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Rodada Doha. O Que Tem Num Nome? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Stephan Reichenberger   
Thursday, 23 February 2006
Os atentados do dia 11 de Setembro, 2001, reiterou a atenção da comunidade internacional ao problema da pobreza mundial. Nos Estados Unidos, a administração Bush passou ao Departamento do Estado uma aprovação para aumentar por mais de cinqüenta por cento a ajuda financeira destinada ao combate da pobreza.

Essa foi à visão que pessoas como Jeffrey Sachs tiveram no encontro de Monterrey um ano após o atentado. Junto com o programa de presidente americano houve o incentivo multilateral de criarem a Conta do Desafio do Milênio.

Internacionalmente, ajuda ao pagamento da dívida externa para os países mais pobres (mais precisamente, os 38 países as maiores dívidas do mundo) foi estendido, para incluir dinheiro devido a agências multilaterais assim como o Fundo Monetário Internacional (FMI), e aos países envolvidos no encontro do grupo G-8 em Gleneagles, na Escócia o ano passado.

Os membros do grupo concordaram para aumentar Assistência Oficial para o Desenvolvimento (AOD, dinheiro que não somente é direcionado para ajuda financeira para os países mais pobres, mas que também determina o salário de diplomatas nas Nações Unidas) por $50 bilhões por ano até 2010.

O Doha Round (série de negociações sobre como os países em desenvolvimento ou do terceiro mundo devem ser tratados no novo milênio), que foi iniciado logo após os atentados do dia 11 de Setembro, foi batizado como o “Turno do Desenvolvimento” parte devido à percepção dos estados mais ricos de que o desenvolvimento dos países do ‘terceiro mundo’ estava mais necessitado do que nunca.

Essa urgência persistiu: negociação de comércio multilateral deixaria de ser visto apenas como um negócio, porém passaria a ser um centro para discussões aonde certos países teriam a oportunidade de atingirem desenvolvimento internacional.

Uma razão para a nova ênfase em desenvolvimento é o reconhecimento que os resultados iniciais das negociações do Turno de Uruguai oram modestos para os países menos desenvolvidos no mundo.

O maior sucesso desses países com o Turno de Uruguai – a eliminação do acordo de Fibras Multiplas (Multi-Fiber Arrangement – que somente tomou o seu fim oficial esse ano. Liberalização de agricultura deu o fim às quotas, porém substituí-las com tarifas e taxa de tarifas quotas, resultando então em poucas mudanças no setor da agricultura.

Acordos de propriedade intelectual foram longe demais – hoje contendo países em desenvolvimento, pois houve imposição de restrições ao acesso de medicinas – criando problemas que somente foram tratados na Conferência Ministerial de Cancun (2003). É extremamente importante, então, que o Doha introduz oportunidades de comércio para os países em desenvolvimento.

COMÉRCIO, CRESCIMENTO E POBREZA

A uma evidência tamanha que oportunidades de comércio instigam o crescimento de economias e ha uma correlação em vários países entre o aumento das quantidades de exportações com o crescimento do PIB durante as duas últimas décadas: cada ponto de porcentagem adicional no crescimento de exportações foi associado com 0.15 por cento de crescimento no PIB.

 Uma razão para essa correlação é que uma maior base de exportações ajuda países a evitarem problemas com a dívida externa por oferecê-los uma fonte de dinheiro internacional (dólar ou euro, por exemplo).

Outra explicação é que ha um ganho de produtividade pela integração entre um país e a economia mundial: livre comércio ajuda a melhorar a qualidade de tecnologia doméstica para o nível de ‘classe-mundial’ e ajuda a combater monopólios que seriam então um problema para o crescimento doméstico.

No entanto, cooperação com investidores internacionais ajuda a aumentar a qualidade de certos produtos para o nível de qualidade internacional (reconhecimento mundial). Estudos também confirmaram o relacionamento entre o comércio e a produtividade: o crescimento de um por cento em relação de comércio para PIB foi associado com um aumento de 0.5 por cento na produtividade ao longo-prazo por trabalhador de uma economia.

Comércio também ajuda a reduzir pobreza por instigar crescimento econômico, a maior máquina para o combate da pobreza. Estudos estatísticos mostram que para países-em-desenvolvimento, ha um relacionamento bem próximo entre o controle da pobreza com crescimento da economia. Por exemplo, em países da Ásia, aonde a renda é mais ou menos entregue igualmente, um aumento de um por cento na renda-per-capita tende a reduzir o numero de pessoas morando em pobreza por dois, três por cento; esse “parametro-impactuoso” nos mostra um numero de um, dois por cento para países da América Latina, aonde existe mais desigualdade na distribuição de renda.

O Turno de Doha oferece uma oportunidade importante para países em desenvolvimento porque ainda ha um protecionismo tamanho contra seus produtos nos mercados de países industrializados (tanto quanto a política de agricultura da União Européia), e também porque suas economias prosperam pela liberalização de suas próprias barreiras de comércio.

Protecionismo continua extremamente alto no setor da agricultura. A combinação de influências por subsídios e proteção tarifárias na agricultura vale ao pagamento de mais ou menos vinte por cento nos Estados Unidos, 50 por cento na União Européia, e 80 por cento no Japão. Tarifas continuam altas em tecidos e aparelhos para agricultura (entre dez, doze por cento – porque será que a dívida do Brasil é tão alta?).

O melhor remédio para o combate da pobreza continua sendo, segundo a minha opinião, comércio livre e o esforço dos países mais industrializados abaixarem as tarifas (principalmente no setor da agricultura).

A pobreza poderia ser reduzida por 20 por cento se conseguíssemos puxar os fios do comércio mundial. Haveria grande impacto em países como a Índia, China, Paquistão e África.

Esperemos para ver até aonde o Turno de Doha levará o destino do comércio mundial.

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Stephan Reichenberger, faz Relações Internacionais e Politica na University of Westminster, em Londres (RU). Compõe músicas. Escreve artigos. Recentemente elaborou uma série em jornais com o tema de politica internacional, escritos em português. Você pode contatá-lo pelo e-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (1)Add Comment
lokaria
escrito por loko, 2007-04-17 15:33:51
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