva (1967 a 1969), surgiu a política do "tripé econômico", formada pelo Estado, pelo grande capital local e pelas multinacionais. Essa estratégia foi mantida, ajudando a compor as empresas de indústria pesada e de exploração de recursos naturais. Exemplos disso são a associação da Vale do Rio Doce com a U.S. Steel ­ para explorar ferro em Carajás ­ e a formação da hidrelétrica Itaipu Binacional, com o Paraguai.

Plano Estratégico de Desenvolvimento - Com a mudança de governo em 1968, foi elaborado o Plano Estratégico de Desenvolvimento para o período de 1968 a 1970. A política monetária antiinflacionária de altas taxas de juros do período anterior tinha reduzido o consumo e o investimento agregados.

Com o PIB abaixo de sua taxa natural, o objetivo do plano era estimular a demanda privada. Foram adotadas políticas monetária e fiscal expansionistas. A oferta de moeda e o crédito ao setor privado foram expandidos e os gastos do governo aumentaram. Aço e outros insumos básicos para a indústria automobilística foram barateados.

Retomada do crescimento – A economia volta a crescer no governo Castello Branco. Os setores mais dinâmicos são as indústrias da construção civil e de bens de consumo duráveis voltados para classes de alta renda, como automóveis e eletrodomésticos. Expandem-se também a pecuária e os produtos agrícolas de exportação. Os bens de consumo não-duráveis, como calçados, vestuário, têxteis e produtos alimentícios destinados à população de baixa renda têm crescimento reduzido ou até negativo.

O "Milagre Econômico". O florescimento das estatais, com declínio do setor privado. O ano de 1970 marca o início do período do chamado "milagre econômico brasileiro". Empréstimos e investimentos estrangeiros alavancam o processo de desenvolvimento.
Novos empregos e inflação baixa trazem euforia à classe média e ao empresariado. Ao mesmo tempo, vive-se o auge da repressão, com censura à imprensa e violência contra a oposição.

O papel das estatais – O Estado mantém seu papel de investidor na indústria pesada, como a siderúrgica e de bens de capital. As empresas estatais crescem com a ajuda do governo, obtêm grandes lucros, lideram empreendimentos que envolvem empresas privadas e criam condições para a expansão do setor de produção de bens duráveis.

É o momento da linha-dura no poder, que tem no presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, seu grande representante. Em seu governo, a inflação anual ficou abaixo dos 20% e o crescimento do PIB em 1970 foi de 10,4%, chegando a 14% em 1974.

A ênfase da presença do Estado na economia alinhava-se ao projeto "Brasil Potência", que o governo militar vislumbrava para o país. Iniciativas econômicas grandiosas, somadas a uma propaganda competente, culminaram no governo Medici com o chamado "Milagre Econômico" (1968 a 1973). Seu principal artífice foi o economista Antônio Delfim Netto, que já tinha sido ministro da Fazenda no Governo Costa e Silva.

O economista, aposta nas exportações para obter parte das divisas necessárias às importações de máquinas, equipamentos e matérias-primas. O crescimento do mercado mundial, na época, favorece essa estratégia, mas é a política de incentivos governamentais aos exportadores que garante seu sucesso. O PNB cresce, em média, 10% ao ano entre 1968 e 1973.

Para estimular a indústria, Delfim Netto expande o sistema de crédito ao consumidor e garante à classe média o acesso aos bens de consumo duráveis.

Crescimento Explosivo e Aumento de Reservas. Os anos de 1969 a 1973 foram o período de maior crescimento da história da economia brasileira. O setor de bens de consumo duráveis foi o que mais se expandiu. O período ficou conhecido como "milagre econômico".

O retorno ao crescimento foi facilitado pela existência de capacidade ociosa do período anterior, pela nova estrutura de financiamento montada no PAEG e pela disponibilidade de empréstimos estrangeiros.

Na falta de poupança doméstica, a poupança externa foi a alternativa viável.

As exportações aumentaram e o volume de empréstimos externos superou o montante utilizado para financiar o crescimento. Houve, então, grande acúmulo de reservas cambiais.

