A escorregadela do ex-presidente FHC em artigo assinado em "O Globo",
foi o grande assunto, ontem. O sociólogo FHC defendeu o "impeachment" de Lula e
confirmou ter sugerido ao atual presidente que, para escapar da crise,
anunciasse que não vai se candidatar a segundo mandato.
O PT não precisou de outros argumentos para passar da defesa ao ataque, que ainda hoje acontecerá nas CPIs dos Correios, do Mensalão e dos Bingos.
Levar Lula a abrir mão do direito líquido e certo da reeleição equivale a deixar cair a máscara, para Fernando Henrique. O que ele quer é ver aberta a avenida capaz de levá-lo outra vez ao Planalto.
E sustentar a cassação do mandato do sucessor seria mais um meio de justificar o fim. Fim, aliás, na verdadeira acepção da palavra, que seria o seu retorno ao poder depois de tudo o que aprontou no País.
Para o Partido dos Trabalhadores, abre-se a oportunidade de desencadear verdadeira blitz contra Fernando Henrique, incluindo na pauta das investigações uma série de denúncias de irregularidades praticadas durante o longo mandato do ex-presidente.
Um prato apimentado, envolvendo de privatizações eivadas de corrupção a compra de votos para aprovar a reeleição.
Seria bom FHC apertar os cintos, já que não fuma e está proibido fumar a bordo de qualquer avião.
Fera
O conselho vem do saudoso comandante Amaral Peixoto, eterno presidente do falecido PSD: não se deve deixar o adversário sem saída, senão ele vira fera.
Tanto o PT fez com o ex-ministro José Dirceu, procurando levá-lo à renúncia, que ele passou a lutar com presas e garras que todo mundo imaginava recolhidas.
Infringiu ao atual presidente do partido derrota fundamental, levando seus companheiros a rejeitar a proposta de que quem renunciar perde a legenda para as próximas eleições.
E sugeriu que o PT do Rio Grande do Sul também se valeu de Valério e Delúbio, quando da campanha para governador, em 2002. Quem era o candidato? Tarso Genro, aliás, derrotado por Germano Rigotto.
Dirceu assume a característica dos kamikazes. Pode explodir, mas leva com ele o já posto à deriva porta-aviões do PT.
Tudo se encaminha para a cassação do ex-chefe da Casa Civil (o que se confirmou hoje), se não renunciar até lá. Suas negativas de entregar o mandato de deputado equivalem às mesmas que fizeram os senadores José Roberto Arruda, Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho. Desde o início sabiam ser a renúncia a única saída para ficarem na política.
Paiol no Congresso
Hoje, Marcos Valério, na CPI do Mensalão. Amanhã, Zilmar Silveira, sócia de Duda Mendonça, na CPI dos Correios. Quinta-feira, os implicados nas tramóias de Waldomiro Diniz, se não for o próprio, na CPI dos Bingos.
É munição para ninguém botar defeito, porque chegamos àquela situação, na crise, em que todo mundo entrega o pescoço do colega do lado para salvar o seu.
Marcos Valério, se quiser, poderá esclarecer a fonte dos recursos utilizados para comprar votos de deputados através do mensalão. Porque não dá para aceitar que apenas os empréstimos bancários que ele avalizou para o PT tenham bastado.
Será preciso devassar os superfaturados contratos celebrados entre empresas públicas e agências de publicidade, hoje à beira da falência. Só ele poderia apontar o mapa da mina, desde que, claro, obtivesse vantagem.
Quanto à sócia de Duda Mendonça, encontra-se na incômoda situação de precisar livrar as empresas de uma culpa que não é dela. Mas não pode entregar o sócio. Defender Duda Mendonça é prioridade fundamental.
E sobre Waldomiro Diniz, a questão é mais linear. Depondo ou não esta semana, o tomador de propinas e ex-subchefe da Casa Civil já se encontra liminarmente condenado.
Como não tem mandato, seu depoimento só enriquecerá o inquérito policial a que responde e a ação judicial a que responderá.
Plano de governo
O PMDB realiza sessão solene para receber o programa de governo encomendado ao economista Carlos Lessa. O candidato que for escolhido terá de se comprometer a cumprir essa espécie de plano "B" da política econômica, a antítese da estratégia neoliberal de Antônio Palocci.
O PMDB se antecipa aos demais e apresentará diretrizes capazes, senão de restabelecer a esperança, ao menos de limitar a frustração da sociedade. Mas quem será o candidato do partido à sucessão de Lula?
Fosse alguém como o governador Roberto Requião, ou como o governador Germano Rigotto, e tudo fluiria de acordo com a corrente. Ambos se insurgem contra a atual política econômica e andam atrás de uma alternativa.
Já o ex-governador Anthony Garotinho, alguém duvida da impossibilidade de ser enquadrado? Seu populismo certamente o afastará de quaisquer diretrizes partidárias.
Existe uma terceira alternativa: o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, não pensa em outra coisa senão tornar-se presidente. É conhecido como o líder do governo no Supremo.
Líder de qualquer governo, aliás, de Fernando Henrique a Luiz Inácio Lula da Silva. Resultado: se por hipótese eleito, engavetaria o plano Lessa para continuar mantendo o modelo neoliberal...
tribunadaimprensa
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No Governo FHC, o Jornal do Brasil publicava:
[u]Pesquisa mostra que 70% estão insatisfeitos com FHC[/u]