Fala, Brasil! - Bom para os pobres, mau para a pobreza
  Página Inicial arrow Colunistas arrow D. Demétrio Valentini arrow Bom para os pobres, mau para a pobreza Saturday, 10 January 2009 
Fala, Brasil !
Página Inicial
Fórum
Artigos
Forum Fala, Brasil!
Colunistas
Notícias
Mapa do Site
Dê um toque
Add to Technorati Favorites
Login (gratuíto)





Esqueceu sua senha?
Ainda não tem uma conta de acesso? Registre-se
Itens Relacionados
Estatísticas
Brazil / Organic personal skin care wholesale
Bom para os pobres, mau para a pobreza PDF Imprimir E-mail
Escrito por Cristovam Buarque   
Tuesday, 14 November 2006

Cartão bolsa família Em menos de 15 dias, assistimos à grande vitória eleitoral do presidente Lula, graças a um programa voltado para os pobres, o Bolsa Família, e fomos informados de que o Brasil caiu no índice das Nações Unidas que mede o bem-estar social da população, especialmente dos pobres. Os dois fatos parecem contraditórios, mas não são. Na verdade, são os dois lados de uma mesma situação.

A Bolsa Família foi desenhada para garantir renda aos pobres, e por isso é excelente programa eleitoral. Mas não ajuda o Brasil a superar o quadro de pobreza. Pode até agravá-lo, mesmo com toda a vantagem que representa para os pobres. Em resumo: é bom programa para os pobres, mas não para reduzir a pobreza.

Pobreza -  sei que é difícil transmitir esta idéia -  não é falta de renda, mas de acesso aos bens e serviços essenciais. Parte deles pode ser comprado, exigindo assim alguma renda; mas a maioria precisa ser oferecida como serviço público, ou nunca chegará a todos.

A renda ajuda a fortalecer a demanda, mas não atende às necessidades essenciais, como saúde, segurança, saneamento, porque elas não podem ser compradas, a menos que a renda seja muito alta. Além disso, a renda é toda consumida ao longo do mês, não se acumula até que os pobres saiam da pobreza.

O único serviço que não é consumido, e pode ser acumulado até tirar o pobre da pobreza, é o ensino. Mas ensino, água e esgoto dão muito menos voto do que um programa de renda, mesmo que seja pequena -  o máximo R$ 70 por mês.

Porque ela é visível já no primeiro momento, ao passo que os investimentos sociais requerem tempo. E porque a renda é pessoal, vai diretamente para o beneficiário, enquanto os serviços públicos são para todos, não criam conivência, gratidão.

Há décadas, muitos se perguntam como combater a pobreza. Mas eles olham para a riqueza, para a economia, não olham para a pobreza, para o social. Perguntam como fazer um pobre ficar rico, seja por meio de uma renda mínima, como a bolsa família, seja pelo salário, também mínimo. Mas ninguém deixará de ser pobre com esses meios mínimos, que perpetuam a pobreza.

Os governos comemoram o aumento do salário mínimo de poucos reais, a Bolsa Família de poucos reais, como se isso fosse suficiente para erradicar a pobreza. Outros vão um pouco além e se perguntam como criar emprego, sem perceber que no futuro os empregos para a mão-de-obra sem qualificação serão poucos e mal remunerados.

Não perguntam como oferecer aos pobres aquilo de que eles precisam para deixar de ser pobres: um salário decente, para comprar o essencial no mercado, uma saúde pública decente, um sistema educacional de qualidade, água e esgoto, acesso aos serviços públicos. Perguntam como mantê-los vivos mesmo sendo pobres, em vez de fazê-los subir na vida até deixarem de ser pobres.

No entanto, a maior dificuldade, o verdadeiro círculo vicioso a ser quebrado, está em como eleger governos que queiram erradicar a pobreza. O presidente Lula foi eleito graças a um programa que beneficia os pobres, mas que não os retira da pobreza. Porque o eleitor pobre vai sempre preferir o candidato que ofereça uma bolsa, individual e imediata, mesmo que pequena, do que aquele que traga perspectiva futura e coletiva.

