Há alguns dias atrás um deputado federal da base aliada declarou que considera necessário que as investigações ensejadas pela CPI dos correios, esclareçam as supostas atividades “meio-ilícitas” que envolvem a participação de parlamentares e líderes políticos em esquemas de corrupção.
Não obstante o cuidado para conter qualquer tipo de afirmação, visto que há um processo investigativo ainda não concluído, chamou-me atenção a maneira como tais supostas atividades foram qualificadas como “meio-ilícitas”.
Ainda que possamos supor que se tratou apenas de um ato falho, é curioso observar como novas idéias e conceitos vão sendo, pouco a pouco, construídos. Até então considerava que estaria absolutamente clara a distinção entre o significado vernacular dos termos: lícito e ilícito. Por esta razão, surpreendeu o fato de que pode haver um terceiro termo, um qualificador alternativo, que permita situar as ações políticas no nível do “mais-ou-menos” ilícito. Interessante. Contudo, fiquei a pensar aqui com meus botões se já havia visto o uso de tal termo em alguma parte do texto constitucional que, por sua vez, tem também por objetivo balizar as ações políticas calcadas na idéia de representatividade pública. Que me corrijam os doutores das leis, mas acho que não há prescrição legal para atos “meio-ilícitos”.
Assim, restou-me a seguinte dúvida: quando, por exemplo, ocorre uma tentativa de homicídio, será que seria válido considerar que a vítima se encontra “meio-morta”?
Ou ainda, quando surgem evidências de que o dinheiro público estava sendo usado para financiamentos privados, poderíamos dizer que teria havido práticas “meio-corruptas”? Na qualidade de cidadão brasileiro e, tendo a oportunidade de acompanhar o desenrolar das denúncias sobre o caso dos Correios, bem como das peculiaridades do suposto envolvimento do PT, sinto-me atônito diante da possibilidade de haver uma resposta também “alternativa” para estas indagações. Se esta distorção de sentido entre o que é certo e errado estiver consolidada no dicionário privado do Congresso Nacional, então não restará dúvidas de que inexiste qualquer oposição entre o ideário do Partido dos Trabalhadores e as denúncias sobre as ações de suas lideranças. Ou seja, poderemos dizer que isto seria, pelo menos, “meio-aceitável”. Naturalmente, é difícil assimilar esta idéia e, está claro, não haveria qualquer objetivo prático-construtivo na atitude de pensar que tudo e todos estão mergulhados em um pântano de imoralidade. Se existe e persiste, desde o início do governo Lula, a péssima capacidade de articulação política do PT, provavelmente reflexo de problemas de comunicação institucional dentro do partido e na Câmara dos Deputados.
Agora, esta mesma inépcia política encontra-se agravada pela suposta existência de um grupo de indivíduos que se mobilizavam em paralelo às ações partidárias e, igualmente, vinculados a algumas outras agremiações. O que parece inexplicável é como as hipotéticas ilações sobre tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, que impactam sobremaneira a imagem do partido, passaram ao largo do olhar atento de líderes e dignitários do partido que, dada suas experiências funcionais, não levantaram quaisquer suspeitas antes de, por exemplo, apor assinaturas. Ao final, pelo menos, podemos imaginar que, entre os companheiros, deve haver quem ainda se reconheça pelo ideário representado na flâmula ostentada há vinte e cinco anos. Quanto aos demais, restará saber a qual dos dois “PTs” estão filiados.
Caiuby Freitas, é cientista político. E-mail:
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O tema , de sua autoria , " Dois Partidos, Uma Bandeira ", apesar da forma jocosa com que foi discorrido, deixou-nos a impresso de seriedade em sua abordagem.
Com registros informativos calados por interessantes observa㧧es, alm de nos ter contemplado com a " Ceia dos Cardeais ", rs , sentimos-nos servidos de uma esp婩cie de sobre-mesa , qualidade PT, rs , nesse repasto de sutilezas assim to bem postas.
A propsito, j㳡 que o Presidente, falou em cortar a prpria carne, que tal sugerirmos que aproveite e corte tambm a bandeira petista? Seria dif㩭cil advinharmos com que pedao ficar ?
Coment硡rios de : Mulher Brasileira - julho / 2005