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Os Brasileiros e a Questão da Auto-Estima PDF Imprimir E-mail
Escrito por Comunicação Empresarial   
Monday, 04 October 2004

Estudos realizados nos últimos anos apontam para a existência de um baixo grau de auto-estima entre os brasileiros.

 

Em pesquisa realizada em 1998 pelo instituto Latinobarômetro, abrangendo a maioria dos países da América Latina, apenas 22% dos entrevistados brasileiros declararam ter muita confiança em seus compatriotas - percentual muito baixo se comparado às respostas de uruguaios (64%), colombianos (55%) e chilenos (52%).

Respondendo a outra pergunta desta pesquisa, 79% dos entrevistados brasileiros afirmam sentir orgulho de sua nacionalidade. Poderia parecer um número mais alentador - até o compararmos com a média de 86% para os entrevistados dos demais países da América Latina.

Um estudo realizado em 2002 pelo Sebrae identificou os principais pontos fracos do Brasil (em ordem decrescente de importância):

* a falta de auto-estima, a valorização apenas do que vem de fora

* a falta de confiança nas autoridades e no governo, que se reflete na desconfiança geral em relação às empresas públicas

* um certo desprezo pela técnica

* a idéia de malandragem como necessidade de tirar partido de tudo, sobretudo em detrimento dos mais humildes

* a escassa divulgação do trabalho cultural brasileiro em todos os setores.

DE ONDE PROVÉM NOSSO DÉFICIT DE AUTO-ESTIMA?

Foram formuladas algumas hipóteses, com base na constatação de que não existe uma única origem para esse déficit, mas sim um conjunto de origens:

* Brasil é uma nação jovem, cujos valores culturais e caráter nacional ainda se encontram em formação

* Brasil tem baixa inserção no cenário internacional

* Existe uma aceitação tácita de uma pretensa superioridade dos países do chamado "primeiro mundo"; culto ao importado/ dependência de aval estrangeiro para dar valor ao que é brasileiro (síndrome da "grama do vizinho", que é sempre mais verde do que a nossa).

Funcionam como potencializadores da baixa auto-estima os meios de comunicação, que muitas vezes radicalizam os preceitos jornalísticos de que "notícia boa não dá ibope" e colocam ênfase no negativo.

Outra possibilidade levantada é a da "síndrome do quarto poder", onde a mídia funciona como partido de oposição, independentemente de quem esteja no governo.

Certos formadores de opinião, ultrapassando a tênue fronteira entre a crítica sadia e o humor destrutivo, também acabam funcionando como potencializadores da baixa auto-estima (Casseta e Planeta, João Simão, Diogo Mainardi e outros).

E OS BRASILEIROS?

Os próprios brasileiros aceitam e perpetuam os estereótipos depreciativos. O sentimento de que "nada vai mudar" causa inércia.

Por outro lado, a relutância em abrir mão de uma concepção paternalista de estado estimula a passividade das pessoas e cria dificuldades para elas acreditarem em seu papel como agentes de mudanças. A partir daí, surgem as conseqüências da baixa auto-estima:

* Ceticismo quanto às perspectivas de transformação positiva na sociedade brasileira

* Persistência de um sentimento difuso de que existem vários "Brasis" que não se conhecem e que não se entendem

* Dificuldade em obter a adesão dos cidadãos a políticas públicas e a iniciativas da sociedade civil cuja implementação interessa sobretudo ao bem-estar da própria população.

POR QUE AUMENTAR A AUTO-ESTIMA?

* Para despertar nos brasileiros um sentimento de orgulho e satisfação a respeito das suas próprias realizações e potencialidades

* Para dar aos brasileiros um "espelho" positivo, livre de chavões ultrapassados e preconceituosos

* Para conscientizar os cidadãos sobre o efeito de suas atitudes e ações para sua auto-realização individual e para o seu futuro.

A partir dessas constatações, decidiu-se desenvolver campanha publicitária específica para promover a auto-estima, que tenha relevância para todo brasileiro, e desenvolver ações paralelas destinadas a potencializar os efeitos da campanha.

A estratégia é colocar o foco no individual, porque os apelos ao coletivo tendem a resvalar muito facilmente para o ufanismo. E a idéia é fazer germinar as sementes que já existem no consciente e no inconsciente das pessoas.

O BRASILEIRO: UM SER ÚNICO NO MUNDO

De todas as palavras que existem para designar proveniência e nacionalidade, "brasileiro" é certamente uma das mais instigantes.

Muito provavelmente, é a única palavra que termina com o sufixo "eiro" em um léxico onde predominam as terminações "ano" (italiano, mexicano, cubano, australiano…) e "ês" (chinês, japonês, francês, inglês…).

É a única nacionalidade cujo sufixo não é simplesmente denotativo de um lugar de origem, mas sim de um status ocupacional. Sim, porque "eiro" denota o homo faber, a aptidão para o trabalho e a produção.

Assim, temos...o brasileiro, um ser único no mundo. O pedreiro, o barbeiro, o engenheiro, o marceneiro... o que todos eles têm em comum é o fato de serem pessoas que trabalham, que produzem, que fazem.

QUEM É, ENTÃO, O BRASILEIRO?

Simplesmente, o brasileiro é quem faz o seu próprio destino. É esta a conotação positiva que precisa instilar-se na palavra "brasileiro". E a melhor forma de fazê-lo é valorizando o brasileiro, através do foco em alguns de seus principais atributos:

* a persistência diante das adversidades

* a capacidade de superação individual

* a criatividade e o talento para o novo

* a capacidade de manter vivo o sonho de uma vida melhor.

E PARA FINALIZAR...

Podemos até discordar de muitas das hipóteses levantadas acima. Uma coisa, porém, é certa: valorizar o espírito de persistência, superação, talento, o trabalho e o sentimento de amor ao Brasil.

A garra do povo brasileiro foi exemplarmente demonstrada ao mundo inteiro pelo paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, que encontrou forças para superar o infeliz incidente de ter sido agarrado quando liderava a maratona dos Jogos de Atenas e subir ao pódio para receber a medalha de bronze, um bronze que para todos significou ouro. Sua imagem de vencedor ficará registrada na história das Olimpíadas... "Sou Brasileiro e não Desisto Nunca".

___

"O melhor do Brasil é o brasileiro". A campanha iniciou-se com figuras públicas, reconhecidamente apreciadas pelos brasileiros, e terá continuidade com a participação de pessoas comuns, cujas histórias de vida são exemplos de persistência e superação.

(*Nota: A LewLara, agência de publicidade que criou a campanha, já cedeu todos os direitos de criação e está atuando voluntariamente para viabilizá-la. As informações sobre este temático foram gentilemente cedidas ao Serpro pela agência.)


Serpro

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