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À medida que a industrialização avançava, a partir de 1930,
crescia a polêmica sobre a participação do investimento
estrangeiro na economia.
A participação do Estado na economia.
Se por um lado era evidente a necessidade desses capitais para
impulsionar o crescimento interno, por outro fortalecia-se um
discurso nacionalista, que encarava as empresas estrangeiras como
exploradoras e não como parceiras do Brasil. Com a subida de
Getúlio Vargas ao poder em 1930, essa dualidade foi reforçada.
Temas como a exploração do ferro e do petróleo por
indústrias nacionais passaram a ser bandeiras de luta de grupos
que viam como inaceitável a participação estrangeira na
gerência das indústrias de base.
"Um conto
de réis ou 1 milhão de réis foi o maior valor
emitido em cédula no Brasil, no início do século XX"
O Estado gerenciando a economia
A partir de 1930, no início do período Vargas, começou o
debate sobre a intervenção do Estado na economia. Também
ganhou força a idéia de que sem um planejamento global o Brasil
não teria uma economia forte e estável. Para Vargas e seu grupo
mais próximo, o Estado deveria ser o responsável por essa
interferência.
A teoria desenvolvimentista, proposta pelo governo, defendia a
prioridade dos financiamentos e subsídios para a indústria, a
garantia de infra-estrutura básica (energia, transportes) e uma
política de proteção aos produtos nacionais frente à
concorrência das importações.
O chamado "Estado de Compromisso" tratava de manter
as regras do jogo atendendo também aos interesses das
lideranças agroexportadoras.
"Embora
tendo de dividir espaço, com essa nova tendência as lideranças
agroexportadoras não perderam totalmente seu lugar como elite
econômica".
JK e a promessa dos "50 anos em 5"
Um dos períodos mais festejados de nossa história econômica
foi o de Juscelino Kubitschek (1956 a 1961). Sustentado por um
competente esquema de comunicação, JK entusiasmou o país com a
promessa de modernização, traduzida em seu lema "50
anos em 5".
O Plano de Metas de JK
O projeto econômico de Juscelino foi apresentado em seu Plano
de Metas, que focalizava:
Energia: ampliação do fornecimento.
Transporte: ampliação e melhoria das estradas de
rodagem e estmontadoras de automóveis.
ímulo às Alimentação: maiores investimentos no
setor de alimentos para aumentar a oferta.
Indústrias de base: maiores investimentos no setor.
Educação: melhoria e ampliação do ensino público.
A construção de Brasília: incentivo ao
desenvolvimento do Brasil Central.
Sem conseguir cumprir satisfatoriamente a maior parte de suas
propostas, o Governo JK permitiu anos de intenso crescimento
econômico e favoreceu a consolidação da face industrial do
Brasil. Hidrelétricas gigantescas, indústria automobilística e
estradas que cortavam o país anunciavam um modelo de progresso
que depositava na tecnologia as esperanças da resolução dos
males do país.
Invasão do capital estrangeiro
O Governo JK investiu com convicção na atração de capitais
externos para equipar as indústrias locais. Com medidas que
privilegiavam esses empréstimos, como a adoção de uma taxa
cambial favorável e de facilidades na remessa de lucros para o
exterior, o Brasil assistiu a uma invasão veloz do capital
estrangeiro em áreas estratégicas.
Efeitos da euforia desenvolvimentista
O alto preço dessa euforia começou a ser percebido durante o
próprio Governo Kubitschek. A dívida externa dobrou de valor,
tornando-se um tema cada vez mais polêmico nas discussões
nacionais.
A inflação atingiu níveis altíssimos e o déficit da
balança comercial alcançou uma proporção que se tornou
preocupante para os credores internacionais. Eles já não
acreditavam que o país teria condições de pagar suas dívidas.
Apesar do crescimento econômico, os empréstimos externos e
os acordos com o FMI ajudaram a aumentar a inflação e o arrocho
salarial.
"Nesse
contexto, entrou em cena o Fundo Monetário Internacional (FMI),
que passou a representar o vilão estrangeiro, com suas
ingerências na política econômica brasileira e exigências
para o saneamento das finanças".
Período de instabilidade
O início dos anos 60 juntou instabilidade política e crise
econômica. Sem conseguir costurar apoios políticos que
sustentassem suas iniciativas, os dois presidentes civis que
sucederam a JK tiveram governos curtos e desastrosos. Jânio
Quadros renunciou em 1961 e João Goulart, seu sucessor, foi
deposto em 1964.
