| A Coexistência e a Reinvenção dos Mitos e Heróis |
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| Escrito por Glauco Ortolano | |
| Saturday, 29 October 2005 | |
O mito é o vácuo que preenche espaços importantes. Com tal assertiva atrelamos os mitos e heróis a um valor agregado de conjeturas. Exatamente para o que serve um mito se não para influir no imaginário de um povo e levá-lo a crer-se capaz de conceber o inimaginável? Para absolutamente mais nada, diria, mas sem, com isso, querer subentender que isso significasse pouco.
Pelo contrário. O valor do mito estende-se para muito além de o que poderíamos de outra forma relegar até mesmo ao inefável, por ter ele um valor quase-utilitário. Temos portanto, a obrigação de mantê-los vivos independentemente de suas nuanças contraditórias que possam entrar em conflito com o falsa ilusão dos “fatos”históricos que apresentem-se como a autoridade final na sua vã tentativa de provar a legitimidade das coisas pelo simples uso da razão. Talvez um dos mitos (e herói) mais célebres que conheço venha do campo das invenções. A do avião mais precisamente. Venho de uma nação onde crê-se amplamente que seu filho Alberto Santos-Dumont seja o verdadeiro “Pai da Aviação”, como se a aviação fosse um ser vivo que precisasse de um progenitor humano e não bastasse somente a inspiração divina. Cresci com a crença de que por ser ele filho de uma nação dita periférica, a legitimidade de sua contribuição para a humanidade fora varrida dos anais da história pelos criadores de mitos dos países ditos de centro, e que confirma, até certo ponto, a teoria conspiratória dos países tecnologicamente mais avançados que manipulam a história para assim ganhar uma projeção ainda maior no imaginário global. Mas não percamos tempo discutindo o óbvio. O fato de ter ele que coexistir com um mito semelhante de uma nação de centro não diminui em nada o seu valor. Pelo contrário, pois isto torna-o quase que uma figura de resistência contra a “tirania” cujos feitos insistem em perpetuar a pergunta que não quer calar. Ou talvez ainda pela forma como distribuía entre os pobres as grandes somas de dinheiro que ganhava com suas máquinas em competições aeronáuticas? Não creio. Pelo menos não em nossos tempos. Seria talvez então por ter ele contribuído em praticamente todas as principais fases do período pioneiro da aviação, quando construiu desde balões dirigíveis em formas de charutos e que foram, na realidade, os precursores dos famosos Zepelins; passando pelos dirigíveis mais pesados que o ar, até finalmente chegar a sua obra prima, um monomotor que foi indiscutivelmente a primeira nave que podemos chamar de avião como o conhecemos hoje? Sim, talvez seja somente por isso. Santos-Dumont foi, e continua sendo, o grande herói da minha infância, assim como os irmãos Wright certamente foram os heróis de muitas crianças norte-americanas. Apenas que para mim, Santos-Dumont tenha talvez um significado ainda muito maior independentemente das contribuições dos mundialmente famosos irmãos. E por quê? Simplesmente por ser ele quase que um mito exclusivamente meu, uma vez que vivo numa terra (Filadélfia) onde a grande maioria das pessoas nunca nem ouviu falar no seu nome. Gozo assim do privilégio de ter um herói e um mito pessoal e diferenciado dos demais. Coisa rara na nossa era de mitos enlatados e massificados. Sou assim mais livre que os demais, menos preso aos santos canonizados e aos dogmas sociais. Sou livre para adorar o meu mito de acordo com os ditames da minha consciência, os quais certamente me asseguram que Santos Dumont foi o verdadeiro “Pai da Aviação”. Os mitos podem e devem coexistir, afinal, são eles os principais promotores de ideais entre os jovens; capazes de levá-los a praticar tanto o bem como o mal. Rogo para que os mitos enobrecedores continuem sendo preservados e que possam continuar a coexistir. Espero que outros “Pais da Aviação” despontem em muitos outros países do mundo onde outras crianças possam emular nos seus bons exemplos, assim como os irmãos Wright certamente emularam o grande Santos-Dumont chegando indubitavelmente a ultrapassá-lo no imaginário mundial. Precisamos sim, reinventar os nossos mitos e criar muitos outros ainda. Estamos carentes disso. Estamos muito carentes de vácuos que preencham esses espaços fundamentais no imaginário dessa geração que nos sucede. Comentarios (4)
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escrito por Rosana, 2008-10-13 20:21:24
Muito bem escrito! Seu discurso é envolvente. Parabéns! E fecho com você que estamos precisando urgentemente de um "heroí" ou pelo menos um mito de heroí que possa trazer a nossa juventude para um mundo mais consciente e pleno de valores morais e éticos, quem sabe tirá-los destas culturas enlatadas e massacrantes, onde infelizmente a lei de gerson ainda prevalece. Sucesso!
Nao entendi poha nenhuma
escrito por huahuashsauhsahs, 2009-02-13 00:31:50 UHASUHSAUHASUHSU asda parada horrivel so pra qem ta fazendo parada de hiSTo|ria chico pedro SALVADOR Escreva seu Comentario
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O mito é o vácuo que preenche espaços importantes. Com tal assertiva atrelamos os mitos e heróis a um valor agregado de conjeturas. Exatamente para o que serve um mito se não para influir no imaginário de um povo e levá-lo a crer-se capaz de conceber o inimaginável? Para absolutamente mais nada, diria, mas sem, com isso, querer subentender que isso significasse pouco.

UHASUHSAUHASUHSU
abraxx
Colegio julia wanderley
data
20/03/08