Não há dúvidas de que a pior coisa que o governo Lula poderia fazer seria demitir o Ministro da Fazenda Antônio Palocci. Nem mesmo para a oposição seria desejável que Palocci saísse com a imagem profundamente abalada. Seria claramente uma situação na qual todos perderiam.
A continuidade e a estabilidade econômica continuarão sendo pontos-chave para futuras alternativas à sucessão presidencial. Um abalo colateral na política econômica dificultaria a estratégia de contra-propaganda esmaecendo as críticas à questão à moralidade e à transparência do governo. O que, por sinal, tem sido o ponto nevrálgico da estratégia política que os partidos e coligações de oposição esperam usar em 2006.
Por outro lado, a manutenção de Palocci à frente do Ministério da Fazenda abre espaço para duas interpretações distintas sobre os rumos do jogo de forças político. Para o governo, seria um sinal positivo de que o nefasto efeito do denuncismo, tão propalado pelo presidente, não é suficiente para diagnosticar, em elevado grau, uma corrosão sistêmica.
Nessa lógica, a crise acaba contida na esfera administrativa, sobretudo a partidária. E, ainda que isso não signifique de fato uma simplificação da gravidade das denúncias e dos resultados das apurações, a situação não seria muito diferente do que já supunha o senso-comum antes mesmo do assim chamado “denuncismo”.
Mais do que nunca, para a oposição, toda crise é uma oportunidade e inexistem igualmente laços fortes o bastante para impossibilitar a hipótese de cooptação de Palocci no futuro. Embora afetada, sua imagem continua resistente o suficiente para deslocar as denúncias que pesam contra si para os vícios da atual administração.
Um indicador da provável boa vontade da oposição para com o ministro se traduz na maneira como PFL e PSDB suavizam sistematicamente o tom das críticas. Mantém em fogo baixo as investidas contra Palocci acerca de seu suposto envolvimento com corrupção, preferindo abordar temas que perpassam o eixo dos assuntos econômicos.
A manobra, inclusive, foi muito interessante porque deixa em aberto duas possibilidades: a primeira, de manter Palocci em “sobreaviso” no tocante às manifestações oposicionistas por ocasião de sua convocação para a CPI dos bingos e, a segunda, de persistir na complacência tendo em vista capital político potencial do titular do Ministério da Fazenda.
É aquela velha história da espada de Dâmocles, capaz de produzir preocupações profundas e sem derramamento de sangue.
Caiuby Freitas, é cientista político. E-mail:
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Parabéns, pelo Artigo "Na Corda Bamba", título bem interessante ! Pena não termos descoberto ainda se Palocci é apenas um estrategista bem sucedido ou se aprendeu a técnica , que o está permitindo dar uma de equilibrista.
Na foto mostra um olhar diferente..., rs, que por si já diz quase tudo, rsrs... pois "Andar na Corda Bamba" como se vê estampado na cara dele, não é mesmo nada fácil!
Caiuby, você articulista iluminado , esteja certo de que suas idéias enriquecem o "Fala Brasil".
Mulher brasileira
jan 2006