O grande lance é fazer o pé-de-meia e depois voltar. O problema é quando se trabalha legal ou ilegal. Trabalho legal implica em pagar imposto de renda, por exemplo. Trabalho ilegal implica em não poder ser descoberto trabalhando (se bem que normalmente em alguns lugares fazem alguma vista grossa, afinal, alguém tem que lavar privadas).
Engraçado a rede Globo resolver fazer essa novela, América, logo agora...
Para quem não assiste TV (porquê está na frente do computador ou estuda no horário, como eu), a novela versa sobre um pessoal que decide que a melhor saída para o Brasil está no aeroporto internacional de Guarulhos (ou qualquer outro aeroporto). O último que sair apaga a luz.
As notícias de jornal dizem que o número de brasileiros enviados de volta para o país está atingindo números cada vez maiores.
Quase todo domingo o jornal publica notícias como que a Inglaterra está endurecendo com os turistas e mandando de volta por conta de qualquer motivo.
Legal é a Argentina. Sim, porquê uns anos atrás tinha notícias de argentinos fazendo fila para pegar passaporte italiano, deu até filme (Abraço Cruzado, começa bem e depois vira uma merda).
E foi tanta gente trabalhar ilegal nos EUA que os argentinos passaram a ter que tirar visto que nem os brasileiros para "fazer a América".
Mas o mais engraçado ainda, na minha opinião foi os jornais publicarem que dois anos depois, a moçada que foi pro exterior está voltando em massa, sinal de que a depressão Argentina está acabando. Ha, ha, ha.. tem gente que não agüenta 30 dias morando no exterior.
Os caras acham que um jovem argentino, depois de fazer grana lá fora não vai querer voltar pra gastar o dinheiro.
Enfim, jornalista escreve o que acha que interessa pro público ouvir (na verdade o editor só publica o que quer que acha que o público quer e nem sempre é a verdade).
Bom, voltando ao texto. Há alguns anos atrás, escrevi um texto sobre como se virar, como sair do sistema e ir para outro lugar, talvez outro país.
Baseado parcialmente na minha experiência de morar na Europa em 1982. Lugar legal. Mas o que eu fiz com 18 anos, hoje virou sonho e mais que sonho, moda e mais que moda, necessidade de sobrevivência para muitos.
Quando vi um parente meu fazer isto, justo um parente que tinha me desencorajado anteriormente, achei que tinha tudo a ver, escrever aquilo. Agora, estou olhando nas bancas de revistas e vejo publicações dando pseudo-dicas sobre como se instalar em outro país, puxa, fico chateado. Algumas delas até falam coisa com coisa, mas quase nada, comparado ao que a pessoa precisa para enfrentar outra realidade.
O INÍCIO
MOTIVAÇÕES
Essa é a parte que todo mundo conhece. Baseado na minha experiência (e só na minha experiência, que não quer dizer nada mas pelo menos é alguma coisa pra mim), os principais motivos são:
Desemprego : Essa todo mundo conhece, tá nos jornais. Lá fora se acha emprego que, embora trabalho braçal, pelo menos paga bem.
Sem dúvida, o salário mínimo lá fora presume que o sujeito vai poder viver, pagar suas contas e ainda por cima viajar pro exterior (talvez até mesmo vir ao Brasil) com o salário acima citado.
Claro que se arrumar algo mais da área da pessoa (emprego tipo usando computador ou com nível superior) a coisa sobe.
O grande lance é fazer o pé-de-meia e depois voltar. O problema é quando se trabalha legal ou ilegal. Trabalho legal implica em pagar imposto de renda, por exemplo.
Trabalho ilegal implica em não poder ser descoberto trabalhando (apesar que normalmente em alguns lugares fazem alguma vista grossa, afinal, alguém tem que lavar privadas).
País : Brasil, ame-o ou deixe-o, o último a sair apague a luz, esse era o lema durante o tempo da ditadura militar. Alguém aí está desanimado com o atual regime de governo?
Situação profissional : Em vários casos, é acreditar muito em Papai Noel que a situação profissional esteja melhor lá fora. Mas em vários casos, quando se tem diploma superior, a coisa funciona.
Os recursos para determinados tipos de pesquisa são bem maiores. E vários profissionais que aqui não são respeitados, lá são queridos.
Houve época em que açougueiros estavam em falta na Irlanda. Por outro lado, a Alemanha já soltou notícia de que gostaria que o pessoal que vai fazer Ciências Exatas lá pudesse trabalhar no país quando acabasse o curso.
Nos EUA, quem topar ir pro meio do interiorzão do país periga de achar emprego (última vez que procurei). Massagistas profissionais são profissionais (falo de massagista de futebol, por exemplo) requisitados no Canadá. E por aí vai.
