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Muita gente ignora, mas os conceitos por traz de alguns termos usados podem trazer elucidação a muitas situações quotidianas sem que nos demos conta disso. Os rótulos característicos que conceituam as diversas posições políticas nasceram num contexto todo especial e são usados até os dias de hoje de forma perfeitamente coesa e bem aplicada.
As denominações de Esquerda, Direita ou Centro nasceram com o advento da Revolução Francesa (1789 -1799) e correspondiam à posição geográfica em que se sentavam as principais correntes políticas da época no chamado "Estados Gerais", a sua Câmara Legislativa ou Plenário, como queiram.
No tal Plenário, à direita se sentavam os Girondinos, grupo extremamente conservador, sua luta era a de manter seus privilégios e impedir que a classe baixa chegasse ao poder, não pretendiam grandes reformas, apenas não estavam interessados em modificar a estrutura vigente, especialmente se para isto tivessem que fazer concessões aos necessitados das classes mais baixas. Não preciso dizer, estes eram os integrantes da alta burguesia.
À esquerda do Plenário sentavam-se os Jacobinos, indivíduos identificados com o povo, trabalhadores da classe mais baixa e integrantes da baixa burguesia, lutavam por uma ordem mais justa ou simplesmente para ter o que comer, brigavam por reformas que lhes permitissem avanços sociais e econômicos ou simplesmente pelo direito de se fazer ouvir, coisa difícil pra quem não nasceu em berço de ouro e por isso eram chamados de agitadores e radicais pelos integrantes da direita.
No centro tínhamos uma composição um pouco variada, gente da baixa, média e alta burguesia ou alguns aristocratas. Sem uma posição bem definida iam conforme o vento pra não se expor e nesse contexto acabavam por ser também um tanto conservadores sem nenhuma ideologia ou bandeira. Um jeito bem "PMDB" de ser, aplicando-se a nossa realidade e temporalidade.
Esta explanação é bastante interessante para alguns que como disse acima, não compreendem determinados acontecimentos da nossa política, ações de nossos eleitos, reações dos nossos eleitores ou principalmente resultados eleitorais.
Política é identificação, e normalmente esta identificação é coerente. Em nosso quadro político hoje delineado com muitos partidos, a maioria tem posições senão ideológicas, econômicas, claramente tendenciosas para uma determinada porção da população, e como no caso da Revolução Francesa as reformas necessárias aos Jacobinos brasileiros estão cada vez mais difíceis devido a ação dos Girondinos que não aceitam perder seus privilégios tendentes ao infinito, por menor que seja sua parcela dentro da sociedade.
Mesmo neste contexto, não vejo mais lugar para o radicalismo de esquerda, acredito que a cessão é o caminho para uma sociedade mais justa, por isso concordo que a esquerda moderna se molde em uma estrutura mais prática com a qual se possa dialogar, sem o "quebra-quebra" dos movimentos revolucionários que sem propostas se sustentam através da violência que se explica pelos muitos anos de sofrimento, mas não se justifica, pois o ato doloso jamais se justificará.
Ainda assim admito que os tempos passaram, mas fica claro que a estrutura permanece a mesma e por mais que eu não seja fã assumido das idéias de Karl Marx, ainda me impressiono com a atualidade e perfeição de algumas de suas citações mais conhecidas.
"O motor da história é a luta de classes", a história, como o próprio planeta em que vivemos demonstra sua existência cíclica e repetitiva enquanto os fatos acontecem e podem perfeitamente ser previstos, sem sequer fazermos muito esforço.
Desta condição cíclica percebemos então claramente as posições ideológicas dos partidos do pleito eleitoral vigente, suas ações por mais encobertas que estejam se identificam claramente com as classes sociais a que representam.
Digo encobertas, pois classicamente percebe-se a mídia "oficial" apoiando os representantes da classe mais poderosa, escondendo seus erros e expondo os de seus concorrentes que por errarem merecem o devido castigo, mas não podem ser considerados como o joio estando seus algozes certamente estão longe de ser trigo, e este é o motivo destas palavras, fazer pensar.
Escolhamos aquela corrente que se identifique com nossas necessidades, crenças e anseios. Lembremo-nos que aos donos do capital, aos Girondinos brasileiros, pertence o poder de se pintar perfeitos, a arte de esconder os defeitos e sobretudo galgados em sua empáfia de Puritanos e salvadores da Pátria, apontar imperfeições das quais acredito ninguém duvide, estão cheios.
Wiliam Nogueira, 29a, Rio de Janeiro/RJ. Site: http://www.willnogueira.blogspot.com. E-mail:
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o q eu qria naum tem nesse site