Fala, Brasil! - O Silêncio é de Ouro!
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O Silêncio é de Ouro! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Carlos Mattos   
Wednesday, 19 October 2005
Meu velho avô Germano, pai de minha mãe, era pernambucano como o nosso Presidente e também de Garanhuns, cidade chamada de “A SUÍÇA BRASILEIRA” não pelo seu grau de desenvolvimento já que está na média sofrível das demais cidades localizadas no agreste pernambucano e no nordeste brasileiro temos que reconhecer, mas sim pelo seu clima ameno, fresco e agradável para os parâmetros daquela boca de sertão com sua seca, perceptível por qualquer um que percorra suas estradas ou que tenha a oportunidade de ouvir seus repentistas e cantadores de cordel.

O Velho Germano, na sua sabedoria advinda do sofrimento e da perspicácia de quem sabe era membro de uma maioria deste país que, por incrível que pareça, é chamada de minoria, sofredor dos mais maldosos preconceitos já que, além de nordestino, tinha a pele cor de cuia e descendia de negros.
 
Era pobre e nordestino, mas não era burro e tinha duas máximas que o nortearam durante todos os seus quase noventa anos vividos antes de ir pagar seus pecados ou usufruir as delícias do paraíso, sei lá.
 
A primeira, e a que mais usava, era de que “em boca fechada não entrava mosca” e a segunda, que usava quando queriam obrigá-lo a emitir opinião sobre qualquer assunto que não dominava, era de que “o silêncio vale ouro”.
 
Apesar de terem nascido na mesma cidade, os dois nordestinos mais importantes deste meu Brasil (pelo menos para mim), o meu avô Germano e o Presidente Lula (exatamente nesta ordem), não foram seguidores da mesma tática de vida ou tiveram níveis de inteligência diferentes.
 
Eu, particularmente, acho o Presidente Lula muito mais inteligente que meu velho avô, pois o Velho nordestino Germano saiu da obra na qual era Mestre, profissão que exercera desde os 19 anos quando deixara de ser pedreiro, já tendo sido servente, e galgado por seus méritos a honrosa posição de Mestre de Obras, para o leito de um hospital e pouco tempo depois de safenado (uma das primeiras deste pais), morreu. Trabalhara desde os nove anos até os oitenta e nove anos quando morreu, portanto por oitenta longos e sofridos anos enquanto todos nós sabemos que nosso Presidente pouco labutou nesta vida, principalmente nos dois últimos anos em que não faz outra coisa senão viajar e dizer que nada sabe do que se passa em seu (nosso) governo. 
 
Assim: “oi nóis levando ferro”.
 
Lula mostra que não aprendeu nenhuma das duas coisas que meu velho avô, seu conterrâneo, cultuou a vida inteira.
 
Tem provado pelas barbaridades que tem dito todas as vezes que se aventura ao improviso que, em determinadas situações, o silêncio é mesmo de ouro.
 
Agora mesmo, neste episódio terrível que Mato Grosso do Sul e o Brasil estão passando, deveria ter ficado calado e não ficou. 
 
Lá vem o Presidente opinar sobre algo que não conhece. Não tem a mínima noção do que disse quando, em Salamanca, na Espanha, onde se encontra em mais uma de suas inúteis viagens pelo mundo afora, joga a culpa no pecuarista pelo surto de aftosa que estamos tendo o dissabor de sofrer na Fazenda Vezozzo, no Município de Eldorado e que fez com que trinta e dois paises embargassem a entrada em seus territórios de carne brasileira e seus derivados e que os demais estados da federação proibissem a entrada de gado, carne e derivados sul-mato-grossenses em seus territórios, proibição esta já revogada, provocando assim um prejuízo de mais de um bilhão de dólares para o Brasil e a perspectiva de redução da arrecadação de Mato Grosso do Sul em cerca de oito e meio por cento.
 
Lula tem que entender, como já entendeu e sabe o governador Zeca do PT, de Mato Grosso do Sul que o pecuarista, principalmente o de nosso Estado é o responsável direto pela posição brasileira de maior pais exportador mundial de carne bovina e pela posição de Mato Grosso do Sul como o mais importante Estado brasileiro criador de gado bovino e detentor do mais saudável e perfeito rebanho de todo o Brasil o que o faz o principal Estado exportador de carne de nosso país.
 
Estas posições não foram alcançadas somente vendo o tempo passar e olhando o gado no pasto. Esta posição é fruto do trabalho diuturno e suado do pecuarista brasileiro e mais precisamente de Mato Grosso do Sul e da aplicação de técnicas de produção e produtividade das mais modernas encontradas em todo o  mundo que redundaram no aprimoramento genético e na modernidade das técnicas de manejo de nossas fazendas, modernidade esta encontrada e aplicada na Fazenda Vezozzo e reconhecida pelo Governador em seu pronunciamento.
 
O problema que hoje vivemos, e enfrentaremos com galhardia e coragem já que nosso homem do campo com nada se abate e está habituado à luta e à vitória, não é resultado de negligência do pecuarista como afirmou o Presidente em seu infeliz e inoportuno pronunciamento, que veio demonstrar mais uma vez seu alheamento aos problemas da Nação. Alheamento não só dos problemas políticos, mas também administrativos e econômicos.
 
