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Meu nome é Olímpio, descendente de uma família milenar do Velho Mundo, e que agora é o noivo que a família humana universal (representada pelo Comitê Olímpico Internacional - COI) escolheu para unir a você Rio de janeiro, para termos uma filha em 2016, em nome da fraternidade universal e da união de todos os povos da Terra.
Já que teremos nossa descendente em sete anos mais (conforme manda a tradição temporal desse anúncio feito pelo COI em outubro), estou começando a escrever a você desde já, Rio de Janeiro, com a finalidade de iniciar o planejamento de algumas coisas sobre a gravidez, o parto e a vida de mais uma filha (a 31ª) da nossa família olímpica, depois de cerca de 30 outros descendentes mais.
Vários desses filhos e filhas, de antes de 1896, não foram contados nesse número de 30, mas certamente existiram. Outros ainda deixaram de nascer depois de 1896 (1916, 1940 e 1944), em meio a grandes comoções havidas no mundo. Mas os números nem sempre dizem tudo, não é mesmo? - O que mais nos importa agora é um simpático 31º.
A gravidez da nossa filha já está em curso desde o início de outubro de 2009, no momento em que o COI anunciou tal decisão histórica para a humanidade. Ela terá o nome por extenso de "31ºs Jogos Olímpicos da Era Moderna - Olimpíada do Rio de Janeiro 2016". O apelido será como o de outras de suas ascendentes - simplesmente Olimpíada. O que há de muito especial nisso é que Olimpíada 2016 será a primeira a nascer, crescer e prosperar em um país da América do Sul. Isso jamais aconteceu antes, nem na América do Sul nem na África.
Precisamos começar a cuidar de várias coisas desde já... É preciso muito, muito cuidado, já que é uma longa gravidez e Olimpíada precisa de um pré-natal detalhadíssimo, realizado por profissionais da maior competência. E sei, antecipadamente, que o pai da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, o Brasil, não deixará nada faltar.
Tenho certeza também de que tudo será muito bem feito pelo Brasil e, de acordo com a tradição dos antepassados dessa nossa filha, Olimpíada nascerá sob o signo incontestavelmente belo da música, do canto, da dança e da arte cênica do Brasil, em uma cerimônia de abertura que promete ser memorável. Para a efetiva consecução dos jogos, o gigante dos trópicos se valerá da arte e da ciência da modernidade, englobando as mais novas técnicas e tecnologias, na culminância do enlevo de um parto desejado e esperado por toda a humanidade.
Na seqüência moderna de jogos de verão, iniciada em 1896 em nossa universal Atenas e até os jogos de verão do Rio de Janeiro de 2016, a humanidade continuará aprendendo a realizá-los, segundo o que existe de melhor no espírito olímpico. Serão aplicados no Rio de Janeiro importantes ensinamentos, principalmente as lições aprendidas nos jogos de verão das duas décadas imediatamente anteriores, aí incluídas as experiências de Londres (2012), Beijing (2008), Atenas (2004), Sidney (2000) e Atlanta (1996).
A tradição de deuses mitológicos e do seu povo milenar abrirá a parada de atletas (praticantes de 26 esportes olímpicos) quando adentrar, em primeiro lugar, a bandeira do que hoje é a Grécia. Tudo isso terá seu ápice no ato da cerimônia de abertura, com o acender de uma tocha que um grande atleta brasileiro fará acontecer. Assim ficará marcado o nascimento oficial de Olimpíada 2016, no sítio esportivo e no momento histórico que o Brasil e o Rio de Janeiro entenderem como os melhores.
Precisamos nos certificar, entretanto, que essa nova descendência olímpica, que crescerá muito rapidamente depois de uma relativamente breve cerimônia de abertura em 2016, estará amadurecida em algumas poucas semanas, deixando como legado uma linda e curta saga (como as dos heróis da antiga Grécia), algo muito belo e feliz, que passará a ser mais uma página da história da humanidade.