"A
inflação atingiu índices alarmantes, pressionada pelas
emissões sucessivas de papel-moeda desses dois governos".
"A
construção de estradas e o investimento na melhoria do
transporte rodoviário: prioridades do Governo JK'.
Jango e as manifestações políticas
O Governo João Goulart procurou rever o conceito
de desenvolvimento de JK. Sua política econômica incluía,
entre as prioridades, a melhoria das condições sociais do
país. Ganharam espaço as manifestações em defesa das reformas
de base (agrária, tributária e educacional).
"Outro
fenômeno que marcou esse período foi a entrada maciça das
indústrias multinacionais no país. Norte-americanos e europeus
ocuparam rapidamente a liderança nos setores de maior
investimento tecnológico".
A economia na ditadura militar
Com a deposição de Goulart, em 1964, inaugurou-se um novo
modelo de administração da economia. As decisões políticas
concentraram-se nas mãos do Poder Executivo e os presidentes do
período militar conseguiram implantar seu projeto econômico,
ignorando as negociações democráticas. As primeiras decisões
visavam estabilizar a moeda, reduzir o déficit do governo e
modernizar o mercado financeiro.
Luta em busca do capital
Primeiro presidente militar, o marechal Humberto Castello
Branco tentou atrair novos investimentos de capital para o país.
De acordo com o modelo de 1964, o investimento do Estado na
indústria pesada, como a siderúrgica e de bens de capital,
transformaria o Brasil em uma potência gigante. A utilização
da correção monetária surgiu para driblar a inflação e
reduzir as perdas dos investidores.
Com o Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1965, a classe
média era incluída no sistema de crédito, aumentando a receita
federal. A criação da poupança obrigatória, ou poupança
compulsória dos trabalhadores, por meio do Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS), em 1966, canalizava recursos para
financiar os projetos do governo.
"Em 31 de
março de 1970, o Conselho Monetário Nacional restabeleceu o
nome de cruzeiro para a moeda do país".
"Milagre Econômico"
O estouro de crescimento econômico, ocorrido entre 1968 e
1973, ficou conhecido como "Milagre Econômico". Mas,
ao lado da euforia da classe média, que teve seu poder
aquisitivo ampliado naquele momento, existia um outro país, que
não era atingido por esse milagre.
"Milagre
Econômico": as obras faraônicas, como a construção da
ponte RioNiterói, no Rio de Janeiro, contrastavam com a
escassez de verbas para os setores fundamentais, caso do ensino
público.
A crise do petróleo
As medidas do governo militar, visando à auto-suficiência
econômica, esbarraram na alta crise do petróleo, em 1973, de
dimensões mundiais. Mesmo assim, o presidente Ernesto Geisel
(1974 a 1979) manteve seus projetos de desenvolvimento, elevando
a dívida externa a patamares altíssimos.
O governo de João Figueiredo, último presidente militar,
iniciou um processo de recessão econômica que atingiu duramente
o país, em especial os assalariados.
A democracia e a luta contra a inflação
O governo de José Sarney iniciou-se em 1985 com um índice de
inflação de 223,8%, herdado do ano anterior. Após 20 anos de
ditadura, foi necessário reaprender a organizar a economia,
administrando os grupos de apoio e de oposição.
O combate à inflação
Tornou-se o centro das iniciativas econômicas e a esperança
de resolução dos problemas. O Plano Cruzado, em 1986, inovou ao
promover um choque na economia. Criou uma nova moeda; acabou com
a correção monetária; congelou preços e salários, todas
medidas destinadas a eliminar a inflação inercial.
O índice da inflação, em 1986, ficou em 58,5%. Foi uma
queda expressiva, mas o plano não conseguiu evitar o ágio nos
preços, forçado por empresários ou pela explosão do consumo.
"O déficit
nas contas públicas escapou ao controle e, no final do mesmo
ano, a inflação voltou a disparar".
O liberalismo econômico do Governo Collor
Fernando Collor de Mello, primeiro presidente
eleito diretamente no Brasil após 29 anos, iniciou seu governo
com uma atitude radical: o bloqueio do dinheiro nas contas
bancárias cujo saldo estava acima do valor de 50 mil cruzados
novos (equivalente a US$ 1.300).
