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Brasileiro Assassinado Em Londres PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ivan Richard   
Thursday, 28 July 2005
Jean Charles morava há cinco anos na Inglaterra onde trabalhava como eletricista. Ele foi morto na última sexta-feira (23) com sete tiros na cabeça e um no ombro, em Londres, ao ser confundido com um terrorrista.

O corpo do brasileiro Jean Charles de Menezes será enterrado amanhã (29) às 15 horas em Gonzaga (MG), cidade onde vive a família dele, a 90 quilômetros de Governador Valadares.

O corpo chegou por volta das 7h30 a Governador Valadares e é transportado neste momento, em um carro do Corpo de Bombeiros, para Gonzaga. O velório será na igreja Matriz da cidade durante todo o dia de hoje.

O secretário nacional interino de Direitos Humanos, Mário Mamede Filho, representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e está acompanhando o transporte do corpo.

O avião que trouxe o corpo de Jean Charles deixou Londres às 18 horas de ontem e chegou ao aeroporto de Guarulhos (SP) hoje por volta de 06h30. De lá, seguiu em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para Governador Valadares. O traslado será pago pelo governo britânico.

agencia radiobras

 

A Execução de Menezes

Se Jean Charles de Menezes tivesse nascido no Médio Oriente a esta hora a polícia londrina já teria montado toda uma estória ficcional acerca da sua execução.

Diriam que era um jovem radical islâmico, adepto do bombismo, 'neutralizado' por heróicos agentes policiais.

Como era um brasileiro, foram forçados a reconhecer o erro — mas só parcialmente. Na verdade, a polícia britânica continua a mentir pois diz que foi um 'acidente'. É mentira.

Jean Charles Menezes já estava imobilizado, no chão, quando foi executado com cinco tiros e na presença de testemunhas. Tratou-se de uma execução extra-judicial.

Algumas constatações:

1) Quando se trata de gente pobre, como este emigrante brasileiro, os media corporativos dão sempre como boas as explicações das autoridades;

2) A polícia de Tony Blair agora segue os mesmos métodos dos Esquadrões da Morte brasileiros, do Shin-Beth israelense, dos verdugos de Pinochet e polícias quejandas;

3) A deterioração moral já atingiu os centros do capitalismo, aqueles mesmos que apregoam serem os arautos da civilização.

resistir

 

Brasileiro inocente morto em Londres

por Luciana Paquet

Mineiro da pequena cidade de Gonzaga, Jean Charles de Menezes tinha 27 anos, era solteiro e havia deixado o Brasil para tentar a sorte na Inglaterra.

Jean cursou até o segundo grau na sua cidade natal. Aos 18 anos, foi morar em São Paulo onde fez um curso de eletricista, e partiu para Londres, aos 24 anos, em busca de uma oportunidade de emprego.

Quando ficou sabendo que Londres tinha sido atingida por uma nova série de ataques, a reação de Jean foi dizer que ia comprar uma moto para evitar o ônibus e o metrô.

O empreiteiro de obras Gésio César D’avila, com quem Jean trabalhava, contou que eles tinham combinado de irem juntos a uma obra na manhã de sexta-feira. Jean ligou para Gésio para avisar que estava na estação de metrô e que chegaria atrasado. Foi nesta mesma manhã que Jean foi morto com tiros à queima-roupa por policiais à paisana da Scotland Yard.

Gésio conta ainda que, ao ouvir sobre a morte “de um suspeito” na estação de metrô, não ligou os fatos. Como Jean não havia aparecido para trabalhar naquele dia, Gésio tentou ligar várias vezes para o celular do amigo. Depois da última tentativa, por volta da 1h da madrugada, a polícia entrou em contato com ele e começou a interrogá-lo.

Foi o primo Alex Pereira que reconheceu o corpo de Jean. Segundo ele, Jean estava legalmente no país e seu visto expiraria daqui a 2 anos. Ele trabalhava como eletricista e falava inglês muito bem.

Outros três familiares também moravam com Jean em Londres. A Scotland Yard os colocou em um hotel, protegida por policiais. O Consulado está dando assistência e ajudando nos trâmites para o traslado do corpo.

Depois te terem acusado Jean de ter ligações com o terrorismo, as autoridades britânicas confirmaram no sábado, dia 23, que ele não tinha qualquer relação com os atentados dos últimos dias.

O Itamaraty divulgou, no sábado, a seguinte nota à imprensa:

“O Governo brasileiro ficou chocado e perplexo ao tomar conhecimento de que cidadão brasileiro foi morto ontem, dia 22 de julho, em Londres, por forças policiais, aparentemente vítima de lamentável erro.

O Brasil sempre condenou todas as formas de terrorismo e mostrou-se disposto a contribuir para a erradicação desse flagelo dentro das normas internacionais, inclusive as do respeito aos direitos humanos.

O Governo aguarda as explicações que as autoridades britânicas tenham a fornecer sobre as circunstâncias que teriam levado a essa tragédia.

O Ministro Celso Amorim, que está viajando para Londres hoje, para participar de reuniões sobre a reforma das Nações Unidas, determinou à Embaixada do Brasil que solicitasse entrevista com o Secretário do Exterior, Jack Straw, com vistas a obter esclarecimentos sobre a morte do cidadão brasileiro.