Mas devemos estar bem seguros de que os membros da família humana local, que estarão ao lado do berço de Olimpíada, antes, durante e depois do nascimento dela, estejam felizes e protegidos de todos os males e de todos os perigos (Mens Sana in Corpore Sano - Uma mente Saudável em um Corpo Saudável). Assim, a legitimidade da Olimpíada dependerá da saúde, no seu sentido mais amplo, de todos e de cada um dos cariocas e brasileiros, bem como dos atletas e demais participantes. Pandora e sua caixa deverão estar sob absoluta guarda e controle. Os maus e deploráveis exemplos de tragédias acontecidas em Munique (1972) e Atlanta (1996) jamais poderão se repetir!
Nossa criança, rapidamente transformada em um adulto olímpico, estará criada com todos os mimos e cuidados. Ela deverá fazer a família humana local muito feliz. E isso deve ser promovido antes, bem antes, antes mesmo que Olimpíada nasça. Durante a história da vida dela as coisas deverão ser igualmente felizes, ou até mesmo mais felizes do que antes dela nascer (é lindo sonhar com o parto e o crescimento dessa filha, não é mesmo Rio de Janeiro?). E se formos cuidadosos e competentes, principalmente você Rio de janeiro, e seu pai o Brasil, poderá restar um legado de felicidade que permanecerá existindo por muito mais tempo ainda.
Mas vamos consultar, primeiro que tudo, um mestre que atuará desde agora, antes de todos os outros mestres que apoiarão Olimpíada. Ele trabalhará intensamente antes e, mais ainda, durante o nascimento e crescimento dessa filha do futuro. Vamos chamar aquela entidade de sabedoria que começará por explicar e ensinar à sociedade humana local, e depois aos que irão juntar-se a ela vindos dos mais distantes rincões da Terra, que é possível existir união, fraternidade e paz entre todos os membros da família humana. Que é possível estar seguro e protegido e que uma Olimpíada é uma forte inspiradora disso, onde quer que ela nasça.
Vamos chamar um mestre-ancião, sábio, forte e poderoso. Vamos chamar por ele e sua equipe - vamos chamar pela milenarmente conhecida atividade de inteligência. Eles vão cuidar de compreender os mais moços, aprender com os mais velhos; saber o que é preciso no lugar onde todos eles moram, estudam e trabalham; e do que devem pensar fazer de agora em diante. Eles serão os primeiros construtores do verdadeiro espírito olímpico, no que ele abrange de paz e concórdia. Para tanto, a inteligência deverá estar em permanente atividade, principalmente no que concerne prever, para prevenir e reagir, proativamente, em relação a qualquer perigo.
As tarefas desse grupo precursor dos trabalhos de segurança para o nascimento e vida da Olimpíada 2016 incluem essencialmente assegurar o que um antigo escravo sírio, Publilius Syrus, já prescrevia na antiga Roma do primeiro século antes de Cristo: "Está mais seguro do perigo aquele que permanece em guarda, até mesmo quando parece já estar seguro": Caret periclo, qui etiam cum est tutus cavet.
Para prever, ou estar prevenido e 'permanecer em guarda' em relação ao perigo, como já apontava Publiblius Syrus mais de dois mil anos atrás, é necessário envolver, essencialmente, a capacidade de conhecer as potenciais e reais ameaças à consecução da Olímpiada 2016. E o manejo, ou gestão apropriada desse conhecimento, o fará tão mais poderoso quanto maior for seu poder de antecipação e oportuna efetividade em conhecer e opor os fatores de potencial ou efetiva ameaça - do perigo propriamente dito, a que também refere Publilius Syrus.
As palavras-chave, parece, serão: inteligência de segurança pública, operações de inteligência policial, infiltração policial, reconhecimento, vigilância eletrônica, monitoramento ambiental, contra-inteligência policial, gestão do conhecimento de segurança pública, segurança física, segurança das instalações, segurança pessoal e de dignitários, vigilância, análise criminal, análise de vínculos, biometria digital, etc.
Vamos chamar um mestre-ancião, sábio, forte e poderoso. Vamos chamar por ele e sua equipe - vamos chamar pela milenarmente conhecida atividade de inteligência.
Tudo começará assim...
Universalmente, pela paz e pela fraternidade.
Olímpio.
Brasília, 7 de outubro de 2009
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