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Miécio Caffé, Um Caffé com o Miécio PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Adriano   
Saturday, 03 September 2005
Caricaturista e guardião da memória musical brasileira, morreu aos 82 anos. Ele foi aquele garotinho baianinho que roubava o carvão do ferro de passar roupa da mãe e corria a rabiscar os muros da cidade de Juazeiro, sua escola de arte. Miécio era autodidata. 

O caricaturista e colecionador de música popular brasileira Miécio Caffé morou por quase 50 anos num apartamento localizado na região central de São Paulo conhecida como Boca do Lixo e que reunia quase todas as noites um elenco estelar de artistas cantando celebrações de confraria e aprendizado.

Visitavam o apê da rua Vitória: João Gilberto, Maysa, Lúcio Alves, Aracy de Almeida, Ciro Monteiro, Isaura Garcia, Adoniran Barbosa, Sylvio Caldas, Emilinha Borba, Francisco Alves, Manezinho Araujo, Orlando Silva, entre outros. Miécio e a mulher Hedi registravam as conversas e as cantorias dessa gente em gravações caseiras e cotidianas.

As quase 700 horas de depoimentos formaram, junto com a coleção de dez mil bolachas encapadas sob o rótulo “Discoteca do Caffé”, o maior arquivo particular de MPB do país.

O patrimônio (construído ao longo de mais de cinco décadas com gravações raras dos anos 30 e 40) do risonho guardião da memória audiovisual brasileira sempre foi fonte constante para pesquisadores e historiadores, compositores e intérpretes, livros e enciclopédias, em busca de letras de música e créditos técnicos, documentos e fatos que o Brasil viu e ouviu no século 20.

Em março deste ano, Miécio Caffé faleceu em Praia Grande, no litoral de São Paulo, aos 82 anos. A entrevista abaixo foi feita em 1998, como parte da pesquisa para o documentário "Um Caffé com o Miécio" e até agora permaneceu inédita.

Ele falou de sua infância e formação, os mistérios da caricatura e a coleção de música, contou por que recusou o convite de Disney para trabalhar em Hollywood, além de aspectos curiosos vividos por alguém numa época que não existe mais: “Eu não gosto de repetir. Gosto de conhecer coisas novas, de inovar. Não gosto de ficar parado no tempo".

Se hoje há uma febre de relançamentos de clássicos, não se pode esquecer que a maioria das reedições de antigas gravações da música brasileira até meados dos anos 80 foi feita a partir do acervo de Miécio, que detinha discos (78 rpm e de outras polegadas) aos quais as próprias gravadoras tinham de recorrer.

Miécio desenhou inumeráveis caricaturas de compositores, cantores e cantoras (como o coro da série de cantores do rádio) e jogadores (Pelé, Milton Santos, Didi, Fiume, Garrincha). Noel Rosa, Orlando Silva, Benedito Lacerda, Luis Gonzaga, Moreira da Silva, Clementina de Jesus, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Roberto Carlos -toda MPB passou por seu pincel. Pintou ainda o famoso retrato de Villa-Lobos jogando sinuca.

Além de capas e encartes de discos, ilustrações e charges para jornais e revistas, Miécio desenhou cenários para a televisão em sua época pioneira, artigos de reembolso postal (jóias e vestidos), anúncios de forró (“Forró do Mané Vito”, “Todos ao Trianon”), paródias intertextuais (Chaplin encarando a Mona Lisa) e até criou rótulos de cachaça.

Benedito Lacerda e Pixinguinha

Miécio formulou uma espécie de autógrafo-logotipo para assinar suas caricaturas: o desenho de uma xícara de café adicionada com a letra “f” e com o acento agudo em cima (como aroma exalando).


Como surgiu seu interesse pelo desenho?

Miécio Caffé: O rio São Francisco fazia o favor de vir até o quintal de casa. Aos cinco anos, desenhei com carvão na parede do vizinho, não lembro o que, mas era algo inocente, rabiscos de criança. O vizinho não gostou e reclamou para o meu pai, que me deu uma surra. E o “guri tinhoso” lá voltou ao “local do crime” com seu carvão de desenhar. Foi a primeira caricatura de minha vida: o dono do muro sentado num penico. Descobri o que podia fazer com um carvãozinho.

