Atualmente, cresce o fantasma de uma "Guerra da Água", mesmo que alguns estudiosos descartem essa possibilidade.
A "América do Sul" possui 26% dos recursos hídricos do planeta, para abastecer apenas 6% da população mundial.
O fato a expõe a conflitos - inclusive bélicos, segundo algumas fontes - pela apropriação da água que, mesmo sendo tão abundante, não é compartilhada por todos os latino-americanos, disseram especialistas e organizações internacionais.
O prêmio Nobel da Paz 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, revela que na América Latina já está em andamento uma guerra pela apropriação da água, já o vice-coordenador do Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos da Unesco, Carlos Fernandez Jauregui, negou que a água, por si só, cause um conflito armado.
A América do Sul, é a reserva mundial de água, e que segundo alguns estudiosos já é exportadora do recurso por vias indiretas, conta com o Aqüífero Guarani, compartilhado por: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que abrange cerca de 1.200.000 quilômetros quadrados e pode abastecer cerca de 360 milhões de pessoas.
Há também a reserva de água da Amazônia, a mais importante do planeta, e os rios Orinoco e Plata.
Fernández Jauregui explicou que na América Latina e Caribe o problema consiste na distribuição não apropriada, ao ponto que 60 milhões de pessoas não têm acesso à água potável, segundo os índices da Unesco.
Na América Central, por exemplo, metade da população não tem acesso à água potável, que, entre 80% e 90%, provêem de lençóis subterrâneos, segundo o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Com a intenção de melhorar a distribuição, muitos governos optaram pela privatização, que segundo alguns índices ocasionou uma ampliação do fornecimento da água, mas em vários países é preciso ser contra esta política e denunciar as tarifas inapropriadas, tratando-se de um recurso natural que é co-propriedade dos habitantes de cada país.
Na Bolívia, a privatização do serviço de administração e saneamento foi responsável pelos aumentos de tarifas, provocando a reação da população, com protestos e greves gerais que obrigaram o governo, em duas oportunidades, a cancelar o contrato com a empresa concessionária.
Atualmente, cresce o fantasma de uma "Guerra da Água", mesmo que alguns estudiosos descartem essa possibilidade, o recurso já esteve no centro de ao menos cinco conflitos entre nações latino-americanas limítrofes, que são banhadas pelos mesmos rios e bacias hidrográficas, como o caso mais recente, a do conflito entre o Equador e Peru em 1995, inclusive ações militares nas proximidades do rio Cenepa.
Esses conflitos internacionais, assim como as disputas nacionais, atuam como um fator para projetos da exploração comercial do recurso.
"Exportar água pode ser difícil nesta região", declarou a especialista em recursos hídricos da Nature Conservancy, Carmen Revenga, e Fernández Jauregui explicou que não há motivo para pensar em exportação pelos custos e porque formalmente seria muito difícil pensar que um país exporte água.
Carmen Revenga ainda advertiu que a América Latina já exporta água virtual, ou seja, água contida em produtos vendidos em grandes quantidades principalmente para a Europa.
A manipulação dos recursos hídricos latino-americanos mostra, portanto, os problemas de gestão, nacional e internacional, com conflitos entre as sociedades e empresas privadas, assim como problemas ambientais em um processo que tem uma relação próxima com a saúde, como expressou Damián Indij, coordenador da Lawetnet, uma rede latino-americana de capacitação em temas relacionados à manipulação da água.
Segundo Indij, apenas através de uma posição crítica latino-americana será possível ter uma visão do futuro e uma consciência da riqueza hídrica.
Além dos 60 milhões de habitantes da América Latina, no resto do mundo, um bilhão de pessoas não possuem acesso a este recurso indispensável para a vida, e isso é o que dá lugar a teses de conflitos iminentes.
Uma das metas para o novo milênio, aprovadas pela Assembléia Geral das Nações Unidas, estabelece que para 2015 este número deverá ser reduzido pela metade.
Um relatório do FMI - Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial demonstra que cumprir essa e as outras "Metas do desenvolvimento do Milênio" será impossível.
ANSA
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA
1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceder como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 30 de Declaração Universal dos Direitos Humanos.
3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia.
4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.
5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.
6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e diascernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis.
8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.
