Com o objetivo de renovar a imagem de destinos turísticos no Brasil por meio da valorização de aspectos culturais locais, o "Movimento Brasil de Turismo e Cultura", entrou em ação. Em Diamantina, os seresteiros e os espetáculos de canto gregoriano foram redescobertos e incluídos na programação turística. O projeto integra o plano do governo federal de dobrar o número de turistas no país até 2007. No ano passado, 4,1 milhões de pessoas visitaram o Brasil.
Os seresteiros de Diamantina, em Minas Gerais. Os contadores de histórias de Santa Tereza, no Rio Grande do Sul. As garrafas de areia colorida e os azulejos portugueses de Aracati, no Ceará.
O que essas atrações têm em comum? Foram redescobertas recentemente e passaram ser incluídas na programação turística das cidades.
Os três municípios integram o Movimento Brasil de Turismo e Cultura, que está renovando a imagem de alguns destinos do país.
"A intenção é resgatar a história e valorizar aspectos culturais locais", afirma Cássio Oliveira, do Instituto de Hospitalidade, um dos parceiros do programa. E, dessa forma, atrair mais turistas.
Agência Sebrae de Notícias
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| Santa Tereza, no RS: história dos imigrantes italianos vai pautar a progração turística | O projeto teve início em 2004. Até agora sete destinos foram trabalhados dentro do processo de resgate de identidade: além de Diamantina, Santa Tereza e Aracati, Bonito, no Mato Grosso, o centro histórico de Salvador, Penedo, em Alagoas, e a Cidade de Goiás, em Goiás, também receberam a ajuda de técnicos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Instituto de Hospitalidade para implantar o programa.
"A meta é atingir 24 destinos até o final de 2006", explica Oliveira. O projeto também tem o apoio dos ministérios do Turismo, Cultura e Meio Ambiente.
O movimento foi inspirado nos conceitos do estudo Cara Brasileira, do Sebrae. A pesquisa, coordenada pelo sociólogo italiano Domenico De Masi, foi feita em 2002 e identificou aspectos da cultura brasileira que deveriam ser incluídos na criação de produtos e serviços, principalmente artesanato.
O resultado reafirmou a vocação brasileira para a diversidade cultural, o Brasil tem muitas caras, e deu uma dica importante para o setor de turismo: a hospitalidade do povo do brasileiro pode ser um diferencial na hora de vender a imagem do país no exterior.
O Movimento Brasil de Turismo e Cultura juntou todas as informações do estudo, inclusive o ponto sobre a hospitalidade, e deu o primeiro o passo: o trabalho de resgate e fortalecimento das diversas manifestações culturais dos municípios, seja na forma de música, dança, culinária e artesanato.
O projeto piloto foi feito em Diamantina. "A cidade histórica é um destino bem consolidado no Brasil. Existem várias atrações turísticas, arquitetura barroca, é o pólo da Estrada Real mineira, está rodeada de parques", afirma Christiano Braga, coordenador da área de cultura do Sebrae Nacional.
No entanto, há outras cidades do "circuito cidades históricas", como Ouro Preto e Mariana, com os mesmos atrativos. Então, era preciso renovar. "Faltava envolver mais a comunidade, retomar práticas esquecidas e criar uma programação diferenciada", conta Oliveira.
A atividade dos seresteiros, que faziam serestas nas ruas nas noites de lua; os espetáculos de cantos gregorianos; o artesanato feito com coco, ouro e pedras preciosas; e a comida típica dos tropeiros - viajantes que levavam gado de um lugar para outro -, foram resgatados. Entraram para o roteiro turístico da cidade.
O primeiro resultado concreto foi conferido no ano passado, entre os dias 8 e 12 de outubro, quando foi feita uma festa com todas as atrações "redescobertas".
O evento entrou para o calendário da cidade e deve ser realizado este ano novamente. Embora ainda não existam dados de impacto econômico, o fluxo de turistas e as vendas de artesanato aumentaram depois da festa.
