Movimentos
ecologistas estão preocupados com a extinção de baleias, ursos polares,
micos-leões-dourados e outras espécies. Pessoalmente, estou preocupado com outra
espécie bem mais próxima e mais valiosa, os mulatos e as mulatas. Que,
dependendo da inépcia de nossos legisladores, em breve será extinta. Pelo menos
do ponto de vista legal. É o que propõe um monstrengo jurídico, de autoria do
senador Paulo Paim, o projeto de lei n° 3.198/2000, também chamado de Estatuto
da Igualdade Racial.
Já foi aprovado pelo Senado e tramita em regime de prioridade na Câmara dos
Deputados. De uma só tacada, Paulo Paim extermina legalmente os mulatos do
território pátrio: "para efeito deste Estatuto, consideram-se afro-brasileiros
as pessoas que se classificam como tais e/ou como negros, pretos, pardos ou
definição análoga".
Demorou mas chegou até nós. Está sendo introduzida legalmente no Brasil a
classificação ianque, que só consegue ver pretos e brancos em sua sociedade e
nega a miscigenização. Este sórdido projeto é antigo, fruto da exportação dos
conflitos raciais dos Estados Unidos para um país onde o negro sempre conviveu
bem com o branco, tanto que o mulato constitui um contingente considerável da
população. Mal foi eleito, o Supremo Apedeuta saiu arrotando urbi et orbi que o
Brasil era a segunda nação negra do mundo, depois da Nigéria. Até mesmo uma
pessoa aparentemente culta, como Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores,
prestou-se a corroborar o sofisma safado: "como declarou o presidente Lula, o
estreitamento das relações com a África constitui para o Brasil uma obrigação
política, moral e histórica. Com 76 milhões de afrodescendentes, somos a segunda
maior nação negra do mundo, atrás da Nigéria, e o governo está empenhado em
refletir essa circunstância". Ao colocar todos afrodescendentes no mesmo saco
dos negros, o ministro demonstra que, nos círculos do poder, mesmo homens cultos
se dobram à bajulação.
Ora, segundo o IBGE, a população negra do Brasil, em 99, era de apenas 5,4%. Com
o acréscimo de 39,9% do contingente de mulatos, o Brasil estaria perto de ser
definido como um país majoritariamente negro, como aliás é hoje considerado por
muitos americanos e europeus. Com o projeto do senador, não teremos mais mulatos
(ou pardos, no jargão do IBGE), mas apenas afro-brasileiros. O que os ativistas
negros esquecem é que o mulato pode denominar-se tanto afro-brasileiro como
euro-brasileiro. A tônica no afro tem intenções óbvias: aumentada
artificialmente a população negra, torna-se fácil pressionar os legisladores
para obter mais vantagens para os que não são brancos. Os ativistas negros no
Congresso querem ganhar privilégios no tapetão da semântica.
Sensível ao apelo dos votos, Geraldo Alckmin está encaminhando à Assembléia
Legislativa projeto de lei que estabelece o acréscimo de pontuação aos
afrodescendentes no concurso público para a Defensoria do Estado. Após os
Estados Unidos estarem abandonando a política das ações afirmativas, o
governador paulista, em um gesto de mimetismo terceiro-mundista tardio, afirma:
"Estamos fortalecendo nossa proposta de ações afirmativas". É um modo de dizer.
O que Alckmin parece ignorar é o artigo 5° da Constituição, que reza: "Todos são
iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza". Alckmin é hoje visto
como uma alternativa à permanência do Supremo Apedeuta no poder. Triste
alternativa, a de um político que, em sua ambição de votos, começa sua campanha
rasgando de uma penada a Constituição brasileira. Se já rasga a Carta Magna
enquanto candidato a candidato, podemos imaginar o que ousaria quando no poder.
Nas últimas décadas, os movimentos negros insistiram na idéia de que raça não
existe, ser negro seria apenas uma questão de melanina. Quando começou a surgir
no Brasil a infeliz idéia ianque de cotas, tanto para a universidade como para
admissão em empregos públicos, assistimos a uma súbita reviravolta: raça agora
existe e deve ser declarada. O malsinado projeto do senador gaúcho determina
que, em várias circunstâncias - no Sistema Único de Saúde, nos sistemas de
informação da Seguridade Social, em todos os registros administrativos
direcionados aos empregadores e aos trabalhadores do setor privado e do setor
público - o quesito raça/cor será obrigatoriamente introduzido e coletado, de
acordo com a autoclassificação.