Collor reafirmou a tradição autoritária da maioria dos
administradores públicos em nome da estabilização econômica
confiscos (ao proibir os saques nas contas bancárias),
impostos compulsórios e congelamento de salários.
O Plano Collor 1 visava:
Diminuir o consumo, por meio do enxugamento da
circulação de moeda, e com isso forçar a queda dos
preços.
A abertura da economia, baixando as tarifas de
importações.
A diminuição do déficit público, com uma reforma
administrativa e o processo de privatização das estatais.
"Zélia
Cardoso de Mello, ministra da Economia de Collor,
atrapalha-se tentando explicar o Plano Collor 1".
"Esse
plano naufragou devido, principalmente, ao desgaste do
governo e à perda de credibilidade de seus membros. Collor
sofreu um impeachment e renunciou em dezembro de 1992".
Fernando Henrique e a busca da
estabilização
Durante o governo de Itamar Franco, em 1º de julho de 1994, foi
lançado o Plano Real de estabilização econômica. O sucessor
de Itamar, Fernando Henrique Cardoso, elegeu o Plano Real como a
prioridade máxima de sua gestão. O real é a nova moeda do
país.
O Estado retira-se
Com a inflação estacionada em porcentagens muito baixas, a
meta do Governo Fernando Henrique é diminuir a participação do
Estado nas atividades econômicas. O debate atual na sociedade
brasileira tem girado em torno dos limites desse afastamento e da
definição das áreas nas quais a atuação governamental é
estratégica.
Primeira
grande estatal brasileira, a Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN) foi privatizada em abril de 1993.
SÍNTESE ...
No Brasil, as várias mudanças de moeda e o descontrole
inflacionário sempre penalizaram a parcela mais pobre da
população e os problemas sociais costumam ser mascarados e
controlados por acordos entre as elites dominantes. Na Alemanha
após a 1ª Guerra Mundial , o problema da
inflação galopante levou, junto com outras causas, ao
fortalecimento do nazismo.
Em 1923, o valor do dólar naquele país
chegou a 4 trilhões de marcos! Eram comuns cenas de pessoas
empurrando carrinhos de dinheiro para uma simples compra no
mercado. A incapacidade do governo alemão de encontrar
soluções para reerguer a economia facilitou o caminho para que
um líder extremista empolgasse o povo com o sonho da grande
Alemanha.
Em busca da autovalorização. Com um
discurso nacionalista, a Revolução de cobrava a proteção das
riquezas 1930 brasileiras contra as investidas
imperialistas das corporações internacionais.
"O
governo criou departamentos para implementar uma política
nacional sobre os produtos considerados estratégicos: o
Departamento Nacional de Produção Mineral (1934); o
Conselho Nacional de Petróleo (1938); o Conselho Nacional de
Águas e Energia Elétrica (1939); e o novo Código de Minas,
que proibia a participação de estrangeiros na mineração e
na metalurgia (1940)".
Rumo ao progresso. O projeto do governo de JK
tornava mais fáceis as relações com os Estados Unidos. Ele
pretendia recuperar o atraso da infra-estrutura econômica
brasileira e atualizar sua tecnologia. Para tanto, Juscelino
escreveu diretamente ao presidente norte-americano, Dwight
Eisenhower, sugerindo a retomada do ideal pan-americano para
fortalecer toda a América Latina.
Um dos resultados concretos dessa aproximação foi a
criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 1959,
uma instituição regional de financiamento. A energia que JK
investia na modernização do país criou situações favoráveis
ao capital estrangeiro, como a aplicação da Instrução 113, da
Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), que reduzia as
taxas cobradas sobre remessas de lucros.
"Diversas
indústrias estrangeiras construíram, naquele período, suas
filiais no Brasil: No setor automobilístico, as européias
chegaram primeiro, como a alemã Volkswagen e a francesa
Simca. A construção naval contou com capitais holandês e
japonês".
A política desenvolvimentista atraía o empresariado
brasileiro, também, pela facilidade de créditos e baixas taxas
de juros.
Economia no Regime Militar - No início do
Regime Militar a inflação chega a 80% ao ano, o crescimento do
Produto Nacional Bruto (PNB) é de apenas 1,6% ao ano e a taxa de
investimentos é quase nula. Diante desse quadro, o governo adota
uma política recessiva e monetarista, consolidada no Programa de
Ação Econômica do Governo (Paeg), elaborado pelos ministros da
Fazenda, Roberto de Oliveira Campos e Octávio Gouvêa de
Bulhões.
