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Sem integração do negro nunca haverá um Brasil desenvolvido PDF Imprimir E-mail
Escrito por Agilson de Araujo   
Monday, 11 December 2006

Menino Todo ser que difere dos padrões estabelecidos como normais sofre discriminação. Trata-se de mecanismo de perpetuação de poder de grupos dominantes sobre a maioria da população. Os preconceitos produzidos em sociedade penetram nas escolas que não trabalham as diferenças como parte da existência.

Nas escolas particulares ou do Estado são discriminados: a mulher, o jovem sensível, o portador de necessidades especiais, o pardo, o negro, o migrante e o imigrante, etc. No cotidiano têm que superar a discriminação para a sobrevivência psíquica.

Muitas vezes isso ocorre através de atos hostis, mas a idéia de inferioridade fica gravada na personalidade do discriminado, que carrega estigmas por toda a vida. Esse sentimento produz um imenso contingente de pessoas que, ao não acreditarem em sua capacidade de comandar o próprio destino, tornam-se socialmente imobilizadas.

Um dos motivos mais freqüentes de agressões nas escolas é a discriminação racial. Entretanto quem leva a fama de agressor é, em geral, o negro, quando, depois de ser, de forma velada ou pública, desqualificado com palavras racistas pelos colegas, reage agressivamente.

Passa então a ser considerado anti-social, dessa maneira cresce o conflito. As escolas, ao invés de tratar o problema como racial, escondem-se debaixo do falso mito da democracia racial e passam a cuidar como ato hostil. Trabalham a agressividade do aluno pela superfície, nunca pela profundidade dos preconceitos historicamente condicionados.

Quando dentro de uma escola ocorre uma agressão de origem racial esse é o momento para se mostrar para ambas as partes que, tanto agressor quanto agredido, estão representando uma velha noção de superioridade de raça embalada no século XIX pela necessidade das nações européias de expansão de mercado.

Nada a ver com a relação de amizade que eles precisam cultuar. É hora de contar a história Africana com sua milenar tradição e como os negros participaram na construção mundial e desta nação não só através da exploração escravagista, mas também nas lutas de libertação colonial e como contribuíram com sua inteligência diferenciada para a formação deste país.

Hora de falar de Aleijadinho, Luiza Mahin, Castro Alves, Pedro Amaral, André Rebouças, Mestre Valentim, Teodoro Sampaio, Chiquinha Gonzaga, Carlos Gomes, Luis Gama, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, e tantos outros negros que construíram e constroem nossa identidade cultural.

Um país estigmatizado pelo racismo como o nosso não pode ser considerado desenvolvido enquanto não incluir a sua população afro-descente no sistema educacional e produtivo de forma qualificada, em pé de igualdade com o restante da nação.

Países europeus e EUA, apesar dos conflitos visíveis no cotidiano, sabem muito bem incluir as diferentes raças e entendem o significado disso para o crescimento da nação. O Brasil, a título de civilidade, deixa metade da população à margem. Há meios de acabar com isso. A começar pelas escolas.

Agilson de Araujo é diretor de marketing, documentarista, e arquiteto. Ele é autor do documentário "Africanidades Brasileiras" para o Ministério da Educação sobre racismo nas escolas.

Comentarios (7)Add Comment
É isso aí!
escrito por gilda brasileiro, 2007-03-21 11:02:44
eu enquanto educadora negra concordo plenamente com vc, mas ensinar as muitas áfricas e as africanidades para os alunos é muito fácil e o trabalho mesmo lento vai ter um bom resultado a curto e longo prazo, o problema são os colegas com a cabeça já feita que nem querem tocar no assunto, inclusive justificando que ensinar coisas de negro, afinal prá que? isso é que é muito duro
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escrito por Jorge Ferreira dos Santos, 2007-10-09 13:01:11
Eu enquanto educador negro concordo com você, parabéns a nossa colega por não ter difculdade em falar da temática africanidades.Concordo com ela quando diz que os colegas não querem tocar no assunto.Recentemente tentei abordar a temática,não foi possivel,alunos que se diziam evangélicos se recusaram a discutir o tema.
...
escrito por Sylmar Rogerio, 2007-10-12 02:46:44
Com certeza devo compartilha com os mesmo pesamentos dos meus pares,e sei que a nossa luta ainda esta muito longe de acabar.
Precisamos de apoio dos meios de comunicações,um apoio real e sincero, gostaria que os poucos negros que estão nesse meio da comunicação
levanta-se essa bandeira. Ai sim deriamos mais exito.
Praticando afro brasilianismo
escrito por Fernando Rabelo de Souza, 2007-12-11 00:18:37
Muito bem colocados os termos do artigo. Acrescento que já passa da hora de se colocar a teoria e prática do Jogo da Capoeira como matéria obrigatória em todos os níveis do ensino. Mais ainda, como podem existir cursos superiores de Educação Física sem Jogo da Capoeira como disciplina obrigatória?
Artigo excelente - Proyecto de escola no Brasil
escrito por Lysiane Galleron, 2008-01-14 20:48:42
Sou francesa, negra e falo português. Ja morrei no Brasil como professora de françês e esse problema do racismo com os colegas foi muito duro. Eu gostaria de crear uma escola no Brasil para ajudar os jovens brasileiros a sair desta fase porque o mais importante e crear em SI MISMO. Na França tambêm tem racismo mais podemos alcanzar o successo com EDUCACAO. E A VERDADEIRA SOLUCAO. GOSTARIA DE OFERECER ISSO AOS JOVENS BRASILEIROS;
Qualquer pessoa interessada no meu proyecto è bemvenida.
lysiane Galleron -Paris, França
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escrito por sabrina, 2008-01-16 17:07:00
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escrito por sabrina, 2008-01-16 17:12:36
Sou negra e aluna do curso técnico integrado com ensino médio de segurança do trabalho. Recentemente fiz um trabalho sobre racismo no Brasil e por encrivél que pareça o que vc disse foi exata mente o que eu coloquei no meu trabalho. Por isso te dou a nota maxima, vc tá de parabens, e por encrivél que pareça eu ganhei a nota máxima também! smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gifsmilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif

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