Se até bem pouco afirmar a existência de raças era sinônimo de racismo, a noção
de raça agora passou a ser algo bom, digno e justo. Para a advogada Flávia Lima,
coordenadora do Programa de Justiça da ONG Núcleo de Estudos Negros, em
Florianópolis (SC), a classificação dos indivíduos segundo a raça pode ser um
instrumento na luta contra o racismo. A obrigatoriedade de registro da cor seria
um ponto positivo do Estatuto, já que permite investigações sobre racismo em
diversas esferas da sociedade.
Ó tempora, ó mores!O que ontem era estigma, o registro da cor, passa hoje a ser
virtude. Os movimentos negros, ao que tudo indica, terão de jogar ao lixo suas
velhas bandeiras. Para o Supremo Apedeuta, por exemplo, até os nigerianos já são
afrodescendentes.
Como observa Demétrio Magnoli, na Folha de São Paulo, "os
modelos são a África do Sul do apartheid e a Ruanda dos belgas, com suas
carteiras de identidade etno-raciais. A nação deixará de ser um contrato entre
indivíduos para se tornar uma confederação de raças". Se aprovado na Câmara este
projeto infame, os negros e mulatos terão carteirinha única, e esta jamais será
a de mulato. Imagine o leitor se um deputado branco sugerisse a instituição da
carteirinha de negro. Seria imediatamente comparado a Hitler, que identificou os
judeus com a tecnologia Hollerith de cartões perfurados da IBM.
Como os deputados hoje estão mais preocupados em salvar a própria pele do que em
discutir quesitos de raça ou cor, corremos o sério risco de que o absurdo
estatuto adquira força de lei. Os políticos sentem-se tão à vontade para
praticar este estupro, que já o incluem em suas promessas de campanha, como o
fez Alckmin. Se a Constituição já foi violada mediante compra de votos, violação
a mais violação a menos tanto faz. E assim desaparecerá, banida por lei, a prova
mais incontestável do caldeamento de raças no Brasil, o mulato.
Os velhos comunistas podem ter perdido a guerra, mas não perderam os vícios.
Luta de classes morta, luta racial posta.
Cabelo tranado nas tranas tricolores d escrito por rebeca r,
2006-02-08 18:10:54
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Super interessante essa sua història/preocupação que vem à calhar com uma das mais tristes atualemnte vividas aqui em Paris pelos franceses e outros migrantes parisienses como eu mesma (made in brasil por natureza)... O famoso MR. Nicolas Sarkosy atual Ministre de l'Interieur en France também esta querendo mudar as leis francesas sobre a imigração a fins de legalizar o que chamo do "novo apartheid " ( terme francês politicamente correto "discrimination positiva")...Ele quer instalar o sistema de quotas para as escolas (lycées & universidades) e obrigar as empresas (todas publicas e privadas) a empregar o mesmo sitema de quotas...ele defende o ponto de vista de quem diz querer regularizar a situação geral de todos os estrangeiros e migrantes de 1 °, 2° e 3 ° gerações para acabar com o "racismo" velado da sociedade européia com relação ao negros, pardos, mulatos, arabes, pakistaneses ou indianos....etcetcetc...todos que não têm uma carinha bem branquinha ou no màximo com um narigão tipo mouro ou gaulois... Sò morando em cidades cosmopolitas e internacionais como Paris São Paulo ou outras tantas mais pra saber o quanto é impossivel nos dias de hoje ( os do Expreszso 2222 ) de dizer a origem de qualquer ser humano somente se baseando na sua aparência fìsica...Quantos como eu, passamos por ganso, sendo pato ou por gato, sendo lebres e acabamos virando churrasquinho de cachorro nas mãos da Scotland Yard??... Sob o ponto de vista de quem vive correndo esse risco cotidiano que todos os "pardos / mestiços / estrangeiros alieniginas" ou simplesmente "o outro"" corremos nos dias de hoje é que saluo esse seu artigo e me apresento à sua disposição para detalhes mais aprofundados a respeito dessa similitude entre o tal senador brasileiro ( ele nunca leu Jorge Amado ?) e as novas direçoes que a Direita francesa liderada pelo "seu Sarkosz's" està começando a assumir cada vez mais abertamente...Com carinho e respeito ...Rebeca Rô brasileira de Paris/Trancoso. Fait le 09/02/2006 às 03h09 AXENU...nulldiz querer regularizar a situação geral de todos os estrangeiros e migrantes de 1null
