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Relatório do TCU Apontam Irregularidades em Obras PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcos Chagas   
Friday, 01 October 2004

"A prioridade será corrigir as falhas dos projetos que têm recursos empenhados no Orçamento, já os casos que envolvam questões como: sobrepreço e superfaturamento, serão resolvidos num prazo mais longo".

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) deve viabilizar, até o fim de outubro, a retomada de parte das 37 obras fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e consideradas com graves indícios de irregularidades.

O governo federal incluiu 12 dessas obras na proposta orçamentária para 2005, de acordo com avaliação feita pela Consultoria de Orçamento, Fiscalização e Controle do Senado. Além dos projetos do DNIT, constam do levantamento, também, dois do Ministério da Defesa, três do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), um do Ministério da Integração Nacional e um da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério dos Transportes, a prioridade será corrigir as falhas dos projetos que têm recursos empenhados no Orçamento e que as pendências possam ser resolvidas em curto espaço de tempo.

Já os casos que envolvam questões como sobrepreço e superfaturamento, que demandam mais tempo para correção, serão resolvidos num prazo mais longo, informa a assessoria do ministério. O objetivo é garantir, até 6 de novembro, autorização do TCU para que as obras sejam tocadas.

Entre os 12 projetos do DNIT com problemas junto ao TCU, constam obras de conservação, restauração, adequação e construção de rodovias federais nos estados do Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Roraima, Alagoas, Rondônia, Sergipe, Bahia, Paraíba, Acre e Amazonas.

Também está no Orçamento para 2005 a construção, pelo DNIT, de obras junto às eclusas da usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Esses projetos somam recursos da ordem de R$ 269.874.451,00.

Os dois projetos do Ministério de Defesa, que somam R$ 10 milhões, dizem respeito à implantação de unidades militares do projeto Calha Norte na região Norte. Segundo a Gerência do Projeto Calha Norte, as irregularidades já foram sanadas, mas falta o parecer do TCU. As obras, de acordo com a gerência, estão sob a responsabilidade do 6º Batalhão de Engenharia do Exército, em Boa Vista (RR).

A assessoria de imprensa do Ministério da Integração Nacional também prestou esclarecimentos sobre as obras da pasta e do DNOCS que estão em situação irregular, mas que figuram na proposta de orçamento para 2005.

Quanto à construção da barragem de Congonhas, em Minas Gerais, orçada em R$ 1,433 milhão, a assessoria do ministério informa que os recursos destinam-se a elaboração de projeto executivo, elaboração do cadastro de desapropriação, de relatório de impacto ambiental e despesas de custeio. A assessoria acrescenta que o TCU, neste caso, impediu apenas a execução da obra em si.

Quanto aos projetos que envolvem a construção da Adutora Italuís, no Maranhão, no valor de R$ 8 milhões; a implantação do Perímetro de Irrigação Baixo Acaraú – 1a etapa, no Ceará, que soma R$ 2.287.800,00; e a implantação do Perímetro de Irrigação Tabuleiro de Russas – 1a etapa, também no Ceará, com valor de R$ 8.960.700, a assessoria do ministério explicou que são ações que se desenvolvem em etapas. Neste sentido, ressalta que os recursos previstos na proposta orçamentária de 2005 destinam-se a etapas dos projetos em que não foram constatadas irregularidades pelo TCU.

Levantamento mostra que 43 das 70 obras irregulares apontadas pelo TCU provêm de emenda parlamentar

Entenda o que são as emendas parlamentares

Dentre as comissões do Congresso Nacional, a de Orçamento, Fiscalização e Controle pode ser considerada a mais importante. É nessa comissão que os parlamentares do governo e da oposição definem os gastos e os investimentos que realizados pelo Executivo. A base desse trabalho é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviada pelo governo federal ao Congresso no início de abril, todo ano. Na LDO, o Executivo apresenta aos parlamentares os projetos que considera prioritários para o investimento dos recursos do Orçamento.

Sem a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias pelo Congresso, deputados e senadores não podem entrar em recesso. Este ano, por exemplo, os trabalhos do Congresso foram prorrogados por 15 dias para que a LDO fosse aprovada, o que levou os parlamentares a perderem metade do recesso de julho.

Com base na LDO, o Executivo encaminha, até 31 de agosto, a proposta de lei orçamentária para o ano seguinte, com previsões de gastos da União, inclusive investimentos. É no Orçamento da União, por exemplo, que se define o valor do reajuste do salário mínimo.

Cada deputado e senador tem direito de apresentar emendas individuais à proposta orçamentária do governo federal. Esse direito está definido no Regimento do Congresso. Para as emendas, o governo estabelece uma “reserva de contingência”, que são os recursos a serem utilizados nas propostas dos parlamentares. Desde o início do ano, os parlamentares recebem de suas bases nos estados reivindicações de obras como construção de escolas, postos de saúde, barragens, estradas, entre outros.

Geralmente, as emendas individuais são destinadas a projetos a serem executados nos municípios que constituem a base política do parlamentar. No ano passado, cada parlamentar teve direito a R$ 2,4 milhões em emendas individuais. Para o Orçamento de 2005, segundo informação da equipe técnica da Comissão Mista de Orçamento, a reserva de contingência estabelecida pelo Governo Federal é de R$ 2,7 bilhões. Destes, R$ 1,7 bi devem ser destinados às emendas parlamentares individuais.

Outro tipo de emenda é a de bancada. Neste caso, deputados e senadores, independente de partido, reúnem-se para discutir projetos de interesse do estado. Para elas, não há uma limitação de recursos, como no caso das emendas individuais. O que ocorre, nesses casos, é o remanejamento de recursos de outros projetos já previstos na proposta de Orçamento.

Agência Brasil

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