O corpo do brasileiro Jean Charles de Menezes será enterrado amanhã (29) às 15 horas em Gonzaga (MG), cidade onde vive a família dele, a 90 quilômetros de Governador Valadares.
O corpo chegou por volta das 7h30 a Governador Valadares e é transportado neste momento, em um carro do Corpo de Bombeiros, para Gonzaga. O velório será na igreja Matriz da cidade durante todo o dia de hoje.
O secretário nacional interino de Direitos Humanos, Mário Mamede Filho, representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e está acompanhando o transporte do corpo.
O avião que trouxe o corpo de Jean Charles deixou Londres às 18 horas de ontem e chegou ao aeroporto de Guarulhos (SP) hoje por volta de 06h30. De lá, seguiu em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para Governador Valadares. O traslado será pago pelo governo britânico.
agencia radiobras
A Execução de Menezes
Se Jean Charles de Menezes tivesse nascido no Médio Oriente a esta hora a polícia londrina já teria montado toda uma estória ficcional acerca da sua execução.
Diriam que era um jovem radical islâmico, adepto do bombismo, 'neutralizado' por heróicos agentes policiais.
Como era um brasileiro, foram forçados a reconhecer o erro — mas só parcialmente. Na verdade, a polícia britânica continua a mentir pois diz que foi um 'acidente'. É mentira.
Jean Charles Menezes já estava imobilizado, no chão, quando foi executado com cinco tiros e na presença de testemunhas. Tratou-se de uma execução extra-judicial.
Algumas constatações:
1) Quando se trata de gente pobre, como este emigrante brasileiro, os media corporativos dão sempre como boas as explicações das autoridades;
2) A polícia de Tony Blair agora segue os mesmos métodos dos Esquadrões da Morte brasileiros, do Shin-Beth israelense, dos verdugos de Pinochet e polícias quejandas;
3) A deterioração moral já atingiu os centros do capitalismo, aqueles mesmos que apregoam serem os arautos da civilização.
resistir
Brasileiro inocente morto em Londres
por Luciana Paquet
Mineiro da pequena cidade de Gonzaga, Jean Charles de Menezes tinha 27 anos, era solteiro e havia deixado o Brasil para tentar a sorte na Inglaterra.
Jean cursou até o segundo grau na sua cidade natal. Aos 18 anos, foi morar em São Paulo onde fez um curso de eletricista, e partiu para Londres, aos 24 anos, em busca de uma oportunidade de emprego.
Quando ficou sabendo que Londres tinha sido atingida por uma nova série de ataques, a reação de Jean foi dizer que ia comprar uma moto para evitar o ônibus e o metrô.
O empreiteiro de obras Gésio César D’avila, com quem Jean trabalhava, contou que eles tinham combinado de irem juntos a uma obra na manhã de sexta-feira. Jean ligou para Gésio para avisar que estava na estação de metrô e que chegaria atrasado. Foi nesta mesma manhã que Jean foi morto com tiros à queima-roupa por policiais à paisana da Scotland Yard.
Gésio conta ainda que, ao ouvir sobre a morte “de um suspeito” na estação de metrô, não ligou os fatos. Como Jean não havia aparecido para trabalhar naquele dia, Gésio tentou ligar várias vezes para o celular do amigo. Depois da última tentativa, por volta da 1h da madrugada, a polícia entrou em contato com ele e começou a interrogá-lo.
Foi o primo Alex Pereira que reconheceu o corpo de Jean. Segundo ele, Jean estava legalmente no país e seu visto expiraria daqui a 2 anos. Ele trabalhava como eletricista e falava inglês muito bem.
Outros três familiares também moravam com Jean em Londres. A Scotland Yard os colocou em um hotel, protegida por policiais. O Consulado está dando assistência e ajudando nos trâmites para o traslado do corpo.
Depois te terem acusado Jean de ter ligações com o terrorismo, as autoridades britânicas confirmaram no sábado, dia 23, que ele não tinha qualquer relação com os atentados dos últimos dias.
O Itamaraty divulgou, no sábado, a seguinte nota à imprensa:
“O Governo brasileiro ficou chocado e perplexo ao tomar conhecimento de que cidadão brasileiro foi morto ontem, dia 22 de julho, em Londres, por forças policiais, aparentemente vítima de lamentável erro.
O Brasil sempre condenou todas as formas de terrorismo e mostrou-se disposto a contribuir para a erradicação desse flagelo dentro das normas internacionais, inclusive as do respeito aos direitos humanos.
O Governo aguarda as explicações que as autoridades britânicas tenham a fornecer sobre as circunstâncias que teriam levado a essa tragédia.
O Ministro Celso Amorim, que está viajando para Londres hoje, para participar de reuniões sobre a reforma das Nações Unidas, determinou à Embaixada do Brasil que solicitasse entrevista com o Secretário do Exterior, Jack Straw, com vistas a obter esclarecimentos sobre a morte do cidadão brasileiro.
O Governo manifesta à família do cidadão brasileiro o profundo pesar pelo ocorrido.”
Uma comissão independente irá investigar e analisar o procedimento da polícia no episódio. Questiona-se o porquê da Operação Kratos, a nova forma de agir da polícia londrina em que a ordem é atirar para matar no caso de confrontos com suspeitos de serem terroristas.
oilondres
LONDRES, 29 JUL - Centenas de pessoas participaram da missa na catedral de Westminster (centro de Londres) celebrada em memória de Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto por erro da Polícia britânica.
A cerimônia foi rezada em português por Frederico Ribeiro em , capelão da comunidade brasileira em Londres, contou com a participação de familiares e amigos de Menezes.
No final da missa o cardeal Cormac Murphy-O'Connor, arcebispo de Westminster e primaz da igreja católica no Reino Unido, leu uma mensagem de condolências.
Bianca Jagger, embaixadora da boa vontade do Conselho da Europa e membro da campanha de apoio à família do brasileiro, leu um discurso em que o comparou a Jesus Cristo. Ela pediu que sua morte não seja em vão e que os responsáveis fossem punidos e que a política do "atirar para matar", aplicada atualmente pela Polícia antiterrorista britânica, seja revista. Duas fotos suas em branco e preto foram colocadas nas laterais da catedral, com flores e muitas velas acesas em sua memória.