Sarko volta a atacar escrito por rebeca r,
2006-02-16 16:03:00
Não sei se a vidinha polìtica dos franceses podem interessar a vocês, mas gostaria de continuar dando o meu ponto de vista às pessoas interessadas... A nova Do Sarkosy, o eterno Ministro do Interior francês, nesse fim de reinado do Presidente Chirac, è mais uma bomba à efeitos retardatàrios perigosìssimos! Escutem sò isso... Ele lançou a "maravilhosa idéia" de querer, de maneira " positiva" , fazer um arquivo dos delinqüentes para a polìcia & Cia`(condenados ou fichados nas delegacias ) segundo suas ETNIAS ! Não é o màximo ? ... Não entendi, (pois sou brasileira ?), se ele pensa que vai provar assim aos franceses de direita ( ou que não sabem mais qual é a diferença de ideologia de direita & esquerda), que a maioria dos delinqëntes, marginais, bandidinhos & bandidões são todos " estrangeiros", ou descendentes de antigos franceses migrados das antigas colônias francesas como os paìses norte africanos, ou mesmo os atuais franceses de origem caribenha ou tantos outros !!! Em suma, negros e àrabes...O racismo contra " o outro" continua dando ibope aqui nessas terras francesas...como jà disse hà uns 20 anos atràs o nosso Ministro da Cultura, um certo Gilberto Gil...Touche pas à mon pote ! Tem gente aqui dizendo que logo logo, os estrangeiros deverão usar uma estrelinha colorida , talvez não amarela, para serem identificados de longe em caso de quebra-pau... Dà pra acreditar nessa barbaridade ? Com o mesmo carinho e ainda mais respeito a vocês que vivem aì nesse paìs abençoado por Deus...Rebeca Rô Lang Grosy... ETHNIAS
... escrito por elton M T,
2006-11-17 17:30:35
Bem escrito Ro, o mundo precisa de pessoas como nos, como uma flecha que acerta o alvo.
Moro em Orleans na Franca.
Parabens!! escrito por Sophia,
2007-10-19 11:50:52
Obrigado por me ajudar a ter outros pontos de vista, diferentes do que eu tinha antes a respeito dos Ativistas negros.
Sophia
... escrito por DS2,
2008-03-10 00:21:04
Pois olhem que eu sou Português e isto que se está a passar na Europa é um atentado á Civilização. Se querem vir para cá e serem vistos como Europeus (Portugueses, Ingleses, Franceses, etc.) é melhor que sejam mesmo Europeus, caso contrário preparem-se para o racismo. Aliás, mesmo que sejam Europeus, se vêm para aqui com hábitos de terceiro mundo, o melhor é prepararem-se para o xenofobismo.
Então vocês vêm para cá e esperam ser tratados como "normais"? E ainda têm a lata de se queixar? E que tal ficarem aí nas vossas terras de terceiro mundo em vez de virem invadir a Europa? É mesmo necessário um descaramento incrível para invadirem as terras dos outros e se viem queixar que os outros são isto e aquilo... Terceiro Mundistas de um raio! Se vierem para a Europa, espero que os Europeus sejam tão racistas, mas tão racistas, que voês voltem aí para o Terceiro Mundo. É que a Europa foi criada com muito amor e carinho, trabalho e dedicação, sange e luta para virem agora para cá uns terceiro mundistas transformar isto num Brasil ou numa Venezuela. Não obrigado. Já chegaram a pensar porque raio é que não vos querem cá? Resposta: Porque é só olhar para onde vocês vêm para notar que não nos vêm trazer nada de bom.