9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Acesse:
|
NÃO DESPERDICE ÁGUA:
• Você sabia que, no Brasil, cerca de 40% da água tratada é desperdiçada? Um homem que faz a barba com a torneira aberta pode chegar a gastar 65 litros de água. Ao escovar os dentes ou fazer a barba, abra a torneira somente quando precisar lavar a escova ou a lâmina de barbear.
• Troque válvulas de descarga por caixas de 6 litros. Ao acionar a válvula de descarga, você gasta de 10 a 30 litros. Já com as caixas externas de 6 litros, você economiza de 4 a 24 litros de água por descarga com o mesmo efeito.
• Sempre verifique o encanamento e as torneiras de sua casa e arrume as torneiras que estão pingando. Uma torneira pingando desperdiça mais de 40 litros de água por dia e cerca de 16 mil litros por ano!
• Verifique sempre sua conta de água e observe a média gasta a cada mês. Uma variação acentuada pode indicar vazamento ou uso indevido.
• Para economizar água, lave o carro com a água de dois baldes e uma esponja, ao invés de uma mangueira.
• Instale torneiras com aerador (aquelas peneirinhas localizadas no local de saída da água), mecanismo que reduz o desperdício.
• Se precisar regar as plantas de seu quintal na época de seca, não o faça durante as horas mais quentes do dia. Muita água será perdida antes de atingir as raízes.
• Aproveite a água da chuva para regar as plantas. Você pode armazenar essa água em recipientes colocados na saída das calhas, lembrando-se apenas de tampá-los para evitar a propagação de focos de mosquito da dengue.
• Nunca use a mangueira para lavar a calçada. Prefira uma vassoura, que é a ferramenta mais adequada para essa tarefa.
CUIDE DO SEU LIXO, ele também é um poluidor de águas, além do que um causador de enchentes:
• Evite o uso de pratos e copos descartáveis. Eles consomem energia na sua fabricação e aumentam a quantidade de lixo. Prefira produtos de cristal, vidro ou cerâmica, que podem ser utilizados mais de uma vez.
• Não jogue pilhas e baterias antigas no lixo, procurando sempre as instalações adequadas para isso.
• Conserve os produtos em suas embalagens originais sempre que possível, guardando-os em local fresco e seco, para reduzir o desperdício.
• Tente comprar somente a quantidade necessária daquilo que vai consumir. Assim, você evita jogar fora coisas que poderiam acabar poluindo o ambiente.
• Dê preferência a produtos com embalagens retornáveis. Assim, você estará ajudando a diminuir o acúmulo de resíduos tóxicos nos rios e mares e, principalmente, evitando jogar fora um material como o plástico, que demora centenas de anos para se decompor.
• Nunca jogue lixo pela janela de seu carro. Tome cuidado especial com pontas de cigarro, que podem causar incêndios na beira das estradas.
• Lugar de lixo é na lixeira. Qualquer coisa jogada nas ruas, praças ou parques, entre outros, não apenas deixa a cidade mais feia, como entope bueiros e ralos, aumentando o potencial de enchentes em época de chuva.
• Quando for à praia, leve uma sacola grande para recolher o seu lixo. Nunca jogue nada na areia ou na água. Além da poluição, o lixo pode prejudicar animais que venham a comê-lo.
• Se você encontrar lixo - como latas ou garrafas - ao caminhar pela praia ou parques, recolha o material e leve-o para casa (ou jogue-o em uma lata de lixo perto do local onde você está).
• Não jogue pneus velhos na natureza. Ao serem queimados os pneus geram uma substância cancerígena. Se ficarem abandonados a céu aberto, tendem a acumular água e torna-se local propício para a proliferação de insetos. Além disso, levam mais de 600 anos para se decompor. A alternativa é encaminhá-los a centros de reciclagem.
• Com restos de comida, cascas de frutas, pó de café e outras sobras você pode fazer adubo. Para começar, fure uma lata de 20 litros no fundo e dos lados. Forre o fundo com uma camada de um centímetro de folhas e vá despejando diariamente lixo orgânico. Pedaços maiores devem ser picados. Coloque camadas alternadas de lixo e de terra (camada fina). A lata deve ser tampada para não atrair moscas. Deve também permanecer em local arejado por causa do cheiro. Depois, de dois a três meses, você terá o adubo pronto. Misture uma parte de terra com outra de adubo. Aí é só colocar nos vasos.