Papel da Indústria - O crescimento econômico foi impulsionado pelo bom desempenho nas indústrias de bens duráveis (automóveis e eletrodomésticos) e de construção civil. As indústrias de material elétrico, química, construção naval e de bens de capital também aumentaram sua produção.

Financiamento da Demanda - O demanda por bens duráveis aumentou em virtude dos consórcios e do fornecimento de crédito ao consumidor por empresas financeiras. O Sistema Financeiro da Habitação, o BNH e o FGTS estiveram por trás da expansão da construção civil, que passou a contratar mais. Com isso, cresceram o consumo agregado e a produção das indústrias metalúrgica e de minerais não-metálicos.

Pleno Emprego e Concentração de Renda - A economia atingiu o pleno emprego em 1970. A partir deste ano, investimentos foram destinados a ampliar a capacidade produtiva da economia. O auge do milagre econômico deu-se nos anos de 1972 e 1973. O aumento da renda agregada não se distribuiu para todos e houve tendência à sua concentração. O crescimento rápido beneficiou a mão-de-obra especializada.

Primeiro PND - O Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) foi elaborado para o período 1972-1974. O "modelo brasileiro" seria organizar o governo de modo a tornar a economia plenamente desenvolvida no espaço de uma geração.

Os Estados Unidos viviam crises internas com a Guerra do Vietnã e o escândalo de Watergate, que levou ao impeachment e à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.

As novas alianças. A crise internacional do petróleo, em 1973, levou a economia mundial a uma retração. O Brasil não seguiu essa orientação. Optou por manter sua política de crescimento. O presidente Ernesto Geisel também incentivou os megaprojetos, sobretudo no setor hidrelétrico. Em 1975, assinou com a Alemanha um acordo nuclear de US$ 10 bilhões para instalar 8 (oito) usinas atômicas no Brasil.

Os custos da indústria nacional seriam reduzidos pelo fornecimento governamental de insumos básicos mais baratos. As exportações, principalmente de produtos manufaturados, seriam diversificadas. Seriam feitos investimentos em educação, no desenvolvimento tecnológico e na agricultura.

"A iniciativa foi atacada pelo péssimo momento econômico para o investimento e pela aquisição de uma tecnologia obsoleta e defeituosa. Além disso, em nada interessava, externamente, que o Brasil avançasse na área nuclear".

Concentração de renda – Em 1979, apenas 4% da população economicamente ativa do Rio de Janeiro e São Paulo ganha acima de dez salários mínimos. A maioria, 40%, recebe até três salários mínimos. Além disso, o valor real do salário mínimo cai drasticamente. Em 1959, um trabalhador que ganhasse salário mínimo precisava trabalhar 65 horas para comprar os alimentos necessários à sua família.

No final da década de 70 o número de horas necessárias passa para 153. No campo, a maior parte dos trabalhadores não recebe sequer o salário mínimo.

Crescimento da miséria – Os indicadores de qualidade de vida da população despencam. A mortalidade infantil no Estado de São Paulo, o mais rico do país, salta de 70 por mil nascidos vivos em 1964 para 91,7 por mil em 1971.

No mesmo ano, registra-se a existência de 600 mil menores abandonados na Grande São Paulo. Em 1972, de 3.950 municípios do país, apenas 2.638 têm abastecimento de água. Três anos depois um relatório do Banco Mundial mostra que 70 milhões de brasileiros são desnutridos, o equivalente a 65,4% da população, na época de 107 milhões de pessoas. O Brasil tem o 9º PNB do mundo, mas em desnutrição perde apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.

Fim do milagre – A partir de 1973 o crescimento econômico começa a declinar. No final da década de 70 a inflação chega a 94,7% ao ano. Em 1980 bate em 110% e, em 1983, em 200%. Nesse ano, a dívida externa ultrapassa os US$ 90 bilhões e 90% da receita das exportações é utilizada para o pagamento dos juros da dívida.

O Brasil mergulha em nova recessão e sua principal conseqüência é o desemprego. Em agosto de 1981 há 900 mil desempregados nas regiões metropolitanas do país e a situação se agrava nos anos seguintes.

