Brasil deve incentivar o consumo de café para aumentar a renda do produtor Ministro da Agricultura encerra II Conferência Mundial do Café enfatizando que o Brasil deve investir em campanhas institucionais para estimular o consumo do produto. Embrapa demonstrou tecnologias durante o evento.
O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, encerrou a II Conferência Mundial do Café, em Salvador, BA, no dia 25 de setembro, ressaltando que o Brasil deve investir em campanhas institucionais para estimular o consumo de café no país, como forma de aumentar a renda dos produtores.
Uma das campanhas que deve ser incentivada, segundo o Ministro é a denominada “Café e saúde”, que valoriza os efeitos positivos do café para o fígado, coração e diminuição de colesterol, dentre outros benefícios que têm sido estudados por médicos brasileiros.
A Conferência, que aconteceu no período de 23 a 25 de setembro, reuniu cerca de 800 participantes de mais de 70 países produtores de café, e contou com as presenças do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, na sessão de abertura, além do presidente da Organização Internacional do Café - OIC, Néstor Osório, do governador da Bahia, Paulo Soto, do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro e de outras autoridades.
A Embrapa esteve representada no evento, com duas de suas 40 unidades – a Embrapa Café e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, ambas localizadas em Brasília - que demonstraram tecnologias inovadoras para a cafeicultura brasileira, como o biorreator para clonagem de mudas e controle biológico do nematóide das galhas, dentre outras.
Brasil tem que investir mais em programas que incentivem o aumento do consumo de café “O Brasil deve propor ao mundo um programa agressivo de promoção de consumo”, enfatizou o Ministro. Segundo ele, o aumento do consumo mundial é um instrumento básico para garantir a sustentabilidade do agronegócio. “Vejo um futuro brilhante para o agronegócio brasileiro se pudermos, junto com a OIC, desenvolver um programa de consumo em que, primeiro, nós os países produtores, nos comprometamos com metas de crescimento para nossos próprios mercados domésticos”, afirmou.
Além da relação consumo/demanda, Rodrigues levantou ainda outros pontos de destaque na conclusão do evento. Um deles, que ele chamou de ambiente econômico, enfatizou três questões principais: o mercado do café não pode ser isolado da economia do país, não há mais espaço para cotas ou acordos que restrinjam a produção e devem ser criados mecanismos de mercado que ordenem o fluxo de safra.
Quanto à relação produção/oferta, o Ministro afirmou que deve ser mantida sem disparar a superprodução. “Os fundamentos para um arranjo mundial são bons: hoje a demanda é de 115 milhões de sacas enquanto a produção é de 110 milhões e os estoques mundiais estão baixando.
O estoque brasileiro em maio de 2006 será o menor das últimas décadas. É hora de organizar o mercado”. Nesse sentido, ele destacou a importância de criar instrumentos de mercado e de melhorar a organização dos produtores em cooperativas ou associações, além de gerenciar riscos e agregar valor ao produto.
Uma das maneiras mais eficientes de se agregar valor ao café é investir na exportação de produtos industrializados, tanto solúveis como torrados. Sustentabilidade: caminho para evitar novas crises na economia cafeeira Um dos temas ressaltados por Rodrigues foi a sustentabilidade da economia cafeeira, que deve estar calcada no tripé: social, econômico e ambiental. De acordo com ele, o grande desafio para a cafeicultura mundial hoje é desenvolver mecanismos que evitem novas crises, assegurando um mercado menos volátil e maior estabilidade de renda para todos os elos da cadeia produtiva.
Em outras palavras, na visão do Ministro, para garantir a sustentabilidade da cafeicultura mundial é preciso desenvolver ações conjuntas em todos os níveis da cadeia produtiva para diminuir a volatilidade dos preços, aumentar o acesso a mercados, agregar valor e ampliar a demanda.
Rodrigues lembrou que o agronegócio Cafés do Brasil vem empreendendo ações relevantes em todas essas áreas, como por exemplo, o desenvolvimento de pesquisas que levam ao desenvolvimento de instrumentos inovadores.
Mas é preciso investir mais em cooperação internacional e na criação de instrumentos de livre mercado que assegurem uma distribuição de renda mais eqüitativa entre os participantes do agronegócio café.
Outra conclusão apontada pelo Ministro foi a necessidade de aumentar a transparência do mercado, a partir principalmente do controle e monitoramento de estoques. Segundo ele, a OIC tem um papel fundamental nesse aspecto.
Rodrigues enfatizou ainda a importância de que o Brasil invista constantemente em qualidade e prazer, que são dois elementos críticos na agregação de valor ao café. De acordo em ele, o café é um produto que aproxima pobres e ricos, já que os países ricos não são nossos concorrentes na produção de café.
Por fim, o Ministro ressaltou a importância de continuar investindo em pesquisa e tecnologia na área de cafeicultura. Nesse sentido, ele destacou o trabalho da Embrapa na área federal e das outras empresas de pesquisa agropecuária que atuam nos âmbitos estadual e municipal.

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