Família : Já vi casos de gente que foi morar nos EUA por conta de impor uma moral dentro de casa. Bastante interessante. Se funciona? Cada caso é um caso.
Há também a possibilidade de se ter que ir para lá por conta de maior liberdade ou escapar de uma situação familiar insustentável. Que tipo de situação?
Quando fui para Inglaterra em 1982 conversei com gente que a família estava usando esta experiência de intercâmbio como forma de evitar que o filho/filha namorasse alguém específico.
Namorei uma menina cuja mãe estava morando em Portugal porquê todas as tentativas de se construir um relacionamento familiar fracassaram, ninguém na família agüentava ela.
Estudo : Puxa, isso é o que mais aparece nos jornais (que nunca vão realmente falar dos outros objetivos). As maiores possibilidades de estudo são um grande chamariz. Tem cara que vai estudar medicina no Uruguai ou Bolívia para se transferir depois para o Brasil.
Muitos vão aprender uma segunda língua no próprio país, já que aqui não conseguem sentar e ralar para aprender. Pelo que observei, é possível aprender uma segunda língua sem sair do Brasil e também é possível não aprender mesmo morando fora do Brasil.
Conheci vários casos. Há pessoas que simplesmente não conseguem. Se agarram a outros latinos ou ficam conversando com brasileiros ou estrangeiros e não desenvolvem fluência.
Quanto a aprender ou fazer cursos no exterior, isso vai de profissão para profissão. Vale a pena lembrar que todo estudo implica no aprendizado de novo vocabulário técnico e isso pode complicar quem já não tem um domínio de 2º idioma.
Pós-graduação : É outra possibilidade muito comum. Duas alternativas, a do cara que sai daqui e vai completar a pós lá fora e a do cara que já vai para lá com essa idéia, ou de arrumar bolsa lá fora (contatar e desenvolver projeto com algum orientador lá fora) ou já arruma aqui a oportunidade.
Equipar-se : Interessante. Aí presume-se grana. Quer dizer, se você vai comprar uma aparelhagem de som sofisticada ou específica, fica bem mais barato se organizar lá fora. Aqui sempre se vai depender de frete.
Mudança em definitivo : Para quem acredita que o Brasil já deu o que tinha que dar, a única saída é o aeroporto.
Segunda Nacionalidade : Há brasileiros que tem parentes no exterior e desejam ir lá para resolver a questão da 2ª nacionalidade. Uma boa, já que isso dá novas possibilidades.
Passaporte europeu abre muitas possibilidades. Pode-se entrar nos EUA sem visto (pelo menos até um tempo atrás, amanhã só Bush sabe).
O problema está em reunir todos os documentos, é uma maravilha. Recomendo o filme "Passaporte Húngaro", que conta as peripécias de se comprovar parentesco com avós húngaros.
MORANDO NO EXTERIOR
Na alfândega : Não se sai do Brasil (para o exterior da América Latina) sem passaporte. E não se entra em outro país sem ter passagem de volta.
Sim, isso facilita se eles quiserem te mandar de volta por algum preconceito qualquer (um amigo meu ficou preso no aeroporto por 4 dias antes de ser colocado num avião de volta, uns 5 anos antes do 11 de setembro e na Espanha, já naquela época havia a desculpa de suspeita de terrorismo).
Além da passagem de volta, é importante ter dinheiro para caso necessário comprovar a estadia (multiplica algo como uns 100 dólares por dia) e também um motivo para estar lá.
Não adianta ir de terno e gravata e falar que vai visitar a Disneylândia (só um imbecil vai de terno pra turismo; há quem o faça mas aí é outra história).
Aliás é bom lembrar, ficar chateado com o cara da alfândega (tipos "barrados na Disneylândia" sucesso musical de Pepeu e Baby Consuelo, lembra) rodar a baiana só vai te piorar a situação.
Qualquer coisa, recorda do lance do americano que fez um gesto de mostrar o dedo pra um funcionário no aeroporto do RJ.
Como represália ou coisa do gênero, teve um grupo de surfistas brasileiros na Flórida que declarou ter uma "bomba" (de ar pra encher bóia).
O legal da história de ter um motivo significa também não ser pego mentindo. Falar que tem alguém te esperando quando não tem é besteira que eles podem resolver checar. O contrário também.
Conseguindo Informação : Uma batalha. Porquê informação é algo que você pode conseguir com pessoas, via Internet ou no local. Só que não se trata de algo centralizado.
Então uma pessoa te dá a informação que ela conseguiu semana passada mas não quer dizer que é genuína. Outra pode ter sorte e conseguir algo diferente. Gastando dinheiro se consegue tudo, com certeza.
