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Todo ser que difere dos padrões estabelecidos como normais sofre discriminação. Trata-se de mecanismo de perpetuação de poder de grupos dominantes sobre a maioria da população. Os preconceitos produzidos em sociedade penetram nas escolas que não trabalham as diferenças como parte da existência.
Nas escolas particulares ou do Estado são discriminados: a mulher, o jovem sensível, o portador de necessidades especiais, o pardo, o negro, o migrante e o imigrante, etc. No cotidiano têm que superar a discriminação para a sobrevivência psíquica.
Muitas vezes isso ocorre através de atos hostis, mas a idéia de inferioridade fica gravada na personalidade do discriminado, que carrega estigmas por toda a vida. Esse sentimento produz um imenso contingente de pessoas que, ao não acreditarem em sua capacidade de comandar o próprio destino, tornam-se socialmente imobilizadas.
Um dos motivos mais freqüentes de agressões nas escolas é a discriminação racial. Entretanto quem leva a fama de agressor é, em geral, o negro, quando, depois de ser, de forma velada ou pública, desqualificado com palavras racistas pelos colegas, reage agressivamente.
Passa então a ser considerado anti-social, dessa maneira cresce o conflito. As escolas, ao invés de tratar o problema como racial, escondem-se debaixo do falso mito da democracia racial e passam a cuidar como ato hostil. Trabalham a agressividade do aluno pela superfície, nunca pela profundidade dos preconceitos historicamente condicionados.
Quando dentro de uma escola ocorre uma agressão de origem racial esse é o momento para se mostrar para ambas as partes que, tanto agressor quanto agredido, estão representando uma velha noção de superioridade de raça embalada no século XIX pela necessidade das nações européias de expansão de mercado.
Nada a ver com a relação de amizade que eles precisam cultuar. É hora de contar a história Africana com sua milenar tradição e como os negros participaram na construção mundial e desta nação não só através da exploração escravagista, mas também nas lutas de libertação colonial e como contribuíram com sua inteligência diferenciada para a formação deste país.
Hora de falar de Aleijadinho, Luiza Mahin, Castro Alves, Pedro Amaral, André Rebouças, Mestre Valentim, Teodoro Sampaio, Chiquinha Gonzaga, Carlos Gomes, Luis Gama, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, e tantos outros negros que construíram e constroem nossa identidade cultural.
Um país estigmatizado pelo racismo como o nosso não pode ser considerado desenvolvido enquanto não incluir a sua população afro-descente no sistema educacional e produtivo de forma qualificada, em pé de igualdade com o restante da nação.
Países europeus e EUA, apesar dos conflitos visíveis no cotidiano, sabem muito bem incluir as diferentes raças e entendem o significado disso para o crescimento da nação. O Brasil, a título de civilidade, deixa metade da população à margem. Há meios de acabar com isso. A começar pelas escolas.
Agilson de Araujo é diretor de marketing, documentarista, e arquiteto. Ele é autor do documentário "Africanidades Brasileiras" para o Ministério da Educação sobre racismo nas escolas.
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