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Escrito por Roberto M. Moura   
Monday, 18 July 2005
O efeito Mozart e seus desdobramentos
Martha Ulhoa, da UNIRIO, me manda um e-mail sobre uma brincadeira com os compositores eruditos – e se justifica: “não resisti”. É mesmo irresistível, embora exija um mínimo de intimidade com a música clássica para ser apreciado. Chama-se “efeito Mozart” e se baseia naquele estudo, cientificamente comprovado, sobre os benefícios da audição da obra do gênio de Salzburg, especialmente nas crianças, com relação à saúde, educação e bem-estar.
A partir desse estudo, imaginemos o “efeito” que teria submeter as crianças a uma overdose de outros autores. Daria mais ou menos nisso:

Efeito Paganini: a criança fala muito rápido e em termos extravangantes, mas nunca diz nada importante.
 
Efeito Bruckner: a criança fala bem devagar e se repete com freqüência. Adquire reputação de profundidade.
 
Efeito Wagner: a criança se torna megalomaníaca. Há chance de que se case com a irmã.
 
Efeito Mahler: a criança grita sem parar, a plenos pulmões e por várias horas, dizendo que vai morrer.
 
Efeito Schoenberg: a criança nunca repete uma palavra antes de usar todas as outras palavras de seu vocabulário. Às vezes fala de trás para diante. Com o tempo, as pessoas param de lhe prestar atenção. A  criança diz que a culpa é de sua incapacidade para entendê-la.
 
Efeito Boulez: a criança balbucia bobagens o tempo todo. Depois de um tempo, as pessoas param de achar bonitinho. A criança não está nem aí, porque seus colegas acham que ela é o máximo.
 
Efeito Ives: a criança desenvolve uma habilidade fenomenal para manter várias conversas diferentes ao mesmo tempo.
 
Efeito Philip Glass: a criança costuma dizer tudo de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo.
 
Efeito Sravinsky: a criança tem uma pronunciada tendência a explosões de temperamento selvagem, estridente e blasfemo, que freqüentemente causam pandemônio na escolinha.
 
Efeito Brahms: a criança fala com maravilhosa gramática e vocabulário desde que suas frases contenham múltiplos de 3 palavras (3, 6, 9, etc.). No entanto, suas frases de 4 ou 8 palavras são bobas e pouco inspiradas.
 
E, claro, o efeito John Cage: a criança não fala nada por 4 minutos e 33 segundos. É a criança preferida por 9 entre 10 professores.

De Santos, a também musicóloga Heloisa Valente lembra que faltou o “efeito Beethoven” que, acrescento eu, levaria a criança à adoração de cerveja e vinho, mas causaria sua surdez e morte por intoxicação de chumbo (li, aqui na “Tribuna Bis”, na coluna de Sonia Mellier, que a tevê inglesa exibiu um documentário revelando que a análise de um chumaço de cabelo do autor das nove sinfonias, cortado assim que ele morreu, continha uma concentração de chumbo cem vezes acima dos níveis de segurança).
 
Já sem qualquer brincadeira, a mesma Heloisa informa sobre o lançamento, na Argentina, de um livro de Diego Fischerman que se chama justamente “Efecto Beethoven: complejidad y valor em la música de tradición popular” (Paidós/Diagonales, 2004). Custa em torno de 20 dólares.
 
 
Tem que acontecer, tem que ser assim
Uma grande coincidência – e deve significar alguma coisa, não me perguntem o quê. Sexta, na sala de embarque da ponte-aérea para São Paulo, encontro Max Pierre, atual vice-presidente da Universal Music.
 
Não falamos de Sergio Sampaio, mas foi no autor de “Velho bandido” que pensei. Produzi o elepê “Tem que acontecer” para a Continental, em 1976 e Max Pierre foi o meu assistente de produção, coisa  que só me honra.
 
No fim da noite, no ‘Genésio”, o novo bar de Helton Altman, bebi uns bons chopes matando a saudade de Laércio de Freitas, o Tio, grande pianista há anos radicado em Sampa – e que tocou praticamente em todas as faixas daquele elepê. 
 