Segundo Oliveira, agora o trabalho foi entregue à comunidade. "Foi criada uma ONG, a Diamantina Sempre Viva, que cuidará da continuidade do programa", explica. Esse é um dos pontos importantes do movimento: ele é administrado pela própria comunidade.
No entanto, o contato continua. "Criamos uma rede inteligente, dividida por temas como música, hospitalidade, arquitetura, onde as pessoas trocam informações o tempo todo", explica Oliveira. Uma vez por ano também é realizado um encontro para a apresentação dos resultados.

Aracati, no Ceará, faz parte do Movimento Brasil de Turismo e Cultura de valorização da história. (Agência Sebrae de Notícias)
Mais turistas
O Movimento Brasil de Turismo e Cultura soma pontos a um programa maior do governo federal de transformar o Brasil em um dos 20 destinos turísticos mais atrativos do mundo: o Plano Aquarela.
Este ano, o Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur, definiu ações de marketing no Brasil e no exterior para desenvolver o turismo no país.
Também foi criada a Marca Brasil, seguindo na mesma direção de nações como México, Canadá, Itália, que têm marcas fortes.
O logotipo está em todo o material promocional do ministério e poderá também ser usado por empresas brasileiras.
Para definir a estratégia, o ministério realizou pesquisas com mais de 6 mil pessoas em 18 países. Os recursos para o projeto são da ordem de R$ 4 milhões.
Com o programa, a intenção é atrair mais turistas e atender a meta estipulada pelo ministério para 2007: 9 milhões de visitantes e cerca de US$ 8 bilhões em divisas para o país. O número é mais do que o dobro do registrado em 2004, quando cerca de 4,1 milhão de estrangeiros vieram ao Brasil.
Contadores de histórias e azulejos portugueses
Em Santa Tereza, cidade de cinco mil habitantes na Serra Gaúcha, é a história dos imigrantes que pautará a programação turística. Eles criaram o "álbum vivo", que será testado como atração para os turistas em outubro deste ano, durante uma festa da cidade.
A idéia do "álbum" partiu dos próprios moradores, em sua maioria imigrantes italianos. Eles vão dedicar um tempo para as visitas programadas de turistas. Usarão roupas de herança italiana, abrirão suas casas, mostrarão objetos e contarão suas histórias.
Apesar de ainda não ter sido apresentado aos turistas, um retorno do "álbum vivo" já foi percebido pelos técnicos do Sebrae: o resgate da auto-estima das pessoas.
No início do trabalho, alguns participantes tinham vergonha de falar por causa do sotaque italiano forte. Somente agora, segundo os técnicos envolvidos no programa, a comunidade reconheceu que se trata de um traço cultural valorizado pelo turismo.
Canoa quebrada
Para renovar a imagem do município cearense de Aracati, os técnicos do Sebrae e do Movimento Brasil de Turismo e Cultura tiveram trabalho extra.
O motivo: a cidade tem muitos traços para serem resgatados. Só para se ter uma idéia da riqueza do local: é lá que está a tradicional praia de Canoa Quebrada, que inspirou músicas e livros.
A cidade é recheada de azulejos portugueses e também foi lá que surgiram as charqueadas (oficinas de carne), que depois migraram para o Rio Grande do Sul, e as plantações de algodão.
Em Aracati, os trabalhos ainda estão no início. Mas uma coisa é certa: produtos e serviços associados à história e ao artesanato terão sucesso com os turistas.
Do ponto de vista da história, a cidade foi o centro econômico do estado. O Ceará exportava produtos via Aracati. Por esse motivo, o município abriga casarões dos séculos XVIII e XIX e igrejas tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional. A presença de azulejos portugueses é notória.
O projeto também já identificou tradições que estão se perdendo, como o carnaval com músicas de banda e a produção de bonecos gigantes, como os que existem em Olinda, em Pernambuco.
Outro destaque do artesanato são as garrafas de areia coloridas e o labirinto - uma técnica de bordado herdada dos portugueses.
anba
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