Fala, Brasil! - Ricos e pobres, no Brasil somos todos prisioneiros
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Ricos e pobres, no Brasil somos todos prisioneiros PDF Imprimir E-mail
Escrito por Cristovam Buarque   
Monday, 22 October 2007

Casa com muro e guarda eletrônica Houve um tempo em que se dizia: brasileiro, profissão esperança. Hoje, mais correto seria dizer: brasileiro, profissão prisioneiro. Prisioneiro no trânsito, em carros que são celas ambulantes em marcha lenta, desperdiçando precioso tempo de vida de seus passageiros.

Alguns em carros blindados, os vidros escuros fechados, impedidos de ver a cidade em sua realidade, obrigados a correr o risco de cruzar esquinas com sinais vermelhos, para evitar assalto, morte, seqüestro.

Prisioneiro do analfabetismo, que faz estrangeiros, brasileiros em suas próprias cidades, impedidos de decodificar os sinais que dão liberdade de locomoção, escolha, entendimento. São livres em um mundo estranho, prisioneiros do desconhecimento, exilados no tempo pisando o século XXI e vivendo no século XIX.

Ao seu lado, prisioneiros também milhões de brasileiros, principalmente jovens, que aprenderam a ler mas não conseguem um emprego, por falta de educação de qualidade.

São muitos os prisioneiros dessa educação insuficiente; também são prisioneiros: os educados obrigados a interagir com brasileiros prisioneiros da deseducação; o engenheiro sem operários que entendam suas ordens nem saibam operar as máquinas que devem utilizar; o gestor sem auxiliares que executem bem suas ordens por falta de capacitação profissional.

Prisioneiros das filas: nas paradas de ônibus, nos postos em busca de uma vaga de  emprego, nos corredores à espera de atendimento médico, condenados à morte, sentenciados pela falta de médico, de leito, de equipamento, de medicamento.

Prisioneiros da insensibilidade e da incompetência dos dirigentes nacionais, que não canalizam os recursos necessários, ou os desperdiçam no meio desse apagão gerencial que caracteriza a administração pública brasileira. Prisioneiros de políticos que mais parecem hipnotizadores: capazes de roubar quando parecem dar; de mentir aparentando sinceridade.

Prisioneiros infantis, com infâncias roubadas nas ruas, no lugar da escola; no crime, no lugar de família; na prostituição no lugar dos gestos simples das amizades pueris ou adolescentes.

Crianças prisioneiras desde o dia em que nascem, que passarão, desde a primeira infância até a morte, sem tocar o frio chão da realidade nacional. Protegidas em bolhas sociais, do quarto à garagem, dali à escola, ou ao clube ou dentista, e de volta à garagem e ao quarto.

Adultos prisioneiros em condomínios fechados como naves espaciais, distantes da realidade urbana, deslocando-se da casa para o carro fechado, dali ao estacionamento subterrâneo, escritório ou shopping center, aeroporto ou outras cidades nas quais a bolha social continua levando-os prisioneiros, protegidos assustados com o risco da contaminação social.

Apesar do luxo, do conforto, do ouro, da renda, isolados como prisioneiros, assistindo a realidade à distância, pela televisão. Confundindo os fatos de seu país com os acontecimentos de qualquer outra parte do mundo. Prisioneiros de uma globalização que transforma o mundo em um simulacro, apenas aparência. Tão prisioneiros quanto os 580 mil encarcerados nas superlotadas cadeias nacionais.

Parlamentares prisioneiros no Congresso Nacional, porque optaram por construir uma bolha política, isolados da vontade popular, distantes da opinião pública. Pensam no povo apenas a cada quatro anos, no instante do calendário eleitoral. Prisioneiros da sua própria concepção de que há mais poder em salvar um colega sob fortes evidências de quebra de decoro parlamentar do que se submeter à vontade popular.

O brasileiro, profissão prisioneiro, é como um hipnotizado que acredita ser livre. Enganado como o pobre que se sente rico quando fecha os vidros do seu carro preso no engarrafamento, prisioneiro, cansado, mas feliz, porque ao seu redor os outros pobres prisioneiros pensarão que seu carro tem ar-condicionado.

Prisioneiro, eu. E você também, leitor!

Cristovam Buarque Cristovam Buarque é Ph.D. em Economia. Foi governador do Distrito Federal (1995-98), em 2002 elegeu-se senador pelo PT com a maior votação dada a um político no Distrito Federal. Foi Ministro da Educação (2003-04). É membro do Instituto de Educação da Unesco. Foi candidato à presidência da república pelo PDT em 2006. Site: http://www.cristovam.com.br/ E-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (2)Add Comment
a nossa realidade
escrito por .....Me ChAMe ComU QuiSE........, 2007-11-21 12:48:04
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sem contah q os pobres na porra desse mundo nau tem vez.....
q a criança q nnasce em meio a desigualdade social...q com 7 anos de idade ja vai vende balinha em um sinal em vez de tah na escola ...ma is ela nau faz por opção ela faz isso por nessecidade de no final do dia ter o q come a t nesse seu dia a dia ela oferece seu trabalho pra um riqco filha da puta....e o q q esse rico faz....
sem dar oportunidade....ele antes q a criança diga alguma coisa fecha o vidro blindado do se carro importado enquanto seu filho playboyzinho joga game boy e ssiste dvd no banco de traz do carro.....
Depois q essa criança cresce e encherga a realidade ela vai lah e mata aquele rico filha da puta q um dia lhe deu as costas....
e depois de tudo isso ...depois de termos crianças traumatizadas ...matando o patrão da propra mãe qnd nau mata esta.....
g
escrito por GTGGG, 2008-05-27 21:11:02
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