Sua família estimulou seu talento no traço?

Miécio Caffé: Meu pai era comerciante e coronel do Nordeste, queria que o filho fosse engenheiro, médico ou advogado. Mas acabei indo para o Rio de Janeiro estudar desenho e pintura na Escola de Belas Artes. Na primeira aula, o exercício era retratar um vaso. Pintei o vaso como deveria ser, e não como era na realidade. O professor me “aconselhou” a sair da escola, pois ali eu nada tinha para aprender. Expulso por “talento criativo”, com o dinheiro da mesada que o pai enviava, caí na boemia carioca e frequentei seus bares e casinos até 1943.

Quais suas influências visuais?

Miécio Caffé:  J. Carlos, Luiz Sá, Calixto, as revistas “O Malho” e “Careta”, “Flash Gordon” e “Príncipe Valente”. A Gráfica Lanzara (em São Paulo) foi minha “escola de desenho”, onde aprendi os segredos do fotolito, das cores, do guache, do óleo. Eu retocava trabalhos visuais da revista “O Cruzeiro”, feita na gráfica. Por exemplo, era eu quem retocava as famosas “Garotas do Alceu”.

Parece que o serviço militar também contribuiu para o exercício do desenho?

Miécio Caffé:  Isso foi antes da vinda para São Paulo. Recebi um “convite” para servir o exército em 1943. Fui um soldado protegido, que desenhava instruções de guerra e histórias em quadrinhos para os soldados analfabetos. Tendo como comandante Brochard da Rocha, servi no 3o Batalhão de Engenharia no Rio Grande do Sul. Sem serviço e com comida de primeira, eu não ia para a parada, atendo-me somente ao desenho. Com o fim da guerra, saí do exército. Não sei se dei baixa ou se tive alta.

E depois?

Miécio Caffé: Também trabalhei na Viação Férrea do Rio Grande do Sul, funcionário público sem ter feito concurso, na seção de Gráfica. Era uma maravilha: viajar de graça por todas as linhas de trem, e desenhando. Distante de casa já há bastante tempo, voltei a Juazeiro, com minha mulher Hedi, que conheci no Sul. Fiquei na Bahia uma temporada sem fazer absolutamente nada, antes de vir para São Paulo. Morei numa pensão no bairro do Tucuruvi e só depois no apartamento da rua Vitória.

O que mudou em sua vida com a vinda para São Paulo?

Miécio Caffé:  O tal do Miécio Caffé nasceu justamente em 1947, quando vim para São Paulo e pude fazer meu nome. Logo passei no teste para entrar numa agência de publicidade: desenhar um bidé. Em 1948, comecei a desenhar na revista “Radar”, cujo editor era Ênio Silveira. A seguir, passei a fazer capas de livros para sua célebre editora Civilização Brasileira.

Você desenhou cartazes e painéis para cinema?

Miécio Caffé:  Praticamente todas fachadas de salas de cinema do circuito exibidor paulistano dos anos 60 e 70 mostravam largos painéis pintados por mim. A maioria dos lançamentos de filmes brasileiros (mas também estrangeiros, como fitas de John Ford e Bruce Lee) daquela época saía com meus cartazes nas portas dos cinemas e os anúncios que criava para jornais. Concebi painéis de 30 metros por 10 metros, como os do Teatro Paramount (o de 1961 era em estilo “pop art”). Minha galeria era o Cine Marabá (centro de São Paulo). Até os anos 80, trabalhei em várias companhias distribuidoras.

Era um período de produção intensa, não?

Miécio Caffé:  Durante longos períodos, acumulei grandes quantidades de trabalho ao mesmo tempo. Invertia os turnos habituais: dormia de dia e trabalhava à noite. Mantinha a carga horária de rotina mas sem abandonar a abundante boemia. Meu roteiro de peregrinações etílicas rasgava a aurora da Boca. A boemia em São Paulo e no Rio apadrinhou minhas amizades com os artistas. A noite de uísque terminava às sete horas da manhã, com camarão a dorê e cerveja -para limpar a lagartixa.

