| Cultura & Mídia |
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| Escrito por Roberto M. Moura | |
| Monday, 05 September 2005 | |
“Coisa mais linda” é bossa na tela “Coisa mais linda”, o novo filme de Paulo Thiago, é uma das dez ou vinte abordagens possíveis da bossa nova. Tem a autoridade do argumento conduzido a partir do depoimento de dois membros fundadores do movimento, Carlos Lyra e Roberto Menescal, mas essa contingência não deve ser confundida com um certificado de palavra final. O que se vê na tela é a verdade deles dois – mas há outras verdades, além dessa e das expostas pelos depoentes escolhidos pelo cineasta. Numa das reportagens sobre o lançamento, Menescal disse que a bossa nova é “o charme discreto da burguesia à brasileira”. É uma das melhores definições sobre ela – inclusive por que ajuda a entender a antipatia que lhe devota o não menos brasileiro José Ramos Tinhorão. Como conseqüência da visão idílica de Menescal e Lyra, o filme tem o mérito de levar a platéia de volta a uma Copacabana glamourizada, longe das mazelas sociais que hoje refletem a triste realidade do bairro. Um turista que por aqui passasse e visse, no mesmo dia, “Coisa mais linda” e “Edifício Master”, de Eduardo Coutinho, dificilmente acreditaria que os dois documentários se passam no mesmo lugar. Com a inevitável exceção de João Gilberto, o filme se circunscreve à patota que orbitava em volta da casa de Nara Leão e das escolas de violão dos dois compositores, cometendo o pecado de ignorar solenemente Elis Regina, que teve um programa na tevê chamado “O fino da bossa” (de que resultaram os elepês “2 na bossa”, dela com Jair Rodrigues), além de ser a maior cantora brasileira de todos os tempos. Baden Powell, nascido em Varre-Sai e criado no subúrbio de São Cristóvão, é outro só lembrado de passagem, muito aquém de sua decisiva contribuição ao movimento. Em compensação – e há muito tempo não concordo tanto com Artur Xexéo – o filme tem Kay Lyra demais, além de um injustificável Nelson Motta, que num dia dança com Tati Quebra-Barraco no Prêmio Multishow e no outro afirma que “João Gilberto é meu pastor e nada me faltará”. Como disse um outro pesquisador, Nelson virou um “jovem profissional”, isto é, um profissional da juventude, embora sexagenário. "Coisa mais linda" é a bossa nova na visão idílica de Carlos Lyra e Roberto Menescal
Nesta terça, João Máximo conversa com Nei Lopes e o Sururu na Roda. Na seqüência das outras terças de setembro, será a vez de Alessandra Mestrini e Alexandre Schumacher; Mariana Balter a Josimar Carneiro; e, finalmente, os cantores líricos Ruth Staerke e Sandro Christopher, visitando o repertório de Dick Farney, Maysa, Nora Ney, Dolores Duran, Ellen de Lima e Tito Madi. A Turma da Bossa é um grupo que começou de modo quase amador, no Bar do Tom. Suas apresentações foram conquistando admiradores e a garotada acabou chegando ao CD. São cinco, a turma: Gustavo Rocha (piano, teclado e voz), Júlio Carvana (violão e voz), Juli Mariano (voz), Oswaldo Lafayete (baixo) e Luiz Makarra (bateria). O lançamento é da CID e os destaques são as releituras de “A tonga da mironga do kabuletê” (Toquinho e Vinícius), “Falsa baiana” (Geraldo Pereira) e “Influência do jazz” (Carlos Lyra). “Bem brasileiro – com alguns sotaques” é um ótimo disco de um brasileiro veterano, há anos residindo no exterior. Falo de Gaudêncio Thiago de Mello e a lista de participações especiais informa mais que tudo do prestígio que ele desfruta no meio: Adriano Giffoni, Carlos Malta, Idriss Boudrioua, Márcio Bahia, Mauro Senise, Paulo Moura, Paulo Russo, Paulo Sérgio Santos, Zé Carlos Bigorna e outros. As 14 faixas são do próprio Gaudêncio e o selo é Ethos Brasil. Quem gosta de música instrumental com sofisticação e qualidade deve correr atrás. Um trecho, para aplaudir de pé: Se Santa Catarina é a matriz, o Rio é a singular aprendizagem, única, sem paralelo, e onde a árvore familiar multiplica afetos e deita raízes fundas. O que me leva a concluir que foi uma das minhas mais extraordinárias aventuras. Tecer e entretecer a própria vida, quando tudo é posto à prova: o coração, a serenidade, quando esta tem que prevalecer sobre a raiva. Assumir as fraquezas, afiar e polir a razão e errar, que também faz parte do jogo. Foi assim que exerci e exerço a profissão de viver. Pois que viver é profissão e assim a gente vai excluindo, de dentro de cada um de nós, todo aquele amadorismo boboca, que quem vai à luta sabe qual é. E neste instante flagro o anjo da guarda flamenguista, com motor de ultra-leve sob as asas. Parado no espaço, com um jeitão meio maroto, meio gozador, parece dizer: - É, meu protegido, aí embaixo a vida é profissão. “No disco ‘Bebadachama gravado ao vivo’, Paulinho da Viola também fala que foi Zé Kéti que em parte deu o apelido a ele.... transcrevo o texto que ele fala antes de cantar ‘As Moças do Meu Tempo’, décima faixa do disco 1, só pra dizer que não é tão lenda assim. Fala do Paulinho: ‘Há um outro compositor, um grande sambista, a quem eu devo também muita coisa porque, no começo eu gostava muito assim de acompanhar, tocar violão, mas eu não gostava muito de compor, e ele sempre dizia assim: ‘não, você tem que compor, você tem que fazer mais músicas, e me incentivava muito, e a ele também eu devo em parte o nome pelo qual eu fiquei conhecido, é o meu querido amigo Zé Keti’." (Iara Teixeira, pesquisadora, Curitiba, Paraná) “Excelente desabafo sobre a saída do Affonso e Wilson Martins de ‘O Globo’. Perfeita a analogia futebolística. ‘Prosa & Verso’ não será mais o mesmo. Uma pena.” (Marcos Alexandre, jornalista e professor da FACHA, Rio de Janeiro, RJ) “Também estranhei muito essa tal ‘contenção de despesas’ pra cima do Affonso Romano e do Wilson Martins... Suas dicas sobre os CDs me deixaram com água na boca." (Olney Figueiredo, Vitória, ES) “ “Tanta coisa a saber, tanto a guardar e tanto para voltar, sempre. Beijos.” (Maria Odila, Vitória, ES)
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“Coisa mais linda” é bossa na tela 

