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Estudos realizados nos últimos anos apontam para a
existência de um baixo grau de auto-estima entre os brasileiros.
Em pesquisa realizada em 1998 pelo instituto Latinobarômetro,
abrangendo a maioria dos países da América Latina, apenas 22%
dos entrevistados brasileiros declararam ter muita confiança em
seus compatriotas - percentual muito baixo se comparado às
respostas de uruguaios (64%), colombianos (55%) e chilenos (52%).
Respondendo a outra pergunta desta pesquisa, 79% dos
entrevistados brasileiros afirmam sentir orgulho de sua
nacionalidade. Poderia parecer um número mais alentador - até o
compararmos com a média de 86% para os entrevistados dos demais
países da América Latina.
Um estudo realizado em 2002 pelo Sebrae identificou os
principais pontos fracos do Brasil (em ordem decrescente de
importância):
* a falta de auto-estima, a valorização apenas do que vem de
fora
* a falta de confiança nas autoridades e no governo, que se
reflete na desconfiança geral em relação às empresas públicas
* um certo desprezo pela técnica
* a idéia de malandragem como necessidade de tirar partido de
tudo, sobretudo em detrimento dos mais humildes
* a escassa divulgação do trabalho cultural brasileiro em todos
os setores.
DE ONDE PROVÉM NOSSO DÉFICIT DE AUTO-ESTIMA?
Foram formuladas algumas hipóteses, com base na constatação de
que não existe uma única origem para esse déficit, mas sim um
conjunto de origens:
* Brasil é uma nação jovem, cujos valores culturais e caráter
nacional ainda se encontram em formação
* Brasil tem baixa inserção no cenário internacional
* Existe uma aceitação tácita de uma pretensa superioridade
dos países do chamado "primeiro mundo"; culto ao
importado/ dependência de aval estrangeiro para dar valor ao que
é brasileiro (síndrome da "grama do vizinho", que é
sempre mais verde do que a nossa).
Funcionam como potencializadores da baixa auto-estima os meios de
comunicação, que muitas vezes radicalizam os preceitos jornalísticos
de que "notícia boa não dá ibope" e colocam ênfase
no negativo.
Outra possibilidade levantada é a da "síndrome do
quarto poder", onde a mídia funciona como partido de oposição,
independentemente de quem esteja no governo.
Certos formadores de opinião, ultrapassando a tênue
fronteira entre a crítica sadia e o humor destrutivo, também
acabam funcionando como potencializadores da baixa auto-estima
(Casseta e Planeta, João Simão, Diogo Mainardi e outros).
E OS BRASILEIROS?
Os próprios brasileiros aceitam e perpetuam os estereótipos
depreciativos. O sentimento de que "nada vai mudar"
causa inércia.
Por outro lado, a relutância em abrir mão de uma concepção
paternalista de estado estimula a passividade das pessoas e cria
dificuldades para elas acreditarem em seu papel como agentes de
mudanças. A partir daí, surgem as conseqüências da baixa
auto-estima:
* Ceticismo quanto às perspectivas de transformação positiva
na sociedade brasileira
* Persistência de um sentimento difuso de que existem vários
"Brasis" que não se conhecem e que não se entendem
* Dificuldade em obter a adesão dos cidadãos a políticas públicas
e a iniciativas da sociedade civil cuja implementação interessa
sobretudo ao bem-estar da própria população.
POR QUE AUMENTAR A AUTO-ESTIMA?
* Para despertar nos brasileiros um sentimento de orgulho e
satisfação a respeito das suas próprias realizações e
potencialidades
* Para dar aos brasileiros um "espelho" positivo, livre
de chavões ultrapassados e preconceituosos
* Para conscientizar os cidadãos sobre o efeito de suas atitudes
e ações para sua auto-realização individual e para o seu
futuro.
A partir dessas constatações, decidiu-se desenvolver campanha
publicitária específica para promover a auto-estima, que tenha
relevância para todo brasileiro, e desenvolver ações paralelas
destinadas a potencializar os efeitos da campanha.
A estratégia é colocar o foco no individual, porque os
apelos ao coletivo tendem a resvalar muito facilmente para o
ufanismo. E a idéia é fazer germinar as sementes que já
existem no consciente e no inconsciente das pessoas.
O BRASILEIRO: UM SER ÚNICO NO MUNDO
De todas as palavras que existem para designar proveniência e
nacionalidade, "brasileiro" é certamente uma das mais
instigantes.
Muito provavelmente, é a única palavra que termina com o
sufixo "eiro" em um léxico onde predominam as terminações
"ano" (italiano, mexicano, cubano, australiano
) e
"ês" (chinês, japonês, francês, inglês
).
É a única nacionalidade cujo sufixo não é simplesmente
denotativo de um lugar de origem, mas sim de um status
ocupacional. Sim, porque "eiro" denota o homo faber, a
aptidão para o trabalho e a produção.
Assim, temos...o brasileiro, um ser único no mundo. O
pedreiro, o barbeiro, o engenheiro, o marceneiro... o que todos
eles têm em comum é o fato de serem pessoas que trabalham, que
produzem, que fazem.
QUEM É, ENTÃO, O BRASILEIRO?
Simplesmente, o brasileiro é quem faz o seu próprio destino. É
esta a conotação positiva que precisa instilar-se na palavra
"brasileiro". E a melhor forma de fazê-lo é
valorizando o brasileiro, através do foco em alguns de seus
principais atributos:
* a persistência diante das adversidades
* a capacidade de superação individual
* a criatividade e o talento para o novo
* a capacidade de manter vivo o sonho de uma vida melhor.
E PARA FINALIZAR...
Podemos até discordar de muitas das hipóteses levantadas acima.
Uma coisa, porém, é certa: valorizar o espírito de persistência,
superação, talento, o trabalho e o sentimento de amor ao
Brasil.
A garra do povo brasileiro foi exemplarmente demonstrada ao mundo
inteiro pelo paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, que encontrou
forças para superar o infeliz incidente de ter sido agarrado
quando liderava a maratona dos Jogos de Atenas e subir ao pódio
para receber a medalha de bronze, um bronze que para todos
significou ouro. Sua imagem de vencedor ficará registrada na
história das Olimpíadas... "Sou Brasileiro e não
Desisto Nunca".
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"O melhor do Brasil é o
brasileiro". A campanha iniciou-se com figuras públicas,
reconhecidamente apreciadas pelos brasileiros, e terá
continuidade com a participação de pessoas comuns, cujas histórias
de vida são exemplos de persistência e superação.
(*Nota: A LewLara, agência de publicidade que
criou a campanha, já cedeu todos os direitos de criação e está
atuando voluntariamente para viabilizá-la. As informações
sobre este temático foram gentilemente cedidas ao Serpro pela agência.)
Serpro
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