Mas planejando se consegue bem mais. Há sites na Internet que investem no medo. Te amedrontam com notícias e você acaba contratando os serviços deles para te assessorar. O que não é ilegal. Só que você paga mais por não saber. Ou não dar importância.
Antes de confiar no conselho de algum site ou pessoa, veja que tipo de viagem você vai fazer. Uma pessoa que foi como estudante só vai pode te informar com certeza sobre como ir como estudantes se não houver nenhuma mudança recente.
Quem foi para os EUA como turista e conseguiu o visto via agência de turismo não pode ajudar quem não vai pelo mesmo esquema. Fazer determinada viagem só porque leu no jornal que isso ou aquilo está fácil, melhor não fazer.
Por exemplo, você vai para Cuba. Tudo bem. Acaba topando ficar hospedada com uma família cubana. Na volta, aceita o favor de levar uma encomenda para um cubano no Brasil. Resolvem abrir na alfândega. Contrabando de charutos cubanos.
Vale lembrar que não compensa assinar papel ou documento se responsabilizando por estrangeiro nenhum aqui em solo nacional. Há casos de estrangeiros que viram "filhos adotados" em termos jurídicos (escreveu se responsabilizando, se o cara ficar doente você paga o médico, você se responsabilizou por ele).
Preconceito de estrangeiros e com estrangeiros : No Brasil, as pessoas tem vários preconceitos, nem vou listar aqui. Lá fora, o preconceito contra brasileiros existe.
Não só contra brasileiros mas também contra jamaicanos, contra marroquinos, judeus, o que você pensar. Mas em cada país, em cada lugar há aquele vizinho seu que por ser de outro lugar, é menos considerado.
Os portugueses, por exemplo, adoram novelas brasileiras. Mas nem sempre topam o "patrício". Por sua vez o francês não curte pessoas de origem árabe (grande novidade, com essa coisa de 9 de setembro).
O que isso significa para um brasileiro com antepassados libaneses, se ele está na França? Significa grande chance de ser vigiado quando entra num supermercado ou ser interrogado por suspeita de qualquer coisa.
A grande maioria dos brasileiros tem uma idéia muito tosca disso, graças a Deus.
Mas lá fora, ou você é quase albino ou você está vindo de uma praia ou então não é homem branco.
E significa que pode sofrer preconceito por conta disso. Em alguns casos, o preconceito é contra a forma de vestir. O sujeito é até meio branco mas ta vestido como hippie e as pessoas não estão acostumadas.
Ou o sujeito tem o problema de estar no lugar errado, tipo uma reunião de neonazistas. O problema não é quem você é, mas onde você está e com quem você está.
Stress e depressão : Virou uma palavra universal. Não ajuda muito quando a pessoa sofre, saber que está sofrendo. Porque em vários casos, a única cura é uma mudança de situação.
Ou seja, voltar para a terrinha. Ou matar saudades via telefone. Impressionante como as pessoas se lembram da família nessas horas e mais impressionante é como as pessoas se esquecem da gente quando estamos longe deles.
Aquela comida insuportável parece ótima, aquele doce enjoado vira motivo de briga, quando aparece em algum lugar. Sem falar em várias lembranças que resolvem apoquentar.
A pessoa pode começar a fumar, emagrecer, engordar, mudar o humor, numa dessas. Ou gastar todo o dinheiro das economias telefonando pro Brasil. O que não chega a ser tão ruim quanto outras alternativas, como bebida ou drogas.
O pior da depressão é quando a pessoa fica na dúvida do que fazer e resolve que a solução é voltar.
Namoro e tirar o atraso : Tirar o atraso aparentemente não é difícil, lá fora. Tudo depende do tipo de situação em que a pessoa se encontra, com pouco dinheiro ou muito dinheiro.
A maioria dos caras que conheço (não precisam se preocupar, eu não apresento, não sou louco de apontar nomes nem de falar quem são) são caras que começaram a namorar porque uma menina conseguiu leva-los para a cama.
Isso pode acontecer com certa facilidade fora do país. Chato é que por conta da dificuldade lingüística, são bem poucas. E nem sempre são tão bonitas quanto as brasileiras. Com o agravante de não tomar muito banho. Esquentar água lá fora é caro.
Investir num namoro ou pagar uma prostituta são alternativas. Só toma cuidado com os mesmos problemas que rolam aqui no Brasil, como doença venéreas, gravidez indesejada e rolos.
Porquê tudo pode acontecer. A menina pode ser uma roubada muito pior do que qualquer coisa. Pode ser também muito melhor em todos os sentidos só que.. vai embora de volta para o Brasil em pouco tempo.
