| Cultura & Mídia |
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| Escrito por Roberto M. Moura | |
| Monday, 15 August 2005 | |
De David Crockett a Pelé
Os que passaram pelos debates da FLIP – a Feira Literária de Paraty, não economizaram elogios ao português Miguel Sousa Tavares, autor de “Não te deixarei morrer, David Crockett”. A edição brasileira é da Nova Fronteira e o livro é uma reunião de pequenos textos e grandes achados. O título vem de uma frase lida em criança num livro de quadradinhos (a nossa história em quadrinhos). O herói David Crockett está à morte, depois de um atentado – mas uma musa caridosa dispõe-se a curá-lo e profere a frase acompanha o escritor como uma espécie de bússola e preceito: primeiro, Miguel é o próprio David, disposto a peitar o mundo em defesa de suas crenças; depois, é o adulto que insiste em manter viva a criança que foi um dia – e para isso é preciso não esquecer das afinidades que o ligavam ao antigo herói e às antigas emoções.
“Esta iniciação é tarefa de homem, dever indeclinável de pai, que mulher alguma entende.” Curioso que, a par dos grandes craques que já vestiram a camisa do azul-e-branco português, Miguel leva o menino na direção do “ronco do Dragão e do perfume do Jardel – nome, aliás, que ele já conhece de cor”. Interessante a idolatria pelo atacante que jamais se firmou no Vasco e teve a sua melhor fase brasileira no Grêmio treinado pelo Felipão. Mas o que mais me agrada é a descrição do lanche, já chegando às Antas: “Jantaremos, numa barraquinha, uma sandes de ‘entremeada’ e uma cola para ele, uma sandes de ‘coirato’ e um copo de vinho verde, para mim. Um pacote de queijadas para o jogo, cachecóis e bandeiras e aí vamos nós, o coração descompassado ao ritmo do ruído surdo dos passos da multidão no cimento do estádio.” Há duas semanas, em São Paulo, contei a Sergio Cabral da minha emoção pessoal ao retirar o Pablo da aula, no Franco-Brasileiro, para levá-lo à Gávea, testemunhar ainda menino o dia em que Pelé vestiu a camisa do Flamengo. A leitura do Miguel, agora, me cria um compromisso: tenho que transformar em texto o que foi aquele dia, inclusive por que aquele Flamengo há muito tempo é apenas um retrato na parede. Tema recorrente na música brasileira, o Rio de Janeiro é tema de um disco inteirinho de Moacyr Luz dedicado à cidade. Lançado inicialmente como brinde, pela Petrobrás, o CD chega breve ao mercado. Chama-se "A Sedução Carioca do Poeta Brasileiro", trazendo doze poemas musicados de Drummond, Vinícius de Moraes, Mário de Andrade, Ferreira Gullar e Aldir Blanc, entre outros. Na retaguarda, a classe do grupo Água de Moringa, como já se comentou aqui. A novidade é que, por conta do CD, o nosso Kid Moa abre amanhã a série “Terças Musicais, às 19 horas, no Centro Cultural Franco-Brasileiro. Também estão no repertório outras músicas do autor tendo a inspiradora a Cidade Maravilhosa, como inspiração: "Saudades da Guanabara", parceria com Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro" e "Só dói quando eu Rio", versos de Aldir. Duas faixas, aliás, da mais recente Na segunda passada, enquanto se lia nesta “Cultura & Mídia” o seu desabafo raivoso e humorado por ter sido identificado aqui como “analista de sistemas”, Fernando Toledo agonizava em coma profundo na UTI do Hospital Santa Therezinha, na Tijuca, vítima de um atropelamento por ônibus na Rua Conde de Bonfim. Na terça, às 8 horas, ele morreu. Leitor voraz, com formação intelectual incomum na sua geração, Fernando Toledo era, mais que tudo, um apaixonado pela música em geral e pelo samba em particular – e comprovam isso os artigos que assinou no “Pasquim21”, no “Jornal do Brasil”, na “Revista da Música Brasileira” e no “Brazilian Press”, jornal destinado à comunidade brasileira que vive nos EUA. Nesses últimos anos, era raro, raríssimo, ir a uma reunião na Dona Maria, um show no Rival, uma roda no Renascença, ir, enfim, a qualquer um desses lugares onde se vive a carioquice de modo pleno, e não dar de cara com ele. Aos 38 anos, era um puro e um boêmio de verdade – mas a boemia não afetava o rigor de suas leituras (foi o primeiro a perceber que havia alguns erros na numeração das notas do meu “No princípio, era a roda”, já sanados para a 2ª edição). Nessa hora triste, em que a perda do amigo se mistura com a sensação de que o Rio e a inteligência perdem muito também, não resisto a lembrar de dois momentos em que seu talento arejou a coluna. Em 6/12/2004: Em 21/2/2005:
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De David Crockett a Pelé
Roberto M. Moura, é carioca jornalista, crítico musical, produtor e diretor de espetáculos, roteirista e apresentador de programas culturais na Tv Educativa/RJ (atualmente, faz parte da equipe fixa do “Comentário Geral”). Email: 
SER BRASILEIRA ENTRE SE É UMA VANTAGEM MUITO GRANDE POIS SÓ OS BRASILEIROS TEM GRANDES QUALIDADES CULTURAS E MUITOS MAIS
