"Na matéria publicada em 31 de agosto, na edição 1920, Veja dá um show de ignorância e hipocrisia pelas mãos magistrais de sua redação, prata da casa, "expert" em Tecnologia da Informação".
Muitas inverdades são postas a deriva, pois sabendo que a publicação iria ser lida por um público leigo toda calúnia foi permitida pelos editores em defesa do capital privado estrangeiro, monopolista e predatório.
Dito isto, vamos aos fatos.
No supracitado artigo o autor afirma que o projeto do Governo Federal, de oferecer computadores a baixo custo a pessoas de classes menos favorecidas, o "Computador para todos" é equivocado, pois se trata de uma imposição, já que tais equipamentos devem vir, obrigatoriamente com software Livre.
Questionarei pontos importantes desse paupérrimo trabalho jornalístico, com falhas graves de redação, inclusive. Inicialmente o jornalista dá uma rápida definição do tema, falando que o BNDES disponibilizará linhas de crédito para que a população mais pobre compre PC's, com Software Livre, que são programas que podem ser usados e redistribuídos livremente.
São programas públicos, liberados, em geral, pela General Public License (GPL). Você pode usar e redistribuir a vontade. Exemplo? O Navegador da Internet Firefox. Depois fala dos projetos de inclusão digital do Governo "Lulista", o Casa Brasil que provê centros de inclusão digital e social para pessoas carentes.
Após dissertar sobre os fatos, vem a "sabinada", aquela parte onde o menino obedece à professora e escreve a redação errada como só ela pode ensinar.
E todos nós sabemos do compromisso de Veja com seus fiéis assinantes e anunciantes: Sérgio Amadeu já se referiu ao negócio da Microsoft como "prática de traficante". Isso revela o viés ideológico de seu raciocínio. E um viés bastante torto. Pois não se deve confundir software "livre" com "gratuito". Veja, 1920, 31 de agosto.
Bom, Sergio Amadeu, trabalha com Software Livre a bastante tempo... É autor do Livro "Software Livre - A luta pela liberdade do conhecimento", idealizador do projeto de inclusão digital "Tele-Centros Paulistas" que atende há mais de 30.000 pessoas e usa software Livre em mais de 90% das máquinas. É, portanto, uma contradição burra e idiota querer dizer que ele "esqueceu" ou "não sabe" discernir Software Livre de Grátis...
Software Livre é todo aquele que pode ser usado e redistribuído, ele vem com o código e permite que o usuário, se programador, modifique o código e faça adequações de acordo com as suas necessidades, é o bolo e a receita.
Software Grátis, não... Ele tem muitas restrições, você não pode ler o código, não pode redistribuir e só fará uso pessoal. Ele não é grátis, é "emprestado".
Quando Amadeu se referiu ao negócio da Microsoft como "Prática de Traficante", ele quis dizer que a Microsoft dá o produto aos seus clientes e a alunos de Tele-Centros e Ong's para formar a mão de obra barata que amanhã comprará o seu aplicativo e garantirá a reserva de mercado... Assim no futuro, todos continuarão, bem doutrinados, a usar a Tecnologia Escravocrata do Tio Bill...
Dá-se a primeira dose, vicia-se e depois se vende ao dependente! E isso é inquestionável, basta ver a quantidade de pessoas pobres e organizações do terceiro setor que recebem o presente de Grego da empresa, o Windows, para fazer inclusão digital... Que tal inclusão alimentar com Big Mac? Pois é, o raciocínio é análogo.
Essa parte é especialmente tosca, pois, o jornalista pega dois trechos aparentemente sem nenhuma conexão e junta para dar o tom a sua tônica. Diz que o raciocínio do Amadeu é "torto" e depois emenda com algo completamente non-sense, dentro de um contexto errado. Isso é contra as regras da boa redação. Mais o texto é tão ruim, que até um leigo em informática pode verificar.
"O finlandês Linus Torvalds, criador do Linux, não é nenhum anarquista digital. É um homem de negócios [..]" Veja, 1920, 31 de agosto.