Apaixonar por alguém que nunca mais vai ver, sacou? No outro extremo, a mulher local (do país onde você está) pode gostar de te conhecer (no sentido bíblico) por uma noite e nada mais, não vai te apresentar aos pais, aos amigos, não vai querer nada com você.
Pode querer ou pode não querer. Não é como no Brasil, que a mulher abriu as pernas abriu o coração. A gente nunca sabe o lugar certo onde colocar o desejo.
Submundo : A maior parte das pessoas pensa que a palavra "submundo" não tem nada a ver. Ou que é o nome de uma discoteca na periferia. O "submundo" existe naquele cara que dorme na rua, existe naquele sujeito que te vende contrabando ou coisas ilegais.
Existe em todo aquele que freqüenta o limite entre o que é legal e o que é juridicamente ilegal. Então o problema (ou solução) é o que esperar de determinada situação onde a polícia pode aparecer.
No Brasil pode-se convidar um sujeito condenado por assassinato e nada acontecer.
Em outros países, como por exemplo, sei lá, o Japão, dividir um refrigerante com um cara desses já te torna suspeito de cumplicidade.
Então é perigoso aceitar o pedido de um amigo de trazer algo para o Brasil ou do Brasil. Se for algo legal, tudo bem. Se tiver cocaína misturada, ignorância não é desculpa.
Cuba por exemplo, se você aceitar ficar hospedado com família cubana, será extremamente bem tratado. Até que chega na hora de sair, quando eles te pedem para enviar um "pacotito" para o primo que está morrendo de saudade.
Sai dessa "saia justa". Pode ser realmente verdade e pode ser uma forma de traficar charutos cubanos ou outra coisa que pode até ser ilegal.
Legislação : Vida de quem está no exterior pode ser melhor ou pior do que no Brasil. Não tenho certeza sobre o sistema jurídico de cada país. Mas cada país tem leis diferentes. E preços diferentes para advogados.
Entendeu onde quero chegar? Qualé a vantagem de ser ir na justiça se os procedimentos jurídicos levam anos? Sorte que lá a coisa não é tão lenta como no Brasil.
Ouvi falar que quando ouve um acidente vagamente parecido com aquele barco que virou na noite do ano no RJ, o famoso caso Bateau Mouche, quando aconteceu algo do gênero na Inglaterra, os donos do barco foram imediatamente presos.
Então que que você faz se seu colega de quarto te rouba? Coisa complicada, né? E se você estava trabalhando ilegalmente e alguém te dedura? Por melhor que seja o sistema jurídico do país onde você vai, o melhor é não precisar.
Trabalho Legal e Ilegal : Se você vai para o Japão, provavelmente vai porquê já tem esquema pronto e parentes te dando as dicas. Tendo passaporte europeu, pode procurar emprego legalmente em agências em qualquer lugar da Comunidade Européia.
Se for com visto de estudante (é preciso tirar antes de sair do Brasil em vários casos, checa no consulado antes), pode em vários casos exercer alguma função que não te atrapalhe os estudos.
Há trabalhos que a pessoa pode exercer com certa facilidade, como Au-pair. Cuidar de crianças, basicamente. Homem também pode fazer mas tem limite de idade.
Há agências de turismo que fazem essa coisa de encaixar o estudante em trabalhos remunerados ou estágios em países como EUA, Alemanha ou Japão. Mas não é de graça, última vez que vi morria em uns US$1.200,00 incluindo seguro saúde mas sem parte aérea. Idade limite de 25 anos. Perdi os folhetos.
O trabalho remunerado legalizado exige o visto de trabalho. Normalmente tem que se conseguir o visto antes de se sair do país. E ainda por cima, o visto normalmente só vale para um empregador.
Não gostou, o cara te despediu, você volta para o país. Em vários países, o empregador só pode contratar estrangeiro se constatada a ausência de mão de obra qualificada no mercado.
Na Inglaterra, por exemplo, tinha que anunciar no jornal a vaga por algo como um período de tempo.
Parece que para gente de informática e outras qualificações, não é tão complicado. Inglaterra, por exemplo, tem o programa Highly Skilled Migrants.
Na Irlanda estavam desesperados com a falta de gente para determinadas funções, como açougue. Há falta de mão de obra para determinadas tarefas em períodos específicos. Nos EUA, há tanta falta de enfermeiros e gente.
Há algumas possibilidades, como a loteria do Greencard, que é uma inscrição que a pessoa faz para vagas de imigração para os EUA. Gratuito mas tem gente que cobra para preparar as pessoas para a entrevista.
Me parece que o Canadá tem um sistema semelhante em que você não precisa esperar até o próximo sorteio, é só entrar no site e ver se você tem qualificações que interessam, tipo profissão em alta e falta de candidatos.