Seus objetivos são sanear a economia e baixar a inflação
para 10% ao ano, criar condições para que o PNB cresça 6% ao
ano, equilibrar o balanço de pagamentos e diminuir as
desigualdades regionais. Parte desses objetivos é alcançada. No
entanto, em 1983, a inflação ultrapassa os 200% e a dívida
externa supera os US$ 90 bilhões.
A tecnocracia em ascensão. O primeiro
momento do regime militar, durante a Presidência do marechal
Humberto Castello Branco, preocupou-se com a reorganização
econômica. Com a inflação altíssima, a dívida externa
brasileira parecia inadministrável. O economista Roberto Campos,
que havia sido embaixador de João Goulart em Washington,
tornou-se ministro do Planejamento.
A chegada maciça de investimentos de instituições
norte-americanas ao Brasil foi, nesse período, indiscutível
para a retomada do crescimento. Junto com o dinheiro vieram
também as implacáveis críticas nacionalistas.
Recessão Para sanear a economia, o
governo impõe uma política recessiva: diminui o ritmo das obras
públicas, corta subsídios, principalmente ao petróleo e aos
produtos da cesta básica, dificulta o crédito interno. Em pouco
tempo aumenta o números de falências e concordatas.
Paralelamente, para estimular o crescimento do PNB, oferece
amplos incentivos fiscais, de crédito e cambiais aos setores
exportadores.
Garante ao capital estrangeiro uma flexível lei de remessas
de lucro, mão-de-obra barata e sindicatos sob controle. Extingue
a estabilidade no emprego e, em seu lugar, estabelece o Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No final do governo
Castello Branco a inflação baixa para 23% anuais.
A capacidade ociosa da indústria é grande, o custo de vida
está mais alto, há grande número de desempregados, acentuada
concentração de renda e da propriedade.
Financiamento interno Para financiar o
déficit público, o governo lança no mercado as Obrigações
Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTNs). Estimula a
construção civil criando o Banco Nacional de Habitação (BNH)
para operar com os recursos captados pelo FGTS. Estabelece
também a correção monetária como estímulo à captação de
poupança num momento de inflação alta. Ao fazer isso, cria um
mecanismo que, na prática, indexa a economia e perpetua a
inflação.
Nacionalismo e estatismo. Durante a Presidência
do general Arthur da Costa e Silva (1967 a 1969),
surgiu a política do "tripé econômico", formada pelo
Estado, pelo grande capital local e pelas multinacionais. Essa
estratégia foi mantida, ajudando a compor as empresas de
indústria pesada e de exploração de recursos naturais.
Exemplos disso são a associação da Vale do Rio Doce com a U.S.
Steel para explorar ferro em Carajás e a formação da
hidrelétrica Itaipu Binacional, com o Paraguai.
Plano Estratégico de Desenvolvimento - Com a
mudança de governo em 1968, foi elaborado o
Plano Estratégico de Desenvolvimento para o período de 1968
a 1970. A política monetária
antiinflacionária de altas taxas de juros do período anterior
tinha reduzido o consumo e o investimento agregados.
Com o PIB abaixo de sua taxa natural, o objetivo do plano era
estimular a demanda privada. Foram adotadas políticas monetária
e fiscal expansionistas. A oferta de moeda e o crédito ao setor
privado foram expandidos e os gastos do governo aumentaram. Aço
e outros insumos básicos para a indústria automobilística
foram barateados.
Retomada do crescimento A economia
volta a crescer no governo Castello Branco. Os setores mais
dinâmicos são as indústrias da construção civil e de bens de
consumo duráveis voltados para classes de alta renda, como
automóveis e eletrodomésticos. Expandem-se também a pecuária
e os produtos agrícolas de exportação. Os bens de consumo
não-duráveis, como calçados, vestuário, têxteis e produtos
alimentícios destinados à população de baixa renda têm
crescimento reduzido ou até negativo.
O "Milagre Econômico". O
florescimento das estatais, com declínio do setor privado. O ano
de 1970 marca o início do período do chamado
"milagre econômico brasileiro". Empréstimos e
investimentos estrangeiros alavancam o processo de
desenvolvimento.
