Mas não é invencível, embora garanta que é.
Não tendo mantido nunca a importância do torneiro-mecânico, já está na hora do senhor Luiz Inacio Lula da Silva assumir a imponência de presidente da República. Embora o cargo esteja muito desgastado, é bom lembrar o que dizia o ministro da Fazenda Rui Barbosa, quando era chamado pelo presidente-marechal Deodoro: "Vou falar com o Primeiro Magistrado do País".
Apesar dos presidentes e dos magistrados terem se desgastado bastante, estamos no exato momento da recuperação indispensável ou da deterioração irresponsável.
É preciso e com urgência restabelecer a hierarquia do Poder, começando pelo palavreado. E nem me refiro à cultura ou incultura do ocupante ocasional do Poder, pois isso não é primordial, fundamental ou principal.
Ressalvando-se que já passou em julgado que os intelectuais não são os melhores para ocuparem o Poder. Intelectual deve e é até aconselhável que seja conselheiro, mas jamais executivo.
Na História do mundo, os intelectuais sempre fracassaram quando chegaram ao Poder. E se alguns esqueceram do desastre em outros países, nós ainda vivemos o retrocesso de 80 anos em 8 do intelectual FHC. E não apenas retrocesso IMPLÍCITO, mas também a traição EXPLÍCITA.
Anteontem à noite, o presidente Lula, na "sua" Garanhuns, usando de termos vulgaríssimos, afirmou: "Ainda não digo que serei candidato à reeeleição em 2006. Mas se for candidato vencerei novamente. Vão ter que me engolir outra vez".
Lula esqueceu (ou nunca soube) que existe uma liturgia do Poder que não pode ser abandonada. (A Igreja Católica tentou esquecer Jesus Cristo, o maior personagem de toda a História em qualquer tempo, tentando transformá-lo num "milagreiro vulgar", mas salvou-se pela liturgia, realmente assombrosa e até fascinante). Mas Lula desprezou tudo, gosta do afago ou do elogio, nem percebe que isso é superficial e ocasional.
Quem disse isso, "vão ter que me engolir", foi Zagallo. Além de não ter pago royalties a ele, o presidente não pode usar a mesma linguagem de um técnico de futebol. Sem desapreço a Zagallo, um técnico é um técnico, um presidente é um presidente.
Quanto ao mérito da afirmação, "se for candidato V-E-N-C-E-R-E-I", tem mais o sentido de profecia do que de análise. São várias as restrições que podem ser feitas ao presidente Lula, mas relacionarei apenas algumas.
1 - O momento não é ou não seria o mais adequado, as dúvidas sobre Lula são as mais variadas.
2 - Lula não tem nem partido, o PT-PT desmoronou.
3 - Lógico, garantirá a legenda, não há outro ou outros para disputarem com ele no antigo partido.
4 - Isso não preocupa o presidente, que usando e abusando da modéstia afirma "que sempre ganhou sozinho".
5 - Se tivesse feito a afirmação no primeiro ano de governo, ou digamos, até o "reinado" econômico de Palocci-Meirelles ou político de Dirceu, todos concordavam. (Até FHC, que tenta ser seu adversário agora, mas não tinha qualquer dúvida em 2003).
6 - A partir dos TREMENDOS EQUÍVOCOS da economia e dos AMALDIÇOADOS problemas políticos, Lula não percebeu que perderá muito.
7 - Lula prefere acreditar nas pesquisas em vez de ouvir "a voz rouca das ruas".
8 - Mas contrariando o que finge ser uma convicção, abandonou o povo, não quer saber mais da "patuléia das ruas".
9 - Está muito longe para o gladiador (?) Luiz Inacio Lula da Silva entrar na arena e se apresentar como vencedor.
10 - Se nem sabe quem será seu companheiro de chapa ou até mesmo o adversário, como fingir de vencedor?
Lula nunca foi bom de urna. Em 1989, ganhou de Brizola por milimétricos votos, perdeu para Collor, sem partido. Em 1994, franco favorito, deu a vitória a FHC.
Em 1998 "disputou" apenas para manter a legenda, sabia que não ganhava do Real e até do irreal, a compra voraz de votos para a REEELEIÇÃO. Em 2002 venceu o povo pelo cansaço, foi para o Poder, dispersou tudo.
PS - O presidente Lula tem menos de 14 meses para vencer a OMISSÃO, o DESCASO, o DESPREZO pelo trabalho. Vejamos o que acontecerá, como enfrentará o horário E-L-E-I-T-O-R-A-L.
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Jutahy Magalhães
Mediocríssimo, queria culpar Lula numa questão de ordem, foi fulminado pelo presidente da CPI. O avô, Juracy, oportunista, mas fez uma das 3 maiores biografias. |
Quando o PT-PT chegou ao governo com José Dirceu acumulando a Casa Civil com o lugar de Primeiro-Ministro, o filósofo Olavo de Carvalho escreveu violentíssimo artigo em O Globo. Desnudou completamente José Dirceu. Disseram então: "Olavo de Carvalho é de extrema direita". E chamaram Dirceu de líder da esquerda, o que justificaria ou explicaria as críticas e as informações reveladas.
José Dirceu não deu uma só palavra, não refutou, aceitou o estripitise. Foi a primeira vez que vi o estripitise de uma pessoa feita por outra inteiramente diferente e até inimiga.
Agora tudo se confirma, José Dirceu se mostra o que dizem popularmente "homem de duas caras". O que nem chega a ser surpreendente para quem fez duas operações plásticas. A segunda para desfazer a primeira.
Agora, na Organização Globo, que José Dirceu disse que "controlava", o programa "Casseta e Planeta" apresentou a maior destruição que já foi feita contra alguém. Em matéria de deboche, Prêmio Nobel.