Imperialismo torna-se o vilão. A decadência do regime militar esteve associada à crise econômica e à má administração dos governos Medici, Geisel e Figueiredo. A oposição ao sistema criticava a intervenção e as imposições ditadas pelo FMI. Depois disso, o alvo das oposições foi o imperialismo norte-americano ­ representado pelo governo e pelo empresariado.

As multinacionais eram acusadas de ser o escoadouro das riquezas do Brasil. As auditorias do FMI nas contas do país eram uma dura interferência na soberania nacional.

A transição para a democracia, com o governo José Sarney (1985 a 1990), em um período de caos econômico, antes de mais nada teve de recuperar a confiança nacional e internacional.

O impeachment de Collor. Primeiro presidente civil eleito diretamente depois do golpe militar de 1964, Fernando Collor de Mello (1990 a 1992) viu-se envolvido em uma série de denúncias de desfalque, corrupção, tráfico de influência que abalou a credibilidade de seu governo.

Sindicatos, políticos, associações civis, entidades de classe uniram-se e foram às ruas, em 1992, exigir o impeachment do presidente.

Nessa campanha política, o brasileiro dá o seu recado, destacaram-se os alunos secundaristas (classe média)*, que, com os rostos pintados e muito bom humor, juntaram-se aos manifestantes e ficaram conhecidos como "caras-pintadas".

(*) a classe baixa, a margem do que se passava no cenário político e econômico brasileiro, não se engajou neste momento histórico, na luta pelo sucesso do impeachment de Collor.

 

Resumo do Periodo da República da Espada

Governo Provisório

Deodoro da Fonseca 15/11/1889 a 25/02/1891

Governo Constitucional

Deodoro da Fonseca 25/02/1891 a 23/11/1891

Floriano Peixoto 23/11/1891 a 15/11/1894

República Oligárquica

Prudente de Morais 15/11/1894 a 15/11/1898

Campos Salles 15/11/1898 a 15/11/1902

Rodrigues Alves 15/11/1902 a 15/11/1906

Afonso Penna 15/11/1906 a 14/06/1909

Nilo Peçanha 14/06/1909 a 15/11/1910

Hermes da Fonseca 15/11/1910 a 15/11/1914

Wenceslau Braz 15/11/1914 a 15/11/1918

Delfim Moreira 15/11/1918 a 28/07/1919

Epitácio Pessoa 28/07/1918 a 15/11/1922

Arthur Bernardes 15/11/1922 a 15/11/1926

Washington Luíz 15/11/1926 a 24/10/1930

Fim da República Oligárquica

Menna Barreto 24/10/1930 a 03/11/1930

Isaías de Noronha 24/10/1930 a 03/1930

Augusto Fragozo 24/10/1930 a 03/11/1930

Era Vargas

Getúlio Vargas 03/11/1930 a 20/07/1934 (Governo Provisório)

Getúlio Vargas 20/07/1934 a 10/11/1937 (Governo Constitucional)

Getúlio Vargas 10/11/1937 a 29/10/1945 (Estado Novo)

José Linhares 29/10/1945 a 31/01/1946

República Populista

Gaspar Dutra 31/01/1946 a 31/01/1951

Getúlio Vargas 31/01/1951 a 24/08/1954

Café Filho 24/08/1954 a 08/11/1955

Carlos Coinbra 08/11/1955 a 11/11/1955

Nereu De O.Ramos 11/11/1955 a 31/01/1956

Juscelino Kubitschek 31/01/1956 a 31/01/1961

Jânio Quadros 31/01/1961 a 25/08/1961

Paschoal R.Mazzili 25/08/1961 a 08/09/1961

João Goulart 24/01/1963 a 31/03/1964

Fim da República Populista

Ditadura Militar

Paschoal R.Mazzili 02/04/1964 a 15/04/1964

Castello Branco 15/04/1964 a 15/03/1967

Costa e Silva 15/03/1967 a 31/08/1969

Aurélio Lyra Tavares 31/08/1969 a 30/10/1969 (Junta Militar)

Augusto Radamaker 31/08/1969 a 30/10/1969 (Junta Militar)

Márcio de S.Mello 31/08/1969 a 30/10/1969 (Junta Militar)