Novos empregos e inflação baixa trazem euforia à classe média
e ao empresariado. Ao mesmo tempo, vive-se o auge da repressão,
com censura à imprensa e violência contra a oposição.
O papel das estatais O Estado mantém
seu papel de investidor na indústria pesada, como a siderúrgica
e de bens de capital. As empresas estatais crescem com a ajuda do
governo, obtêm grandes lucros, lideram empreendimentos que
envolvem empresas privadas e criam condições para a expansão
do setor de produção de bens duráveis.
É o momento da linha-dura no poder, que tem no presidente da
República, Emílio Garrastazu Médici, seu grande representante.
Em seu governo, a inflação anual ficou abaixo dos 20% e o
crescimento do PIB em 1970 foi de 10,4%,
chegando a 14% em 1974.
A ênfase da presença do Estado na economia alinhava-se ao
projeto "Brasil Potência", que o
governo militar vislumbrava para o país. Iniciativas econômicas
grandiosas, somadas a uma propaganda competente, culminaram no
governo Medici com o chamado "Milagre Econômico" (1968
a 1973). Seu principal artífice foi o
economista Antônio Delfim Netto, que já tinha sido ministro da
Fazenda no Governo Costa e Silva.
O economista, aposta nas exportações para obter parte das
divisas necessárias às importações de máquinas, equipamentos
e matérias-primas. O crescimento do mercado mundial, na época,
favorece essa estratégia, mas é a política de incentivos
governamentais aos exportadores que garante seu sucesso. O PNB cresce, em média, 10% ao ano entre 1968
e 1973.
Para estimular a indústria, Delfim Netto expande o sistema de
crédito ao consumidor e garante à classe média o acesso aos
bens de consumo duráveis.
Crescimento Explosivo e Aumento de Reservas.
Os anos de 1969 a 1973 foram o
período de maior crescimento da história da economia
brasileira. O setor de bens de consumo duráveis foi o que mais
se expandiu. O período ficou conhecido como "milagre
econômico".
O retorno ao crescimento foi facilitado pela existência de
capacidade ociosa do período anterior, pela nova estrutura de
financiamento montada no PAEG e pela disponibilidade de
empréstimos estrangeiros.
Na falta de poupança doméstica, a poupança externa foi a
alternativa viável.
As exportações aumentaram e o volume de empréstimos externos
superou o montante utilizado para financiar o crescimento. Houve,
então, grande acúmulo de reservas cambiais.
Papel da Indústria - O crescimento
econômico foi impulsionado pelo bom desempenho nas indústrias
de bens duráveis (automóveis e eletrodomésticos) e de
construção civil. As indústrias de material elétrico,
química, construção naval e de bens de capital também
aumentaram sua produção.
Financiamento da Demanda - O demanda por bens
duráveis aumentou em virtude dos consórcios e do fornecimento
de crédito ao consumidor por empresas financeiras. O Sistema
Financeiro da Habitação, o BNH e o FGTS estiveram por trás da
expansão da construção civil, que passou a contratar mais. Com
isso, cresceram o consumo agregado e a produção das indústrias
metalúrgica e de minerais não-metálicos.
Pleno Emprego e Concentração de Renda - A
economia atingiu o pleno emprego em 1970. A
partir deste ano, investimentos foram destinados a ampliar a
capacidade produtiva da economia. O auge do milagre econômico
deu-se nos anos de 1972 e 1973.
O aumento da renda agregada não se distribuiu para todos e houve
tendência à sua concentração. O crescimento rápido
beneficiou a mão-de-obra especializada.
Primeiro PND - O Primeiro Plano Nacional de
Desenvolvimento (PND) foi elaborado para o período 1972-1974.
O "modelo brasileiro" seria organizar o governo de modo
a tornar a economia plenamente desenvolvida no espaço de uma
geração.
Os Estados Unidos viviam crises internas com a Guerra do Vietnã
e o escândalo de Watergate, que levou ao impeachment e à
renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.
As novas alianças. A crise internacional do
petróleo, em 1973, levou a economia mundial a
uma retração. O Brasil não seguiu essa orientação. Optou por
manter sua política de crescimento. O presidente Ernesto Geisel
também incentivou os megaprojetos, sobretudo no setor
hidrelétrico. Em 1975, assinou com a Alemanha
um acordo nuclear de US$ 10 bilhões para instalar 8 (oito)
usinas atômicas no Brasil.
