| Ilustrar v.t . 1. Tornar ilustre; glorificar. 2. Esclarecer; elucidar. 3. Abrilhantar; iluminar. 4. Instruir. 5. Ornar com ilustrações |
"Ah... tenho um filho que desenha muito bem!". Foi assim que Samuel Casal conseguiu seu primeiro teste em um jornal que hoje, já não existe mais.
"Olha, seus desenhos são horríveis, não dá para publicar; mas, suas idéias são muito boas". Apesar da resposta desconcertante, o emprego era dele. Com 16 anos (1990), em Caxias do Sul (onde nasceu), foi ver "qual era a da pena e do nanquim".
Grandes cartunistas rondavam a redação - "Eu ia sugando, botando o orelhão mesmo, sempre parasita: vendo o que faziam, lendo o que eles liam", diz Samuel Casal.
Sua primeira HQ sobreviveu a apenas três capítulos - A "Bicarbonato de Ódio" era um lance alienígena bang-bang e, segunda a definição do próprio autor, horrível. "Eu queria fazer HQ's mais underground, mas no jornal não rolava. Deviam olhar para mim e pensar: este menino é doente !"
O editor chefe no jornal da RBS, onde ele trabalhava, foi transferido para Florianópolis. Com o novo editor, Samuel teve divergências que resultaram na sua demissão. Não demorou muito para que seu antigo chefe o trouxesse para a ilha. Hoje, Samuel Casal é o Editor de Arte e Ilustrador do Diário Catarinense.
Quando foi que o lance ILUSTRADOR engrenou de vez?
Samuel Casal: Comprei um computador e fui aprendendo na marra. Decidi que queria fazer isso e ser bom nisso. Em 2000 entrei numa lista de discussão na internet... E nesta lista estava o Kipper, o Maringone... Caras que estavam num altar pra mim. Entrei super tímido, nem sabia como funcionava. Um dia mandei um desenho pro Kipper. Logo em seguida um amigo do jornal me disse: "Ba, o kipper botou teu desenho na lista!" Ele ainda me convidou para participar da lista da FRONT. Aí que vi que esse universo HQ, que eu tinha esquecido, existia e tava todo ali, no submundo; e descobri esse projeto para HQ's Adultas. Nunca achei que soubesse desenhar. Sempre pensava que o meu desenho era o pior de todos até que me disseram o contrário. Quando os caras que eu mais admirava disseram que eu sabia fazer aquilo, decidi tirar o atraso. Comecei a desenhar, muito, muito, o tempo inteiro. Mostrava e todo mundo gostava. Viciei-me naquilo.
E os roteiros?
Samuel Casal: Então... O primeiro que fiz, foi "Dois cliques para o Inferno". Publicado no Front oito em 5 páginas. Ba... Senti-me nas nuvens. Depois veio o convite da Fábrica de Quadrinhos. Fiz uma história para um álbum de luxo que acabou não sendo publicado. A história foi parar no projeto "Dez na Área, Um na Banheira e ninguém no Gol", uma coletânea de histórias sobre futebol para ser lançado na Copa. E ali estavam Allan Sieber, Galhardo, Custódio, Lelis, Zimbres... Eu pensei: "Pôooo... to nesse time aí? Então vamos jogar!" Depois disso comecei a aparecer como quadrinista e surgiram muito trabalhos. Apareceu essa exposição na Espanha, um álbum de quadrinistas do Brasil. Foi assim... De repente eu tava no meio e todo mundo dizendo que era quadrinista.
O que você pensa sobre seu trabalho hoje em dia?
Samuel Casal: Ainda mando desenhos e fico com frio na barriga para ver se gostaram. Mas hoje acredito mais no que faço. O Orlando, um cara que ilustra a Folha e a maioria das revistas brasileiras, é meu mentor... Estou sempre mandando desenhos e perguntando o que ele acha. Na verdade ele me acha o cara mais chato do mundo!
Parece que sempre tenho que ir atrás de respostas... Ainda tenho esse bloqueio. Mas me divirto muito mais hoje em dia.
Esse teu estilo, com o perdão da palavra, fodasso, veio com o computador?
Samuel Casal: Na verdade o que aconteceu com o meu desenho, que todo mundo acha muito original e tal, foi uma interpretação diferente das ferramentas que o computador dispõe. As pessoas querem desenhar no computador da mesma forma que elas desenham à mão; e não é isso. Minha forma de desenhar no computador se remete muito mais a uma colagem do que a um traçado. Por isso parece um mistério. É o meu segredo e não conto para ninguém.
É sério que você desenha com mouse?
Samuel Casal: É. Sempre assustei as pessoas com isso. Todo mundo me pergunta como faço. Desenho direto no freehand, sem rascunho, sem nada... Pra mim é a coisa mais simples do mundo.
