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Escrito por Roberto M. Moura   
Monday, 24 October 2005
Varig – uma viagem cara

Relutei dois meses para publicar as linhas que seguem – que se enquadrariam mais numa coluna de atendimento ao consumidor. Por acreditar que, de algum modo, representam um serviço ao leitor, aí vão elas.

Viajei a Buenos Aires, para um Congresso de Musicologia, no dia 23 de agosto, terça, à noite, vôo 8614. No check in, ao embarcar uns livros de minha autoria, a atendente da Varig me perguntou se não queria também embarcar a mala, do formato permitido à bordo. Já que teria que esperar os livros, esperaria também a mala. Topei. A atendente fez o lacre nos três zíperes da mala e me perguntou se havia algum equipamento eletrônico. Mencionei o celular LG Champ e a máquina digital Sony Cyber Shoot 3.2 megapixels. Ela me perguntou se o telefone estava desligado. Respondi que sim e vi minha mala sumir pela esteira rumo à aeronave. Cheguei à Argentina depois da meia-noite, chovendo, frio de menos de 5 graus - peguei os livros e a mala e fui atrás do traslado que me deixaria no hotel. Detalhe: nem na ida, nem na volta (vôo 8613, no dia 26), passei por qualquer fiscalização para deixar a sala de desembarque e tenho os comprovantes disso. Ou seja: se em vez da minha, tivesse pego outra(s) mala(a), se em vez dos livros, escolhesse algum outro objeto/equipamento, teria saído de lá com a mesma tranquilidade. 

Quando cheguei ao hotel, percebi que faltava o lacre da abertura principal da mala. Abri-a para perceber imediatamente o tamanho da minha ingenuidade. Primeiro, ao aceitar embarcar a mala que é sempre bagagem de mão. Segundo, por mencionar o que a mala continha. Coincidência? Pode ter sido. Mas é um episódio lamentável e que não pode ter como resposta, como aconteceu no momento da queixa no aeroporto de Ezeiza, ao supervisor Hugo, que "no verso da passagem consta que a Varig não se responsabiliza por equipamentos tais e tais deixados na bagagem".

Ora, comprei meu pacote na Travelling, agência de turismo que representa a Varig.  A agência me enviou apenas o bilhete eletrônico, uma página impressa sem qualquer menção a essa restrição. Ademais, já que a atendente perguntou e foi alertada sobre o conteúdo, não caberia a ela informar-me sobre o regulamento e me orientar para tirar da mala os tais objetos (eu estava de casaco, poderia perfeitamente carregar o celular e a máquina no bolso)?

O fato é que fui roubado - e não posso aceitar que as letras miúdas de um contrato no verso de um documento que não recebi justifiquem esse prejuízo. Fico com a sensação de que a Varig tomou meus bens, guardou-os com plena informação e consciência, mas não devolveu. Tentei contato com a empresa. Por telefone e por e-mail. Depois de quase dois meses, a resposta: “nada feito, problema seu”.
 
De Gil, “América” e Alemanha

Triste ver Gilberto Gil tão cooptado na tela da Globo, defendendo e elogiando a tevê brasileira. E a Ancinav, ministro? Talvez valesse a pena lembrar à equipe do MinC que, na Alemanha, que é menor que a Bahia, os dezesseis estados são obrigados a terem programações próprias para não interferirem regional e culturalmente no conjunto da república. Aqui, vamos de “América” do Oiapoque ao Chuí e, como informou a lamentável Patrícia Kogut, a novela é líder de audiência em todas as faixas etárias, dos 4 anos ao infinito, e em todas as classes sociais, das palafitas ao Paulo Maluf. Mas, a quem interessa isso, né mesmo?

Terra seca

Há artistas de obra popularesca, que seduzem platéias menos exigentes. Do mesmo modo, há platéia que sabe o que quer ouvir, mesmo quando se vê no palco apenas cópias dos originais que se venera.