Emilio G. Médici 30/10/1969 a 15/03/1974

Ernesto Geisel 15/03/1974 a 15/03/1979

João B.Figueiredo 15/03/1979 a 15/03/1985

Fim da Ditadura Militar

Brasil Atual

Tancredo Neves 15/03/1985 a 15/03/1990 ( para este período foi eleito Tancredo Neves que por ter falecido antes de tomar posse, em seu lugar assumiu o vice-presidente José Sarney )

José Sarney 15/03/1985 a 15/03/1990

Fernando A. Collor de Mello 15/03/1990 a 29/12/1992

Itamar Franco 29/12/1992 a 01/01/1995

Fernando H.Cardoso 01//01/1995 a 01/01/1999

Fernando H.Cardoso 01/01/1999 a 01/01/2003

Luiz Inácio Lula da Silva 01/01/2003 (*)

 

(*)Eleição direta, com grande marco para a vitória da democracia no Brasil, realizada em primeiro turno no dia 06/10/2002 e em segundo turno no dia 27/10/2002, sendo eleito o Presidente e o Vice-Presidente da República, no segundo turno. (governo em andamento).

"Cabe ao governo garantir que a democracia econômica chegue a todos, para que possamos distribuir renda, gerar emprego e assegurar mais qualidade de vida".

Luiz Inácio Lula da Silva

Data de Nascimento : 27/10/194
Naturalidade: Caetés -Pernambuco

Partido: PT – coligação Lula Presidente
Vice-Presidente: José Alencar (PL)

 

 

conhecimentosgerais/Evesper

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escrito por Visitante, 2005-01-26 10:21:08
Que Deus abencoe o Presidente LULA por pelo menos estar tentando muito duro para que a democracia economica aconteca no Brasil.

