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A Diocese de Jales abrange quarenta e seis municípios, em seu território situado no extremo noroeste do Estado de São Paulo, banhado pelas águas abundantes dos rios que confluem para a região, juntando suas águas no grande Paraná, que a partir daqui leva este nome até chegar ao estuário da Prata.
Um desses municípios se chama Santa Albertina. À primeira vista, nada a estranhar. O nome é sonoro, tem boa cadência, assenta bem, e assim ele consta no elenco dos mais de cinco mil municípios brasileiros. Entre eles, figura o município de Santa Albertina.
Mas acontece um dado curioso. O município existe, mas não existe a santa! Pois nunca a Igreja canonizou uma pessoa que tivesse este nome. Portanto, no hagiológio da Igreja, o livro que contém a ladainha de todos os santos, não consta o nome de Santa Albertina. Simplesmente porque nunca existiu uma santa com este nome.
Mas existe o município chamado Santa Albertina. O fato tem uma primeira explicação, fácil de entender. Albertina era nome de uma pessoa da família que fundou a cidade. O fundador quis honrar esta pessoa, designando com seu nome o local que acabou virando sede de município.
Acontece que o povo achou pouco chamar o lugar de Albertina. Foi logo acrescentando o qualificativo de Santa. E assim foi registrado. De modo que o município acabou sendo chamado, oficialmente, de Santa Albertina.
Não é que isto causou alguma confusão litúrgica. Pois a Paróquia de Santa Albertina, desde o seu início, tem como padroeiro São Francisco, cuja data assinala o aniversário do município.
Mas não deixa de ser estranho a Paróquia de Santa Albertina ter São Francisco como padroeiro.
Agora, finalmente, se desenha pela frente uma boa solução. Na semana passada, em Tubarão, Santa Catarina, foi beatificada a adolescente Albertina Berkenbrock, que morreu heroicamente em defesa de sua dignidade humana. Ela foi proclamada beata, como primeiro passo para ser reconhecida como santa.
De modo que em breve existirá, de fato, uma santa com o nome de Albertina. Então ela poderá ser proclamada padroeira do município que de certa maneira antecipou sua canonização.
O povo já mostrou que está de acordo. Uma numerosa comitiva de Santa Albertina foi a Tubarão participar da beatificação de Albertina Berkenbrock. Quando se concluir o processo de canonização, a Diocese poderá designar a nova santa como a padroeira oficial do município que já leva o seu nome.
E assim Santa Albertina passará a existir tanto no elenco dos municípios do Brasil como no hagiológio da Igreja. E com certeza São Francisco não terá nenhum constrangimento em ceder o lugar para a nova santa, num país que carece tanto de ver reconhecida a santidade de brasileiros e brasileiras que deixaram seu testemunho de vida cristã.
Na sua singeleza, este episódio acaba revelando uma verdade mais profunda. Invocando os santos, mesmo com nomes que nem existem oficialmente, o povo quer contar com a proximidade de Deus. Quer colocar a realidade divina como parâmetro da realidade humana.
Como diz a oração ensinada por Cristo, invocando os santos o povo manifesta o desejo de que a vida seja "assim na terra como no céu".
Dom Luiz Demétrio Valentini, é bispo Diocesano de Jales/SP. Natural de São Valentim, Rio Grande do Sul. Foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional de Bispos Brasileiros (CNBB), responsável pelo Setor Pastoral Social.
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