Linus Torvalds é um matemático, que aos 21 anos não tinha dinheiro para comprar o caríssimo UNIX, sistema operacional vigente na época para supercomputação... Ele então usou os padrões do UNIX e criou o Linux, para uso pessoal, pois era apaixonado por informática, sendo, portanto, um Hacker e programador.
Como não queria ganhar dinheiro com seu produto e sabia que não conseguiria levá-lo para frente, sem o apoio de outros, abriu o código do Sistema Operacional e muitas outras pessoas começaram a trabalhar e melhorar o Linux, assim como a usá-lo livremente.
Em pouco tempo o Linux se tornou um sistema robusto, usado até em estúdios como DreamWorks, do filme Shrek, muito mais que o queijo suíço do Windows, e conquistou a atração de empresas como a Dell, HP, IBM, Intel, Corel, NASA, entre outras milhares... O sistema se tornou atrativo porque era livre e todo mundo poderia usar sem pagar, economizando uma fortuna em licenças de Software, pagas a monopólios...Além de tudo era muito bom e não tinha vírus.
Surgiram várias empresas fabricando muitas versões diferente do Linux, a Red Hat, a Mandrake, SUSE que hoje é da Novell, Conectiva e ao mesmo tempo projetos de versões pessoais e coletivas, como o Slackware o Debian e o mais popular, atualmente, no Brasil, o Kurumin Linux...
É um "simplismo" absurdo afirmar que Torvalds é um homem de negócios, lógico que ele recebe incentivo financeiro portentoso das empresas que ganham dinheiro com Linux, como qualquer trabalhador em sua labuta. Mas daí a afirmar que ele é um "Bill Gates", é um absurdo. Se você me perguntar, direi com possibilidade de 90% de acerto que ele está numa cadeira em frente ao micro programando o Linux neste momento!
"[..] O governo federal e os compradores dos computadores que ele financiar também ficarão sujeitos a esses gastos. Os beneficiários do programa Computador para Todos, por exemplo, só terão direitos a um ano de suporte grátis [..]". O autor se refere aos gastos de suporte, pois como não se vende o produto aluga-se serviços técnicos de instalação, treinamento e configuração do Linux.
Software Livre não é grátis.
Mas houve deturpação crassa dos fatos. Usa-se software livre no "Computador para Todos" por motivos bem práticos: Limitar a sangria de capital brasileiro para o exterior (no governo FHC, a Microsoft tinha margem de lucro de 80%, por ser o único fornecedor de sistemas operacionais e pacotes Office (do período de 94 a 2002), aquecer o mercado, que estava estagnado com um monopólio terrível, e oferecer software de qualidade para os compradores).
Ademais, é preciso lembrar que a versão oferecida do Windows pela Microsoft aos projetos do governo, tem péssima qualidade, sendo ridicularizada por especialistas: Só abre três programas, não pode ser ligada em rede, e não se consegue ajustar a resolução da tela.
Em contraste o Linux do PC Popular, tem multitarefa real, ou seja, oferece a possibilidade de se usar mais de 100 programas de uma tacada só,e vem com 26 aplicativos para Office, Internet, edição de imagens e até Player de DVD.
Além disso, o "só um ano de suporte", demonstrou a ignorância do jornalista, que acredito ser "intencional": 99% dos fabricantes e revendedores não dão mais que um ano de suporte... E cobram caro, muitas vezes... Ele também desconsidera o principal: O Windows também tem custo alto com suporte, pois é extremamente vulnerável e instável exigindo constantes manutenções... Em médio prazo, o Windows é caríssimo.
[..] "Se o usuário que foi obrigado a usar software livre, não gostar, ele vai acabar comprando uma versão do Windows no camelô", diz Jorge Sukarie, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software “. Foi o que se observou na Ásia: a imposição do software livre só serviu para incentivar a pirataria”.
Mais deturpação, e essa pior. Vejam como a Veja é "factual": Ela entrevista Jorge Sukarie, Presidente da ABES, Associação Brasileira das empresas de Software, (notem, NÃO é Associação das Empresas Brasileiras de Software), que tem como principal representada, adivinhem só... A Microsoft! Isso é o que chamo de imprensa imparcial...
