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Pelo caminho cruzado de razões opostas, vice e assessor
quanto mais calado, discreto e invisível, melhor.
O vice não tem função, choca a expectativa da chamada para
substituir o titular, por curtos ou longos períodos ou para o
sonho da efetivação até o fim do mandato. Então, o mundo abre
o sorriso da ventura, a vaidade sobe à cabeça até o cume da
montanha de Mombaça.
O destino do vice segue atrelado ao do titular. No caso do
assessor há diferenças de níveis. A hierarquia começa pelo
chefe da Casa Civil da Presidência da República e rola de morro
abaixo até o fundo da mina, ainda assim com encantos que
gratificam os felizardos que se destacam da massa dos anônimos.
O presidente Lula não pode se queixar de estar mal servido pelo
vice José de Alencar, noves fora sua teimosia em resmungar
contra os juros nas alturas que travam a retomada do
desenvolvimento econômico e intimidam o mercado.
No caso do poderoso ministro José Dirceu as coisas se complicam.
Ele compõe com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a dupla
de maior prestígio e notoriedade no gigantesco elenco
ministerial. Com as diferenças de temperamento que singularizam
a conduta de cada um.
O ministro Palocci fala quase tanto quanto seu colega José
Dirceu. Ao seu jeito manso, em médio tom, em todas as
oportunidades e para todos os auditórios que o convidem para
expor os êxitos da política econômica e desfazer os embaraços
de alguns índices que mancham o azul celestial da bem-aventurada
temporada, depois de meses de sufoco.
Como há estatísticas e pesquisas para todos os paladares, os
últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio
(PNAD), relativos a 2003, divulgados pelo IBGE, que confirmam a
queda, pelo sétimo ano consecutivo, da renda do brasileiro, com
desanimadores 7,4% no primeiro ano do mandato de Lula.
E o aumento de 8,5 milhões de desempregados soam o alarme,
logo abafado pela badalação dos mais 857.418 empregos com
carteira assinada. Portanto, o ministro Antonio Palocci, com a
conversa macia e envolvente, tem desculpa para tudo e encontra saída
para os apertos sazonais.
É inteiramente diverso o caso do ministro José Dirceu, que foge
à tradição das eminências pardas da nossa crônica
republicana. A norma não é a saliência falante, o destaque
espalhafatoso da provocação de polêmicas, o evidente prazer em
aparecer na mídia, a militância na campanha política que
ornamentam a figura controvertida do substituto do presidente
Lula, uma espécie de clone para suprir as omissões do eleito.
Exemplos recentes retratam o abismo da discrição própria da
delicadeza do cargo com açodamento do modelo lulista. O mineiro
Rondon Pacheco deixou, no governo do presidente Costa e Silva, o
traço de uma sombra de dedicação integral à rotina burocrática
do exame de processos e exame de assuntos a serem levados ao
despacho presidencial.
No rodízio dos generais-presidentes, o ministro Leitão de
Abreu passou pelos governos Médici e Figueiredo, dissimulando a
sua influência notória com a mudez e o recato de monge
tibetano. O ministro Golbery do Couto e Silva atuou nos
bastidores na montagem da abertura nos governos Geisel e do
inesquecível João Figueiredo, até a farsa do inquérito do
Riocentro, mas só falava em surdina, atrás da cortina do sigilo
da fonte.
Chefe da Casa Civil como o ministro José Dirceu só é possível
no original modelo do governo do presidente Lula. Desafeto da
insipidez da burocracia, detesta despachos isolados com
ministros, assessores e diretores, substituídos pelas reuniões
nas quais exercita a sua facilidade no improviso. Fala muito,
ouve pouco. Viaja todas as semanas. Viaja e discursa no exercício
da sua liderança do bloco da pobreza dos paises subdesenvolvidos
e em desenvolvimento.
No vazio, o ministro José Dirceu afaga o ego e cultiva, no
canteiro da esperança, as flores da ambição de subir o último
degrau da escada. Afinal, um dia, Lula deixará vaga a cadeira no
gabinete do Planalto. E o PT anda numa pobreza de quadros de dar
dó e de açular pretensões ostensivas.
Quem é o segundo só pode só pode aspirar a ser o primeiro. E
único.
nomínimo
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