Trabalho não remunerado existe. Havia um livro, chamado "Summer Jobs Abroad", com relação de países que aceitavam gente que estava afim de conhecer gente, trabalhar voluntário e até receber uma ajudinha de custo.
O mais famoso desse tipo de trabalho é trabalhar em kibuttz em Israel. Conheço gente que curtiu pra caramba. Se o problema é a língua, pode-se ir para kibuttz onde a maioria fala francês, inglês, alemão, etc.. só que é em Israel, né? Lugar onde não se apanha carteira no chão (pode ser uma bomba camuflada de carteira). Se bem que atentados acontecem em vários lugares, não só lá.
Havia uma iniciativa de ensinar português em Timor Leste, do qual quase participei (não me chamaram).
Veja no site=> http://www.timorcrocodilovoador.com.br. Coloco esse link como exemplo porquê todo mundo, (montes de gente) quer ir e não estão mandando todo semestre.
Conheci um cara do Jornalismo da USP que foi mas disse que voltaram antes do final. Ah, sim, já vi anúncios de ir ajudar cuidar de gente lá na África. Me parece que eles esperavam que o sujeito trabalhasse também para financiasse ou conseguir doação para cobrir os custos do envio (você ajuda com seu trabalho para financiar sua viagem para ir trabalhar voluntário).
Trabalhar no exterior significa um bom conhecimento da língua dependendo da função. Também significa pagar imposto ou condições melhores ou piores de trabalho.
Permissão de Moradia : No caso específico de passar mais do que 3 meses de estadia (no caso de vários países da Europa), a pessoa precisa se registrar com a polícia (não fazer isso parece que é crime, se informa).
Também precisa de conseguir uma permissão de moradia. No caso de estudante, fica fácil comprovar a necessidade do tal visto. Qualquer outro caso, bom, veja no consulado antes de sair (ou no site do consulado, mais fácil).
Drogas : Há países, como Holanda, onde se pode fumar coisas proibidas aqui no Brasil. E daí?
O problema é que você não está no Brasil. Supondo-se que suborno funcione em algum lugar da Europa (você acredita em Papai Noel), é arriscado.
A prisão por tráfico (oferecer um cigarro para um amigo pode ser encarado como tráfico) não é fácil e acontece. O grande problema das drogas é que além de viciar, detonam com a capacidade da pessoa de fazer as coisas. Não é aconselhável, por mais que os filmes europeus dêem a impressão de que não tem problema.
Bebida também é droga e não vale a pena beber direto. Lá é tudo caro.
Tempo : O problema de diferença temporal pode atrapalhar. Primeiro, acontece o Jet Lag, que é a diferença entre o horário do país onde você saiu e o horário do local onde você chegou.
Algo parecido com estar num dia claro na hora de dormir. Isso atrapalha os primeiros dias fora do país.
Outra coisa que atrapalha é que lá no hemisfério norte, o dia pode estar claro às 23 horas ou completamente escuro às 17 horas. Tomou?
No inverno, as pessoas chegam a nunca ver o sol do dia, só nos finais de semana e mesmo assim, durante poucas horas. No verão, não adianta reclamar que tem aqueles dias em que a noite começa depois que os bares estão fechados.
Saúde e dentista : Puxa, essa é ótima. Primeiro porquê se você tiver algum problema qualquer no exterior vai ter que: achar médico que não cobre os olhos da cara, contar para ele o problema (precisa de vocabulário adequado e técnico, tem médico que em português não te entende, imagina em outra língua), comprar os medicamentos (não são sempre baratos como no Brasil) e os exames.
Com dentista é um pouco pior. Em vários países europeus, o que existe é medicina bucal, o cara se forma em medicina para depois ser dentista.
E dá-se valor a medicina preventiva (no caso dos dentes, arranca-se o dente cariado). Só pra dar uma idéia, tem gente que vem no Brasil tratar os dentes. Pegou o espírito da coisa?
Há várias formas de se conseguir tratamento médico e dentário barato mas quem pode usufruir não precisa ler esse texto.
E desconfie de gente que te aponta profissionais, o cara (o dentista ou médico) pode ser ruim mas descobriu que pagar uma comissão para conseguir fregueses funciona. Pergunta o preço antes.
Existem os seguros de viagem. Divulgar é meio que fazer propaganda, nesses casos. Mas se você tiver um lance desses lá fora, pode desencanar um pouco mais com relação a ser atropelado ou ficar doente. O seguro paga o hospital. Há seguros de 16 dias, um mês, um ano, você escolhe. Pra mim é novidade.
Brasileiros no Exterior : Um dos maiores problemas ou soluções. Solução porque um amigo que saiba o "caminho das pedras" ou os procedimentos necessários para resolver esta situação é que nem ter um irmão mais velho. Ajuda muito.