O Governo manifesta à família do cidadão brasileiro o profundo pesar pelo ocorrido.”

Uma comissão independente irá investigar e analisar o procedimento da polícia no episódio. Questiona-se o porquê da Operação Kratos, a nova forma de agir da polícia londrina em que a ordem é atirar para matar no caso de confrontos com suspeitos de serem terroristas.

 

oilondres

Comentarios (4)Add Comment
Missa em Londres
escrito por Visitante, 2005-08-02 09:02:51
Missa em Londres por morte de brasileiro

LONDRES, 29 JUL - Centenas de pessoas participaram da missa na catedral de Westminster (centro de Londres) celebrada em memória de Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto por erro da Polícia britânica.

A cerimônia foi rezada em português por Frederico Ribeiro em , capelão da comunidade brasileira em Londres, contou com a participação de familiares e amigos de Menezes.

No final da missa o cardeal Cormac Murphy-O'Connor, arcebispo de Westminster e primaz da igreja católica no Reino Unido, leu uma mensagem de condolências.

Bianca Jagger, embaixadora da boa vontade do Conselho da Europa e membro da campanha de apoio à família do brasileiro, leu um discurso em que o comparou a Jesus Cristo. Ela pediu que sua morte não seja em vão e que os responsáveis fossem punidos e que a política do "atirar para matar", aplicada atualmente pela Polícia antiterrorista britânica, seja revista. Duas fotos suas em branco e preto foram colocadas nas laterais da catedral, com flores e muitas velas acesas em sua memória.
Alberto Dines & JEAN CHARLES
escrito por Silvia Helena, 2005-08-05 09:18:27
sem perder de vista, precisamos "sacar" atentamente e refletir sobre o "momento nacional" mesmo num momento triste e trágico, marcado pela morte deste brasileiro.

As lágrimas das carpideiras oficiais,
Alberto Dines, jornalista

Enterrado Jean Charles de Menezes com todas as honras e homenagens dos conterrâneos e políticos, conviria rever o comportamento no episódio de grande parte da mídia brasileira. A vítima era inocente, talvez não estivesse com os papéis em ordem, mas não havia razão para ser assassinado pela polícia inglesa na caçada aos terroristas islâmicos.

Mas o funeral em Gonzaga, Minas Gerais, foi de herói, com direito a bandeiras nacionais, hino, discursos inflamados, presença de autoridades locais e ministros de Estado. O Jornal Nacional foi pródigo no tempo que concedeu às últimas homenagens prestadas a Jean Charles. Com exceção do Estado de S.Paulo, os jornais esparramaram suas emoções durante alguns dias.

Antes da missa de 7º dia convém refletir sobre a diferença de tratamento do funeral de Jean Charles, morto pela polícia em Londres, e os funerais das 30 vítimas da chacina de Queimados e Nova Iguaçu, ocorrida no dia 31 de março último. Também eles foram assassinados por policiais – mas, no caso, deliberadamente assassinados. Não foi acidente, foi tudo planejado, embora os PMs tenham atirado a esmo.

Não apareceu ninguém para oferecer às vítimas da polícia fluminense uma bandeira nacional na hora do enterro. Serão por acaso menos brasileiros os que morrem aqui assassinados? Por que razão reservam-se os brios patrióticos apenas para os compatriotas inocentes que morrem no exterior?

Estimulo às lágrimas

Quando algumas centenas de emigrantes mineiros foram repatriados dos EUA também foram recebidos como bravos e, no entanto, haviam escolhido abandonar o país natal. Foram embora voluntariamente e regressaram contra as suas vontades.

A mídia brasileira está se deixando levar pelo perigoso terreno do chauvinismo. A morte de Jean Charles no exterior não pode pesar mais do que as centenas de chacinados pela polícia e pela bandidagem em São Paulo, Rio, Vitória ou Recife.

Entende-se que um governo entalado numa tremenda crise política faça tudo para desviar a atenção dos segmentos populares, estimulando lágrimas e solidariedades. Mas a mídia, aparentemente tão atenta às sutilezas, não pode ser parceira desta orquestração tão insensível e desumana.
pasmem com a verdade
escrito por Visitante, 2005-08-17 22:38:54
O brasileiro morto não fez nada.
Só agora a história real surgiu...o eletricista morto pela polícia londrina ñ fez exatamente nada...ñ entrou correndo no metro, ñ pulou nenhuma catraca e ñ fugiu. Foi bem diferente. E há imagens registradas de tudo. Ele passou pela catraca, andando normalmente, pegou um jornal, desceu a escada rolante, entrou no vagão e sentou-se num lugar vago. Nesse momento alguém fez uma identificação 'positiva' dele como suspeito, erroneamente e, em segundos, segundo relatou testemunha sentado em frente ao brasileiro no vagão, um homem chegou com uma pequena arma preta e atirou na cabeça dele. " Absurdo" o ocorrido,
Absurdo!!! as mentiras que a mídia conta com seu poder de enganar.
Charles & Blairs
escrito por Visitante, 2005-08-20 17:03:35
Nestas coisas não há verdade ou mentira, há relatos; eles tem uma função: transmitir-nos aquilo que os relatores decidem que devemos saber. So há diferença entre o bem feito e o mal feito. Foi mal feita a execussão foi ainda pior o relato.
Será coisa dos Blair´s?
E. Esteves, pt.

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