O problema que estamos enfrentando já tinha sido detectado com antecipação suficiente para ser corrigido e foi objeto de alerta feito há dois meses passados pelo Deputado Estadual Douradense Zé Teixeira que na ocasião alertara para a forma pela qual a sanidade animal estava sendo tratada em nosso Estado.
 
A verdade é que a culpa cabe aos governos federal e estadual e não ao produtor pecuarista como diz o omisso presidente que não nos governa.
 
Ao governo estadual, por deixar de repassar verbas para o FEFA-MS Fundo Emergencial da Febre Aftosa, denuncia feita pelo senhor Laucídio Coelho Neto, durante toda administração do então Secretário de Produção e Turismo José Antonio Felício provocando uma descapitalização deste fundo que, por falta de dinheiro, deixou de realizar trabalhos na região fronteiriça com o Paraguai. O então secretário, atual Superintendente Federal de Agricultura de nosso Estado, fez do IAGRO e da Secretaria órgãos arrecadadores esquecendo-se de suas funções primordiais que é de cuidar do setor produtivo de nosso Estado.
 
Ao governo federal por ter relaxado no controle sanitário principalmente nas áreas fronteiriças, áreas estas em que nosso Estado as tem extensas e de difícil fiscalização, com a Bolívia e o Paraguai.
 
Para se ter uma idéia, de acordo com informações do Siafi – Sistema Integrado de Administração Financeira, órgão que monitora os gastos governamentais, no período 2000/2002 o governo federal gastou cerca de 39 milhões e 400 mil reais por ano somente na fiscalização e no trânsito internacional e interestaduais de animais e vegetais. Em contrapartida no governo daquele que quer jogar sua culpa nos pecuaristas, o Lula-lá, a média caiu para 21 milhões e 100 mil reais (cerca de um terço somente) e neste ano, até o último dia 10, portanto 9 meses e dez dias estes gastos não passaram de 2 milhões e 200 mil reais. São números do próprio governo que Lula, para se justificar, provavelmente vai dizer que não tem conhecimento como diz todas as vezes que surgem problemas. É mais fácil jogar a culpa nos outros e Lula tem, feito criança, querido nos fazer crer que ele de nada sabe.
 
E não venha o Ministro da Agricultura eximir-se de sua responsabilidade. Ele, com a falta de recursos, já que sofreu cortes da ordem de quarenta e três por cento no orçamento do Ministério, preferiu cortar na área da defesa agropecuária setenta e nove por cento das aplicações e deu no que deu.
 
Os recursos, advindos de um crédito extraordinário para o combate da aftosa, foram aplicados em viagens e na compra de veículos. (82 Volks e 32 Nissan’s).
 
O que se tenta agora, por parte principalmente do governo federal, principalmente de Lula, é jogar nas costas dos pecuaristas a culpa pelo foco de aftosa que se localizou em Eldorado e por outros que porventura possam ser detectados em nosso Estado. A verdade é que a falta e o desvio dos recursos que deveriam ter sido destinados para a prevenção da aftosa fizeram com que as ações preventivas que se desenvolviam principalmente nas áreas fronteiriças deixaram de ser realizadas e assim a aftosa encontrou caminho para penetrar em nosso estado e, infelizmente, atingir justamente uma propriedade em que a sanidade animal era tratada com a responsabilidade com que deve ser tratada.
 
Saiba quem quer que seja que tenha em mente transferir aos produtores desta terra a responsabilidade por seus atos ou omissões que provocaram o problema atual ou outros que fatalmente virão, já que o objetivo deste governo pode ser tudo menos promover o desenvolvimento e o progresso da Nação, com dignidade e probidade que não aceitaremos sermos, os pecuaristas, os bodes expiatórios da incompetência de nossos governantes e responsáveis diretos pela prevenção da sanidade animal no Brasil e em nosso Estado.
 
Os acontecimentos que temos visto e tomado conhecimento nos têm enojado como cidadãos e revoltado como eleitores e a resposta da classe produtora brasileira se fará sentir pelo trabalho redobrado de agora em diante, cobrando trabalho efetivo e responsável de nossas autoridades sejam elas de que níveis forem, e de colaborar para recolocar esta Nação nos eixos e, pelo resultado das eleições vindouras, ocasião e campo ideal para mostrarmos que a irresponsabilidade será paga com o voto contrário nas urnas, campo de batalha onde o título de eleitor é a arma que provoca a morte política daquele que nos frustra enquanto cidadãos e bons brasileiros.
 
Avante homem do campo.
 
Vamos mostrar à Nação quem é o mastro que há de sustentar a bandeira brasileira sempre altiva, orgulhosa, linda e altaneira a tremular nos céus do Brasil.
 
Vamos continuar a ser bons brasileiros. E, para sermos bons brasileiros temos que ser patriotas.
 
Viva a Nação Brasileira.

Luiz Carlos Mattos é jornalista (Delegado do SINJORGRAN à FENAJ) e advogado. E-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

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