O melhoramento genético chegou à banana. Os resultados da primeira etapa do programa Genoma da Banana foram apresentado ontem (20), em Brasília. Pesquisadores conseguiram mapear 10% do genoma da fruta e criaram um banco de dados genético, o DataMusa, uma referência ao nome científico da planta - Musa spp. As pesquisas prometem salvar a espécie ameaçada de extinção.
O banco de dados contém 40 mil seqüências de DNA e mais de 5 mil genes. Manoel Teixeira Souza Júnior, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e coordenador do programa no Brasil, afirma que as informações genéticas ajudarão nas etapas seguintes do projeto, como o desenvolvimento de plantas resistentes a doenças, como a Sigatoka Negra, que tem dizimado bananais no mundo todo.
Segundo o pesquisador, nessa primeira fase foram identificados mais de 20 genes com características de interesse para o melhoramento genético da banana.
Por meio deles é que serão desenvolvidas as novas variedades. Além de espécies resistentes a doenças, poderão ser criadas frutas com maior valor nutricional.
Outra contribuição do trabalho diz respeito à produtividade da planta, que no Brasil é muito baixa, 13,4 toneladas por hectare, e poderá ser melhorada com o seqüenciamento genético. Em outros países produtores, como Costa Rica e Equador, são mais de 40 toneladas por hectare, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).
Decifra-me
Os estudos para decifrar o DNA da banana começaram há três anos, por meio de um consórcio mundial, formado por instituições de pesquisas de 16 países, e consumiram R$ 550 mil.
No Brasil, 20 profissionais, entre estudantes, bolsistas e pesquisadores estão trabalhando no programa, realizado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB) e com o Instituto Francês de Pesquisa Agronômica (Cirad).
Em 2003, o programa ganhou força após um alerta do cientista belga Emile Frison, chefe da Rede Internacional para o Aprimoramento da Banana, em Monpellier, na França.
Na época, ele afirmou à revista New Scientist que faltava diversidade genética à planta para resistir à Sigatoka Negra, e que, por isso, a banana estava ameaçada de extinção.
Os ambientalistas e naturalistas torceram o nariz, mas o melhoramento genético foi a solução proposta pelo pesquisador.
A declaração do cientista estava baseada num passado não muito distante.
Nos anos 50, uma doença conhecida como o Mal do Panamá dizimou os plantios da banana Gros Michel, uma das únicas cultivares tipo exportação. A espécie foi extinta. O mercado mundial teve de mudar o paladar e aceitar as frutas da família Cavendish (Nanica, Nanicão e outras três).
O motivo da vulnerabilidade da banana às doenças é que ela é uma planta estéril, propagada de forma vegetativa - por meio de caule, por exemplo, o que torna as espécies muito parecidas.
Essa semelhança vira um problema diante de doenças como a Sigatoka e o Mal do Panamá, quando, para salvar uma espécie, se busca plantas com características diferentes, para serem utilizadas em programas de melhoramento.
"As doenças também aumentam os custos de produção também, gasta-se muito com agrotóxicos. O cultivo fica inviável para o pequeno produtor", completa Souza Júnior.
Segundo um estudo da Embrapa, na região Amazônica, desde 1998, quando a Sigatoka Negra chegou em território nacional, a produção sofreu danos sérios, muitos bananicultores desistiram das plantações.
República das bananas
Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de banana do mundo, perde apenas para a Índia. No ano passado, a produção foi de 6,6 milhões de toneladas, movimentou cerca de R$ 2,5 bilhões. O país tem 10% de toda a banana do mundo.
Além das do tipo Cavendish, as variedades Prata e Maçã também são produzidas e consumidas no Brasil. O estado de São Paulo é o principal produtor, com 16,4% do mercado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As exportações da fruta ainda não são representativas. No ano passado, as vendas externas de banana renderam ao Brasil cerca de US$ 27 milhões.
Os países da União Européia foram os principais compradores, desembolsaram cerca de US$ 15 milhões pelas bananas brasileiras.
Continuidade
Para dar continuidade ao programa Genoma da Banana, a Embrapa tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e de instituições internacionais.
"Temos projetos de cooperação com órgãos da França e Bélgica", afirma Souza Júnior. Inglaterra, Japão e República Tcheca também deverão contribuir para o programa.
Além da banana, a Embrapa trabalha o seqüenciamento genético do café. No ano passado, a empresa anunciou a conclusão da primeira etapa desse programa.
Cultivares como eucalipto, sorgo, soja, milho e trigo aguardam recursos para terem os seus DNAs decifrados.
anba
Meu nome e cristiano Beliene,me graduo no curso de Agronomia da UNIVALE em Governador Valadares MG. Escrevo para parabeniza-los pela pesquiza, e de anti mão pesso-lhes a fineza de enviar eventuais novos resultados e pesquizas desenvolvidas.
sem mais
agradeço!
CRISTIANO!