Na viagem de volta, também na sala de embarque, em Congonhas, cruzo com Luiz Melodia, que era o maior amigo do Sérgio. Tudo isso em menos de 48 horas. Essa alma quer falar... Ou não?
 
Por e-mail:
“Recém-chegado de Budapeste e Praga, envergonho-me de dizer que, pelas bandas de lá, os jornais falam de mensalão, José Dirceu, Lula, Delúbio, coisas assim. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a ‘Cultura & Mídia’ de junho de 2003 sobre o ex-todo- poderoso Chefe da Casa Civil e de sua campanha para a eleição do próprio filho à prefeitura de uma cidadezinha do interior do Paraná, contando com a ajuda do Ratinho. Realmente, não poderia acabar bem e deu no que deu. (Antonio Abílio Coutinho, guia de turismo, Rio de Janeiro, RJ)

“Como faço sempre às segundas, estou aqui lendo de novo a sua coluna. E ao relembrar o grande Quintana, pensei na situação do país, na minha condição de servidor público e tomei a liberdade de parafrasear o mestre gaúcho: eles mensalão, e eu mensalinho.” (Alceste Pinheiro, professor da UFF, Niterói, RJ)

“Numa semana repleta de más notícias (em Londres, terrorismo e mortes; aqui, pouca vergonha, corrupção e desalento), o que salvou foram duas crônicas magistrais: a do Affonso Romano de Sant"Anna, ‘Então foi para isto?’ (O Globo, 9/07/05) e a tua, 11 de julho de 2005.” (Amadeu Martins, professor aposentado da UERJ, Rio de Janeiro, RJ)

“Não me surpreende o momento brasileiro, me entristece.  A mediocridade está consagrada pela mídia (a parte desatenta, cooptada, claro) em que políticos, cartolas, artistas que imaginávamos respeitáveis e similares se superam. A petizada do Apocalipe não ousaria tanto. (Jorge Roberto Martins, jornalista e pianista, Rio de Janeiro, RJ)

“Supimpa a análise a respeito do que estamos vendo na política. Realmente terão essas pessoas a cara-de-pau de nos solicitar votos? Espero que deixem o cenário. Com relação ao Flamengo, que tristeza... Pra quem já viu o tri de 53/55, com Rubens, Dequinha, Evaristo, Dida e outros; viu outro com Zico, Adílio, Andrade, ter que aturar Fernando, Fabiano e o resto... Será que os dirigentes são incompetentes, mal-intencionados, cegos?  Finalmente, obrigado pela crítica ao Prêmio Multishow. Eu achava ter ficado rabugento.” (Aloísio Mattoso, Niterói, RJ)

“Você conhece o Trapiche Gamboa? Um lugar lindo, na Sacadura Cabral, 155. Uma casa de samba fora do circuito da Lapa que conserva a arquitetura do Rio Antigo. O casarão construído em 1857 tem um pé direito de 13 metros, vigas de madeira de jatobá, parede de pedra e piso de azulejo hidráulico. Com três andares, o bar ainda tem um aconchegante jardim de inverno, para quem quiser conversar e ouvir o samba ao ar livre. É um dos bares mais bonitos hoje no Rio. Além de tudo, tem samba de quarta à sábado. Programação musical ótima, petiscos de primeira. Cerveja de garrafa sempre gelada. Batida de vários sabores, inclusive pitanga. Enfim, tudo que um bar precisa para ser super agradável.” (Tatiana Guimarães, jornalista, Rio de Janeiro, RJ)

“Com referência à dúvida no artigo de 4/07/05, ‘Embuçado’ é o título de um fado cuja letra conta a história de um personagem que sempre aparecia incógnito nos salões de fados e guitarradas, mas um dia descobriu-se que o embuçado era o rei de Portugal. Quanto ao ‘Venham Mais Cinco’, é o título de uma música, de autoria de José Afonso, autor também de ‘Grândola Vila Morena’, que acabou tornando-se hino da Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974.” (Carlos Moreira, Resende, RJ)
 
robertobienal3jk.jpgRoberto M. Moura, é carioca jornalista, crítico musical, produtor e diretor de espetáculos, roteirista e apresentador de programas culturais na Tv Educativa/RJ (atualmente, faz parte da equipe fixa do “Comentário Geral”). Email: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
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