Como você define sua arte da caricatura?

Miécio Caffé:  E eu sei? Quem sabe é o pincel... Nunca fui professor porque não sei como saía o desenho. Quem desenha é o pincel. A caricatura fala por mim, eu não preciso falar nada.

A caricatura não é uma arte de observação e crítica?

Miécio Caffé:  Não consigo fazer uma caricatura na frente do retratado. Vou desenhando devagar, utilizando fotografias e imaginando uma cena para ambientar o personagem. Nos anos 40 e 50 a caricatura era um meio de comunicação com repercussão. Não havia televisão, que permite saber o que acontece no mundo, a cada instante. Antes, lia-se mais, com o jornal e o rádio transmitindo notícias. Em 1958 fui para a “Gazeta Esportiva” desenhar na página de rádio, dirigida pelo Denis Brian, uma seção chamada “PR Caricatura”, como um prefixo de rádio. Quando eu andava de ônibus, costumava observar que só havia caricatura ali no coletivo. O que tem de desenho meu por aí não está no gibi.

Qual sua técnica preferida?

Miécio Caffé:  Gostava muito de desenhar com bico-de-pena, nanquim e aquarela. Mas aprecio mais o guache. Numa noite, saí para jantar e deixei um cartaz a guache na mesa sob a janela. Começou a chover e lembrei que deixara a peça à mercê da janela aberta. Quando voltei, encontrei o cartaz boiando na água. Seria impensável refazer o trabalho. Esperei para ver. O painel secou e a tinta voltou, com alguns efeitos. E algo novo se revelou para mim.

E suas charges alegóricas e caricaturas políticas feitas ao longo das décadas?

Miécio Caffé:  Desenhei (às vezes sem assinar e outras com pseudônimo) em tablóides como “O Riso”, “Marmita”, “Conselheiro”, “Governador”, “Seleções Humorísticas”, “A Careta”. Fiz caricaturas do Dutra (1949), Getúlio (1954), Juscelino (1960), Jânio (1978) e da Fafá de Belém com Teotônio nas campanhas das Diretas-Já (1984).

Para mim, a caricatura é uma coisa muito séria e a política não tem a menor seriedade. Seria como sujar o papel e a tinta com a imagem dessa gente. Por isso gosto desta caricatura aqui, venha ver. No cemitério, a sepultura com a inscrição: “Aqui Jazz a MPB Tradicional”. Tio Sam, com pá, é observado por Geisel, Figueiredo e Golbery atrás de lápides. E aqui no cantinho, ao lado de uma cova aberta, uma tumbinha para mim (com a assinatura da xícara do Caffé).

Você enfrentou problemas políticos por causa de caricatura?

Miécio Caffé:  Lembro que houve com minha caricatura da Inezita Barroso e seu sucesso (pré-caipira) “Isso é papel, João?”. O título do samba estava escrito numa folha de papel higiênico que se desenrolava mesa abaixo. Nos anos 80, meu cunhado levou a caricatura para o serviço e deixou sobre a mesa. Um investigador do Dops viu e me intimou a comparecer. Fui acusado de satirizar o então presidente João Figueiredo. Ao verem a data da caricatura, perderam a esperança de me prender.

A caricatura é uma expressão nacional da identidade de um povo?

Miécio Caffé:  Qualquer trabalho meu é o Brasil. Ao fazer uma caricatura, meu processo é o de extrair a alma do caricaturado. Tudo o que eu faço é Brasil. Foi por isso que recusei o convite de Walt Disney para ir à América.

Como foi formada a preciosa coleção de raridades em 78 rpm?

Miécio Caffé:  Eu costumava comprar discos de música clássica, jazz e fox-trote, Certa vez, vi jogado num canto da loja, no chão, uma pilha com discos de música brasileira. Perguntei ao vendedor se “aquilo” era para vender e acabei arrematando a pilha toda. Também comprava de amigos colecionadores recém-casados. Eles eram obrigados a largar coleções, pois as mulheres diziam: “Os discos ou eu”. Então eu comprava os discos e agradecia a elas.

E qual a utilidade pública da “discoteca do Caffé”?

