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Não me canso de achar que esse mundo tem jeito, por isso não me calo, acredito na força da expressão. Quando nos impuseram à mão de ferro, sua primeira atitude foi nos calar, nos lançar a mordaça impedindo nosso clamor à luta.
Sabiam do poder que tem a comunicação, ferramenta rudimentar que nos acompanha desde o nascimento e simplesmente evoluiu do choro e grito, aos gestos e não por fim à fala que através dos mais diversos meios se propaga pro bem e pro mal, mais o segundo que o primeiro pra nossa desgraça Tupiniquim.
Interessante é que não apenas me refiro ao nosso país como portador destes males que não são modernos, mas nem por isso deixam de ser eficazes. A descaracterização dos meios de comunicação como instrumentos de utilidade cultural é um fato mundial, aja vistos os reality shows que viraram moda com a desculpa de que ocupam um espaço de entretenimento.
Na verdade o que se vê atualmente na mídia são apenas entretenimento e informação tendenciosamente processada, deixando uma pequena lacuna para aquilo que efetivamente enaltece o indivíduo, quando ela efetivamente existe o que por raro acontece.
Quando questionado qual o ramo da ciência mais evoluiu no último meio século, respondo sem titubear, foi o Marketing, este que cresceu a sombra das maiores iniciativas científicas se esmerou em evoluir e criou teias nos mais diversos campos do saber humano.
Do intuito simples de vender algo, passou ele a ser usado como máquina de transformação do indivíduo fazendo-o tornar-se algo que não é e buscar o que verdadeiramente não precisaria ter. Neste contexto os meios de comunicação e o marketing casaram-se perfeitamente com interesses de grupos específicos e passaram a ditar sua cartilha de ignorância cidadã.
Ser cidadão é muito mais que não jogar lixo na rua, respeitar os idosos e deficientes entre outras coisas que são importantes sim, mas nos são dadas como migalhas entre as cenas e diálogos de sexo nas novelas das 20:00, as quais assistem nossos filhos e filhas todas as noites.
Em alguns momentos admito que até eu seja enganado por essa teia de informações malditas, mas por fim reflito, lembro-me que essa é a diferença entre informação e conhecimento, a capacidade de processamento inerente a cada indivíduo. Não me permito acreditar que todo mundo é corrupto ou que o desinteresse por algo que nos eleve seja geral.
O Ser humano tem a magnífica capacidade de se adaptar ao que lhe é dado, sobretudo se isso não lhe exigir esforço, e essa é a mágica através da qual a televisão nos encanta. Informação por osmose, sem direito a reflexão, mastigada, sem compromisso com a aquisição de conhecimento.
Alguém disse que para reconstruirmos o mundo, basta reconstruir o homem, e este é feito das várias marcas que lhe impinge a vida, a qual basicamente é feita de coisas que nos aguçam os sentidos.
Os meios eletrônicos de comunicação neste contexto têm lugar privilegiado, pois são informação passiva, tomada por conhecimento principalmente quando da limitada capacidade de reflexão, representam perigo para a pura e simples capacidade de sobrevivência.
Levantemos-nos, reconstruamos o mundo antes que a mídia pelega que nos sufoca o faça, com o marketing da falsidade, onde todos somos desonestos e não adianta se levantar e ir à luta, pois "o mundo está perdido."
A vontade de ser o estopim da mudança nos é furtada, é a maquiagem da ignorância, que enfeitada como o nariz vermelho do comodismo, nos aproxima cada vez mais ao vê-la e ouvi-la de ficar com aquela cara que todo mundo conhece mas nunca quer admitir que na verdade, vive sendo feito, de palhaço.
Wiliam Nogueira, 29a, Rio de Janeiro/RJ. Site: http://www.willnogueira.blogspot.com. E-mail:
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