Experimento que vai avaliar germinação de sementes de Gonçalo Alves no espaço
passa na primeira bateria de testes exigidos pela Agência Espacial Russa.
O experimento da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que vai avaliar a
germinação de sementes de Gonçalo Alves em condições de microgravidade durante o
vôo do primeiro astronauta brasileiro à Estação Espacial Internacional – ISS,
foi aprovado na primeira bateria de testes exigidos pela Agência Espacial Russa
(Roscosmos) para voar a bordo da nave Soyuz no dia 30 de março próximo. Essa fase inicial, chamada de AT1 (bateria de testes realizados no Brasil),
aprovou oito dos nove experimentos que haviam sido submetidos à Agência Espacial
Brasileira.
O único vetado foi o da Universidade Federal de Pernambuco, que iria testar
uma nanosonda em ambiente de microgravidade.
Os testes foram desenvolvidos no Laboratório de Integração e Testes – LIT do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, em São José dos Campos, SP, e
consistiram em simulações das condições de lançamento da Soyuz para avaliar a
capacidade de resistência dos experimentos à vibração causada pelo acionamento
dos motores da nave, além de ensaios elétricos e de termo-vácuo.
O próximo passo é uma última avaliação dessa vez na Rússia, denominada AT2,
para verificar se a integridade dos experimentos foi alterada durante o
transporte. Passando por mais essa etapa, o experimento da Embrapa estará
literalmente livre para voar.
É importante lembrar que essa é a primeira vez que uma espécie tropical será
testada no espaço. Gonçalo Alves é uma árvore nativa da região do cerrado e foi
escolhida porque suas sementes são tolerantes a diferentes tipos de estresse e
também pelo fato de germinarem de forma sincronizada, homogênea e rápida,
favorecendo a obtenção de resultados durante o curto período do vôo, que será de
oito dias.
Objetivos do experimento
A gravidade exerce efeitos significativos sobre diversos processos biológicos
vitais para as plantas. Segundo a coordenadora do projeto na Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia, a pesquisadora Antonieta Salomão, este experimento é
uma ótima oportunidade para se explorar o efeito da gravidade sobre processos
fisiológicos, bioquímicos e biofísicos responsáveis pela germinação e fases
iniciais do desenvolvimento de uma espécie arbórea tropical.
Dependendo da espécie, respostas diferenciadas ao efeito da microgravidade
são observadas. O objetivo é identificar os genes responsáveis por esses
processos biológicos e chegar a formas mais eficientes de conservação e uso das
espécies tropicais.
Para isso, um outro experimento idêntico ao que será enviado ao espaço, será
testado na Terra no mesmo período. O objetivo, de acordo com Antonieta, é
comparar a germinação das sementes em condições de gravidade normal, na Terra, e
muito baixa, na estação espacial.
A experiência de enviar um experimento para o espaço é vista como muito
positiva pelo Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Recursos Genéticos
e Biotecnologia, Maurício Lopes, especialmente porque vai inaugurar um modo novo
de fazer ciência e de responder a questões que não temos chance aqui na Terra.
“Esse é o primeiro passo para a Embrapa aprender a trabalhar nesse novo
ambiente e abre perspectivas para que, no futuro, outros experimentos sejam
testados no espaço, como a produção de novas moléculas em células animais e
vegetais e análises de expressão de genes para transformação genética de
plantas, dentre outras”, ressalta Lopes.
Experimentos de escolas: rumo ao espaço
Os dois experimentos desenvolvidos por quatro escolas da Rede Municipal de São
José dos Campos também foram aprovados nessa primeira etapa de testes. Um deles,
bastante parecido com o da Embrapa, vai testar a germinação de sementes de
feijão e o outro vai avaliar a cromatografia de clorofila a partir de um extrato
de couve, ambos em condições de microgravidade.
Os dois projetos contaram com a colaboração da Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia que, além de doar as sementes de feijão e o extrato de clorofila
concentrada, também ajudou na produção dos protótipos finais dos experimentos.
Os experimentos estão sendo desenvolvidos por 16 crianças de 7ª e 8ª séries,
o que marca um outro ineditismo da missão “Centenário” (nome escolhido em
homenagem aos 100 anos do vôo de Santos Dumont com o 14 Bis): pela primeira vez
no mundo, crianças do ensino fundamental estão participando de uma missão
espacial. Jovens de outros países, como Portugal e Itália, já fizeram parte, mas
eram estudantes universitários ou de ensino médio.

Fernanda Diniz, Jornalista
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
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E o Luis Ignácio ainda tem a cara de pau de falar que governa para os pobres.