Miécio Caffé:  Conto um exemplo que vale para muitos casos. Quando decidiu fazer uma coletânea de Francisco Alves, a gravadora teve de recorrer a mim, pois ela havia destruído suas matrizes. Fiz a seleção das músicas, preparei a matriz a partir das gravações originais que possuía, pesquisei com Hedi e escrevi o texto, desenhei e fiz a arte da capa e da contracapa.

Aliás, foi por conta de uma caricatura que fiz dele -em que o “rei da voz” está num trono e o violão está abraçando-o- que Chico Alves quis me conhecer pessoalmente. Cantoras e cantores vinham à minha casa para ouvir gravações e conferir música e letra do que pretendiam incluir em seu repertório. Pesquisadores e produtores buscavam dados e créditos. Veja aqui estas prateleiras repletas de fitas de rolo e cassete: é onde está toda a história da música popular brasileira.

Seu conterrâneo João Gilberto frequentou muito o apartamento da rua Vitória, não?

Miécio Caffé:   Sempre que eu atendia o telefone e ouvia o João me chamar de “Miécinho”, eu já sabia que vinha “encrenca”. Volta e meia ele vinha e ficava a noite inteira ouvindo antigas gravações de Orlando Silva. Tenho todas, e duas estão entre minhas preferidas: o samba “Olha a Bahiana” (1934, de Kid Pepe e G. A. Coelho, com a orquestra Columbia) e a marcha carnavalesca “Chopp da Brahma” (1935, de Ary Barroso e Bastos Tigre, um dos primeiros jingles do Brasil).

Uma noite, João Gilberto chegou em casa, cumprimentou-me e foi para a cozinha com a Hedi. Depois, minha mulher contou o que cochicharam: “O pessoal de Juazeiro está reclamando que você ainda não fez a caricatura do Joãozinho”.

Além das histórias que o apartamento abrigou, o próprio imóvel tem uma história curiosa...

Miécio Caffé:  Impressionado com o sucesso das “Balas Futebol”, cuja série de figurinhas foi criada por mim, o proprietário da fábrica A Americana encomendou-me uma “História do Relógio” (que seria outro sucesso). Produzi 280 aquarelas. Na hora de receber o pagamento, o industrial negou-se a pagar, afirmando que eu iria, com meus amigos artistas e boêmios, “torrar todo o dinheiro em uísque” -o que, convenhamos, seria bem possível.

O sujeito não quis devolver as aquarelas e, acreditando fazer um bem à saúde do artista, não me pagou. Um dia, encontro com esse industrial por acaso e ele, abrindo a mão, disse que ali estava o pagamento pelo meu serviço: as chaves do apartamento da rua Vitória. Isso foi em 1950.

Parece que outros clientes também não gostavam de lhe pagar em “espécie”, não?

Miécio Caffé:  Está vendo aquele violão? Del Vecchio fabricou-o especialmente para mim, como pagamento por uma capa de disco seu que eu fiz. Este Del Vecchio único virou um mito pela leveza e sonoridade. Muitos músicos tocaram nele (o último foi Antonio Rago, em 1996) e se apaixonaram.

Queria ler para você as dedicatórias que escreveram no instrumento. Primeiro foi o Lúcio Alves, em 1975: “Meu irmão Caffé: nada o que dizer diante do que eu sinto, mil agradecimentos por me ensinar a querer bem as pessoas”.

Em 1979, João Gilberto, tocou o violão, viu o autógrafo de Lúcio, ficou com ciúme e autografou assim: “Miécio / Lúcio já disse tudo/ ou um pouco/ nós lhe adoramos e agradecemos por tudo/ seu amigo João Gilberto”.

Em 1981, foi a vez de Joel de Almeida, que saiu com essa: “Miécio amigo / permita que lhe abrace e admire cada vez mais/ afinal de contas também sou filho de Deus!”.