Isto anda perdido...
Obrigado escrito por Vilmar Luiz de Sousa,
2008-07-16 18:15:17
Faço parte de um grupo de pesquisa chamado Afro Atitude patrocinado pela UNESCO, na Universidade do Estado de Minas Gerais e dei de cara com seu artigo muito interessante para minhas pesquisas. Muito obrigado Vilmar Luiz
HAHAHAHAHAHA...... escrito por Enzo ,
2008-08-02 00:52:54
Achei hilário este comentário do português "É que a Europa foi criada com muito amor e carinho, trabalho e dedicação, sange(SANGUE) e luta para virem agora para cá uns terceiro mundistas transformar isto num Brasil ou numa Venezuela" só esqueceste de falar que também com muitas guerras, ódio, raiva e exploração, tua querida Europa foi criada e se a Europa é tão rica assim é por que explorou massissamente a Africa e a América furtando grande parte das riquesas desses imensos continentes para um só continente do tamanho da Europa que tem praticamente o mesmo tamanho do Brasil ou Estados Unidos isso sem tirar a Rússia européia, naturalmente estes exploradores selvagens seriam mais ricos,portanto mais civilizados. E se o Brasil, Venezuela, Colombia,etc.... é assim, é por causa da herança maravilhosa deixada por aqui e do terrível método de exploração colonial que seus antepassados ibéricos utilizaram para explorar de uma maneira inconsciente e inrresposável o "novo continente" Concordo que os imigrantes devem se comportar como europeus, já que estão aí e optaram por esta aí acho que deveriam sim, se comportar como europeus, claro mantendo apenas os bons costumes trazidos de seus países como a simpatia dos brasileiros por exemplo e deveriam trocar os maus costumes pelos bons "costumes civilizados europeus" criaria um equilibrio benefiscente para ambos
Super interessante essa sua història/preocupação que vem à calhar com uma das mais tristes atualemnte vividas aqui em Paris pelos franceses e outros migrantes parisienses como eu mesma (made in brasil por natureza)...
O famoso MR. Nicolas Sarkosy atual Ministre de l'Interieur en France também esta querendo mudar as leis francesas sobre a imigração a fins de legalizar o que chamo do "novo apartheid " ( terme francês politicamente correto "discrimination positiva")...Ele quer instalar o sistema de quotas para as escolas (lycées & universidades) e obrigar as empresas (todas publicas e privadas) a empregar o mesmo sitema de quotas...ele defende o ponto de vista de quem diz querer regularizar a situação geral de todos os estrangeiros e migrantes de 1
°, 2° e 3 ° gerações para acabar com o "racismo" velado da sociedade européia com relação ao negros, pardos, mulatos, arabes, pakistaneses ou indianos....etcetcetc...todos que não têm uma carinha bem branquinha ou no màximo com um narigão tipo mouro ou gaulois...
Sò morando em cidades cosmopolitas e internacionais como Paris São Paulo ou outras tantas mais pra saber o quanto é impossivel nos dias de hoje ( os do Expreszso 2222 ) de dizer a origem de qualquer ser humano somente se baseando na sua aparência fìsica...Quantos como eu, passamos por ganso, sendo pato ou por gato, sendo lebres e acabamos virando churrasquinho de cachorro nas mãos da Scotland Yard??...
Sob o ponto de vista de quem vive correndo esse risco cotidiano que todos os "pardos / mestiços / estrangeiros alieniginas" ou simplesmente "o outro"" corremos nos dias de hoje é que saluo esse seu artigo e me apresento à sua disposição para detalhes mais aprofundados a respeito dessa similitude entre o tal senador brasileiro ( ele nunca leu Jorge Amado ?) e as novas direçoes que a Direita francesa liderada pelo "seu Sarkosz's" està começando a assumir cada vez mais abertamente...Com carinho e respeito ...Rebeca Rô brasileira de Paris/Trancoso. Fait le 09/02/2006 às 03h09 AXENU...nulldiz querer regularizar a situação geral de todos os estrangeiros e migrantes de 1null