O brasileiro é o povo mais burro e pretensioso das Américas, governado pelos políticos mais fingidos e inconseqüentes do Hemisfério Ocidental, instruído pelos pseudo-intelectuais mais ignorantes e tagarelas do universo. É por isso que aqui, mais que em qualquer outro lugar do mundo, o futuro a Deus pertence.
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No Brasil, a admissão preliminar de total desconhecimento de um assunto não é nunca o prelúdio a interrogações polidas, mas a julgamentos taxativos fortalecidos pelo completo desprezo ao interlocutor estudioso e pelo orgulho de poder opinar sem base, como se a ignorância fosse uma prova de inspiração divina.
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Noventa por cento dos eleitores que votaram em Lula não o fizeram senão por ódio aos estudos. Um semi-analfabeto empacotado num terno Armani não pode simbolizar os pobres, mas os ricos ignorantes. À confusão entre cultura e diploma corresponde, mutatis mutandis, a identificação de ignorância com pobreza.
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Sinto um impulso cada vez mais irresistível de abandonar de vez os assuntos de atualidade nacional. É que o Brasil já não pode ser descrito sem atentado ao pudor.
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Um país em que a margem de lucro da iniciativa privada é de 2 a 3 por cento e os impostos são de quase 50 por cento só tem, obviamente, um único problema a resolver: diminuir os impostos e aumentar os lucros, isto é, livrar-se o mais rápido possível dos socialistas e mergulhar de cabeça no capitalismo. Mas isso não vai acontecer, porque os socialistas têm mais dinheiro e já tomaram providências para que não restem na arena política senão dois tipos de pessoas: eles próprios e os mais socialistas.
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Um país em que 50 por cento das terras pertencem ao governo e não são usadas para absolutamente nada, enquanto milhões de sem-terra subsidiados pelo Estado invadem e queimam fazendas particulares produtivas, é evidentemente um país que escolheu sacrificar seus bens no altar da propriedade estatal inútil, e nada vai impedi-lo de continuar praticando essa religião bárbara até que a última vaca leiteira seja queimada pelo último sem-terra.
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Quando digo que o Brasil é hoje um país sem horizonte, um país condenado a sair da História, sempre aparece alguém me descrevendo as maravilhosas perspectivas de desenvolvimento econômico que nos são abertas por tais ou quais fatores internacionais.
O simples fato de que alguém identifique um horizonte de futuro com meras possibilidades de desenvolvimento econômico já é sinal de ignorância letal.
Na segunda metade do século XIX, o país europeu com melhores perspectivas de desenvolvimento econômico era a Rússia.
O que lhe faltava não era isso: era uma elite intelectual que tivesse mais apego aos seus deveres do que a ambições revolucionárias. A economia é o setor mais volátil e superficial da História.
Em poucos anos um país pode sair do atraso para o progresso econômico, e vice-versa. Mas uma cultura, uma atmosfera de consciência clara e de diálogo inteligente, leva séculos para se criar -- e, uma vez perdida, é quase impossível recuperá-la.
Se querem conhecer as perspectivas do Brasil, não olhem as estatísticas e o PNB, mas comparem os nossos políticos, a nossa classe intelectual dos anos 30 a 60 com os de hoje.
Comparem Francisco Campos com Marcio Thomaz Bastos, Gustavo Capanema com Cristovam Buarque, Graciliano Ramos e Manoel Bandeira com Marilene Felinto, Miguel Reale e Mário Ferreira dos Santos com Marilena Chauí, Carlos Lacerda e Oswaldo Aranha com Babá, Heloísa Helena e o dr. Enéas.
Vejam o nosso presente e conhecerão o nosso futuro.
Olavo de Carvalho, é Filósofo, Professor e Jornalista, nascido em Campinas, Estado de São Paulo, em 29 de abril de 1947. Tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros. Professor de filosofia e diretor do Seminário de Filosofia do Centro Universitário da Cidade (RJ). Autor das obras "O Jardim das Aflições" e "O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras". Editor do site Mídia Sem Máscara. E-mail:
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A Suécia é um país com impostos altísimos e um padrào de vida e lazer mundialmente invejado.
Acho que o senhor deveria reformular o seu argumento: os impostos, em si, não constituem um mal absoluto, isto e, se forem desviados para o bem público.
O capitalismo selvagem--a la Milton Friedman--nunca será a solução. (Veja só a Argentina, pelo amor de Deus). Veja só os EEUU, empenhados nessa guerra imbecil que está levando o país à bancarrota. Vejam-se, enfim, os escândalos das empresas privadas Enron, WorldCom, ou o da Agência de Contabilidade Arthur Anderson aquí nos EEUU. Aquí não houve CPIs para apurar o que o presidente sabia e quando o sabia--mesmo porque essa CPI seria integralmente controlada pelo partido que atualmente domina os tres poderes.
A mantra atual, à diferença da mais católica 'Deus dará', é que "o mercado providenciará". Bulhufas! O setor privado--vendo-o desde a Mecca do capitalismo--é tão incompetente e ineficiente quanto se supõe a atual conjuntura econômica no Brasil.
Não vamos agora atrás do evangélio do Sr. Milton Friedman porque não deu certo na URSS, não deu certo na Europa oriental, não deu certo na América Central ou na Argentina. O que teve lugar, sim, foi uma revoada de urubús, uma antropofagia total, uma sem-vergonhice desenfreada: o que é meu é meu, e o que é seu também, morou?
Isso não é paradigma, meu senhor. Tenha dó.
Flávio Américo dos Reis, tradutor
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