Depois de dizer no depoimento "não renuncio, se renunciasse não poderia olhar nos olhos de ninguém", Dirceu foi aconselhado a renunciar. Justificativa: "Você sai, não falam mais em você até 2006".
Dirceu recusou e respondeu: "Ninguém nessa Câmara tem coragem de me cassar. Não serei cassado e talvez ainda dispute o governo de São Paulo". Como analisar o comportamento de um homem depois disso?
Em todas as CPIs, muita gente se refere a deputados que receberam dinheiro como "chapa-branca". Mas ninguém fala em Carlos Lacerda, o autor da identificação, em 1951.
Quando o Marechal Dutra assumiu, logo fez acordo com a UDN. Nomeou ministro da Agricultura João Cleofas. E para presidente do Banco do Brasil e depois ministro da Educação, Clemente Mariani. Lacerda chamou os dois de "chapa-branca".
Que José Dirceu foi a Portugal tratar da questão da Telecom, sobre isso nenhuma dúvida, está mais do que provado e comprovado.
Mas conforme revelei há mais de 20 dias, para não perder "a viagem", Dirceu e Marcos Valério trataram também da venda da Varig à TAP. Como expliquei, eles queriam 200 milhões POR FORA.
A direção da TAP até aceitava pagar pela Varig os 600 milhões pedidos, era o chamado "negócio da China". Como também informei, a TAP não podia pagar esse "por fora". Mas Dirceu não ficou aborrecido. Amigos da Câmara disseram que a "venda" não passaria no Congresso.
Quando é que Eduardo Azeredo irá depor como C-O-N-V-O-C-A- D-O na CPI do mensalão ou do Financiamento das Campanhas?
Já confessou que "seu" coordenador de campanha recebeu dinheiro de Valério. Só que o ínclito presidente do PSDB não sabia. Ha! Ha! Ha!
E o senhor Daniel Dantas, quando irá depor? E os 141 milhões do relacionamento dele com Marcos Valério? Tem que ser ouvido.
Há mais ou menos 15 dias eu perguntava aqui: Duda Mendonça não vai aparecer em nada? E eu mesmo respondia: não é possível, Duda Mendonça é a pessoa de mais trânsito no PT-PT e PT-governo.
Agora apareceu "tomando" 15 milhões das contas de Marcos Valério. Como todo o dinheiro era uma espécie de condomínio político-eleitoral, era uma capitania hereditária com vários donatários, nada surpreendente.
A surpresa: que Duda Mendonça só tenha levado 15 milhões. Vai aparecer mais, é lógico. Quem ganhou tanto em matéria de comunicação eletrônica, 15 milhões era uma espécie de "dinheiro" para as despesas.
O sofisticado, pretensioso e c-u-l-p-a-d-í-s-s-i-m-o FHC diria, com a arrogância que Dirceu afirmou que nunca teve: "Argent-de-poche". Bem ao gosto de um sociólogo menor e de um DOADOR maior.
E Severino Cavalcanti, quando é que irá depor? Corregedor da Câmara, foi tão alertado por D-E-Z-E-N-A-S de deputados a respeito do mensalão que foi obrigado a fazer o que chamou de "investigação".
Conclusão óbvia e esperada, mas que está arquivada na própria Câmara: "Ninguém jamais ouviu falar em mensalão". E lançou a candidatura a presidente da Câmara. Agora tem que ser ouvido, indispensável.
Só que Severino tem que depor na CPI do mensalão. Quem melhor do que o homem que investigou as denúncias? E que se aproveitou delas, negando? Vai negar novamente, mas que seja diante de milhões.
Outro que tem que ser C-O-N-V-O-C-A-D-O (e não convidado): Eduardo Azeredo. Tem todos os títulos: presidente do PSDB, senador, foi governador e confessou que o chefe de sua campanha para a reeeleição (em 1998) "apanhou" dinheiro com Valério-Velório.
Só que se esconde (como todos) por trás da negativa. "Eu não sabia de nada, tenho que saber de tudo?" Tem que ir ao mensalão e responder: "Se o senhor não sabia de nada, por que acha que Lula sabia de tudo?".
O dólar fechou a 2,30 (chegou a ser negociado a 2,29), o mais baixo desde o início do PT-governo. A Bovespa caiu 0,8%, vindo abaixo de 27 mil pontos. Volume um pouco acima de 1 bilhão e 300 milhões, "perfumaria".
A opinião pública não suporta mais, isso é o óbvio, que Nelson Rodrigues batizou de "ululante". (Ele que era um gênio, mas sabia pouca coisa de quase tudo). São muitos os personagens, todos mentirosos.
Lógico, é muita CPI, uma se jogando contra a outra, e todos os "perguntadores" mais de olho na câmera do que nas afirmações-desinformadas.
O grande espetáculo foi o de Roberto Jefferson no seu depoimento de 58 minutos na Comissão de Ética. E depois em algumas perguntas e respostas.
Ele agora não tem mais o que dizer, ou melhor, tem. Mas como precisa depor em muitos lugares (o que faz com evidente satisfação), vai racionando (e não raciocinando) o que sabe e até o que inventa.
Aliás, em matéria de invenção, José Dirceu ganhou de Guttemberg (das máquinas de imprimir), Marconi (do rádio), Nobel (da dinamite e do prêmio para melhorar a imagem e a consciência), até de Santos Dumont. Nossa Senhora, onde Dirceu aprendeu tudo o que não sabe?
Hélio Fernande (84a), jornalista, editor e diretor do jornal carioca Tribuna da Imprensa.
TribunadaImprensa
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