A velha história de que no amor e na guerra vale tudo acabou ficando mais
corriqueira que o usual e tem sido usada em campos do viver humano dos mais
diversos. Digo isso, pois vislumbramos atualmente que este binômio é usado como
desculpa nas mais variadas situações e nesse contexto todas as atitudes e
declarações acabam por se tornar lícitas e, portanto permitidas.
Alguém
neste ínterim pode acabar tentando procurar a tal da ética no meio da estória e
lamento dizer, não vai encontrá-la. A ética, logo após a verdade como já disse
alguém outrora, numa guerra é a primeira vítima. Mas vá lá, afinal ou é por amor
ou estamos em guerra, excessos em nome de um ou de outro são permitidos.
Ainda não sei em qual aspecto, amor ou guerra, está incluído o tipo de política feito atualmente no Brasil, mas uma coisa afirmo, já está valendo tudo. Não que eu esperasse ver algo diferente, a sede de poder de alguns acaba por transformar as mais democráticas instituições em palcos de tragédias gregas, ou mesmo campos de batalhas sangrentas, mas o que deveras me surpreende, é a cara de pau, se é que me permitem o uso deste termo os mais eruditos, de alguns que pela própria trajetória e vivência política não podem se dar ao luxo de ser vergonhosamente taxados de, na pior das hipóteses, incoerentes em suas declarações.Refiro-me às declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao afirmar que “a ética do PT é roubar”, pedindo perdão novamente aos eruditos, é o sujo falando do mal lavado. Afirmo isso sem a preocupação ou até mesmo vontade de defender os acusados, pois acredito que contra fatos não há argumentos, mas realmente gostaria de saber o que o ex-presidente acha do seu partido, o “incólume” PSDB.
As declarações de FHC fazem parecer que os 10 milhões negociados no caixa dois entre Marcos Valério e PT foram o maior caso de corrupção do País, mas deixe-me refrescar a memória do ex-presidente com a ação civil pública aberta pelo MP em abril de 2002 que investiga operações entre 1997 e 1999 entre o mesmo Marcos Valério e a Fundacentro, órgão ligado ao ministério do trabalho, cuja monta em dinheiro transferido para as contas do publicitário gira em torno de 24,9 milhões dos quais 5,7 milhões foram desviados diretamente por meio de notas frias e sem comprovação de serviços prestados.
Na verdade para “sorte” dos Tucanos, há pouca disposição em se investigar a quanto tempo Marcos Valério vem operando “mensalões”, mas têm-se afirmações de que em 1998, na campanha para o Governo de Minas Gerais do hoje Senador pelo PSDB Eduardo Azeredo, Valério atuou ativamente. Segundo Cláudio Mourão, tesoureiro de sua campanha na época em depoimento à CPI, houve um caixa dois de 12 milhões de Reais proveniente de empréstimos obtidos pelo publicitário aos bancos Rural e BMG na época.
Esta é apenas uma amostra do tipo de ética que usa o PSDB, pois nem entrarei no mérito de compras de votos visando à aprovação da reeleição, ou o uso da máquina pública contra adversários políticos como no caso do uso da Polícia Federal e até provavelmente da ABIN, no caso do dinheiro na mesa de Roseana Sarney praticamente em vésperas de uma eleição.
No amor pelo poder ou na guerra pelos votos alguns esquecem até do comeram no
almoço, aproveitam-se de no Brasil termos uma mídia pelega que seleciona a
informação a seu bel prazer e nos brinda com aquilo que querem que escutemos.
Nesta estória não existem santos, a não ser os do pau oco. FHC pode até ter
razão, o que ele não lhe permito é a demagogia e hipocrisia que permeia sua
declaração.
Diferente do roubo do PT que exposto foi em toda a mídia, o PSDB incidiu em
outro ilícito, aquele no qual é subtraído o objeto sem sequer a presença do
proprietário, feito à surdina, na calada, e dito isso, afirmo sem pestanejar. A
ética do PSDB é furtar.
Wiliam
Nogueira, 29a, Rio de Janeiro/RJ. Site:
http://www.willnogueira.blogspot.com. E-mail:
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