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Da série mentiras que os neoliberais contam, trago mais algumas aos que compartilham da ilusão de que ter mais um neoliberal no poder é um bom negócio. Insisto neste assunto, pois infelizmente ainda enxergo com certo temor os seduzidos pela campanha marketiana da direita brasileira.
O assunto batido e lamentavelmente eficiente da corrupção vem enchendo minhas caixas de email e me entristecendo de forma tamanha, que acabo por fazer algo que não me agrada. Endureço o discurso.
Primeiro concordo, a corrupção governamental está insuportável e que nada justifica tamanha falta de ética, resultado de pura falta de caráter no real sentido da palavra.
Não concordo que o nível de corrupção tenha alcançado níveis maiores que no governo anterior, pois em verdade estes eram os mesmos níveis ou até piores, apenas contavam com a boa vontade da mídia que não os expunha como agora o faz (por que será?).
Por nuances ligadas ao processo democrático, hoje simplesmente a competição eleitoral nos agracia com mais informações que normalmente teríamos se fosse a direita neoliberal que estivesse no poder e acho isso tão saudável, que me atrevo a dizer que é melhor que não ver corrupção alguma, pois é sabido que ela ainda existiria camuflada por interesses escusos como ocorreu no governo Tucano.
A plataforma de governo neoliberal é a mesma de que se ouve falar a séculos, calcada na mais pura filosofia da "não intervenção do estado na economia", a qual aprendemos nas aulas de história na oitava série, como sendo a estratégia da burguesia para que pudessem auferir cada vez maiores ganhos em detrimento das classes baixas, que no mundo real em que vivemos jamais conseguiria exercer seus direitos básicos sem alguma intervenção do Estado, afinal, de nada serve um Governo senão para organizar e prover o bem estar social generalizado, independente de classe ou ideologia.
A estratégia neoliberal hoje infelizmente não apresenta claramente sua nuance predadora do Estado, sua evolução através dos tempos lhe mostrou que seria necessário se travestir de cordeiro para chegar ao fim desejado, além de engendrar uma série de artimanhas básicas que visam podar o Governo do seu poder econômico, por meio de privatizações que entregariam toda a máquina estatal, relegando ao estado a função de mero observador e ao cidadão comum o valor de mera mercadoria regulada pelas leis econômicas de oferta e procura.
Mas não é apenas isso, tal fato acaba por se refletir na carga tributária que o indivíduo é obrigado a pagar, tendo sido o estado desprovido destas receitas tomadas pela privataria, arrocha o cidadão que não escolheu vender a Vale do Rio Doce (maior mineradora do planeta), mas é o principal prejudicado com a decisão.
O crescimento econômico aparece como um oásis no deserto, algo que se deva alcançar como meta superior de existência, dito isso, afirmo que crescer é preciso, mas dentro de um modelo que não esmague o cidadão.
Comparar e exigir que o país cresça como crescem alguns países do mundo é pura propaganda política, para tanto, o país teria que mergulhar fundo e entrar de vez nos trilhos do neoliberalismo capitalista ou usar de artifícios ilícitos como faz a China, desvalorizando sua moeda artificialmente, forçando sua população a arcar com jornadas de trabalho desumanas ou criando leis de exigências de associação a empresas locais por empresas estrangeiras que queiram se estabelecer no país, visando furto de tecnologia e inundando o mercado mundial com pirataria. Crescer 10% assim, é mole.
Outra falácia da direita é a insistência de que se pode baixar os juros sem o aumento da temida inflação, o "beabá" da economia prova isso impossível, simplesmente porque juros baixos aumentam a quantidade de dinheiro circulante que pela lei da oferta e procura torna mais abundante a quantidade de dinheiro disponível o que gera por si só o aumento dos preços no mercado.
No mundo inteiro, bem como no mandato FHC, as altas taxas de juros são usados para o controle da inflação e não existe outro método mágico como querem nos fazer acreditar os magos do entreguismo neoliberal para mantê-la sob controle. Dizer que vai baixar os juros e não apresentar como, é mole.
Por estas e outras, merecer o meu voto, nenhum deles merece, mas tenho preocupações maiores e que dizem respeito às "reformas neoliberais" que podem tornar a construção de um país realmente igualitário e que legisla e governa pra quem efetivamente precisa, impossível.
Por fim tenho a coragem de não me omitir, estou com o "menos mal" sim, primeiro pelo uso das pérfidas ferramentas políticas da direita, que se recusa a discutir idéias, pois se envergonha das suas próprias ideologias e finalmente pela crença de que as instituições democráticas vencerão as batalhas contra os mensalões e sangue-sugas da vida, onde a esquerda brasileira tem papel vital, pois dela depende a sobrevivência da esperança de milhões de cidadãos que acreditam em dias melhores que apenas um Estado estruturado e preparado com todas as ferramentas de gestão e aquisição de recursos, pode proporcionar.
Wiliam Nogueira, 29a, Rio de Janeiro/RJ. Site: http://www.willnogueira.blogspot.com. E-mail:
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