Espero que ele aceite um segundo termo e que seja reeleito para continuar o que iniciou.GRACAS A DEUS, o povo brasileiro, pela primeira vez na historia do pais, encontrou um presidente que realmente LIGA e SENTE com o POVO o sofrimento por que passam, porque ele tambem sofreu e sabe avaliar o que e sentir FOME.
Ana de Marilia, SP
Cotidiano
escrito por Visitante, 2005-03-22 13:54:29
Nada como um dia após o outro...Hoje olhando no espelho digo que meus cabelos brancos me impedem de cometer o mesmo erro duas vezes!! E o índice de aprovação do Governo Lula continua caindo mas, ainda é de 25%.
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escrito por Visitante, 2005-07-12 15:28:40
È repugnante perceber como algumas pessoas torcem pelo fracasso com tamanha vontade que as coisas dêem errado! Nós brasileiros, que amamos o Brasil e queremos mais justiça social para o nosso povo, que acompanhamos a história e identificamos as causas para que esse país com tanto potencial seja tão afortunado para uns poucos e tão miserável para tantos, por rastrearmos um itinerário traçado pelos interesses dos nobres, dos abastados, dos do poder, que sempre representaram os interesses dos mais favorecidos e socialmente prestigiados não podemos nos deixar mais uma vez emprenhar ouvidos e mentes de um discurso derrotista e caótico do descrédito nas instituições e nas pessoas de bem. Consideremos que as conquistas do governo Lula para os menos favorecidos jamais serão aplaudidas por aqueles que se vêem assustados pela possibilidade de que encontremos o caminho certo para a justiça social, apavorados com a possibilidade de que gradativamente os interesses dos menos favorecidos, representados pela história de vida do nordestino operário Lula sejam foco prioritário de sucessivos governos que virão, comprometidos com tais interesses. A corrupção deve ser extirpada, pois é um câncer que corrói a dignidade do povo brasileiro há séculos e é causa da miséria e sofrimento do povo, mas entrar nessa linha de pensamento de enlamear todos os políticos e as instituições democráticas é participar de uma estratégia vilã que tenta criar o caos, levar o povo a desacreditar na política e nos homens de bem para que sobre espaço ao "de qualquer jeito tá bom", "não tô nem aí para política", "o Brasil não tem jeito" e, enquanto isso, as elites, geradas e diplomadas na arte de enganar o povo encontrarão o momento apropriado para voltarem ao poder. Queremos somar às conquistas do governo Lula e não o retrocesso. Os opositores à Lula que me perdoem, mas tiveram no poder há tantos anos e o que fizeram para desbaratar as redes de corrupção tão institucionalizadas em nosso país há tantos governos? O que têm de novo para o povo brasileiro? Essa herança perniciosa traz a marca de muitos políticos que hoje levantam bandeira contra a corrupção. Que moral eles têm?
Bernardo
escrito por Visitante, 2005-08-01 13:44:58
Boa tarde! Preciso saber como é o clima, em geral, na localidade de Caetés - Pernambuco onde o nosso Presidente nasceu e viveu, para apresentar num seminário. meu e-mail é : Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
Ajuda
escrito por Visitante, 2005-08-26 14:58:45
Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso Por favor gostaria de saber quais so as semelhanas entre a Rep㧺blica Oligarquica e a Crise do PT hoje tenho de apresentar uma redao na ter磧a que vem e fao ideia de que escrever. Voc᧪s podem me ajudar?
eu
escrito por Visitante, 2005-09-08 19:46:54
tudo bem?
leandro
escrito por Visitante, 2005-09-09 10:39:06
esse site foi feito com muita perfeicao. Meus parabens
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escrito por Visitante, 2005-12-09 16:17:57
:eek :eek :upset :upset :upset
visitante
escrito por Visitante, 2005-12-16 05:35:03
Luis "Falar é Fácil" Lula da Silva é demagogo, populista e acima de tudo, ignorante.
Seu estilo messiânico, salvador da pátria "de quem passou fome" não deveria enganar ninguém. Esse governo só copiou o modelo da política econômica passada e virou as costas para a bandeira social, tão defendida por esses ladrões lulistas...
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escrito por Guest, 2006-02-16 04:55:58
oieee...:grin
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escrito por Visitante, 2006-04-08 15:53:13
Quero parabenizar sim o Sr.Luiz Inácio Lula da Silva pelo plano de governo,que a população menos desfavorecida possa ainda contar com um governo justo e que se mantem longe da corrupção deixando sim quem as cometeu pagar o preço, perdendo o mandato enfim que a justiça social seja feita neste País .Não podemos redroceder ´novamente pois sabemos que os mesmos " bonzinhos mascarados" já estão preparados para a crítica negativa. PARABENS
dada
escrito por Visitante, 2006-06-09 08:41:58
ei gosto muito de vc, táahm?????????????????????????????????????????????????????????????gato???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
  1. null
Visitante
escrito por JOELMA QUEIROZ, 2006-08-30 19:39:59
Olá boa tarde, gostaria de saber O que marcou o governo de JK.

Bjão... smilies/wink.gif smilies/tongue.gif smilies/kiss.gif
consequencia do plano real para a industria nacional, o antes e o depois qual foi a mudança para a industria nacional?
escrito por Jackson, 2006-10-03 14:17:55
gostei da sintese, mais não achei o que queria.
peço que me mande o assunto que está no titulo!
valeu, fui!
se for possivel quero isso pra agora|!
mais ou menos
escrito por Ana Carolina Ribeiro, 2006-10-15 15:41:49
não gostei muito por que não era isso que eu queria...........
~Economia
escrito por Maria Carvalho, 2006-10-16 09:42:27
Desejo um pequeno comentário sobre a participação do Estado na econimia brasileira nos dias atuais

Att,
Maria
Dívida externa
escrito por Maria Carvalho, 2006-10-16 09:54:48
1- Quais são as principais causas sa evolução da dívida externa brasileira a partir da década de 70?
2- Como pode ser avaliado o volume da atual dívida externa brasileira?
Desejo uma resposta de imediato para a conclusão se um trabalho.
Att,
Maria.
Comércio internacional
escrito por Maria Carvalho, 2006-10-16 09:57:34
Como podemos avaliar a participaçãos do Brasil no comércio internacional, a partir do início da década de 90?
Desejo uma resposta de imediato para concluir uma pesquisa hoje.


Att,
Maria.
Minha ligassão cu nordesti é uma coisa SANGNA!
escrito por vesitante anarfabeto., 2006-10-25 00:17:44
Ei Lula, Vai tomar no cu!

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