| No caos aéreo brasileiro não podemos queimar a bruxa errada |
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| Escrito por Wiliam Nogueira | |
| Sunday, 11 November 2007 | |
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Com a alteração desta realidade meio que forçada por novas companhias como a Gol e da mais recentemente falida BRA, descobriu-se que atender a um novo nicho de mercado seria possível. O problema é que isso forçou as grandes companhias a se adequarem para poderem sobreviver e a TAM é um exemplo clássico disso. A "universalização" do espaço aéreo sempre se fez necessária, mas não pode ser feita à custa de economias burras, onde equipamentos com manutenibilidade atrasada, aeronaves inseguras e "over-bookings" da vida assombram aqueles que delas precisam fazer uso. Em verdade, afirmo não poder pairar nenhuma dúvida sobre a confiabilidade de um equipamento que funciona sobre condições tão severas e cuja falha possa vir a ser tão catastrófica. Quando digo isso, falo também de todo o sistema aéreo nacional, afinal, este trata do mesmo assunto e vem sendo gerido com a mais pura falta de senso administrativo, o que somado aos dados anteriores nos traz uma mistura - perdoem-me a expressão - fatalmente explosiva. Nessa história toda, os ânimos políticos se acirram e as balanças pendem para os lados menos racionais sem que se faça uma avaliação efetivamente equilibrada dos fatos que redundaram na tragédia do vôo 3054 da TAM e mais recentemente do jatinho que caiu em São Paulo. Concordamos todos, o quanto este governo tem sido incompetente em direcionar as devidas reformas em todos os sentidos da cadeia gerencial do Estado e não apenas no Sistema de Tráfego Aéreo, mas não podemos imputar a este toda a responsabilidade dos acidentes isentando as empresas aéreas. Afinal, sabe-se que principalmente no caso da TAM o piloto desceu numa velocidade ao menos três vezes maior que a normal com um equipamento limitado em sua capacidade de utilização pela falta de um dos reversores, numa pista que se sabe defeituosa não de hoje e não deste governo. No que diz respeito ao acidente com o jato algumas informações remetem a problemas mecânicos e inexperiência do piloto, mas ainda é cedo para afirmações. A caça às bruxas é natural nestes casos, o que incomoda é a falta de critério nesta busca, pois queimar a feiticeira errada permitiria à verdadeira continuar à solta por aí e pior, nos faria cúmplices de uma nova tragédia que não tarda acontecerá se algo verdadeiramente sério não for feito. Sinto saudades do tempo em que a única modificação percebida nesta nova fase da aviação nacional era o modo como a refeição passou a ser servida, sem tanta pompa, mas a um custo de bilhete mais acessível e enquanto o avião ainda era o meio de transporte mais seguro do mundo. Temo que a ganância e a guerra pela maximização ignorante dos lucros tenham sepultado junto às vítimas destas tragédias nacionais, também esta bela verdade: Numa guerra, a primeira vítima é a verdade.
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A dinâmica no mercado de transporte aéreo no Brasil sofreu uma modificação quase que extrema de alguns anos pra cá. Lembro-me de um passado não tão remoto quando da existência da Transbrasil, Vasp entre outras, que voar era privilégio de poucos e tal realmente se justificava pelo conforto encontrado mesmo nas classes econômicas.
Wiliam Nogueira, 30, é acadêmico de ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele mantém seu site no endereço: 
