Embrapa vai apresentar bezerrinhas clonadas para estudantes. “Porã” e “Potira”, clones de uma raça bovina ameaçada de extinção, estarão presentes na abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no DF.
Inseticidas biológicos para controle de mosquitos transmissores de dengue e malária também estarão à mostra. Brasília, 29 de setembro de 2005 – As bezerrinhas clonadas “Porã” e “Potira” serão os destaques da exposição da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, dia 3 de outubro, às 9h00, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília – UnB.
Elas são clones de uma mesma fêmea bovina da raça Junqueira, que hoje se encontra em estado crítico de extinção, com menos de cem animais em todo o País.
O nascimento dos clones, cujos nomes significam respectivamente bonita e flor em tupi-guarani, representa uma esperança de salvação para essa raça no Brasil.
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é promovida pelo MCT e compreende uma série de atividades voltadas à divulgação da ciência e tecnologia para estudantes em todo o país.
Em 2004, primeiro ano de sua realização, o evento contou com a participação de mais de 500 instituições de ensino e pesquisa, com cerca de 2 mil atividades em 252 municípios. Em 2005 a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que se estende até o dia 9 de outubro, atingirá número bem maior de municípios e envolverá mais universidades, escolas e instituições científicas e tecnológicas.
A raça Junqueira faz parte do Projeto de Conservação e Uso de Recursos Genéticos Animais da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades da Embrapa, localizada em Brasília, DF.
A Unidade investe na conservação de raças de animais domésticos ameaçadas de extinção desde 1980, em parceria com outras instituições de pesquisa, universidades e criadores.
Essas raças, que envolvem as espécies: bovina, suína, caprina, ovina, asinina, bubalina e eqüina, encontram-se no Brasil desde a época da colonização e, por isso, podem ser consideradas verdadeiros tesouros genéticos para programas de melhoramento, pois possuem características de rusticidade, adaptabilidade e resistência a doenças e parasitas adquiridas ao longo dos séculos.
Muitas delas encontram-se em risco de extinção, pois foram sendo substituídas por outras consideradas mais produtivas, ainda que menos adaptadas.
A raça bovina Junqueira é uma das que mais preocupa os pesquisadores porque se encontra em alto risco de desaparecimento, como afirma o pesquisador Arthur Mariante, líder do Projeto.
É uma raça desenvolvida no interior de São Paulo, por volta dos séculos XVIII e XIX, com aptidão para carne, e possui uma característica muito interessante: seus longos chifres foram muito usados no passado para a fabricação de berrantes.
Acredita-se que essa raça tenha sido utilizada na formação do bovino Crioulo Lageano, outra raça que apresenta chifres longos e que também faz parte do projeto de conservação da Embrapa.
O projeto de conservação coordenado pela Embrapa está organizado em núcleos de criação distribuídos por todo o país e também sob a forma de sêmen e embriões congelados, mantidos em um Banco Genético, que conta hoje com cerca de 52 mil doses de sêmen de diversas espécies, especialmente bovinos, e aproximadamente 200 embriões. Esse material fica conservado em botijões de nitrogênio líquido a uma temperatura de 196°C abaixo de zero, onde podem ficar para sempre, desde que haja nitrogênio. C
lonagem: passado e futuro unidos na pesquisa agropecuária brasileira Segundo Mariante, a clonagem é uma tecnologia importante para raças muito ameaçadas de extinção, como é o caso da Junqueira, pois pode resultar na formação de núcleos de conservação de fêmeas clonadas, sobre as quais pode-se utilizar sêmen de diversos touros, contribuindo assim para aumentar a variabilidade genética, o que é fundamental para a restauração da raça.
O nascimento de “Porã” e “Potira”, em maio deste ano, foi mais um passo decisivo da Embrapa para unir a moderna biotecnologia animal ao resgate de parte da história brasileira e uma chance de salvação para a raça Junqueira.
“Porã” nasceu no dia 10 de abril, pesando 25 kg depois de 292 dias de gestação, e “Potira” no dia 24 de abril, com 29 kg e 290 dias de gestação, e ambas foram clonadas a partir de um pedaço da orelha da vaca doadora, quando ela tinha nove anos de idade.
As duas nasceram de parto normal, saudáveis e representam mais um êxito para a equipe de reprodução animal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, coordenada pelo pesquisador Rodolfo Rumpf, que já foi responsável pelo nascimento do primeiro clone bovino da América Latina, “Vitória da Embrapa”, em 2001, e da bezerra “Lenda da Embrapa”, em 2003, que foi clonada a partir de células de uma vaca já morta.
Quem visitar o estande da Embrapa na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia vai conhecer também os inseticidas biológicos para controlar os mosquitos transmissores da dengue e da malária. Eles não fazem mal à saúde e ao meio ambiente, não poluem e não deixam resíduos.
Confiram! 
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