Veja chama o leitor de burro, na cara dura, sequer tem a decência de entrevistar um empresário partidário do Software Livre, como os da Conectiva ou IBM, ou você acha que Sukarie defende o direito do pobre consumidor? Quando ele fala em pirataria, está sendo hipócrita, pois o Windows Starter, versão para o "PC para todos", é tão ruim que o usuário comprará o computador e depois substituirá pelo Windows XP Professional pirata, este um pouco melhor.
No mais, a empresa sediada em Washington lucrará rios de dinheiro, como já está lucrando, vendendo o seu "Windows XP Favelation Edition", de modo que não se importará caso o usuário coloque um Windows Made In Camelô, no seu micro.
A Redmond, apelido pela qual é conhecida, sempre foi fã da pirataria mesmo, afinal de contas é a "malvada vilã" quem garante a reserva de mercado. O sujeito compra o pirata e já estará apto a disseminar confinamento, para amigos e na empresa onde trabalha. O que Jorge Sukarie fez foi atenuar o prejuízo de sua representada. Nada mais.
Finalizando, Veja calunia ainda mais Linus Torvalds, apresentando numa sugestiva legenda de sua foto COM UM PINGÜIM DE PELÚCIA GRANDE EM CIMA DO COLO: "CAPITALISTA, SIM - Linus Torvalds, criador do Linux: gigantes como a IBM investem em seu programa!". A pretensão é clara, quebrar a aura social que existe por trás do Linux, associando um sistema que não tem viés ideológico definido, pois faz quem quer e usa quem sabe, a mais um caça níqueis tão podre quanto os da Microsoft.
Parece que para Veja o mundo está "bi-polarizado" em capitalistas e comunistas radicais. Ela exclui pessoas legítimas e bem intencionadas de suas definições sociais.
Software Livre é a disseminação do conhecimento, não é só Linux. Existem mais de 100.000 deles e você só está lendo isso, porque o sistema do Fala, Brasil! é livre e os protocolos http também.
Limitar o Software Livre a Linux é muita falta de visão, mesmo. O usuário, ao adquirir um PC com Linux, pagará muito menos, basta ver que os preços são em média 20% mais baratos, e terá um sistema que respeita sua dignidade e não uma ¨lataria¨ feita para países sub-desenvolvidos, com o Windows Starter.
Uma dica: Quando for a uma loja compre pc’s com Linux, são reconhecidamente melhores, dinamizam o mercado e geram renda aqui e não lá, no pomar do mundo, a Califórnia. Não acredite em matérias podres como as da Veja.
Acredite no que seus olhos vêm. Não acredite em vendedores de PC, "empurradores" de mouse, converse com gente que usa Linux e Windows. Vendedores são parciais, pois foram treinados para vender micro-computadores com Windows, e vão sugerir aquilo de que têm conhecimento.
No mais, mesmo com uma matéria de nível tão baixo como esta da Veja, eu não me surpreendo, esperava coisa pior dela... Talvez, por também ter em seu panteão de deuses anunciantes, empresas como Dell, IBM e SUN, que usam Linux, ela se moderou e focou seus esguichos de tinta venérea marrom no Governo Natimorto do PT. Menos maléfico, pelo menos.
Bruno Maia de Andrade (Olinda, PE), é técnico em Eletrônica e Telecomunicações e trabalha com informática e design. Usuário de WIndows desde a versão 3.11, abandonou o sistema do Bill Gates em favor do Linux, segundo consta, devido a imensas falhas de segurança, má qualidade, vírus e preços extorsivos. Site: http://www.artedeagrado.cjb.net Email's:
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No décimo parágrafo encontramos a frase "Bom, Sergio Amadeu trabalha com Software Livre a bastante tempo..."
"a" neste caso é o verbo haver,então o certo é:
"Bom, Sergio Amadeu trabalha com Software Livre há bastante tempo..."
Me desculpem pelo erro primário.
Bruno Maia de Andrade