Por isso, no momento eleitoral, a Bolsa Família continuará sendo preferida à garantia de água e esgoto, ou ao distante impacto de uma educação de qualidade. A primeira é imediata e pessoal, os outros são públicos e demorados. E a pobreza continuará vencendo, porque os pobres têm a sensação de alívio que a Bolsa Família oferece.

Os pobres vencem a eleição, mas a desigualdade persiste, vitoriosa. Essa é a diferença entre esquerda e direita nos dias de hoje: uns querem apenas atender os pobres, outros querem libertá-los da pobreza em que vivem. O presidente Lula se elegeu com um discurso conservador, coerente com seu governo conservador.

O grande achado da bolsa escola seria unir os dois lados da questão: a assistência imediata aos pobres com uma educação de qualidade. Mas isso exigiria, além de freqüência obrigatória das crianças à escola, professores dedicados, bem formados e bem remunerados, e escolas bem equipadas. Seria preciso implantar uma bolsa escola federal no lugar da Bolsa Família, e transformar a educação básica em responsabilidade nacional.

Sem isso, o Brasil jamais vencerá a pobreza. Ela persistirá e continuará vencendo, e políticos continuarão sendo eleitos graças à sua manutenção.

Cristovam BuarqueCristovam Buarque é Ph.D. em Economia. Foi governador do Distrito Federal (1995-98), em 2002 elegeu-se senador pelo PT com a maior votação dada a um político no Distrito Federal. Foi Ministro da Educação (2003-04). É membro do Instituto de Educação da Unesco. E candidato à presidência da república pelo PDT. Site: http://www.cristovam.com.br  E-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso  

Comentarios (7)Add Comment
...
escrito por Wiliam Nogueira, 2006-11-27 15:30:27
Concordo com quase tudo, mas lamento achar absurdo que

"a direita queira libertar os pobres da pobreza em que vivem"

A direita representa os poderosos, e estes, vivem e regalam-se desta pobreza.

Att. Willnogueira.
...
escrito por reginalda das neves martins, 2007-03-22 22:20:03
quero receber os benefícios do bolsa família
...
escrito por rosa arlene prasser de souza, 2007-07-12 02:23:10
olá boa noite
gostaria que minha filha recebece a bolsa escola pois pai não tem trabalho,eu a mãe tambem estou desempregada.
***
escrito por mariana1202, 2007-11-21 20:27:50
gostraia de saber como é feito o cadastramento no bolsa familia na cidade de Ferraz de Vasconcelos, pois tenho uma tia que precisa muito.

no aguardo.
...
escrito por ROSANA WANDERLEI NOGUEIRA, 2008-06-25 20:46:26
Gostaria de saber como faço para me cadastrar no Bolsa Família, pois eu e o meu marido estamos desempregados e temos um filho.
bolsa Família
escrito por ROSANA WANDERLEI NOGUEIRA, 2008-06-25 20:48:40
Gostaria de saber como faço para me inscrever no bolsa família, pois eu e o meu marido estamos desempregados e temos um filho pequeno.
bando d idiotas!!!
escrito por Alan Junior dos Santos, 2008-11-15 18:42:12
eu keria saber o q vcs fariam c morassem 10 20 ou 30 km da escola... pudesse beber meio copo de água por dia e comer ás vzs mmenos d uma refeição por dia... éh inconsebível q vivamos em um pais tão capitalista, num pais com idealisação do dinheiro acumulado... como uma pessoa q vive em condições submundas q naum tem saúde e tem fome e sede pode arranjar um emprego descente??
kero ver vcs trokarem d lugar uma semana com eles!!!
duvido c no terceiro dia vcs naum vai pedir a ajuda do LULA (bolsa família), é o nosso dinheiro q vai pra eles, e por isso fikamos irados... pq kuando são os deputados q roubam??? fikamos sentados assistindo a tv e naum fazemos nda kuando éh pra ajudar o pobre todo mundo ataka o Lula e seus projetos sociais... bendito os q akreditam na idealização do ser humano... bendito seja Luiz Inácio Lula da Silva!!!!

Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

security code
Escreva os caracteres mostrados


busy
 
< Anterior   Próximo >
FeedBurner


Receba conteúdo grátis

Nosso Feed
Humor Brasileiro
  Kibe Loco
Folha de S. Paulo
powered by joomla open source designed by joomla-templates.com