Fala, Brasil! - A Espera e a Doação
  Página Inicial arrow Colunistas arrow Cristovam Buarque arrow A Espera e a Doação Saturday, 06 September 2008 
Fala, Brasil !
Página Inicial
Fórum
Artigos
Forum Fala, Brasil!
Colunistas
Notícias
Mapa do Site
Dê um toque
Add to Technorati Favorites
Login (gratuíto)





Esqueceu sua senha?
Ainda não tem uma conta de acesso? Registre-se
Itens Relacionados
Estatísticas
Brazil / Organic personal skin care wholesale
A Espera e a Doação PDF Imprimir E-mail
Escrito por Cristovam Buarque   
Friday, 05 August 2005
Graças à sua biografia e à história do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva teve a rara chance de ser o presidente capaz de pedir aos ricos que doassem e aos pobres que esperassem. Sua credibilidade entre a população pobre lhe dava o direito de pedir paciência nas mudanças. E a força com que chegou lhe permitia cobrar dos ricos que aceitassem as mudanças.

Mas a chance foi perdida. Aos pobres, a oferta foi de administrar melhor e de forma assistencial os programas antigos; aos ricos, de manter os privilégios intactos.

Foi uma chance perdida sobretudo pela história do Brasil. Dificilmente teremos um momento histórico mais favorável e um presidente mais habilitado para promover um encontro de diversas classes para construir a Nação.

Lamentavelmente, um fator impediu que isso acontecesse: Lula e o PT nunca explicitaram um projeto de Nação. Partido e líder se formaram a partir de uma visão corporativa que divide o país em pedaços, a serem atendidos separadamente.

Nunca perceberam que a Nação é um ente diferente de uma soma de suas partes, e que nos momentos de crise é preciso reorientar o destino nacional com um projeto transformador. Essa é a diferença entre a Bolsa-Escola e a Bolsa Família.

A primeira ajuda a reorientar o destino nacional pela educação, a outra ajuda no presente as famílias que a recebem.

No governo, Lula e o PT não perceberam que a doação de uns e a espera de outros trariam ganhos a todos. Transferir recursos dos que têm para investir nos serviços necessários aos que não têm teria como o resultado um Brasil melhor para todos. Essa é uma grande diferença entre o estadismo e o sindicalismo.

Pena que Lula e a equipe que ele manteve ao seu redor não conseguiram ver o Brasil na sua totalidade, nem perceberam seu papel de reorientar o destino nacional.

Não tinham um cenário de para onde queriam e poderiam levar o País; não quiseram ou não souberam pedir paciência aos pobres nem doação aos beneficiados pela política fiscal e orçamentária.

Ao contrário, pediram que o povo comemorasse a pequena esmola dos programas assistenciais, e comemoraram com os ricos as vantagens não perdidas, ao contrário do que se dizia durante as eleições.

Além de não perceberem a necessidade de um projeto para reorientar o futuro do País, o PT e o governo foram corrompidos pelas facilidades do marketing na manipulação da opinião pública. E acreditaram que, no governo, isso funcionaria durante quatro anos. E depois mais por mais quatro, até eleger o sucessor.

Não podia dar certo, e assim alertaram várias pessoas, diversas vezes, algumas do próprio governo, mas fora do núcleo central.

Os escândalos de corrupção são parte de um jogo de política superficial, retratam a arrogância do publicitário que passa a acreditar na veracidade da publicidade que faz.

O pior é que toda vez que surgiram problemas, causados pelo descompasso entre realidade e imagem, chamaram o marqueteiro para ajustar a imagem, em vez de mudarem a realidade de erros e omissões do governo.

Até que ficou tarde. O político Lula pode até continuar popular, ser reeleito e bem-sucedido até o final de um segundo mandato, perpetuando a omissão, evitando a mudança.

Mas acabou o líder que poderia mudar o Brasil, capaz de fazer o País obedecer sem usar nenhum autoritarismo, e de reorientar o nosso destino. Ele abandonou a espera e a doação.

Preferiu a encenação à transformação, ficar na esquina que herdou, em vez de nos conduzir no caminho da mudança, como todos esperavam.

Cristovam Buarque, 61, doutor em economia, é senador pelo PT-DF. Foi ministro da Educação (2003-04), governador do Distrito Federal pelo PT (1995-98) e reitor da Universidade de Brasília (1985-1989). Sua homepage - http://www.cristovam.com.br  e-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (0)Add Comment

Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

busy
 
< Anterior   Próximo >
FeedBurner


Receba conteúdo grátis

Nosso Feed
Humor Brasileiro
  Kibe Loco
Folha de S. Paulo
powered by joomla open source designed by joomla-templates.com