Carlos Adriano, é cineasta e mestre em cinema pela USP. Rrealizou “Remanescências” (aquisição/coleção The New York Public Library), “A Voz e O Vazio: A Vez de Vassourinha” (melhor curta documentário Chicago Film Festival), “O Papa da Pulpi” e “Militância”. O Festival de Locarno exibiu em agosto de 2003 a mostra completa de seus filmes.

fonte: trópico

Miécio Caffé e sua Eterna Alegria   

Miécio chegou em São Paulo, em 1947, e logo se destacou. Foi Caricaturista  nas revistas Almanaque do Pensamento, O Exibidor, O governador, O Riso, O Gatilho, O Moscardo, Seleções Humorísticas, marmita e Radar. Nessa última foi onde passou a ter contato com todo o pessoal do rádio.

Era comum vê-lo no Parreirinha, barzinho que foi ponto de encontro dos cantores desde os anos 1950, com a turma da Aracy de Almeida, Orlando Silva e Emilinha Borba, entre outros.

No jornal Gazeta Esportiva realizou caricaturas de página inteira da época de Maria Esther Bueno, Garrincha, Pelé, Eder Jofre, Ademar Ferreira da Silva e outros heróis. Para o cinema nacional fez o cartaz do primeiro filme da Vera Cruz, angela, e outros de Ankito, Ronald Golias e Zé Vasconcelos.

Ainda produziu anúncios e cartazes para o Teatro de Comédia e lançamentos para o Teatro de Álumínio. Miécio e sua mulher - seu grande amor, Hedy - conservaram mais de dez mil discos ( 78 rotações ) que estariam perdidos, não fosse a habilidade em recolhê-los, inclusive das lixeiras, quando as gravadoras americanas compraram as nacionais e jogavam fora valiosas matrizes de gravações de Chico Alves, Ciro Monteiro e outros.

Não negava ajuda aos pesquisadores que o procuravam no simpático apartamento da Rua Vitória, no centro da cidade. apartamento que conseguiu com as ilustrações das famosas "Balas Futebol", que distribuia seus desenhos em figurinhas. 

Doou sua rara coleção de discos ao Museu da Imagem e do som de São Paulo, que não entendeu a generosidade e, em troca, o tratou de forma ingrata na gestão Marcos Santilli, para uma entidade que deveria valorizar gestos e artistas como Miécio.

Alguns meses antes da sua morte, já debilitado, não esquecia o descaso do Museu com seu trabalho, principalmente das dezenas de caricaturas, que não foram devolvidas após serem selecionadas para o livro Cantores do Rádio, que nunca foi editado.

Insensibilidade que entristece também amigos e toda a área cultural do País. Dono de um coração gentil e frágil, o garotinho que rabiscava com carvão as paredes de Juazeiro, morreun aos 82 anos. Está agora com a Hedy e sua velha turma do Parreirinha lá em cima, que fechou suas portas anos atrás e, com certeza, deve ter aberto sucursal lá no céu dos boêmios.


JAL

Comentarios (1)Add Comment
Miécio Caffé Siqueira
escrito por Getúlio Vargas da Silva, 2008-02-07 22:36:05
Caro Carlos Adriano: Emocionei-me ao ler o que escreveste sobre o Miécio. Sou irmão de Hedy, esposa dele. Sentimos muito a falta de Miécio; todos os anos, enquanto Hedy esteve neste planeta, o casal vinha ao Rio Grande do Sul nos visitar. Aliás, Hedy e Miécio era uma só pessoa. Para teres idéia, ele, quando Hedy faleceu, disse-me, emocionado, que ela havia quebrado o trato que fizera com ele, qual seja, de morrer depois dele. Mas consolava-se na esperança de que logo ela viesse buscá-lo. Depois que a Hedy nos deixou fisicamente, amiúde, por
telefone, eu conversava com Miécio, e ele sempre arrematava o nosso diálogo afirmando a esperança de Hedy vir buscá-lo. Posso te afirmar: Hedy era o maior tesouro dele. Te escrevo com muita emoção; não te conheço, mas posso te assegurar que Miécio tem grande apreço por ti, mesmo lá onde ele se encontra com a Hedy e seus demais entes queridos. Mécio e Hedy era o nosso grande presente de Natal. Eles sempre vinham abrilhantar nossa existência por ocasião das festas de fim de ano. Agradecido, rogo a Deus bençãos sobre ti e teus familiares.

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