Os custos da indústria nacional seriam reduzidos pelo
fornecimento governamental de insumos básicos mais baratos. As
exportações, principalmente de produtos manufaturados, seriam
diversificadas. Seriam feitos investimentos em educação, no
desenvolvimento tecnológico e na agricultura.
"A
iniciativa foi atacada pelo péssimo momento econômico para o
investimento e pela aquisição de uma tecnologia obsoleta e
defeituosa. Além disso, em nada interessava, externamente, que o
Brasil avançasse na área nuclear".
Concentração de renda
Em 1979, apenas 4% da população economicamente
ativa do Rio de Janeiro e São Paulo ganha acima de dez salários
mínimos. A maioria, 40%, recebe até três salários mínimos.
Além disso, o valor real do salário mínimo cai drasticamente.
Em 1959, um trabalhador que ganhasse salário mínimo precisava
trabalhar 65 horas para comprar os alimentos necessários à sua
família.
No final da década de 70 o
número de horas necessárias passa para 153. No campo, a maior
parte dos trabalhadores não recebe sequer o salário mínimo.
Crescimento da miséria
Os indicadores de qualidade de vida da população despencam. A
mortalidade infantil no Estado de São Paulo, o mais rico do
país, salta de 70 por mil nascidos vivos em 1964 para
91,7 por mil em 1971.
No mesmo ano, registra-se a existência de 600
mil menores abandonados na Grande São Paulo. Em 1972,
de 3.950 municípios do país, apenas 2.638 têm abastecimento de
água. Três anos depois um relatório do Banco Mundial mostra
que 70 milhões de brasileiros são desnutridos, o equivalente a
65,4% da população, na época de 107 milhões de pessoas. O
Brasil tem o 9º PNB do mundo, mas em desnutrição perde apenas
para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.
Fim do milagre A partir de 1973
o crescimento econômico começa a declinar. No final da década
de 70 a inflação chega a 94,7% ao ano. Em 1980
bate em 110% e, em 1983, em 200%. Nesse ano, a
dívida externa ultrapassa os US$ 90 bilhões e 90% da receita
das exportações é utilizada para o pagamento dos juros da
dívida.
O Brasil mergulha em nova recessão e sua
principal conseqüência é o desemprego. Em agosto de 1981
há 900 mil desempregados nas regiões metropolitanas do país e
a situação se agrava nos anos seguintes.
Imperialismo torna-se o vilão.
A decadência do regime militar esteve associada à crise
econômica e à má administração dos governos Medici, Geisel e
Figueiredo. A oposição ao sistema criticava a intervenção e
as imposições ditadas pelo FMI. Depois disso, o alvo das
oposições foi o imperialismo norte-americano representado
pelo governo e pelo empresariado.
As multinacionais eram acusadas de ser o escoadouro das riquezas
do Brasil. As auditorias do FMI nas contas do país eram uma dura
interferência na soberania nacional.
A transição para a democracia, com o governo José Sarney (1985
a 1990), em um período de caos econômico,
antes de mais nada teve de recuperar a confiança nacional e
internacional.
O impeachment de Collor. Primeiro presidente
civil eleito diretamente depois do golpe militar de 1964,
Fernando Collor de Mello (1990 a 1992)
viu-se envolvido em uma série de denúncias de desfalque,
corrupção, tráfico de influência que abalou a credibilidade
de seu governo.
Sindicatos, políticos, associações civis,
entidades de classe uniram-se e foram às ruas, em 1992,
exigir o impeachment do presidente.
Nessa campanha política, o brasileiro dá o seu
recado, destacaram-se os alunos secundaristas (classe média)*,
que, com os rostos pintados e muito bom humor, juntaram-se aos
manifestantes e ficaram conhecidos como
"caras-pintadas".
(*) a classe baixa, a margem do
que se passava no cenário político e econômico brasileiro,
não se engajou neste momento histórico, na luta pelo sucesso do
impeachment de Collor.
