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Que temos a ver com a vida sexual do padre Lancelotti? Tudo, se há menor envolvido PDF Imprimir E-mail
Escrito por Janer Cristaldo   
Sunday, 04 November 2007

Padre Júlio Lancellotti com um grupo de crianças O padre Júlio Lancellotti falou pela primeira vez, nesta sexta-feira, 2 de novembro, desde as denúncias de que teria sofrido extorsão de ex-interno da Febem (atual Fundação Casa). Ele negou as acusações de corrupção de menores e do desvio de dinheiro de ONGs para pagar as supostas extorsões.

Lancelotti falou a um público de 200 pessoas da paróquia São Miguel, na zona leste de São Paulo, que prestaram solidariedade ao religioso em frente à casa dele.

Falou, mas não convenceu. Para o padre Júlio Lancellotti, os meninos de rua e menores infratores sempre gozaram de fé pública. Em qualquer denúncia contra a polícia ou contra funcionários da FEBEM, a razão sempre esteve com os menores. Exceto agora.

Ao denunciar Anderson Marcos Batista, de 25 anos, Lancellotti declarou ter sido extorquido em 50 mil reais. Ao surgirem à tona alguns mimos feitos a seu pupilo, como um Mitsubishi Pajero e outros carros, o padre tentou uma conta de chegar: teria sido extorquido em 80 mil reais.

Sua defesa, mais prudente, propõe um elastério maior: 150 mil reais. Batista não deixa por menos: foram cerca de 800 mil reais. Atribui essa benevolência toda a favores sexuais prestados ao padre.

Pela primeira vez na história da imprensa, um egresso da FEBEM deixa de ter razão. Os defensores dos ditos direitos humanos e apoiadores incondicionais do padre desmentem Batista e o acusam de estar tentando lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Batista tem um argumento considerável em mãos. Em declarações à polícia, disse poder dar detalhes físicos do corpo do padre.

Quando estourou a affaire - por iniciativa do padre, diga-se de passagem - pensei com meus botões: trata-se de um caso óbvio de chantagem sexual. Homem algum, em sã consciência, vai repassar tal montante de dinheiro a um marginal só porque este marginal o ameaça de denunciá-lo por abuso sexual. Assim sendo, a vida seria bem mais fácil para todos os marginais.

A menos, é claro, que o abuso tenha ocorrido. Se abuso houve, é claro que não foi um só. Um sacerdote com a sexualidade à flor da pele, tendo à sua disposição um serralho todo, não iria se contentar com um só concubino. O segundo já surgiu. Chama-se Marcos José de Lima e vive do tráfico.

No ano passado, Lancellotti procurou por duas vezes a polícia para denunciá-lo por chantagem. Em depoimento às autoridades policiais, em setembro passado, Lima disse que sempre recebia dinheiro do sacerdote e que este o ajudava por ter com ele um relacionamento sexual.

O montante em dinheiro desta outra chantagem ainda desconhecemos. Se bem conheço os bois com que lavro, outros casos surgirão. Uma testemunha, por enquanto sob sigilo, já declarou ter visto o santo homem aos beijos e abraços com outro menor.

Que temos a ver com a sexualidade deste cidadão? Com a sexualidade do cidadão Lancellotti, a rigor, nada. Homossexualismo é atitude hoje apenas condenada por moralistas psicologicamente perturbados, tipo Olavo de Carvalho ou Julio Severo, que ainda não fizeram as pazes com o próprio sexo.

Práticas homossexuais não constituem crime para nosso Código Penal, exceto quando envolvem violência ou menores. O que parece ser o caso. Se assim se for, a sociedade toda tem muito a ver com a sexualidade do cidadão Lancellotti.

Já o padre Lancellotti é um caso à parte. Os sacerdotes católicos contemporâneos parecem ter esquecido que, por ocasião de suas ordenações, fizeram três votos, sendo um deles o de castidade. Um padre, a rigor, não pode sequer masturbar-se. Está pecando contra a castidade. Certo, pecado não é crime. O Código Penal não contempla a figura do pecado.

Mas estamos falando de outra instância, a religiosa. De acordo com a doutrina comum dos teólogos, o voto é um ato de culto a Deus. O Código Canônico o define como a promessa deliberada e livre de um bem possível e melhor, feita a Deus - não aos homens - que deve ser cumprida em razão da virtude da religião.

Segundo meu dicionário de Direito Canônico, existe verdadeiro voto quando aquele que o emite é sujeito capaz, com conhecimento suficiente daquilo que promete e liberdade para fazê-lo. É claro que, no momento de sua ordenação, padre Lancellotti dispunha desses requisitos.

Igualmente, requer-se que o prometido não seja um simples desejo ou um vago propósito, mas uma promessa que comporte a obrigação de cumpri-la. Não terá sido por vagos propósitos que o vovente Lancellotti emitiu seu voto de castidade. A promessa deve ser feita em honra de Deus, enquanto supremo Senhor de todas as criaturas, quer dizer, que constitua um ato de latria.

Largo meu dicionário e pego meu Código de Direito Canônico, Can. 1191 - § 1. Votum, idest promissio deliberata ac libera Deo facta de bono possibili et meliore, ex virtute religionis impleri debet.

Traduzindo: O voto, isto é, a promessa deliberada e livre de um bem possível e melhor, feita a Deus, deve ser cumprido em razão da virtude da religião.

Ou seja: do ponto de vista penal, nada temos a ver com a vida sexual do padre. Desde que esta sexualidade se exerça com adultos, é claro. Já do ponto de vista canônico, o padre Lancellotti cometeu uma inominável ofensa ao Deus a quem jurou castidade.

As coisas de cama são segredo de quem ama - poetava Carlos Drummond, outro come-quieto, como bom mineiro que era. Fossem as coisas apenas de cama, os feitos de São Lancellotti seriam da órbita exclusiva de canonistas e teólogos. Ocorre que a affaire envolve altas somas de dinheiro, somas às quais o padre não teria acesso com seus magros ganhos.

Como lidava com ONGs, fica mais ou menos evidente de onde saiu a grana que tão felizes deve ter feito Batista e Lima. O sigilo fiscal do padre deve ser quebrado e as próximas semanas nos prometem dados no mínimo surpreendentes.

A corrupção, ao que tudo indica, vazou dos corredores do Congresso e agora inunda as naves das catedrais. Como São Lancellotti é militante das esquerdas e apóia incondicionalmente o PT, diversos movimentos ligados ao obscurantismo fazem sua defesa incondicional. Fosse um padre ou militante da Opus Dei o alvo destas acusações, já teria sido jogado à fogueira pela imprensa.

Janer Cristaldo Janer Cristaldo é jornalista, escritor e tradutor. Vive em São Paulo. Site do autor: http://cristaldo.blogspot.com/. E-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (2)Add Comment
Pedofilos do PT.
escrito por bebeto_maya, 2008-04-22 14:34:04
É o mesmo partido que encobre outro pedófilo quase declarado, autor do inocente texto, "Meu moleque ideal", Sr.Prof. Dr Decano do movimento gay, Luiz mott...Pedofilia, Inda que tardia!
complemento...
escrito por bebeto_maya, 2008-04-22 14:41:09
Ah, mas como eh do movimento gay, vamos deixar passar.Porque esse não podemos criticar, senão é homofobia...Além do que você acabou de difamar Olavo de Carvalho. Em um de seus textos ele declara ser favorável aos homossexuais, condena apenas os movimentos extremistas que querem enfiar seus próprios conceitos goela abaixo da população, sem opção de crítica.

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