Fala, Brasil! - Coisa de Brasileiro
  Página Inicial arrow Artigos arrow Coisa de Brasileiro Wednesday, 03 December 2008 
Fala, Brasil !
Página Inicial
Fórum
Artigos
Forum Fala, Brasil!
Colunistas
Notícias
Mapa do Site
Dê um toque
Add to Technorati Favorites
Login (gratuíto)





Esqueceu sua senha?
Ainda não tem uma conta de acesso? Registre-se
Itens Relacionados
Estatísticas
Brazil / Organic personal skin care wholesale
Coisa de Brasileiro PDF Imprimir E-mail
Escrito por Eliziário Goulart Rocha   
Friday, 23 September 2005
Minha geração se criou ouvindo expressões como “só no Brasil acontecem certas coisas” ou “só podia ser coisa de brasileiro”. Somos, de fato, uma mistura única, para o bem e para o mal. Na maioria das vezes, trata-se de puro mito, estimulado pela tendência nacional à baixa auto-estima e à autodepreciação.

Tom Jobim alertou para a inveja do brasileiro em relação ao compatriota de sucesso. Ainda hoje, parece vetado a brasileiros galgar postos de primeiro mundo ou atingir êxito global.

Na época as críticas à escolha de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central, na alvorada do governo Lula, não se referiam apenas ao fato dele ser um neoliberal – o que supostamente Lula não é -, mas também ao currículo de Meirelles, que estava “a serviço do capital internacional” – o mesmo havia sido dito de Armínio Fraga, presidente do BC no governo Fernando Henrique Cardoso. Armínio era homem de confiança de George Soros antes de assumir o cargo.

Esta é a forma ideologizada e ressentida de informar que Meirelles era o presidente mundial do BankBoston.

A centenária instituição financeira norte-americana não teria outra razão para escolher um brasileiro para o posto, contrariando por certo seus próprios princípios, a não ser a reconhecida competência. Sem falar nas críticas ao governo por dar o cargo a um banqueiro (SIC!). Quem sabe um biólogo fosse mais adequado ao Banco Central...

É preciso estabelecer a diferença entre o que é injustamente considerado “coisa de brasileiro” e o que é, de fato, coisa de brasileiro.

Corrupção política, por exemplo, existe no mundo inteiro, inclusive em culturas milenares com economia de primeiro mundo, como o Japão.

E, ao menos nos últimos quinze anos, desde o impeachment do presidente Fernando Collor, vários deputados e senadores tiveram o mandato cassado. A chamada “certeza da impunidade”, neste caso, não é assim tão certa.

A corrupção policial também não é exclusividade nossa, embora atinjamos índices que nos colocam em desonrosa posição de liderança.

A falta de autoridade das autoridades, com o perdão pela repetição, leva ao paroxismo o medo nas grandes cidades brasileiras.

No Rio, há muito não se sabe quem manda. Ou pior, sabe-se. Os traficantes legislam, fiscalizam e executam, literalmente.

A fome, a exclusão social, a falta de cidadania provocada por uma das distribuições de renda mais injustas do mundo são coisa de brasileiro, sim. O Vietname é um país pobre. O Brasil é um país rico cheio de pobres.

Mas é preciso olhar também o Brasil de primeiro mundo.

Não somos bons apenas no futebol. Tampouco devemos ser eternamente reverenciados somente pelas belas paisagens, pela ausência de catástrofes naturais como vulcões, furacões ou terremotos, ou pela diversidade cultural, ou pelas novelas da TV Globo, ou ainda pela exuberância física das mulheres e seu comportamento, digamos, liberal.

Estar entre os mais avançados do mundo em pesquisa genética também é coisa de brasileiro, assim como executar um programa modelo no controle e tratamento da Sida ou exibir impressionantes números de produção de alimentos e desenvolver tecnologia de ponta em várias áreas.

Longe de ignorar nossos imensos problemas sociais, precisamos entender que assumir a posição de “o Brasil é assim mesmo, sabe como é” em nada ajudará a mudá-lo. Ao contrário, só levará a uma acomodação fatal.

As mazelas são muitas, parecem mesmo insolúveis por gerações, mas, se deixarmos de lado o mito do brasileiro sem solução, começaremos a resolvê-las.

Parte da mídia, diga-se, tem se esforçado em mostrar os dois lados, em exibir também o Brasil que dá certo.

A outra parte, bem, a outra parte é coisa de brasileiro.

Eliziário Goulart Rocha, é Jornalista e Escritor. Gaúcho de Porto Alegre, radicado em São Paulo, nasceu em 1960. Em 2001, depois de 20 anos dedicados ao jornalismo, iniciou carreira literária com a publicação de "Silêncio no bordel de tia Chininha". E-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

 

sintra

Comentarios (0)Add Comment

Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

security code
Escreva os caracteres mostrados


busy
 
< Anterior   Próximo >
FeedBurner


Receba conteúdo grátis

Nosso Feed
Humor Brasileiro
  Kibe Loco
Folha de S. Paulo
powered by joomla open source designed by joomla-templates.com