Claro que ter um irmão mais velho que seja sacana ou que seja imbecil não ajuda nada. Pelo contrário, pode atrapalhar. E o caminho pro inferno está cheio de boas intenções.
Quem quer ter ajudar pode atrapalhar só por uma pequena diferença na sua situação com a situação enfrentada pela outra pessoa. A pessoa que vai te atrapalhar, quando sabe o que faz, vai tentar te convencer que está te fazendo um favor.
Aliás este é outro problema quando se pede ajuda a brasileiros: há brasileiros no exterior que se tornam santos e todo mundo recorre a eles para pedir ajuda.
O cara enche o saco de fazer isso mas continua com a fama e todo mundo vai atrás. Por outro lado, há os que todo mundo sabe que ferram com a pessoa que pedir ajuda porém como tem uma lábia muito boa, conseguem trapaças variadas.
E vai embora aquele CD que você trouxe do Brasil ou sua reserva monetária ou sei lá acaba pagando por coisa que nem precisava.
O problema de pedir ajuda é sempre a falta de alternativas então se pede para a primeira pessoa que se encontra ou que não foge quando escuta a palavra problema.
Preconceito contra brasileiro iniciante : O brasileiro que está chegando carrega uma bagagem de expectativas, perguntas e problemas.
Precisa passar por todo um calvário de pequenas experiências que o veterano já passou. Algumas vezes, o cara nem sabe como cozinhar um ovo quanto mais ir no supermercado comprar comida.
Não sabe por exemplo, lidar com um cara que está tentando enrolar ou simplesmente está enganando. E o cara que está chegando também está numa espécie de stress bem grande, com medo de errar o tempo todo.
Daí, antes de começar a tomar a iniciativa, vai tentar "alugar" o máximo qualquer um que puder ir atrás de dicas para sobrevivência. É algo humano, um treinamento para a vida no exterior.
Alguns veteranos podem até chamar esse período de ajuda de "bancar a babá". Complicado. Principalmente porque mesmo com atenção, explicando tudo, a pessoa pode se desesperar e ir embora de volta para o Brasil.
Comidas típicas : Dependendo do país, as pessoas tomam o café sem açúcar. Alguns tomam com duas, três colheres. Só brasileiro é que bota café no açúcar.
Os caras ficam com nojo de ver nós (brazilian people) adoçando o café. Só para dar uma idéia, guaraná não emplacou por conta desse detalhe.
Por outro lado, há comidas horríveis do paladar inglês. O "arroz com feijão" deles é "meat and potatoes". Carne com batatas, é o que eles comem.
Na França, nem me lembro. Mas cada país tem sua comida típica. A comida parecida com a brasileira, só nos restaurantes latino-americanos. Cara e em pouca quantidade. Bom portanto aprender a ir em supermercados e fazer seu próprio lanche.
Vida de clandestino : Isso existe. O cara entra no país com intenção de jogar o passaporte fora. Tem até livros sobre isso. Alguns problemas enfrentados são:
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Medo e paranóia quanto a polícia
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Amigos que não ajudam quando você está em dificuldade
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Patrões que te exploram
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Inveja quanto a outros que não tem os mesmos problemas
Consulado : A pessoa pode se registrar no consulado (Matrícula Consular). Não significa nada em termos do país em que você se encontra (tipo: regularizou no consulado não significa regularizar no país onde se está).
Mas o consulado pode enviar notícias e dicas importantes. Isso está escrito na Cartilha para Brasileiros no Reino Unido. Quando estava viajando pela Holanda, 1982, fiquei totalmente desapontado com a orientação dada pelo consulado brasileiro.
Mesma coisa com o de Paris, mesma época. Parece que só o de Londres tinha orientação decente para tópicos importantes.
Pedi dica de dentista numa repartição brasileira uma vez, o cara me recomendou um indiano que para ele funcionava. Pra mim custou os olhos da cara para um monte de radiografias que nunca me enviou pelo correio.
Então, se pegar qualquer orientação de funcionário brasileiro, pega o nome do cara, a função, anota dia, hora.
Checa antes no site Internet. Tenta falar com outros brasileiros. Usa o Orkut (sim, pra isso ele serve embora não substitua).
Em último caso ou em primeiro caso, fala com advogado especialista, sempre tem alguém que conhece um, mas é caro.
Falo isso porquê tem funcionário ruim em tudo quanto é lugar, assim como tem cara que coloca a esposa pra tomar conta de um serviço consular qualquer. E nesses casos o que acontece é o cara te enrolar para não ter que desempenhar o serviço.
Não conta com integridade moral de ninguém, cara. Gente ruim existe em todo lugar. E incompetente também. Só que os incompetentes não são sumariamente enviados de volta para o Brasil.