Você não parece ser um fissurado por HQ's.
Samuel Casal: Não leio nada, sou um ignorante em HQ. Mas acho que isso foi bom pra mim porque, quando apareci, ninguém entendeu muito. E, justamente por não ter tanta referência visual, saiu o que saiu.
O que vem em primeiro lugar: ilustrador ou quadrinista?
Samuel Casal: Sempre fui muito dividido. Tenho muita vontade de fazer quadrinhos; as pessoas me cobram muito. Mas é muito trabalhoso e não te dá retorno. Foi por isso que espalhei meu portfólio como ilustrador. A história se repetiu e acabei fazendo ilustrações para a revista Mundo Estranho, Super Interessante, Você S/A, Exame, Sexy, até para a Folha de São Paulo... A ilustração pesa bem mais, me dá mais retorno e visibilidade. Apesar dos movimentos de resistência, o quadrinho ainda é uma coisa que não existe.
Que tipo de som você escuta enquanto desenha? Vamos ver se encaixa...
Samuel Casal: Escuto muita coisa. Uns sons podrera, hardcore novaiorquino, Biohazard, Sepultura, rap, blues... Motorhead é a banda do meu coração. Odeio MPB e rock nacional. Acho que meus desenhos são baseados muito no que vejo, mas bastante no que escuto.
Suas ilustrações para jornais e revistas se diferenciam muito da sua preferência?
Samuel Casal: Meu trabalho varia do mais sujo ao mais limpo. Mas não vou negar que gosto muito das coisas mais sombrias, do lado feio do ser humano, do surreal. Gosto muuuito das coisas feias (minha mulher não vai gostar nem um pouco dessa frase).
A primeira vez que fui num encontro de desenhistas, os caras me falavam: "Tu que é o Samuel? Nossa... imaginava um cara gordão, cabeludo, barbudo, um monstro". Não sei de onde surgiu isso!
Como você vê a resposta do leitor para as ilustrações.
Samuel Casal: Acho que ilustração ainda é uma coisa alienígena, para o leitor; tem gente que nem enxerga. Em São Paulo participo de uma Sociedade de Ilustradores do Brasil que está tentando levantar a moral desta Arte. Ela está por tudo e ninguém vê que por trás do "desenhinho" existe um profissional. No mercado da ilustração as pessoas só passam o olho e não procuram crédito. Talvez se eu fizer uma exposição com uns 20 desenhos gigantes...
Acho que aí as pessoas enxergam, né?
Samuel Casal: Exatamente. Queria mostrar que o jornal disponibiliza arte para os leitores todo dia. Seria um lance tipo: "Arte para embrulhar peixe". Às vezes coloco jornal no chão por causa do meu cachorro e vejo umas ilustrações... Abaixo-me para ver de quem é e peço: "o Caco... não faz cocô aqui nessa caricatura não".
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"Samuel Casal, é ilustrador profissional desde 1990. Atualmente é Editor de Arte do Diário Catarinense, em Florianópolis, e ilustrador freelancer, já tendo colaborado com várias publicações nacionais como Caros Amigos, Você S/A, Exame Info, Macmania, Mundo Estranho, Superinteressante, Folha de São Paulo entre outras. Casal também é quadrinhista e suas hqs já foram publicadas nos álbuns Front 8, 9, 10, 11 e 12, na coletânea "10 na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol", Ragú 5 e no catálogo da exposição ConSeqüências (Madri/Espanha). Em 2001 ganhou o Troféu HQmix como Desenhista Revelação e em 2003 venceu o XI Salão de Desenho para Imprensa, na categoria Histórias em Quadrinhos. Em 2004 recebeu Menção Honrosa na categoria Ilustração Editorial também no Salão Internacional de POA e mais três troféus HQmix, como melhor Desenhista Nacional, Ilustrador Nacional e pelo melhor Fanzine, com o Xerocs Porcoration, desenvolvido com o quadrinhista goiano Galvão e o cronista paulista Artur de Carvalho.
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carranca
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__Mas no computador a veia contestatória do artista vai pro esgoto, ele não escolhe a ferramenta, o mercado empurra Photoshop... Ou Corel Draw, na melhor das hipóteses Illustrator...Sempre sobre o Cálice sagrado da Microsoft, ou com muita sorte e grana, sobre um Mac!
__Eu particularmente uso uma ferramente simples e livre, chamada inkscape (www.inkscape.org) e outra chamada Gimp (www.gimp.org), pois não tenho nenhum interesse em fazer arte patrocinado pela COrel, Microsoft, Adobe etc. . .A arte do CAsal é espetacular, mas o processo de produção, parece mera reprodução: Não existe original, não tem textura, cópia digital pode ser multiplicada um um zilhão de vezes com exatamente as mesmas caractéristicas...Por isso pra mim não é arte...No máximo, algo bem feito!