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Os eventos que culminaram com a derrubada de uma aeronave policial no dia 18 de outubro de 2009 no Rio de Janeiro adicionaram mais três heróis à extensa galeria (jamais enumerada...) de policiais brasileiros tombados no cumprimento do dever.
Desta vez, atipicamente, ninguém se dispôs a politizar o episódio nele mesmo e, como de costume, onerar o próprio Estado e seus prepostos pelas mortes... Talvez, dado o fato de que, verdadeiramente, como no "Inferno de Dante", o lugar "mais quente e infernal" da política de segurança pública seja hoje onde fica a neutralidade em tempos de tamanha crise.
E não apareceu ninguém disposto a ocupar tal lugar. Na melhor das hipóteses, contrapor a crise com razões históricas. Na pior delas - calar.
A contraposição de referir o passado de descaso, no Rio de Janeiro, com a segurança pública, é um argumento bastante razoável. É fato que o estado e sua maior cidade estão indelevelmente marcados pela ocupação desordenada do espaço urbano, bem como pela leniência histórica com a contravenção de um jogo proibido que passou "belamente" ao folclore carnavalesco local.
O "calar" do "hoje e agora" foi permanecer impassível, enquanto única postura política possível, para os que ideologicamente seguem lenientes, mas já agora com a problemática do narcotráfico no Rio de Janeiro.
Os ágeis politicamente, entretanto, mais que rápido emularam os componentes duais do ideograma "crise" enquanto grafado em traços da língua mandarim chinesa, buscando capitalizar sobre o seu traço que significa "oportunidade", ainda que o outro se traduza como "perigo". E politizar a segurança pública talvez seja um dos mais perigosos contorcionismos políticos da atualidade - ela que envolve vidas humanas. Vidas como mais essas três que foram perdidas por heróicos policiais do Rio de Janeiro.
A operacionalização política da "não-afirmação do Estado na segurança pública", e sua corrente de inércia asséptica de cunho político-ideológico pela "não-repressão", mesmo a repressão justa, legal e necessária, chegou ao limite de não poder tirar partido de uma visão imprecisa da comunidade (espécie de incongruência entre a sensação de medo e o crime com ele é...) acerca dos fatos ocorridos no dia 18 de outubro.
Narcotráfico, armas pesadas e proibidas e franca disposição de enfrentamento e agressão contra o Estado e seus agentes, contra o Povo enfim, foi o que ficou de claramente descritivo da crise instalada no Rio de Janeiro.
A Nação viu isso. E isso pode ser tão mal, ou até pior, na perspectiva política atual do Governo Federal: o fato de que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e o Comitê Olímpico Internacional (COI) também tenham visto a tragédia ocorrida. Menos mal para os cariocas - nada como ter dois ombudsmen pesos-pesados "que vivem na Europa"...
É possível até imaginar como a segurança pública do Rio de Janeiro possa ser mudada, para melhor, em 10 ou 20 anos de "prevenção primária" no contexto do PRONASCI. Mas a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 não podem esperar tanto tempo.
Elas já demandam muita ação e efetividade, no "aqui e agora", tal qual antes e durante o Pan/2007 e a Eco/92. A criminalidade do Rio de Janeiro "não é páreo" para um Estado que resolva enfrentá-la. O Ministério da Justiça, o Ministério da Defesa e o Supremo Tribunal Federal sabem disso e "falaram disso" imediatamente após a crise.
Se fosse "apenas" o povo carioca, sozinho, ele talvez tivesse de continuar esperando e "guerreando em vão", junto com o eloqüente e valente Secretário Mariano Beltrame, que "topou encarar" uma "guerra solitária" contra o narcotráfico (que é "contagioso" para o restante do país...) e a desordem social que dele sobrevém no Rio de Janeiro.
Solitária, menos por ele estar sozinho, e mais pela falta de "solidariedade" da superestrutura do governo federal (algo além do que apenas "mais verbas"...). Não fosse mais essa crise, os cariocas ficariam esperando a "Paz Social" ao som do afro-reggae comunitário e da lenta materialização dos frutos da "polícia de proximidade".
A crise continuaria a ser atribuída, com alguma razão, a razões histórico-culturais pelos síndicos do pior imóvel do "Inferno de Dante" - bem neutro - mas bem quente. E, por razões óbvias, não apareceu nenhum candidato a dono nem inquilino desse imóvel incomodo politicamente, mas de onde dará para ver, do alto dele, os jogos de futebol e competições da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 respectivamente.
Anton Chekhov (dramaturgo russo, 1860-1904), afirmava que qualquer idiota encara uma crise, mas que é o cotidiano, e que vem a seguir, que esvazia as pessoas e as enfraquece.
Felizmente para os cariocas e para o país, outra autora aponta que sementes de fé estão sempre conosco - no caso, os grandes objetivos estratégicos da realização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 - e ela prossegue: "Algumas vezes é necessário uma crise para nutrir e encorajar o crescimento dessas sementes" (Susan Taylor).
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