A digressão me ocorre depois de passar pelo Shopping Vilarejo, de Itaipava, na noite do penúltimo sábado. Minutos antes, tinha acabado um show do grupo Terra Molhada, cujo único objetivo é cultuar os Beatles, soar e parecer o mais próximo possível dos quatro cavaleiros de Liverpool.

Espalhados pelos diversos bares do shopping, os espectadores portavam todos os ícones de uma classe média razoavelmente resolvida em busca de uma nostalgia esquecida em algum lugar do passado. É caso típico de platéia melhor que palco – um público que pode pagar pela ilusão de uma viagem no tempo, enquanto o que se vê no palco é apenas o simulacro de um momento de encantamento.
 
Por e-mail:
 
“Dois pequenos detalhes: a Miúcha é carioca, o pai é que era paulista... E tenho quase certeza de que a Simone não é baiana, tem só o sotaque.” (Franklin da Flauta, músico, Rio de Janeiro, RJ)

* Meio a meio: dirigi três shows da Miúcha mas errei, ela é carioca; em compensação,  Simone é não apenas baiana mas soteropolitana.

“Outro dia, a coluna afirmou, sobre o lançamento do belo filme ‘Coisa mais linda’, que a Bossa Nova pode ter várias leituras. Tive uma participação passageira, mas histórica, nesse movimento até hoje importante no mundo inteiro, mas às vezes mal interpretado no Brasil. A minha atividade foi fora do eixo Ipanema-Nova Iorque, em Buenos Aires, em 1962, e ignorada sobretudo por que minha gravadora na época, a CBS, não se interessou em lançar o elepê ‘Amor en Bossa Nova’ no nosso país. Foi um lançamento legítimo, por que não gravei os clássicos da Bossa e sim músicas de minha autoria. Há agora um interesse de uma gravadora alemã em relançar o disco e é por esse motivo que só agora estou revelando o fato. Houve uma ou outra reportagem na Revista do Rádio na época, cheguei a vir da Argentina para cantar no programa do Chacrinha, ainda na TV Rio, mas foi muito pouco para a envergadura do projeto, que merecia um foco bem maior. Para minha surpresa (e isso não constou em nenhum livro até agora), trata-se da primeira gravação de bossa nova de um brasileiro no exterior, fato já referendado pelo Instituto Cultural Ricardo Cravo Albin. Sem nenhuma veleidade de me comparar com os monstros sagrados desse gênero, e apenas registrando o pioneirismo do meu disco, gravado em dezembro de 1962 e lançado em março de 1963, começo agora a divulgar o assunto em meu site  www.reginaldobessa.com.br e em meu blog  www.reginaldobessa.blogger.com.br  onde tudo é esmiuçado ao extremo. Há inclusive o relato em 2 capítulos do meu único e memorável encontro com João Gilberto, lá em Buenos Aires, quando ele me estimulou a ficar na Argentina e gravar eu mesmo minhas composições. A saga está lá e também no meu show ‘A bossa do Bessa’ , que vou apresentar no Vinícius Piano Bar nos dias 1 e 15 de novembro. Dê uma olhada no site e no blog. No link ‘Bossa Nova’ está na íntegra o ‘Samba Dissonante’ completo. Demora um minuto para carregar, mas é um exemplo bem definido do que foi o disco, inclusive com o esquema de voz e saxofone, que seria depois consagrado no famoso "Getz e Gilberto". É isso, meu irmão, o Bessa não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz bossa também.” (Reginaldo Bessa, compositor, Rio de Janeiro, RJ)
 

robertobienal3jk.jpgRoberto M. Moura, é carioca jornalista, crítico musical, produtor e diretor de espetáculos, roteirista e apresentador de programas culturais na Tv Educativa/RJ (atualmente, faz parte da equipe fixa do “Comentário Geral”). Email: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso   

“Cacaso foi meu amigo e colega na Faculdade de Filosofia.” (Flávio Moreira da Costa, esvcritor, Rio de Janeiro, RJ)
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