A minha função, como um contribuinte, é sempre duvidar e caluniar os políticos. O problema é que, com tanta calúnia, eu fiquei sem opção para exercer meu papel cívico. A solução é fazer o contrário: elogiar.
No último domingo, a Rede Globo transmitiu uma reportagem pelo Fantástico com o ex-presidente Fernando Collor de Melo.
Desta vez, não foi uma entrevista para denunciar mais um esquema sórdido de corrupção do governo petista. Não, nada disso. Collor fez o que os políticos mais sabem fazer: falar deles mesmos, claro.
Ele falou o óbvio: caiu porque não fazia churrascada para o congresso. O povo brasileiro é assim mesmo. Corrupção a gente tolera, mas não jogar futebol é crime contra a constituição(sic).
Isto é tão verdade que o fato do Supremo tê-lo absolvido criminalmente não significou nada politicamente. Continuou com seus direitos cassados.
O maior rancor que o brasileiro tem do Collor está no bloqueio de ativos -- erroneamente chamado de confisco. A questão é que, em 89, o Brasil tinha um Estado monstro falido, uma iniciativa privada sucateada, uma inflação galopante, tesouro nacional com saldo 0(zero), moratória decretada e, evidentemente, sem a menor credibilidade internacional.
É indiscutível que os planos Collor I e II foram esquizofrênicos e arbitrários. Uma intervenção criminosa do ponto de vista liberal.
A pergunta que não quer calar, entretanto, é: O que deveria ter sido feito, então?
Collor é um injustiçado. Fez uma das melhores campanhas desenvolvimentistas da história tupiniquim, com demissão em massa de funcionários públicos e privatização de 22 estatais o que diminuiu substancialmente a dívida externa e aumentou a credibilidade; promoveu a abertura comercial o que forçou a iniciativa privada a se modernizar e desenvolveu planos econômicos para estimular a exportação.
As maiores injustiças, sem dúvida, são atribuírem-lhe a crise econômica gerada por Sarney e atribuírem ao FHC o relativo equilíbrio econômico da década de 90.
O cenário que Collor encontrou era ligeiramente diferente do cenário que Itamar encontrou em 93 e que FHC encontrou em 94. Eu gostaria de saber como Itamar e FHC implementariam o Real sem as peraltices econômicas de Collor.
Sadicamente, eu também gosto de imaginar o que teria feito o Lula em 89, já que ele mal consegue se manter em pé num ambiente economicamente tranqüilo.
O mais curioso nisso tudo é sua estratégia goebelliana -- mentir, mentir, mentir -- de controlar a crise. Não deu muito certo com Hitler. Com Lula talvez funcione pois ele tem uma vantagem: gosta de churrasco e futebol.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se na área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
|