Resumo do Periodo da República da
Espada
Governo Provisório
Deodoro da Fonseca 15/11/1889 a 25/02/1891
Governo Constitucional
Deodoro da Fonseca 25/02/1891 a 23/11/1891
Floriano Peixoto 23/11/1891 a 15/11/1894
República Oligárquica
Prudente de Morais 15/11/1894 a 15/11/1898
Campos Salles 15/11/1898 a 15/11/1902
Rodrigues Alves 15/11/1902 a 15/11/1906
Afonso Penna 15/11/1906 a 14/06/1909
Nilo Peçanha 14/06/1909 a 15/11/1910
Hermes da Fonseca 15/11/1910 a 15/11/1914
Wenceslau Braz 15/11/1914 a 15/11/1918
Delfim Moreira 15/11/1918 a 28/07/1919
Epitácio Pessoa 28/07/1918 a 15/11/1922
Arthur Bernardes 15/11/1922 a 15/11/1926
Washington Luíz 15/11/1926 a 24/10/1930
Fim da República Oligárquica
Menna Barreto 24/10/1930 a 03/11/1930
Isaías de Noronha 24/10/1930 a 03/1930
Augusto Fragozo 24/10/1930 a 03/11/1930
Era Vargas
Getúlio Vargas 03/11/1930 a 20/07/1934 (Governo
Provisório)
Getúlio Vargas 20/07/1934 a 10/11/1937 (Governo Constitucional)
Getúlio Vargas 10/11/1937 a 29/10/1945 (Estado Novo)
José Linhares 29/10/1945 a 31/01/1946
República Populista
Gaspar Dutra 31/01/1946 a 31/01/1951
Getúlio Vargas 31/01/1951 a 24/08/1954
Café Filho 24/08/1954 a 08/11/1955
Carlos Coinbra 08/11/1955 a 11/11/1955
Nereu De O.Ramos 11/11/1955 a 31/01/1956
Juscelino Kubitschek 31/01/1956 a 31/01/1961
Jânio Quadros 31/01/1961 a 25/08/1961
Paschoal R.Mazzili 25/08/1961 a 08/09/1961
João Goulart 24/01/1963 a 31/03/1964
Fim da República Populista
Ditadura Militar
Paschoal R.Mazzili 02/04/1964 a 15/04/1964
Castello Branco 15/04/1964 a 15/03/1967
Costa e Silva 15/03/1967 a 31/08/1969
Aurélio Lyra Tavares 31/08/1969 a 30/10/1969 (Junta Militar)
Augusto Radamaker 31/08/1969 a 30/10/1969 (Junta Militar)
Márcio de S.Mello 31/08/1969 a 30/10/1969 (Junta Militar)
Emilio G. Médici 30/10/1969 a 15/03/1974
Ernesto Geisel 15/03/1974 a 15/03/1979
João B.Figueiredo 15/03/1979 a 15/03/1985
Fim da Ditadura Militar
Brasil Atual
Tancredo Neves 15/03/1985 a 15/03/1990 ( para este período foi eleito Tancredo Neves que por ter falecido antes de tomar posse, em seu lugar assumiu o vice-presidente José Sarney )
José Sarney 15/03/1985 a 15/03/1990
Fernando A. Collor de Mello 15/03/1990 a 29/12/1992
Itamar Franco 29/12/1992 a 01/01/1995
Fernando H.Cardoso 01//01/1995 a 01/01/1999
Fernando H.Cardoso 01/01/1999 a 01/01/2003
Luiz Inácio Lula da Silva 01/01/2003 (*)
(*)Eleição direta, com grande marco para a
vitória da democracia no Brasil, realizada em primeiro turno no
dia 06/10/2002 e em segundo turno no dia 27/10/2002, sendo eleito
o Presidente e o Vice-Presidente da República, no segundo turno.
(governo em andamento).
"Cabe ao governo garantir que a
democracia econômica chegue a todos, para que possamos
distribuir renda, gerar emprego e assegurar mais qualidade de
vida".
Luiz Inácio Lula da Silva
Data de Nascimento : 27/10/194
Naturalidade: Caetés -Pernambuco
Partido: PT coligação Lula Presidente
Vice-Presidente: José Alencar (PL)
conhecimentosgerais/Evesper
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Espero que ele aceite um segundo termo e que seja reeleito para continuar o que iniciou.GRACAS A DEUS, o povo brasileiro, pela primeira vez na historia do pais, encontrou um presidente que realmente LIGA e SENTE com o POVO o sofrimento por que passam, porque ele tambem sofreu e sabe avaliar o que e sentir FOME.
Ana de Marilia, SP