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Muito devem a Independência e a República ao Ceará. E muito o Ceará ao próprio Ceará, pois só agora se faz a revisão que há de nos colocar melhor na História.
Aqui se viveu não só a primeira mas a mais bela República. No entanto, ainda
se nega a primazia das idéias republicanas de Quixeramobim e do Crato, e ainda
não se reconhece inteiramente, de fato e de direito, o animoso Tristão de
Alencar Araripe como o Primeiro Presidente republicano do Brasil.
Nem mesmo nas ruas e nos livros o nome de Tristão é assinalado corretamente,
faltando-lhe quase sempre o nome de escolha, o Araripe brasílico. Enquanto isto,
o de Costa Barros, por exemplo, sangrento facínora, pois mandou fuzilar vários
heróis quando já nem era necessário, ostenta completo e correto pelas ruas de
nossas cidades, embora poucos se dêem conta. É como se Silvério dos Reis fosse
homenageado e Tiradentes tivesse seu nome surrupiado...
Contudo, a História vai contando novas histórias, agora de baixo para cima, e
já se reconhece em Bárbara de Alencar a Mãe da Independência e da República do
Brasil. Mas, ainda que na Galeria dos Presidentes cearenses, no hall do Plenário
da Assembléia do Estado, no texto do retrato do Conselheiro Tristão, filho do
herói, possa se ler ter sido Tristão Araripe o Primeiro Presidente da República
da Confederação do Equador, ainda não se aceita inteiramente ter sido a
Confederação nossa primeira República, o que é um absurdo.
Mas por que tanta demora? Tanta resistência em se ver o Ceará como o berço
de tais conquistas? Sabe-se do mau hábito de negar-se ao talento e à extração
popular, à espontaneidade, a autoria dos fatos históricos. Nossa Independência,
assim, teria sido uma benesse do Imperador e nosso primeiro presidente
republicano tinha que ser de alta patente, e não um animoso herói do Cariri, de
liderança inconteste, que levantava um cavalo com uma das mãos, que recusou o
exílio e que tinha a consciência do porvir.
Diz-se que a mídia pernambucana, mais eficiente, talvez até soberana à época,
seria também responsável pela versão pouco cearense dos episódios de 17 e 24, e
iria impregnar e nortear as publicações cearenses e do país, e que as
perseguições que se seguiram à débâcle republicana acabariam por imprimir na
nossa alma a desimportância da nossa participação, ao nos quebrar a estima.
Sabe-se que quase 500 revolucionários participaram do Grande Conselho em que
Araripe foi eleito Presidente, mas ainda assim diz-se comumente que a
Confederação teve pouca participação popular, quando tal número por si só atesta
a magnitude do evento. Facilmente, por aqui, repete-se que Pernambuco teve a
liderança dos dois episódios, simplesmente recorrendo-se à cronologia, mas
esquecendo-se que, ao se assim apreciar, melhor seria creditar-se às idéias
pernambucanas às revoluções Americana e Francesa, que as inspiraram. Se
Pernambuco teve valorosos Carvalhos e Amores Divinos, o Ceará teve vários
Alencares, Mororós, Sucupiras, Ibiapinas, Carapinimas, Antas, Araripes e outros.
Ou seja, aqui ocorreram as maiores batalhas, daqui partiu a vitoriosa expedição
a Fidié; por aqui nossos heróis brotaram como flores em mandacarus molhados;
aqui se decidiu a batalha final e aqui a esperança da vitória viveu até o fim, e
mesmo após.
Diz Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, em seu Diário, às páginas 451,
citado por Antônio Dantas Alencar: ...”Ceará, talvez não tenha havido entre as
províncias do império do Brasil uma que tanto se chocasse com o aborto da
dissolução da Assembléia soberana quanto o Ceará Grande”.Pág. 452: “...
derrocaram o monstro da cadeira da presidência ( Costa Barros), formando um
governo temporário, debaixo da presidência de Tristão Gonçalves de Alencar
Araripe; e se dispõem para resistirem a toda agressão da parte do Ministério do
Rio, quer no bem, quer no mal”. Pág.527: “O Ceará tem tomado uma atitude que
mostra a sua decisão enérgica contra os planos do Rio de Janeiro, e qualquer
agressão externa”. Pág.528: ”Quem lhes ministrou, aos cearenses, planos tão bem
concertados, providências tanto a tempo e cautelosos? Qual tem sido a província
do Brasil que tem desenvolvido tanto liberalismo e despregado tanta energia? Que
exemplo mais imitável aos povos do Brasil ? Pernambuco mesmo deve fitar os olhos
no Ceará, e confundir-se.Ali alçou o primeiro grito a liberdade, e seu eco fez
estremecer o coração do império”.
É Frei Caneca, o grande herói pernambucano, quem diz a importância que o
Ceará não se diz.E lembrem que em sua fuga, foi para o Ceará, ao encontro de
Alencar, Filgueiras e Araripe que se dirigiu, na esperança de aqui ganhar as
forças que já não tinha em Pernambuco. Diz ele: “... que, tomando-se todas as
medidas necessárias para a defesa da liberdade da pátria, se levantasse o
acampamento, e se procurasse outra posição vantajosa, donde pudéssemos ter
comunicação com os liberais das províncias do Ceará...e especialmente com o
General Filgueiras, a fim de combinarem os planos de ataque sobre o inimigo”.
Tivesse tal encontro se dado e talvez a Confederação fosse vitoriosa. Mas,
nesta grande revisão em que passa a História, mesmo a derrota às vezes tem sabor
de vitória, e dia a dia a Independência e a República, sem dúvidas, vão sendo
mais nossas..
Oscar Araripe é pintor e escritor e ex-jornalista do Correio da Manhã e do
Jornal do Brasil. Site:
www.oscarararipe.com.br Email:
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Faço parte da família Alencar Araripe e, por esta razão, gostaria de que na globalização na área das telecomunicações via internet/satélite e celular/satélite sobre VOIP(voz sobre protocolo de internet) , a minha família seja inserida nesta
oportunidade única e imperdível!!!
Gostaria de agradecer pela mensagem contextual que li sobre a República e o Ceará-BR.
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