E nos consulados que tem má vontade para ajudar, podem querer mais é que você volte pra diminuir o trabalho deles.
VOLTANDO
Puxa, esta é a parte mais complicada..
Legislação : Essa coisa de voltar é tão complicada que o ministério de relações exteriores publicou uns textos na Internet, Guia do Brasileiro Regressado.
Aliás, é bom saber antes de voltar, há um número de coisas que não se pode esquecer, tipo atualizar CPF ou declarar imposto de renda, dependendo do caso.
Além de ser necessário saber o que você pode ou não trazer de volta. Muito tempo lá fora, tipo 5 anos, pode-se trazer até o carro. Mas melhor se informar antes.
Porquê ficar? : Quando pessoa fica com um jogo de cintura e consegue legalizar sua estadia, fica difícil arrumar razões para deixar o país.
Muito comum a pessoa criar uma mentalidade de "Brasil não vale a pena". Qualquer um pode se acostumar com vida de classe média na Europa. Demora muito para se perceber o que está se largando.
Afinal, quando se consegue ir na praia em Ibiza ou Saint-Tropez, porquê pensar em Ipanema? Para que acampar no Pantanal quando se pode passar férias esquiando nos Alpes suíços. Ou viajar no Marrocos. Fazer pós-graduação na Sourbonne ou numa faculdade alemã.
A verdade é que tudo na vida tem um preço. O maior preço que um brasileiro paga por ficar lá fora chama-se saudade. E existe a questão identidade. A forma mais simples de descobrir isso é tentar traduzir uma piada para o inglês, alemão ou outra língua.
Não se ri como se ri no Brasil. Isso é a identidade brasileira. Uma forma de se entender, pelo menos.
Após a volta a saudade e o arrependimento atacam do mesmo jeito. Primeiro porquê é como uma máquina do tempo. A pessoa volta para um tempo qualquer no futuro.
Fica uma espécie de "lapso temporal" do tamanho do tempo em que se passou fora. Resultando que não se volta, realmente. Vai-se para outro país, um tempo X no futuro. Quer dizer, os assuntos são outros.
Seus amigos já arrumaram outros amigos. A vida continuou e você não estava lá. E só quem já viajou é que vai entender o que é que isso significa.
Derneval R. R. Cunha é webmaster, mineiro, formado em Letras – Alemão – atualmente fazendo mestrado no PROLAM-USP.
BIBLIOGRAFIA : Há vários sites na Internet onde se pode conseguir info sobre morar no exterior, até no Orkut há comunidades específicas. Basta procurar.
Seguro saúde
http://www.stb.com.br http://www.touristcard.com.br http://www.assist-card.com http://www.travelace.com.br
Inglaterra
www.ukcosa.org.uk - Aconselhamento estudantes www.ukvisas.gov.uk - A melhor página pra info sobre vistos http://www.ind.homeoffice.gov.uk/content/ind/en/home.html - Sectors Based Scheme
Viagens em geral
http://www.uol.com.br/oviajante
Pulando o muro nos EUA
http://www.sre.gob.mx/tramites/consulares/guiamigrante
barata
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(*) O mapa da emigração
Pesquisa dimensiona o anseio do brasileiro de deixar o País
São Paulo, 1º de junho de 2005 - Uma pesquisa realizada com 13.196 pessoas na faixa etária entre 14 e 35 anos, de diferentes partes do País, constatou que 65,8% delas iriam embora do Brasil se tivessem uma oportunidade para isso. Para outra parcela dos entrevistados, o anseio de deixar o País é ainda maior: 3,3% deles afirmam que sua opção por partir rumo ao exterior é incondicional.
No outro extremo estão os que dizem não trocar o Brasil por nada, somando 4,1% da amostra. Do total de participantes da pesquisa, coordenada pelo professor de Marketing Marcelo Peruzzo (veja currículo resumido no final do texto), 80,3% admitem que a idéia de viver fora daqui já lhes passou pela cabeça em algum momento, enquanto 12,2% garantem não ter pensado sobre o assunto ainda. Apenas 7,5% afirmaram não ter pensando em sair do País.
Mas, assim como é alto o índice de pessoas à espera de uma chance para morar em outro país, é significativa também a porcentagem de indivíduos que recomendariam a um estrangeiro a mudança para o Brasil - 58,3%. Apenas uma minoria de 10,5% se nega a indicar o lugar como uma boa alternativa para fixar residência.
Baixo conceito
Embora os brasileiros, em sua maioria, se mostrem dispostos a apontar seu país como uma boa opção de local para viver, o Brasil é reprovado na avaliação de seu povo quando os aspectos julgados são as oportunidades de trabalho, a possibilidade de crescimento profissional e a qualidade de vida. Em relação a esses critérios, numa escala de 1 a 10 o País chega apenas a 5,25, média dos pontos atribuídos pelos participantes da pesquisa dirigida por Peruzzo.
É justamente a busca por novas oportunidades profissionais o que mais instiga o brasileiro a se estabelecer em outro país. Quando pensam em emigrar, 60,1% dos entrevistados justificam seu anseio com a idéia de conquistar um emprego mais lucrativo. Os estudos também motivam a emigração, atraindo 48,9% das pessoas, assim como o aprendizado de um novo idioma, que inspira 31,1% dos brasileiros.
Independentemente das razões que tornam o exterior atraente, apenas 5,7% dos entrevistados querem se mudar definitivamente. Entre os que desejam retornar a seu ponto de origem, 14,0% planejam se afastar por menos de 1 ano; 50,7% pretendem ficar de 1 a 3 anos fora do País; 15,0%, entre 3 e 5 anos; e outros 14,7%, mais de 5 anos.
Países preferidos
Entre os países escolhidos para morar ou somente passar um período se destacam os de língua inglesa, que juntos têm 58,9% da preferência dos entrevistados. Isoladamente, os locais mais citados compõem o seguinte ranking: Estados Unidos (21,5%), Inglaterra (14,8%), Itália (12,3%), Austrália (11,3%), Canadá (10,6%), Espanha (9,2%), França (5,6%), Japão (4,4%), Alemanha (3,8%) e Portugal (2,9%).
O perfil do potencial emigrante
Sexo: Homem (68%) e mulher (67%) tendem, igualmente, a querer sair do País.
Idade: A faixa etária potencial para a emigração se estende dos 21 aos 28 anos, na qual 71% dos entrevistados têm interesse de morar fora do País. Na seqüência figuram os grupos entre 14 e 20 anos (67%), entre 29 e 35 (65%).
Escolaridade: A porcentagem de interessados em sair do País varia da seguinte forma, de acordo com o nível de escolaridade: mestrado - 72%; graduação - 71%; especialização - 64%; Ensino Médio - 66%; e Ensino Fundamental - 61%.
Trabalho: Os empregados de período integral (67%) anseiam tanto quanto os desempregados (67%) deixar o Brasil. Já entre os que trabalham meio período, a intenção de emigrar é mais freqüente (71%).
Estado civil: Os solteiros (69,6%), como esperado, possuem um interesse maior de ir para o exterior do que os casados (55,4%).
Classe social: A pesquisa indicou que a renda familiar não é um fator determinante para a escolha entre sair ou não do País. O índice de pessoas ansiosas por fazer as malas varia muito pouco de uma classe social para outra (de 67% a 71%).
Regiões: Pernambuco e Rio Grande do Sul são os Estados com maior percentual de interessados em emigrar (ambos com 71,5%). Já as cinco regiões em que se divide o País se equiparam no quesito: Norte - 68,8%; Nordeste - 68,1%; Centro-Oeste - 65,5%; Sudeste - 68,1%; e Sul - 68,4%.
Objetivo da pesquisa
Segundo Marcelo Peruzzo, o objetivo da pesquisa foi identificar o posicionamento do Brasil em relação aos jovens, observando até que ponto o País tem condições de manter esse público em sua terra natal. A partir dos resultados obtidos (cuja margem de erro é de 1,5%), Peruzzo conclui que o governo deve valorizar mais a marca "Brasil" perante sua juventude, por meio de ações que demonstrem que o futuro neste país é promissor. "Infelizmente, enquanto existir desigualdade social, desemprego, falta de segurança e problemas com a saúde pública, a tendência é de que a porcentagem de pessoas que desejam morar fora aumente", prevê o professor.
Já o sócio-diretor do Portal InfoSMS, Diego Carmona, responsável pelo amostra da pesquisa, afirma que "o celular está presente em mais de 1/3 da população brasileira. Este universo reflete de forma confiável e cientifico a opinião do público abordado em morar fora do Brasil. O celular se tornou um meio de comunicação comum a todas as classes sociais.".
*Marcelo Peruzzo é mestre em Gestão de Negócios, professor de Marketing, Ética e Relacionamento em cursos de pós-graduação de 18 universidades e faculdades (entre elas a Fundação Getúlio Vargas) e autor dos livros Os Dez Mandamentos de Deus e os Pecados Organizacionais, Jesus de Gravata e O Caminho do Perdão.
**O InfoSMS, meio pelo qual foi realizada a pesquisa, é o maior portal de relacionamento entre usuários de celular que utilizam o aparelho para a comunicação via mensagens de texto, com mais de 1,8 milhão de cadastrados. Atualmente o Brasil possui 68 milhões de celulares.
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